"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



Crédito da imagem: jscreationzs / FreeDigitalPhotos.net
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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Projeto pioneiro da OnG Programando o Futuro no Centro-Oeste recicla plástico de eletrônicos

Projeto pioneiro no Centro-Oeste recicla plástico de eletrônicosRealizado em Valparaíso (GO), com apoio da Fundação BB, projeto passa a reciclar material que seria descartado ou enviado para São Paulo
Sobras de plástico retiradas de lixo eletrônico, que antes eram descartadas em aterros sanitários ou enviadas a São Paulo para reciclagem, agora são transformadas em brinquedos, copos, canetas e brindes em geral, em Valparaíso (GO), cidade a 60 quilômetros de Brasília.

A transformação é realizada em uma impressora 3D, a partir de material plástico de lixo eletrônico, como televisões e impressoras descartadas. O projeto em fase experimental e pioneiro na região Centro-Oeste é resultado de uma nova parceria entre a Fundação Banco do Brasil e a Ong Programando o Futuro, com o apoio da Universidade de Brasília.

Com o investimento social de R$ 197 mil, foi possível estruturar o laboratório de tratamento e destinação correta do que é conhecido como refugo eletrônico (material extraído de equipamentos eletroeletrônicos e de difícil tratamento e destinação). A Programando o Futuro adquiriu um conjunto de máquinas que ajudam na triagem, separação e descaracterização dos rejeitos de plástico, cobre, borracha e fibras de papelão. A experiência está sendo executada dentro da Estação de Metarreciclagem (EMR), um projeto que a entidade desenvolve desde 2010.

Além de ajudar a preservar o meio ambiente, a iniciativa gera trabalho e renda para os colaboradores da Ong e trabalhadores das cooperativas da região. Para esse trabalho, 14 colaboradores - funcionários e bolsistas - foram capacitados. É o caso de Glauber Lima, ex-aluno do curso de montagem e configuração de computadores, oferecido pela Estação de Metarreciclagem. Hoje ele é parceiro da Ong e faz uso de peças e outros materiais reciclados na fabricação de aeromodelos.

"Essa nova parceria com a Fundação Banco do Brasil possibilitou o início imediato das operações com a aquisição do maquinário. Agora podemos reaproveitar aquilo que não tinha condições de reciclagem para a fabricação de novos produtos. Estamos felizes e o meio ambiente agradece", declara Vilmar Simion, coordenador executivo da Programando o Futuro.

O coordenador do projeto, Adalberto Vale, explica que o processo é feito por meio de um sistema de aglutinação em que é usado 60 por cento de refugo e 40 por cento de plástico de primeira linha retirado dos aparelhos. O resultado é uma matéria-prima de boa qualidade. O produto desse processamento é repassado para as FabLabs - espaços que reúnem pessoas de diversas áreas para fabricação digital de forma colaborativa -, universidades, empresas de impressão 3D e, futuramente, para condomínios habitacionais de baixa renda que priorizem materiais reciclados. Com as sobras também podem ser fabricados bancos de praças, bloquetes, tijolos ecológicos, tachões ou redutores de velocidade e placas de trânsitos.

Com esse projeto, o lixo eletrônico pode ter uma extensão da vida útil, por meio do reuso, permitindo a comunidades menos favorecidas o acesso a computadores recondicionados , explica Rosângela Brandão, assessora da Fundação BB. "Além disso, substâncias que seriam poluidoras, se descartadas, voltam ao mercado produtivo como matéria-prima, contribuindo em uma enorme economia de recursos naturais. Assim, a Fundação BB observa as dimensões social, econômica e ambiental, ao apoiar um empreendimento social autogerido", destacou.

Sobre a Metarreciclagem
O projeto Estação de Metarreciclagem capacita jovens de comunidades carentes, com idades de 15 a 28 anos, ao oferecer oficinas de formação técnica para recondicionar equipamentos de informática. Os computadores, impressoras e monitores são doados para iniciativas de inclusão digital, bibliotecas, telecentros e laboratórios de escolas públicas e creches. A capacidade de tratamento de lixo eletrônico da Estação é de 500 toneladas ao ano. A Fundação Banco do Brasil é parceira da Ong desde a criação e já investiu R$ 5,2 milhões em 54 projetos.

A realização deste projeto contempla um Objetivo do Desenvolvimento Sustentável, que faz parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

Disponível em: FBB - Fundação Banco do Brasil
Escrito por: Dalva de Oliveira

sexta-feira, 10 de maio de 2013

PepsiCo leva ao mercado mais de 85 mil displays 100% reciclado


Mais da metade dos expositores de snacks da PepsiCo nos pontos de vendas são feitos de embalagens. Mais de 56 milhões de unidades foram reutilizadas
A PepsiCo, fabricante das marcas Ruffles,Quaker, Gatorade, dentre outras, levou ao mercado mais de 85 mil displays 100% reciclados para expor seus produtos em supermercados e pontos de vendas nos últimos dois anos.
O projeto pioneiro confecciona displays a partir de BOPP (película de polipropileno biorientada) utilizada na fabricação das embalagens de snacks da própria empresa.
Em 2011, foram produzidos cerca de 90 mil displays, sendo 42 mil reciclados. Para cada display BOPP, são reutilizadas em média 675 embalagens, chegando a 56 milhões de unidades no total.
“Quando o projeto foi desenvolvido pela PepsiCo Brasil em 2010, a meta era produzir 20 mil displays reciclados por ano, e hoje, já estão nos pontos de vendas mais do que o dobro da estimativa inicial. A nova empregabilidade do BOPP ajuda a desmistificar a crença de que as embalagens de snacks não são recicláveis” – explica Marcos Freire, Diretor de Assuntos Corporativos da PepsiCo Brasil.
Para mudar essa cultura, a PepsiCo utiliza as embalagens de seus produtos para comunicar os consumidores a forma correta de descartá-las, isto é, em pontos de coleta de materiais plásticos. Para tanto, foram lançadas as Brigadas PepsiCo, que têm o objetivo de engajar os consumidores no processo de destinação correta destas embalagens. Hoje, cerca de 138 mil pessoas estão envolvidas no processo de coletiva seletiva por meio das brigadas.
Essa iniciativa faz parte da visão de negócios da PepsiCo chamada Performance com Propósito, que significa alcançar crescimento sustentável ao investir em um futuro mais saudável para as pessoas e para o planeta. Dentro dessa estratégia, a
PepsiCo tem o compromisso de descobrir formas inovadoras para minimizar seu impacto no meio ambiente.

Fonte: Assessoria de Comunicação da PepsiCo
Disponível em: ABRAS

Acordo setorial para embalagens em geral: proposta já está em análise pelo MMA

Depois da conclusão da missão do GTT Embalagem, com o lançamento do edital e finalização de estudo de viabilidade técnica (patrocinado pelo governo), em 2013 começa a fase de discussão do acordo setorial propriamente dito. A proposta de acordo do varejo e indústria, apoiada pela Abras, foi entregue à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, no dia 19 de dezembro. A meta inicial, presente no edital, é reduzir em 22% os resíduos recicláveis dispostos em aterros até 2015.
A proposta entregue pelo Grupo Coalizão, coordenado pelo Compromisso Empresarial para a Reciclagem (CEMPRE), que reúne mais de 20 entidades da indústria (produção de matérias-primas e produtos de consumo) e do comércio (ABRAS, ABAD, e CNC), está calcada em projetos principalmente nas regiões metropolitanas das 12 cidades sedes da Copa do Mundo de 2014, com pontos de entrega voluntária (PEVs) e apoio a cooperativas de catadores.
No caso dos PEVs , é importante observar que os PEVs do comércio têm apenas função educativa e de promoção dos benefícios da reciclagem, sendo a coleta seletiva obrigação dos municípios. Na verdade, os PEVs ou ecopontos municipais são os mais adequados, porque otimizam a logística reversa com a coleta seletiva.
Pela PNRS, todos os municípios devem implementar sistemas de coleta seletiva até 2014, marco em que seriam eliminados os lixões (ainda falta muito para que este objetivo seja cumprido, até mesmo nas capitais e grandes cidades, mesmo com linhas de financiamento abertas pelo governo federal).
O processo de assinatura do acordo de embalagens pode levar boa parte do primeiro semestre do ano e, portanto, estima-se para o segundo semestre uma definição mais efetiva de qual modelo de LR será praticado.
Pontos de atenção do varejo:
- Criação de PEVs e melhor logística de operação (com divisão de custos e modelos de ações coordenados com a indústria e incluindo serviços de cooperativas de catadores);
- Divulgação de ações de LRs e de conscientização do consumidor (Plano de Comunicação);
- Leis municipais e estaduais que podem obrigar a LR de Embalagens sem levar em conta o trabalho organizado pelo governo federal em Brasília;
- Taxas que poderão suscitar do processo de coleta seletiva dos municípios, independentemente da LR.
Representaram a Abras na entrega da proposta do Grupo Coalizão à ministra, o vice-presidente da área Institucional Marcio Milan e o diretor de Relações Institucionais, Alexandre Seabra.


