"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



Crédito da imagem: jscreationzs / FreeDigitalPhotos.net
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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Já está disponível a Pesquisa Akatu 2018 traça Panorama do Consumo Consciente no Brasil

                                Arte: Ale Kalko

Qual é o nível de consciência e de comportamento dos brasileiros rumo ao consumo consciente? Quais são as barreiras e motivações para as práticas mais sustentáveis? Qual é a percepção e a expectativa do brasileiro em relação à responsabilidade social e ambiental das empresas? Essas foram algumas das questões respondidas pela “Pesquisa Akatu 2018 – Panorama do Consumo Consciente no Brasil: desafios, barreiras e motivações”, lançada no dia 25 de julho no Sesc Consolação, em São Paulo.
A pesquisa está em sua quinta edição e investiga a evolução do grau de consciência dos brasileiros no comportamento de consumo, além de indicar os principais desafios, motivações e barreiras à prática do consumo consciente.
A partir do Teste do Consumo Consciente (TCC), que envolve 13 comportamentos, a pesquisa analisou o quanto algumas atitudes fazem parte da rotina dos entrevistados, além dos hábitos de compras deles. O grau de consciência dos consumidores brasileiros é dividido nos seguintes perfis: indiferente, iniciante, engajado e consciente. São avaliados 13 comportamentos de consumo consciente na pesquisa que servem de base para os resultados relativos à consciência no consumo. A partir deles, considera-se: “indiferentes” aqueles que aderiram a até 4 comportamentos, “iniciantes” de 5 a 7, “engajados” de 8 a 10 e “conscientes” de 11 a 13. Importante ressaltar que estes 13 comportamentos foram escolhidos com base estatística por representarem / se correlacionarem com um número enorme de outros comportamentos e por serem capazes de fazerem a segmentação dos consumidores nesses quatro perfis.
Para fazer a pesquisa, foram entrevistadas 1.090 pessoas, homens e mulheres, com mais de 16 anos, de todas as classes sociais e de 12 capitais e/ou regiões metropolitanas de todo o País, entre 9 de março e 2 de abril deste ano.
Uma das conclusões da pesquisa é que houve um crescimento significativo no segmento do consumidor “iniciante”, de 32%, em 2012, para 38%, em 2018 – o que mostra que o momento é de recrutamento dos consumidores indiferentes para hábitos mais sustentáveis de consumo.
A pesquisa aponta que são 76% os menos conscientes (“indiferentes” e “iniciantes”) em relação ao consumo e que o maior nível de consciência tem viés de idade, de qualificação social e educacional: 24% dos mais conscientes têm mais de 65 anos, 52% são da classe AB e 40% possuem ensino superior.
O segmento de consumidores mais conscientes (“engajados” e “conscientes”) é majoritariamente feminino e mais velho. Já o segmento dos “indiferentes”, o grupo menos consciente de todos, é majoritariamente mais jovem e masculino.

Comportamentos de consumo consciente

Foi feita também uma segunda análise considerando 19 comportamentos indicadores de consumo consciente, adicionando portanto 6 comportamentos à lista inicial. Em uma análise fatorial, os resultados da pesquisa mostraram um gradiente que vai da consciência dentro de casa, onde a adesão é mais forte, até a consciência de alcance público, onde é mais fraca. A consciência em casa, que inclui o comportamento de evitar deixar a lâmpada acesa à toa, por exemplo, é o estágio dos “indiferentes” e “iniciantes”, que estão no estágio “do bolso”, onde a questão financeira ainda é o principal fator a leva-los a aderir a comportamentos conscientes. Já os “engajados” estão no estágio do planejamento, uma vez que suas práticas sustentáveis incluem o planejamento de compra de roupas e de alimentos. Os conscientes, por sua vez, têm comportamentos mais ativos, que vão além da casa, incluindo por exemplo votar em um político que defende temas sociais ou ambientais.