Fonte: ABRAS

Compra de produtos com marcas próprias pode auxiliar as grandes redes de supermercados a realizar a logística reversa


Crédito da imagem: ABRAS
O impulso de compra de produtos com marcas próprias - geralmente bem mais baratos do que os de marcas famosas - deve se mostrar como uma saída a ser utilizada por empresas do setor varejista, tanto para incrementar o faturamento, como para tentar resolver certas questões como a aproximação do consumidor à marca e a diminuição da dependência de produtos importados. Desta maneira, deve ajudar, aliás, a questão da logística reversa - a ser analisada em 2014 -, com a nova Lei dos Resíduos, que deverá entrar em vigor, mas ainda causa desconforto entre as empresas por falta de regras claras. 
A perspectiva é de que várias categorias tenham, nos próximos anos, um leque grande de marcas próprias disputando as gôndolas. Desta maneira, a dependência dos produtos importados poderá ser menor e, assim que for aprovada a norma para a logística reversa de resíduos, uma das maiores preocupações do varejo - o que fazer com os itens importados - possa ser até algo minimizado. Isso, claro, se houver realmente a ampliação de itens marca própria nas lojas. Afinal, esses produtos são produzidos por fornecedores locais, e a divisão da responsabilidade do descarte correto desses produtos poderia mesmo ficar mais prática, pois caberá ao comércio receber, em postos de coleta, as embalagens e demais produtos usados descartados pelos clientes. A indústria fará a separação dos materiais retornados para encaminhá-los à reciclagem ou aterros sanitários, dependendo da natureza do "lixo". 
Responsável por fornecer cookies e biscoitos a players como as redes Dia e Pão de Açúcar, a Dauper registra crescimento médio de 35% ao ano e, segundo o diretor Comercial da empresa, Raul Matos, o uso das marcas próprias pode contribuir ainda mais com o setor varejista e proporcionar menor dependência aos bens de consumo estrangeiros. "A marca própria pode ajudar no sentido de suprir a inovação, que as empresas buscavam antes com os importados", comentou ele. 
Com os negócios aquecidos, a previsão é da Dauper crescer 30% em 2013, com novos produtos e expansão da rede própria de lojas. Para o executivo da marca, o papel do segmento tem mudado no Brasil. "O desenvolvimento da marca própria hoje no Brasil já segue um pouco a Europa, onde os varejistas lançam tendências. Aqui, eles pegavam o que já existia, descobriam qual o preço, a embalagem e não queriam nada diferente, só ofereciam uma redução de uns 20% no preço." 
Matos ainda argumenta que produtos com o nome do supermercado ou lojas podem auxiliar até na negociação com marcas nacionais. "Lançamos o cookie Dia com 30% de chocolate premium, que já vende mais do que qualquer outro produto na loja. Quando uma empresa tem um produto forte, com a marca dela, ele fica menos dependente de líder, como Unilever ou Kraft, no nosso caso." 
A empresa gaúcha tem fábrica em Gramado (RS) e acumula 25 anos de expertise como fornecedora de biscoitos e mix de cereais. Hoje começa uma rede de lojas próprias e pretende abrir a segunda biscoiteria em São Paulo. 
Alcance 
O crescimento das marcas próprias no Brasil também se evidencia no tipo de cliente que consome os produtos. Estudo da empresa Kantar Worldpanel, diz que as classes A e B são atualmente as maiores consumidoras desses itens: cerca de 60% das famílias nessa faixa econômica adquiriram algum item com marcas próprias. A classe C registrou 52%, enquanto D e E registraram 49%. Mas a participação da classe média deve aumentar nesse quesito. Em entrevista ao DCI, o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), João Galassi, afirmou ontem, durante a feira Apas 2013, que as marcas próprias permitem maior fidelidade deste tipo de clientes a determinada rede varejista. "Quando se coloca um produto com marca própria, a confiança da classe C naquele mercado ou naquela empresa aumenta. Tem um peso maior, principalmente para essa faixa de consumidores", apontou. 
Outro ponto no mercado é que segundo dados apresentados ontem pela Nielsen, o faturamento das marcas próprias atingiu no ano passado cerca de R$ 2,8 bilhões, ou seja, um aumento de 56% em relação ao ano de 2008. A pesquisa mostra ainda que o segmento ainda não está consolidado no País, quando comparado a outros mercados como o europeu. Logo, abre-se um grande leque de oportunidades para as empresas do comércio varejista. 
Nas redes Extra e Pão de Açúcar, por exemplo, esses artigos foram inseridos em 2006 e hoje se dividem em quatro marcas diferentes: Taeq, Qualitá, Club des Sommeliers, e Casino. A Taeq é composta por produtos saudáveis; já a linha Qualitá é de itens de primeira necessidade ou de cesta básica, além de artigos para limpeza e higiene pessoal. A produção desses artigos é feita por mais de 500 fornecedores.

Por: Igor Utsumi

domingo, 28 de abril de 2013

PNRS abre novos mercados no país - Na indústria da reciclagem estão as maiores oportunidades

Cada etapa a ser superada na implantação da logística reversa – o gerenciamento do fluxo de produtos e embalagens do ponto de consumo até o ponto de origem, o contrário da logística usual, que administra os materiais da produção até o consumo final –, espinha dorsal do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS, Lei nº 12.305/2010), é um novo mercado que começa a ser vislumbrado por empresas nacionais e estrangeiras. Esses nichos vão desde campanhas publicitárias de educação ambiental dos consumidores, passam pela ampliação da indústria de reciclagem e alcançam a prestação de serviços às seis cadeias produtivas priorizadas no marco legal.
Após quase vinte anos de debate,  indústria, comércio e consumidores de eletroeletrônicos, pilhas e baterias, lâmpadas, embalagens, óleos lubrificantes e pneus terão de lidar, conjuntamente, com a devolução de embalagens e produtos e o reaproveitamento desses materiais em processos produtivos próprios ou de terceiros. A intenção é estender o PNRS a todos os segmentos industriais, mas o foco inicial são os resíduos pós-consumo daqueles que oferecerem maior risco ambiental e já estão submetidos a alguma regulação. 
Embora o fluxo logístico reverso já seja praticado por parte das empresas brasileiras, para a maioria dos segmentos o gerenciamento de resíduos pós-consumo é novidade. Esta realidade vem mudando por diversos fatores, segundo o diretor da Sargas Logística, Leonardo Lacerda: pressões externas por maior rigor da legislação ambiental, concorrência e redução de custos. “A legislação ambiental caminha no sentido de tornar as empresas cada vez mais responsáveis por todo ciclo de vida de seus produtos, ou seja, serem legalmente responsáveis pelo seu destino após a entrega dos produtos aos clientes e do impacto que estes produzem no meio ambiente”, diz. Segundo ele, o aumento de consciência ecológica dos consumidores é outro fator, ao lado da valorização, por parte do cliente, de marcas que adotam políticas de retorno de produtos. Não é desprezível o resultado que as empresas conseguem com o reaproveitamento dos resíduos. 
Para empresários e especialistas ouvidos pelo DCI, o principal gargalo para o funcionamento da logística reversa – a insuficiente infraestrutura para a multiplicidade de soluções de reciclagem, transporte e gerenciamento que será demandada pelo PNRS – é de onde virá a grande oportunidade para novos negócios. As atuais condições estão muito aquém da necessidade para cobrir a extensão territorial do Brasil. Na região Sudeste, onde ocorrem 56% do consumo de eletroeletrônicos, existem apenas 18 recicladoras dentro dos padrões da legislação. 
“Existe muito espaço para crescer nos estados mais desenvolvidos do Brasil, portanto, é só imaginar o que será preciso fazer no resto do País”, prevê o relator do grupo temático dos eletroeletrônicos e diretor de Responsabilidade Socioambiental da Associação Brasileira da Indústria de Eletroeletrônicos (Abinee), André Luis Saraiva. O empresário é o interlocutor da Abinee e Eletros nas negociações com o governo para o estabelecimento do acordo que será seguido pelo setor. 
Segundo ele, no Centro-Oeste, Nordeste e Norte funciona apenas uma recicladora em cada região. O País não dispõe de tecnologia para reciclar monitores de computador e placas de circuito interno, os bens de menor e maior valor, respectivamente, na reciclagem de eletroeletrônicos. 
O gerente geral de Sustentabilidade da Whirlpool – líder no mercado brasileiro de eletrodomésticos com as marcas Brastemp, Consul e KitchenAid – e diretor da Associação Brasileira de Embalagens (Abre), Vanderlei Niehues, também concorda que o número de recicladores é muito baixo e concentrado em São Paulo e Sul do Rio de Janeiro. “Temos muitas associações de catadores, mas poucos recicladores que cumprem as exigências legais”, enfatiza. Segundo ele, várias empresas da Europa e Estados Unidos estão interessadas em se instalar no Brasil e grupos nacionais se preparam para ganhar ou ampliar presença no mercado das sucatas com valor. Entre as estrangeiras atraídas estão a SPR, maior grupo espanhol na área de gestão de resíduos, e a Indústria Fox, subsidiária da suíça Fox & Earth, recicladora de refrigeradores que já opera no mercado brasileiro e deverá ampliar sua operação. 
O diretor de Logística da TGestiona, empresa que realiza a logística reversa do Grupo Telefônica, Maurício Pastorello, dá uma pista de como esse mercado poderá avançar. “Quando gerenciamos os modens em poder dos clientes, não estamos pensando só na nossa responsabilidade ambiental, mas também no controle dos nossos ativos. Recuperá-los é colocá-los de volta dentro do parque de utilização, reaproveitando os que estão quebrados e dando destino final a eles por meio de reciclagem. Existe também um viés de negócios”, afirma. A TGestiona já busca clientes para ampliar sua presença na logística reversa. “As oportunidades de negócios existem em várias direções: para quem presta esse serviço e para a empresa que recupera os ativos”, completa. 

Investimentos novos 

O empresário paraibano Flavio Costa é um dos empreendedores entusiastas do PNRS. Em 2010, logo após a aprovação da nova legislação, ele criou a Rctec Resíduos Eletrônicos para tratar produtos e embalagens de eletroeletrônicos. Embora de pequeno porte e sediada em João Pessoa, a empresa ambiciona o mercado nordestino. 
“Nascemos na Paraíba, onde identificamos deficiência na destinação adequada para estes resíduos, logo depois nos depararmos com essa mesma deficiência em todo o Nordeste”, afirma. O objetivo é que, por meio de parcerias, a empresa passe a operar em breve em Fortaleza, Natal, Recife e Salvador. Segundo o empresário, seus concorrentes são informais e voltados apenas aos materiais mais fáceis de serem comercializados após a reciclagem, como latas de alumínio e pet. 
Na opinião de Costa, a logística reversa ainda é cara no Brasil devido ao volume gerado, ainda baixo, por exemplo, para estimular investimentos em uma fábrica de reciclagem de placas de circuito interno. “Com a nova lei, não levará muito tempo para isso acontecer”, diz. Novos investimentos estão na pauta de uma das poucas empresas brasileiras a atuar nacionalmente na descontaminação de lâmpadas fluorescentes, a Apliquim Brasil Recicle, que já sente o aumento espontâneo na busca pelo serviço, desde a publicação da lei em 2010. 
Em 2011, a empresa faturou R$ 7,8 milhões, alta de 32% sobre 2010 (R$ 5,9 milhões). Para 2012, a expectativa é crescer mais 20%, atingindo R$ 9,5 milhões. O portfolio de clientes inclui gigantes como a Petrobras, Gerdau, Volkswagen, Ford, Scania, General Motors e Embraer, além de universidades, hospitais e órgãos públicos. 
Diferentemente de outros serviços de coleta de lâmpadas fluorescentes, que atuam apenas com a descaracterização do produto e seu posterior descarte em aterros sanitários, a empresa busca reaproveitar todo o material empregado. Os soquetes são vendidos para recicladoras de alumínio; o vidro, após descontaminação, para recicladores de vidro; e o mercúrio, após purificação, para empresas químicas. “Com a receita gerada por essas vendas reduzimos até 10% os custos globais da companhia”, relata o presidente, Mário Sebben.
Segundo ele, ainda há um grande desafio à expansão da demanda: “O preço é fator limitante”. A empresa cobra de R$ 1 a R$ 3, em média, pelo resgate de cada lâmpada esgotada ou queimada. Ele conta que, para reduzir o custo de logística, um dos que mais fortemente impacta o preço do serviço, a companhia está tentando recrutar empresas intermediárias na receptação de lâmpadas em todo o País, de forma a permitir o acúmulo do produto e a redução do número de viagens. 
A empresa investiu em 2012 cerca de R$ 1,8 milhão, incluindo novos caminhões e aumento da automação e desenvolvimento de aplicações mais nobres para o vidro em pó.

Destino final 

“A nova lei e as declarações da presidente Dilma olham só para as cooperativas de catadores, mas aquele lixo das cooperativas tem que ir para algum lugar, alguém tem que processar aquilo”, diz o presidente da Wisewood – Soluções Ecológicas, Rogério Igel.“Uma das razões de termos criado a Wisewood é este plano, queremos cadastrá-la como destinadora final de resíduos plásticos, pois o aumento da disponibilidade deste material provocará uma redução nos preços”, afirma. 
Fundada em 2007, a Wisewood fabrica dormentes ferroviários de plástico, em substituição aos tradicionais de madeira. A matéria-prima são resíduos pós-consumo, como embalagens descartadas, e pós-industriais, como aparas de polipropileno. Hoje a empresa produz mil toneladas de dormentes ao mês, mas tem a intenção de dobrar a produção até o final de 2012. 
A indústria, sediada em Itatiba (SP), deve faturar R$ 30 milhões em 2012, triplicando a receita de 2011. Já são seus clientes a MRS Logística e a Vale, que está experimentando o novo produto. Nos próximos anos, Igel calcula incremento anual na casa dos dois dígitos no faturamento da companhia. “Esta é uma empresa de tecnologia, então a gente depende de P&D (pesquisa e desenvolvimento), e essas coisas demoram, mas 20% ao ano (de crescimento) me parece factível”, projeta o empresário.

Por: Liliana Lavoratti / Thais Carrança


Crédito da imagem: Blog Logística Reversa e Sustentabilidade - Todos os direitos reservados (Proibida a reprodução sem autorização).


sexta-feira, 12 de abril de 2013

Submeta seu trabalho no 4º Forum Internacional de Resíduos Sólidos até 31/05/2013

Visando contribuir com a empresa pública e privada e a sociedade como um todo, o Instituto Venturi Para Estudos Ambientais e a Universidade de Brasília, por meio do LACIS – Laboratório do Ambiente Construído, Inclusão e Sustentabilidade, promoverão, em Porto Alegre, RS, de 22 a 24 de julho de 2013, o 4º Forum Internacional de Resíduos Sólidos.

A quarta edição do FIRS consolida-se como um importante evento técnico-científico realizado no Brasil sobre o tema resíduos. Apresenta uma visão ampla do assunto que abrange desde estudos acadêmicos até a visão governamental e empresarial. Tem como principal meta contribuir com a criação de um espaço para a troca de conhecimentos e experiências, bem como o estabelecimento de um mercado de reciclagem e recuperação de resíduos, transformando estes em valor e incorporando a difusão de políticas e programas que promovam relações comerciais sustentáveis.

O 4º Forum Internacional de Resíduos Sólidos objetiva dar continuidade às discussões sobre o tema resíduos sólidos iniciadas nas edições anteriores e que precisam de esforço maior para se chegar a uma solução, difundir e aprofundar conhecimentos relacionados com o tema que abordem as causas da existência dos resíduos sólidos, provocando uma reflexão, que leve a uma consciência das suas consequências para a relação sociedade-natureza, histórica e socialmente construída.

SUBMISSÃO DE TRABALHOS:

Os trabalhos, na forma de resumo expandido, serão enviados exclusivamente pela área do inscrito no site do 4FIRS. Os trabalhos serão apresentados em forma de pôsters. Entre os mesmos serão selecionados apenas 05 (cinco) trabalhos para apresentação oral. 

CLIQUE AQUI para acessar as instruções 

Áreas Temáticas

1. Educação Ambiental.
2. Produção Mais Limpa.
3. Planejamento Ambiental.
4. Gestão Ambiental.
5. Direito Ambiental.
6. Recuperação de Materiais e Energia.
7. Tecnologias para Tratamento de Resíduos Sólidos.
8. Análise de Ciclo de Vida (ACV)
9. Inovação.

Acesse a página do 4º Forum Internacional de Resíduos Sólidos CLIQUE AQUI
Para se inscrever CLIQUE AQUI

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Plano de logística reversa de embalagens pós-consumo é entregue ao MMA pelo CEMPRE

Crédito da imagem: RMAI
Após um ano de discussões, a coalizão de empresas e associações liderada pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE) apresentou a proposta de Acordo Setorial para a logística reversa das embalagens pós-consumo. O documento foi entregue nas mãos da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que irá analisar os termos da proposta que visa ampliar a capacidade do Brasil na destinação adequada de embalagens dos produtos consumidos pela população.
No total, 22 associações participaram da elaboração do acordo e do estudo de viabilidade econômica. O plano é dividido em duas fases. A primeira prevê a elevação da taxa de recuperação de resíduos sólidos recicláveis em 20% e a consequente redução de 22% do total de embalagens que são encaminhadas para aterros ou lixões.
A expectativa é de que até 2015, pelo menos 90% da população das cidades-sede da copa - São Paulo, Curitiba, Cuiabá, Belo Horizonte, Porto Alegre, Manaus, Salvador, Recife, Natal, Brasília e Fortaleza - seja atendida pela coleta seletiva municipal. A quantidade de resíduos sólidos gerados nestas capitais representa aproximadamente 23% em peso do lixo urbano do País. Se consideradas as áreas metropolitanas ao redor destas cidades o índice sobe para 38%. A segunda fase, a partir de 2015, estipula a redução de 45% do lixo que é descartado incorretamente em todo o território nacional.
"Para o governo federal interessa incrementar a coleta seletiva e ter um debate mais estratégico sobre a questão da reciclagem, pautada pelos detalhes desta proposta e também pela realidade social", afirma a Ministra, que analisará com cuidado a proposta. "Há uma grande oportunidade aqui. É importante darmos um bom arranque nos três primeiros anos, para seguirmos de maneira bem estruturada em relação a investimentos e termos total controle da sustentabilidade do negócio".
O presidente do CEMPRE, Victor Bicca, afirmou que este "é um momento para celebrar, pois, de forma inédita, construímos uma coalizão de empresas produtoras ou que comercializam embalagens para estabelecer um ponto de partida para a logística reversa". O executivo ressaltou ainda que a união do empresariado na causa é uma iniciativa única no país. "Em nenhum outro setor tivemos uma adesão e participação tão grande como a que tivemos com as indústrias de embalagens. As empresas brasileiras mostram, mais uma vez, o seu compromisso com a causa e o meio ambiente."
Mecanismos para viabilização da proposta - Para alcançar os resultados, uma das principais diretrizes contidas no documento é a proposta de parceria e expansão das cooperativas de catadores de material reciclável. Estes trabalhadores serão responsáveis pelo transporte, separação e venda do material coletado. Essa ampliação da capacidade das cooperativas deverá ser amparada com recursos para compra de maquinários e equipamentos, além de capacitação dos catadores.
Também está prevista a expansão dos Pontos de Entrega Voluntárias (PEVs) em supermercados e varejistas de todo o Brasil por meio do fortalecimento da parceria indústria/comércio. A ideia é que todo estabelecimento de vendas com tamanho igual ou superior a quatro mil metros quadrados e estacionamento com no mínimo 115 vagas tenha uma área mínima de quatro metros quadrados de PEV. "A expansão desses pontos é extremamente fundamental para aumentar os índices de coleta seletiva, pois verificamos, na última edição da pesquisa Ciclosoft, que 53% da população utiliza os PEV?s para descartar corretamente suas embalagens", afirma Bicca.
O acordo ressalta ainda que a Logística Reversa só será realizada em sua totalidade se todos os elos da cadeia - população, empresas e governo - participarem da coleta seletiva. Para tal, o documento propõe uma divisão da responsabilidade entre o Ministério do Meio Ambiente, consumidor, fabricantes, prefeituras e estados. "Precisamos aumentar a demanda por material reciclável para fazer 'a roda girar'. Para isso, é fundamental a participação da população na coleta seletiva. Temos muitos desafios pela frente, mas já podemos afirmar: a lei pegou!", conclui o presidente do CEMPRE, Victor Bicca.
Viabilidade econômica - Junto a proposta de ações, também foi entregue à ministra um estudo com diversas variáveis econômicas que viabilizam a implementação do modelo sugerido. O estudo foi elaborado pela LCA Consultoria.
Para todas as categorias de insumos cobertos pelo acordo (papel e papelão, plástico, alumínio, aço, vidro e embalagem cartonada longa vida) existe vantagem econômica, em termos do custo com energia e insumos, em se produzir com material reciclado. Esta vantagem econômica se reflete na geração de renda ao longo da cadeia de coleta, triagem, transporte e reciclagem de resíduos sólidos. Não é por outro motivo que já existe, no Brasil, uma importante cadeia de reciclagem que se viabiliza por estímulos de mercado.
E mesmo assim, por diversos motivos, a reciclagem ainda não é uma prática tão difundida no Brasil quanto poderia ser, pois enfrenta diversos gargalos produtivos. Tais gargalos podem ser mitigados através da disseminação de boas práticas para os consumidores finais, do aumento da oferta e da abrangência da coleta seletiva e da eliminação dos entraves produtivos que decorrem, principalmente, da baixa qualificação técnica dos catadores. A resolução de boa parte destes problemas integra a PNRS e o plano de trabalho da Coalizão. "A proposta é economicamente viável e se sustenta de maneira independente, desde que, neste primeiro momento, haja investimentos na coleta seletiva", afirma Bernard Appy, responsável pelo estudo de viabilidade.

Fonte: RMAI - Revista Meio Ambiente Industrial - matéria de 09/01/2013

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Livro do Conama com todas as resoluções normativas - Baixe grátis


O Ministério do Meio Ambiente lançou no ano passado uma edição especial do livro de resoluções normativas do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). A obra é uma mão na roda para analistas ambientais, gestores públicos, funcionários do Ibama e ICMBio e pessoas que trabalham usando a legislação ambiental brasileira.
O livro é um calhamaço de 1125 páginas que está disponível em formato PDF para quem quiser. Há duas maneiras de consultar às resoluções: uma pelo índice cronológico e outra pelo índice temático. O índice cronológico começa pela resolução mais recente e vai até a mais antiga. São tantas que a lista ocupa 18 páginas. Já o índice temático, como o próprio nome entrega, separa as normas por assuntos, como Áreas Protegidas, Qualidade de Água e Gestão de espécies de fauna e flora. 
No final do documento, uma lista de siglas é publicada e serve como guia para a leitura. O livro foi lançado no ano passado pelo Ministério de Meio Ambiente por ocasião da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. 

Para baixar a publicação Resoluções do Conama CLIQUE AQUI

Fonte: O Eco/MMA

domingo, 30 de setembro de 2012

“Pimp my Carroça” parte em breve para outras cidades brasileiras e talvez do exterior

Depois dos resultados obtidos em São Paulo e no Rio de Janeiro, o grafiteiro Mundano vem analisando diversas propostas para levar o “Pimp my Carroça” para outras cidades brasileiras – e até do exterior! A maior probabilidade é que a próxima escala seja feita em uma das capitais nordestinas, entre agosto e setembro.
Tudo começou em São Paulo, no dia 3 de junho, quando o Vale do Anhangabaú acolheu os grafiteiros que reformaram cerca de 40 carroças de catadores de materiais recicláveis, com recursos conseguidos através da participação de mais de 800 doadores pelo site Catarse que promove o crowdfunding (modelo de financiamento colaborativo) para apoiar projetos individuais. Além do grafite, o atendimento envolveu serviços de funilaria e reforços na segurança com troca de pneus e rodas, instalação de faixas refletoras e espelhos retrovisores.
Os catadores receberam camisetas, luvas especiais e capas de chuva do “Pimp my Carroça”, massagem, corte de cabelo, atendimento psicológico, odontológico e oftalmológico (os óculos doados foram entregues no dia 2 de agosto). “As pessoas passavam pelo Anhangabaú e paravam para acompanhar as atividades, ver os artistas produzindo... Pela primeira vez, muita gente teve, de fato, contato com os catadores de materiais recicláveis e entendeu seu trabalho. De certa forma, conseguimos dar um primeiro passo em direção ao nosso objetivo que é usar uma arte marginalizada, o grafite, para chamar a atenção para uma atividade marginalizada, a do catador, num esforço de levar a população a reconhecer seu papel como agente ambiental”, conta Mundano.
Rafael Bahia, catador desde 1986, garante ter se sentido valorizado com a iniciativa: “Em todos esses anos, meu trabalho nunca tinha sido visto dessa forma. Esse respeito é muito importante para nós.” O sucesso da experiência de São Paulo – amplamente coberta pela imprensa - e a realização da Rio+20 estimularam os organizadores a promover, vinte dias depois, uma versão carioca do “Pimp my Carroça” que reuniu aproximadamente vinte catadores, voluntários e grafiteiros. Resultado: mais mobilização e reconhecimento.
Além do suporte anônimo de voluntários e doadores, o “Pimp” conta com o apoio de figuras conhecidas como o cantor Gilberto Gil e Gustavo da Lua, percursionista da banda Nação Zumbi. “Estamos avaliando, agora, uma série de possibilidades, não apenas no sentido de levar o ‘Pimp’ para outras cidades, mas também de expandi-lo em novas direções. Uma delas seria o ‘Pimp my Cooperativa’, com a melhoria das instalações, grafite nos muros, doação de equipamentos como prensas e esteiras e uma força na formação dos catadores. Estamos analisando cada ideia dentro da premissa de manter o movimento independente, baseado no apoio de pessoas e empresas parceiras”, explica Mundano. Para acompanhar os próximos passos do ‘Pimp’, é só curtir sua fanpage no facebook: http://www.facebook.com/pimpmycarroca

Confira o documentário do Pimp my Carroça: http://vimeo.com/45878176

Fonte: CEMPRE

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

CEMPRE propõe modelo único de logística reversa com investimentos de R$70 milhões

Dois anos após a assinatura da Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que demorou duas décadas para ser aprovada no Congresso Nacional, o setor produtivo tem agora prazo para cumprir a obrigação legal de iniciar a logística reversa das embalagens - coleta e retorno do material reciclável à produção industrial após o consumo.
Até 31 de dezembro, as empresas precisarão avançar no diálogo setorial, concluir estudos de viabilidade econômica e apresentar um plano sobre como funcionará o sistema brasileiro de reciclagem, a ser aprovado pelo governo federal para entrar em operação no começo de 2013. No ano seguinte, conforme determina a legislação, os lixões deverão estar erradicados, o que exigirá investimentos na construção de um parque nacional de indústrias recicladoras capaz de absorver como matéria-prima o que hoje é descartado a céu aberto.
"Chegamos a um momento crucial para a lei sair do papel", diz Victor Bicca, presidente do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre). A instituição articulou uma coalizão de 25 associações empresariais para propor um modelo único de logística reversa que seja economicamente viável.
O sistema será baseado no fluxo único de materiais por meio da coleta seletiva municipal. Está previsto um investimento privado inicial de R$ 70 milhões, parte a ser aplicada na qualificação de cooperativas de catadores, que precisarão aumentar a capacidade de processamento.
Na primeira fase, terão prioridade os 65 municípios e regiões metropolitanas que representam 35% dos resíduos gerados no país, incluindo as cidades-sede da Copa do Mundo. O plano da iniciativa privada é expandir os pontos de entrega voluntária de lixo reciclável pela população e até recomprar embalagens após o uso, de maneira a garantir preços atrativos para quem vende a sucata.
A meta é dobrar a reciclagem no Brasil em vinte anos, atraindo novos investimentos, o que esbarra na falta de instrumentos econômicos para estímulo do mercado, não definidos pela nova legislação. O Decreto 7.619, de 2011, estabelece como incentivo o crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para indústrias que comprarem matéria-prima reciclável diretamente das cooperativas. A alíquota do desconto varia de 10% a 50%, conforme o tipo de resíduo.
"A medida, tímida, não surtiu efeito no mercado", analisa Auri Marçon, presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET. A maior parte do lixo reciclável do país não é processada por cooperativas, mas por empresas recicladoras, sucateiros e atacadistas, não contemplados pelo decreto. Além disso, a maioria dos catadores não está apta a emitir notas fiscais e documentos exigidos para o benefício. A Receita Federal projeta para 2012 uma renúncia fiscal em torno de R$ 128 milhões, relativa ao incentivo.
"Não adianta atingir só um elo da cadeia", ressalta Marçon, ao advertir que o esforço deve estar na coleta dos materiais após o consumo e no estímulo à demanda pelo produto final reciclado. "Montadoras de automóveis que resistiam à reciclagem hoje estão abertas ao uso de peças produzidas a partir do lixo", ilustra. Hoje 56% das garrafas retornam à indústria para abastecer principalmente o setor têxtil, totalizando faturamento de R$ 1 bilhão por ano, apenas com reciclagem.
"Apesar dos R$ 150 milhões investidos nos últimos cinco anos no parque que recicla PET, é alta a ociosidade, atingindo 30% da capacidade durante o inverno, quando é menor o consumo de bebidas e embalagens", revela.
"Não é impossível até 2015 reciclar 22% do lixo seco produzido no país", atesta Silvano Silvério, do Ministério do Meio Ambiente. A taxa atual é estimada em 14%. O compromisso consta no PNRS. De acordo com Silvano, o Comitê Interministerial, encarregado das medidas para colocar a lei em prática, elabora diagnóstico no sentido de identificar entraves e propor incentivos fiscais para que as metas sejam cumpridas.
Com a expansão da coleta municipal e a proibição legal do despejo de materiais recicláveis em aterros, a preocupação é garantir que essa matéria-prima excedente tenha preços competitivos e seja incorporada pelo mercado. "É necessário repassar para o produto final - ou seja, a embalagem - o benefício fiscal que existe para a compra de aparas de papel", sugere Ricardo Trombini, presidente da Associação Brasileira de Papel Ondulado, setor que fatura por ano R$ 9 bilhões, com 75% da matéria-prima proveniente do descarte. O incentivo representaria anualmente R$ 100 milhões que poderiam ser injetados na melhoria do sistema de reciclagem.
A estratégia é fazer a reciclagem no próprio Estado que gerou o lixo, porque há incidência de ICMS se o caminhão com resíduos cruzar a divisa. "Não propomos incentivos, mas justiça tributária", afirma Fernando von Zuben, diretor de meio ambiente da Tetra Pak, que investe R$ 10 milhões por ano na cadeia de reciclagem.

Por:  Sergio Adeodato | Para o Valor Econômico - 21/08/2012

Fonte: Planejamento

sábado, 11 de agosto de 2012

1 ano do Projeto Light Recicla que troca materiais recicláveis por abatimento na conta de luz

Crédito da imagem: CEMPRE
Em agosto de 2011, a Light, companhia responsável pelo fornecimento de energia elétrica a 31 municípios do Rio de Janeiro (incluindo a capital), lançou o Projeto Light Recicla que garante desconto na conta de luz para quem encaminha materiais recicláveis aos pontos de troca do programa. O piloto do Light Recicla é realizado nas Comunidades Santa Marta, Chapéu Mangueira, Babilônia e nos bairros de Botafogo e Humaitá, na Zona Sul do Rio, e já está em estudo sua ampliação para outras comunidades pacificadas.
“Nesses locais, ainda há muito lixo pelas ruas. Então, como podemos falar em ter um resgate da autoestima se essas pessoas estão no meio do lixo? Daí surgiu o Light Recicla para contribuir com a mudança deste cenário. É também uma forma de contribuir com a criação de renda nessas comunidades”, conta Fernanda Mayrink, gerente do projeto.
Em parceria com a Prefeitura Municipal, o Light Recicla instalou cinco Eco-Pontos na região para receber materiais como garrafas PET, sacolas e embalagens plásticas, papéis, metais, vidros, embalagens longa vida e óleo de cozinha, entre outros recicláveis. Cada material tem um preço por peso que gera automaticamente os créditos na conta de energia escolhida pelo participante.
Os moradores também podem optar por doar as cotas referentes aos descontos para instituições sociais cadastradas no projeto. Dessa forma, o projeto se estende à população de outras localidades que podem direcionar seus recicláveis para doação a uma das 17 entidades cadastradas. Este é o caso de três escolas particulares da Zona Sul - Escola Alemã Corcovado, Colégio Santo Inácio e Escola A. Liessin – que já doaram mais de três toneladas de recicláveis.
“Até agora, recebemos 247 toneladas de materiais, 1.847 litros de óleo e contamos com mais de 2.380 pessoas cadastradas”, detalha Marliane Mendonça, coordenadora do projeto. “Na nossa avaliação, o Light Recicla vem tendo uma receptividade bastante positiva e várias comunidades já estão solicitando sua participação no projeto. Temos previsão de expansão para mais comunidades pacificadas que contam com a presença de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). O Light Recicla, além de colaborar para a promoção de um meio ambiente mais limpo, gera renda que contribui no pagamento das contas de luz com materiais que iriam para o lixo.”
O Light Recicla tem como parceiros a empresa 3E Engenharia e a Doe Seu Lixo, além de contar com o apoio das Secretarias Municipais de Meio Ambiente, Assistência Social, Conservação e Serviços Públicos, Comlurb e UPP Social. Segundo o vice-prefeito e secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz, a iniciativa da Light possui uma grande importância socioambiental. "Esse projeto permite maior conscientização por parte da população com relação às questões sobre os resíduos sólidos e como devemos reduzi-los na natureza. Assim, esperamos que haja uma mudança cultural, de comportamento mesmo, que traga para a cidade e seus moradores mais qualidade de vida."


Para saber mais: http://www.light.com.br/

Evento promovido de CEMPRE aborda que o êxito da reciclagem demanda um olhar pontual e sistêmico

São muitos os aspectos que devem ser considerados quando se pensa em um Brasil com menos desperdício, mais limpo e mais justo socialmente. Várias dessas questões foram debatidas no evento promovido pelo Cempre com o intuito de encontrar soluções que pensem o país e a cadeia da reciclagem a partir das diferenças e das correspondências entre seus diferentes elos.

Catadores como prestadores de serviço
"Há hoje no Brasil associações de catadores que precisam incrementar sua formação e capacitação. Mas existem outras que já passaram dessa fase e começam a encarar a coleta seletiva como um negócio. Acreditamos que as cooperativas devem atuar de forma autônoma como prestadoras de serviço, firmando contratos com as prefeituras. Para isso, elas precisam se estruturar melhor a fim de assegurar a qualidade de sua operação e gestão, com certificação de seus processos e rastreabilidade dos materiais, por exemplo. Outro aspecto importante é a criação de redes de cooperativas para negociar diretamente com a indústria." Roberto Laureano, do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis.

A parceria com o Cempre
"O Cempre é uma instituição fundamental e que nos possibilitou, junto com os demais associados, aprimorar a forma de pensar a reciclagem no Brasil e aprimorar nosso próprio pensamento empresarial em torno da reciclagem. A partir dessa experiência, atuamos hoje, na Coca-Cola, sobre três pilares: Mais Hábito, Mais Valor, Mais Coleta. O primeiro trata de estimular a participação da população; o segundo aborda a necessidade de incrementar o valor do material reciclável para incentivar sua separação e coleta; o terceiro enfoca justamente o trabalho que fazemos junto a cerca de 250 cooperativas em nível nacional a partir do conhecimento e orientação do Cempre."
Marco Simões, vice-presidente de Comunicação e Sustentabilidade na Coca-Cola Brasil.

O compromisso do varejo
"Apesar de ter ficado tanto tempo em discussão no Congresso, a Política Nacional de Resíduos Sólidos é bastante moderna ao trazer a sociedade brasileira como um todo para dentro dessa discussão. Isso se reflete até mesmo em eventos como este. O setor varejista está presente nos diferentes grupos de trabalho de logística reversa, ao lado dos fabricantes e do governo, o que demonstra nossa preocupação em estarmos inseridos na definição de soluções práticas e eficientes. Recebemos diariamente cerca de 25 milhões de pessoas em nossas lojas de todo o país e temos que levar essa capilaridade em conta na hora de pensar o aumento da reciclagem."
Carlos Ely, diretor de Relações Institucionais do Walmart Brasil, representando a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

Desoneração da cadeia
"Em primeiro lugar, é primordial que tenhamos uma política clara de desoneração da cadeia de reciclagem. Isso é essencial quando pensamos a indústria de plásticos. Diferentemente da de metal, por exemplo, a indústria de plásticos tem uma necessidade adicional de gerar valor para o plástico reciclável. Dessa forma, poderemos incrementar sua atratividade e, assim, incentivar sua separação, coleta e reciclagem. Temos trabalhado com diferentes alternativas, sendo que o tratamento prioritário é fazer o plástico voltar a ser plástico."
Marcelo Lyra do Amaral, vice-presidente de Relações Institucionais e Desenvolvimento Sustentável da Braskem.

No segundo bloco do encontro, foi realizada uma mesa-redonda com a participação de jornalistas e a mediação de André Vilhena, diretor do Cempre.

Um tema transversal
"O lixo deveria ter um espaço mais nobre nas discussões ambientais, pois é um tema transversal a todos os outros: está ligado à modificação do padrão de produção e consumo, ao limite de uso dos recursos naturais, à eficiência energética, à emissão de carbono, aos desastres naturais e principalmente ao combate à miséria e à desigualdade. Antes visto como um assunto tabu, indigno até mesmo de figurar em manchetes de jornais ou revistas, o lixo vem ganhando espaço, mas ainda precisa ser abordado de forma mais ampla. A meu ver, precisamos de três grandes choques: de governança (na transparência e no modo de lidar com essa questão), de escala (para criar um mercado competitivo e viável para a reciclagem) e principalmente um choque de informação."
Sérgio Adeodato, jornalista e autor do livro que comemora os 20 anos do Cempre.

Pelo fim da indiferença
"Essa relação de indiferença e descaso que temos com os nossos resíduos abre espaço para uma série de problemas, inclusive para a corrupção. Para mudar isso, precisamos empreender sobre o lixo. Se não, nada vai acontecer: vamos separar os resíduos, as cooperativas vão fazer a coleta e teremos depósitos imensos de lixo reciclável. É essencial criar valor para esses materiais e estimular negócios na cadeia de reciclagem. Outra necessidade é romper o preconceito dos prefeitos em contratar o serviço dos catadores. Isso está na lei e precisa ser implementado para agregar ganhos sociais a essa questão. Estamos em ano eleitoral e devemos ficar muito atentos ao cumprimento dos prazos de entrega dos planos de manejo de resíduos sólidos. Sem isso, tudo o que vem depois, inclusive o fim dos lixões previsto para 2014, correrá sérios riscos." Dal Marcondes, diretor de redação da revista Envolverde.

Valor econômico para o lixo
"O lixo tem que ser conectado com a geração de riqueza. É indispensável que as pessoas percebam que o lixo tem um valor econômico. Quando se atrela a questão dos recicláveis à questão econômica, é possível agregar valor aos resíduos. Devemos discutir também o consumo consciente, a produção mais limpa, o design eficiente e a valorização dos catadores. Esses agentes da reciclagem não podem continuar invisíveis pelas ruas do país, pois seu trabalho é vital para toda a cadeia. Nesse processo de conscientização em torno da reciclagem, a internet deve ser aproveitada ao máximo, pois ela nos oferece uma enorme capacidade de mobilizar pessoas e criar movimentos rápidos e em grande escala." Maria Zulmira de Souza (Zuzu), jornalista da Planetária Soluções Sustentáveis.

Consumo excessivo
"Quando analisamos os números relativos ao lixo no país, vemos claramente que é urgente dar um passo para trás e repensar nosso comportamento em relação ao consumo: comprar, jogar fora, comprar novamente, descartar... Isso envolve também a obsolescência programada. Recentemente, uma de nossas repórteres fez uma matéria em uma empresa que possui centros de tratamento de resíduos e soube que, somente em sua unidade de Paulínia, são recebidas 6.250 toneladas de resíduos por dia. Acho que estamos perdendo uma certa medida no mundo. Temos que rever nossas decisões e escolhas pessoais e deixar de lado esse consumo excessivo e sem sentido." Amélia Gonzalez, editora do caderno Razão Social do jornal O Globo.


Mudança cultural
"Acho importante discutir a questão do lixo a partir de outra ótica, pois estou convencido de que nossos desafios não são tecnológicos ou de natureza econômica. Devemos tratar esse tema a partir de outro grande desafio – o da mudança cultural. A Política Nacional de Resíduos Sólidos está trazendo isso à tona ao abordar o conceito de responsabilidade compartilhada. Nesse sentido, o Cempre tem sido um agente indutor de mudanças que ajuda a romper com a inércia e a acomodação de acreditar que o lixo é problema do outro: do governo, do catador, do lixeiro... Essa mudança cultural é difícil e profunda e não resulta de apenas uma ação. Demanda uma série de gatilhos: leis, pressão popular, educação, informação, transparência e regras claras, entre outros. É um processo complexo, mas que não podemos mais adiar." Ricardo Voltolini, diretor-presidente da Ideia Sustentável.


Maior transparência
"Assim como em outros temas, há uma grande carência de transparência em relação ao gerenciamento do lixo no país. Estamos agora num novo ciclo da Política Nacional e para que sua implementação saia do papel, na forma como a lei foi pensada, vamos ter que continuar trabalhando juntos e lutar contra os que querem boicotar essa mudança. Como fundador da Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente, penso que podemos retomar os Conselhos Municipais para que se tornem observadores dos planos de resíduos sólidos. Dessa forma, sua elaboração e execução serão acompanhadas de perto. Não podemos ficar apenas olhando. Nós precisamos acreditar e fazer acontecer!" Mário Mantovani, diretor de articulação da Fundação SOS Mata Atlântica.

Especialização dos catadores
"Nós, catadores, tivemos que aprender, conhecer temas novos e nos especializar. Viajamos, vimos de perto algumas experiências estrangeiras e compartilhamos conhecimento. Nossos esforços têm sido no sentido de nos capacitar para a nova fase das cooperativas com a efetivação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. O Cempre tem sido um grande parceiro nesse sentido." Severino Lima, do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis.


domingo, 15 de julho de 2012

MMA abre consulta pública sobre reciclagem de recipientes de lubrificantes - Participe até 18/08/2012

Crédito: Martim Garcia/MMA
O Ministério do Meio Ambiente abriu consulta pública para definir o meio adequado para a reciclagem das embalagens de lubrificantes usadas, levando em consideração, inclusive, questões ambientais. Em até 60 dias, a contar da publicação da portaria (dia 18 de junho), qualquer interessado poderá fazer sugestões que possam contribuir para o aperfeiçoamento da alternativa em estudo. O diretor de Ambiente Urbano do MMA, Silvano da Costa, destacou que a consulta é de extrema importância: "É muito valorosa a contribuição da sociedade e dos setores público e privado para o acordo setorial que estabelecerá as novas regras".
O acordo setorial envolve fabricantes, importadores, comerciantes - atacadistas e varejistas - de óleo lubrificante envazado, reciclador e o consumidor. A sugestão sob análise estabelece que o consumidor devolva as embalagens usadas, preferencialmente para o comerciante de quem comprou, no momento da troca de óleo ou depois, caso a utilização do produto seja realizada fora do estabelecimento.
QUEM FAZ O QUÊ?
Os varejistas devem receber as embalagens, dar o tratamento adequado segundo orientação dos fabricantes e respeitando as normas definidas pelos órgãos ambientais, além de armazená-las temporária e adequadamente. A proposta prevê também que registre, tanto a quantidade de embalagens adquiridas como as posteriormente devolvidas, no Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (SINIR).
Segundo a proposta de acordo setorial, o atacadista deverá receber, na proporção por ele comercializada, as embalagens de óleo lubrificante que lhe forem devolvidas, emitindo o respectivo certificado de recebimento. Acondicionar adequadamente as embalagens e devolvê-las às centrais de coleta, estas de responsabilidade de fabricantes ou importadores. Além disso, também deve fazer o registro da quantidade de embalagens adquiridas do fabricante ou importador e, posteriormente, das embalagens encaminhadas para a destinação final.
Os fabricantes e importadores, por sua vez, devem inserir no rótulo das embalagens informações sobre a importância de sua devolução no estabelecimento que a vendeu, receber das centrais de triagem as embalagens que foram inadequadamente dispostas no lixo residencial e comercial e receber as embalagens dos comerciantes varejistas em suas centrais de recebimento. Pela proposta que está em consulta pública, os fabricantes e importadores deverão encaminhar as embalagens para as recicladoras credenciadas pelo sistema mediante o recebimento do certificado de entrega para a destinação. Também devem fazer o registro de tudo.
Já os produtores de embalagens plásticas deverão desenvolver tecnologia para utilizar, na fabricação de novas embalagens de óleos lubrificantes, percentual crescente de material reciclado, respeitando o mínimo inicial de 10%. 
A íntegra da proposta está no site do Ministério do Meio Ambiente no link:

Para enviar sua sugestão, os interessados devem preencher o formulário de contribuições disponível no link:

Por:  Rafaela Ribeiro

Fonte: MMA

MMA divulga editais para o setor privado apresentar propostas para a logística reversa de lâmpadas fluorescentes e embalagens em geral

Crédito:  Martim Garcia/MMA
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) publicou dois editais de chamamento com o objetivo de elaborar acordos setoriais para implantação de sistemas de logística reversa. O primeiro trata das lâmpadas fluorescentes, de vapor sódio e mercúrio e de luz mista. O segundo abrange embalagens em geral, envolvendo, produtos nelas comercializados. Os editais convocam fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes a apresentar propostas para estabelecer o caminho de retorno das lâmpadas e das embalagens, em geral aos seus fabricantes, e, em seguida, a destinação desses resíduos.
As propostas a serem apresentadas deverão conter a obrigatoriedade de destinação ambientalmente adequada dos resíduos sólidos, por meio de reciclagem, recuperação, ou demais meios de destinação, e disposição final apenas de rejeitos em aterros. Deve ser definido como responsabilidade de todos os setores da cadeia produtiva envolvidos a implantação de um sistema de recolhimento dos produtos após o uso pelo consumidor, independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos.
De acordo com o responsável pela Diretoria de Ambiente Urbano da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SRHU) do MMA, Silvano da Costa, com a publicação dos editais, foi dado um passo muito importante para a viabilização da logística reversa dessas duas cadeias. "Espera-se que o setor privado consiga apresentar propostas de acordos setoriais que viabilizem, ao mesmo tempo, o aumento da reciclagem, a redução dos impactos ambientais e a geração de emprego e renda", disse. Costa também acredita ser fundamental que o setor privado se articule para a apresentação das propostas.
COMPARTILHAMENTO
A proposta deve reforçar a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, um dos principais conceitos da Política Nacional de Resíduos Sólidos. O caminho de volta sugerido deve dividir a responsabilidade entre fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e consumidores. Nessa linha, cada um deve ter seu papel bem estabelecido, de forma individualizada e encadeada. A proposta também tem que contemplar todas as etapas do ciclo de vida do produto.
Por meio de suas entidades representativas de âmbito nacional, fabricantes, importadores, comerciantes e distribuidores poderão apresentar proposta de acordo setorial de abrangência nacional. Os interessados terão prazo de 120 dias a contar da data de publicação do edital (09/07) para apresentar suas propostas.

Acesse os editais:


Por:Rafaela Ribeiro

Fonte: MMA

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Ministério Público suspendeu o acordo sobre o fim das sacolas plásticas em SP

O acordo que acabou com a distribuição de sacolinhas plásticas em estabelecimentos comerciais, como os supermercados, em São Paulo, foi suspenso nesta terça-feira, segundo confirmou o Ministério Público do Estado.
O Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo decidiu por unanimidade que o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que limitava o direito do consumidor em receber gratuitamente as sacolas plásticas, não é válido e com isso os estabelecimentos devem voltar a distribuir as sacolinhas em cumprimento ao Código de Defesa do Consumidor, segundo o MP.
Segundo o Instituto Socioambiental dos Plásticos (Plastivida), os estabelecimentos comerciais que deixarem de distribuir as sacolas gratuitamente correm o risco de serem acionados pelos órgãos de defesa do consumidor, mediante denúncia.
Para a Plastivida, "o Conselho Superior do MP entendeu que existe um descompasso muito grande e que o ônus da não distribuição das sacolas plásticas está recaindo apenas sobre os consumidores. Na visão do órgão, essa situação precisa ser revertida o quanto antes", afirmou Jorge Kaimoti Pinto, advogado da entidade.
A petição contra a homologação do TAC foi uma ação movida pela Plastivida, pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idecon) e pelo SOS Consumidor, segundo a Plastivida. De acordo com o MP, uma nota sobre a decisão do Conselho deve ser divulgada na tarde desta quarta-feira.

Por: Solange Spigliatti | Agência Estado

Fonte: Estadão

sábado, 28 de abril de 2012

Vídeos sobre Catadores e Cooperativas de Materiais Recicláveis - Globo Repórter: Os heróis da reciclagem


Nesta sexta-feira (27/04/2012) o Globo Repórter apresentou uma belíssima reportagem sobre  os heróis anônimos da reciclagem, qual o papel da educação ambiental e de cada cidadão para a implementação da PNRS e,  como é possível ganhar dinheiro com materiais jogados fora.

Se você ainda não assistiu, faça isso agora! Vale muito a pena!

 Clique sobre os vídeos para assistir:

Catadores de lixo ganham a vida com reciclagem e defendem o meio-ambiente
Pessoas dignas que realizam um trabalho maravilhoso de preservação ambiental, os catadores de materiais recicláveis nos dão uma aula de cidadania!


Em Porto Alegre, crianças aprendem a ter consciência ambiental na escola
É maravilhoso perceber como as crianças assimilam estes conceitos de forma tão fácil, com certeza estes serão adultos mais conscientes e responsáveis!
Pequenas iniciativas fazem a diferença!


Cooperativa incentiva reciclagem de eletrônicos
Será que ser descartável está na moda??!
Confira o que acontece com os componentes dos nossos resíduos eletrônicos!



Oficina de carro evita desperdício de material e recicla óleo
Este vídeo apresenta soluções criativas para peças de reposição de veículos.



Fonte: Globo Reporter - Portal G1

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Logística reversa de aparas de plástico de fraldas e absorventes se transforma em cabos de escovas de dentes

Foto: Carlos Cubi - Revista Época 
Uma grande quantidade de aparas de plástico das fraldas e dos absorventes femininos fabricados na Johnson & Johnson está se transformando em cabos de escovas de dentes. Esse descarte pré-consumo representa entre 300 e 400 toneladas por mês que, moídas no ponto de grãos e processadas, entram na composição do cabo da Reach Eco.
Em 2007, quando tentava fabricar uma escova de dentes de baixo custo, a Johnson & Johnson lembrou de seu projeto de reciclagem de aparas de fraldas. Havia sete anos que as aparas eram mandadas para empresas que as transformavam em calotas e baldes. Um estudo interno demonstrou que havia destino melhor. Se fossem usadas na produção das escovas, elas reduziriam o preço final do produto em 1,5%. 
A Reach Eco chegou ao mercado em 2009 com preço sugerido de R$ 1,49 (hoje ronda os R$2). Em dois anos, abocanhou 2,2% do mercado de escovas baratas. E provou que valia a pena criar uma fábrica nova, voltada à reintrodução das sobras plásticas nos produtos da própria companhia. Desde o lançamento, em 2009, as escovas agregam 40% de matéria-prima reaproveitada; os outros 60% ainda são matéria-prima virgem. A cada 250 mil escovas produzidas a fábrica economiza 60 toneladas de petróleo e poupa os aterros sanitários onde até então eram descartadas as aparas. "Desenvolvemos um produto que traz benefícios para o ambiente, para a sociedade e ainda é um bom negócio para a empresa", diz Eduardo Siqueira, gerente de marketing da J&J.
A boa aceitação da Reach Eco determinou a construção de uma nova fábrica dentro do complexo de 910 mil m2 em São José dos Campos (SP), onde já convivem 11 manufaturas que fabricam 39 marcas. A Central de Reciclagem de Resíduos (CCR) foi inaugurada em abril de 2011 a um custo de R$ 1,5 milhão, que a J&J espera recuperar em dois anos. O propósito da fábrica é operar as aparas, mas ainda há ociosidade em sua capacidade total de processar 500 kg de plástico por hora. O lançamento da Reach Eco foi uma operação casada, segundo Siqueira: o crescimento das vendas no mercado de escovas de dentes e o apelo ao consumidor de baixa renda. "Nossas pesquisas indicavam que o consumidor classe C quer produtos sustentáveis, mas não quer pagar mais por isso", diz Siqueira. Num amontoado de mais de 500 marcas de escovas em disponibilidade no mercado, Siqueira diz que o apelo da Reach Eco foi certeiro: escova de dentes de marca ao custo de R$ 1,99. Resultado: em 2009, entre setembro e dezembro, a escova conquistou 0,1% do mercado; em 2010 abocanhou 1,6%; em 2011 chegou a 2,2% do mercado. "A campanha foi feita totalmente por mídia digital durante um ano e meio com apelo ecológico e econômico direcionado à classe C", diz Siqueira. "Hoje a publicidade está no ponto de vendas, com promotores capacitados."
O desafio é encontrar utilidade para as excedentes 150 a 200 toneladas por mês - metade do volume de aparas das fraldas e absorventes. "Já identificamos outras oportunidades, mas ainda estão em fase de testes", diz Alex Gomes, gerente de utilidades e manutenção da J&J.
Enquanto não conclui as pesquisas, a empresa redireciona as sobras para outras cadeias que utilizam plásticos pré-consumo: fábricas de autopeças, utensílios domésticos, embalagens, sacos de lixo, filmes plásticos. Siqueira, da Johnson & Johnson diz: "Desenvolvemos um produto que traz benefícios ao ambiente e é um bom negócio"

"É claro que, quando o cliente vê na gôndola um produto como a Reach Eco, o reconhecimento de que a empresa é ambientalmente responsável é ainda maior”, diz Eduardo Siqueira, gerente de mercado da Johnson & Johnson para a área de Oral Care. A “fábrica de plástico” foi inaugurada em abril do ano passado, em São José dos Campos (SP). Resultado de um investimento de R$ 1,5 milhão, a unidade produz até 140 toneladas de grânulos de plástico reciclado por mês. A companhia consome 90 toneladas, com as quais fabrica, além da Reach Eco, duas escovas lançadas no final de 2011, a Tek e a Reach Essencial. Cada uma tem 20% de plástico reciclado de aparas.
Desde que a fábrica foi inaugurada, tem recebido resíduos de outras unidades. O responsável por ela, Alex Gomes, tem se correspondido com a equipe de desenvolvimento de embalagens. Ainda no primeiro trimestre, a J&J vai lançar diversas linhas de produtos com embalagens feitas de materiais reciclados. “O Brasil tem maior disponibilidade de matéria-prima reciclada que a Europa e os Estados Unidos”, diz Carlos Souto, diretor de embalagem da J&J. Também por isso o negócio é economicamente viável: o plástico pós-consumo reciclado tem custo semelhante ao virgem. 

Adaptado por Patrícia Guarnieri para o Blog Logística Reversa e Sustentabilidade

Fonte originais: Valor Econômico - SP (20/04/2012) e Época Negócios

Disponível em: Sindindústria e Época Negócios

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Wise Waste transforma 45 milhões de embalagens de salgadinhos em 8000 pallets

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi sancionada no ano passado e provocou mudanças na gestão dos resíduos em todo o Brasil. De acordo com a nova legislação, a logística reversa é obrigatória para vários materiais e as indústrias, os comerciantes e os cidadãos são responsáveis pela destinação dos resíduos. Neste cenário nasce a WiseWaste, empresa formada por um pool de recicladores e que irá auxiliar as indústrias a atenderem essas novas demandas.
A companhia, criada pelos engenheiros Gui Brammer, CEO da GreenBusiness e Chicko Souza, especialista em reciclagem, vai coletar resíduos em indústrias, cooperativas de catadores e pontos de entrega voluntários e transformá-los em produtos que serão utilizados nas plantas industriais que geraram esses resíduos. 
A primeira iniciativa da WiseWaste foi transformar 45 milhões de embalagens de salgadinhos, o equivalente a 136 toneladas de BOPP, em oito mil pallets de plástico. Esses pallets serão utilizados na planta industrial da fabricante de salgadinhos, para o transporte interno de cargas e substituirão os de madeira, com a vantagem de serem mais resistentes, reciclados e recicláveis. 
O Programa WiseWaste permite criar um ciclo de vida continuado a qualquer produto, e é constituído de três etapas. A primeira, em que a companhia realiza pesquisas para encontrar a melhor solução para cada tipo de resíduo. A segunda, marcada por ações de logística reversa nas plantas das indústrias parceiras, varejo, cooperativas e pontos de entrega voluntária de resíduos. Na etapa seguinte há a fabricação de WiseProducts, objetos fabricados a partir do resíduo reciclado e que serão utilizados na cadeia produtiva da industria geradora do resíduo.
“Nosso trabalho começa com a coleta dos materiais nas cooperativas e passa reciclagem e fabricação de novos produtos, que retornarão às empresas, contribuindo para que elas consigam fechar o seu ciclo de materiais – um conceito conhecido por berço-ao-berço”, afirma Brammer. Segundo o executivo, outras parcerias estão previstas, como a utilização de embalagens de xampu, condicionador e sabonete líquido para a fabricação de cestos de compras e a coleta de sandálias de borracha que se transformarão em pisos para playgrounds. 
A WiseWaste agrega grandes recicladoras que atuam no Brasil e por isso tem know-how para reciclar qualquer tipo de material e desenvolver novas tecnologias para resíduos que ainda não tem solução.

Fonte: Redação – Agência IN - Investimentos e Negócios
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