No caminho da sustentabilidade 

O brasileiro prefere claramente o caminho da sustentabilidade ao do consumo. Em um conjunto de alternativas oferecidas aos entrevistados em 10 temas distintos, ao expressar os seus dez principais desejos dos brasileiros, estão entre os sete primeiros uma clara expressão de preferência por alternativas que caminham para a sustentabilidade. Enquanto o primeiro lugar é ocupado pelo desejo de “estilo de vida saudável”o segundo lugar indica o desejo pelo “carro próprio” (consumo). Os três itens seguintes indicam preferência por caminhos da sustentabilidade: “água limpa, preservando fontes”, “alimentos saudáveis, frescos e nutritivos” “tempo para pessoas que gosto”.
O aumento da preocupação por uma alimentação saudável e pela água limpa e preservada, apontado na Pesquisa Akatu 2018, provavelmente tem relação com o contexto socioambiental nos últimos anos. “A preocupação com a água, por exemplo, pode ser reflexo da crise hídrica que se propagou em diferentes áreas do país, justificando o desejo pela “água limpa” em terceira posição no ranking”, analisa Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu.
Por outro lado, ter o carro próprio surge como o principal obstáculo na liderança absoluta do caminho da sustentabilidade. Em cada um dos diferentes perfis de consumidor (indiferente, iniciante, engajado e consciente), o desejo por este bem está sempre entre os sete maiores desejos. Quando separado por regiões do país, o Sudeste é o único que apresenta o carro próprio como o primeiro desejo no ranking. A pesquisa também aponta que o desejo pelo carro próprio é o primeiro entre as classes C, D e E – justamente as que mais são impactadas pelos problemas do transporte público.

Barreiras e gatilhos para o consumo consciente 

O brasileiro deseja seguir pelo caminho da sustentabilidade, explicitando claramente seu desejo de bem-estar na forma de uma vida saudável. Se assim é, o percentual de consumidores “mais conscientes” não deveria ser muito maior que 24%? Por que não é? Para identificar a resposta a essa pergunta, a Pesquisa Akatu investigou o que as pessoas consideram como obstáculos para práticas de consumo consciente.
A principal barreira para hábitos mais sustentáveis é a necessidade de esforço, contemplando os seguintes itens: “exige muitas mudanças nos hábitos da família”, “exige muitas mudanças nos hábitos”, “custam caro”, “exige mais informação sobre as questões/impactos ambientais e sociais”, “é mais trabalhoso” e “são mais difíceis de encontrar para comprar”. Dentre os que concordam que o esforço é a maior barreira, a percepção de que os produtos sustentáveis são mais caros se destaca.
Quanto aos gatilhos que levariam à adoção de hábitos mais sustentáveis, os consumidores valorizam mais aqueles que impactam o mundo, a sociedade. Por isso, a pesquisa classificou os gatilhos em dois grupos: os emocionais (com benefício para os outros, o mundo, a sociedade) e os concretos (com benefícios para mim). O item mais votado da primeira categoria foi “contribui para um futuro melhor para filhos/netos”, enquanto na segunda categoria foi “traz benefícios à minha saúde”.
O Sudeste foi o mais sensibilizado pelos gatilhos emocionais (96,9%), o Nordeste pelos gatilhos concretos (89,8%) e o Norte e Centro-oeste pelos gatilhos concretos (85%).
De modo geral, o alto preço percebido dos produtos sustentáveis e a falta de informação e indisponibilidade de produtos são questões-chave que representam barreiras para o consumidor brasileiro. “Nota-se que o consumidor quer e precisa saber mais sobre tais produtos, para derrubar barreiras e para acionar gatilhos”, diz Mattar.

Responsabilidade social empresarial

Os consumidores valorizam, segundo a pesquisa, empresas que cuidam mais das pessoas. Entre as oito principais causas que mais mobilizam o consumidor a comprar um produto de determinada marca, cinco estão ligadas ao cuidado com pessoas: atuar no combate ao trabalho infantil; tratar funcionários da mesma forma, independentemente de raça, religião, sexo, identidade de gênero ou orientação sexual; investir em programas de contratação de pessoas com deficiência; contribuir para o bem-estar da comunidade onde está localizada; e oferecer boas condições de trabalho.
Por outro lado, existe uma força maior na desmobilização do que na mobilização, isto é, são mais presentes na população os fatores que diminuiriam muito a disposição de comprar um produto do que os fatores que levariam a aumentar muito ou nem aumentar nem diminuir essa disposição. Assim, provocar problemas de saúde ou ferimentos e denúncia de concorrência desleal são os principais detonadores de reputação dos produtos de uma empresa.
Em tempos de fakenews, a credibilidade da fonte da informação é tão relevante quanto a empresa que divulga suas ações. Segundo a pesquisa, 32% dos brasileiros confiam na informação divulgada pela própria empresa; 31% afirmam que a confiança depende de onde veio a notícia.
Já como posicionamento mais geral, 59% acreditam que as empresas deveriam fazer mais do que está nas leis e trazer mais benefícios para a sociedade.

Clique aqui para acessar a apresentação da Pesquisa Akatu 2018.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Comissão de Defesa do Consumidor aprova mudança em rótulo de produtos com logística reversa

Medida estabelece que embalagens deverão informar sobre a obrigatoriedade de destinar o lixo decorrente daquele material para reaproveitamento e a importância ambiental de sua entrega em postos de coleta.

A Comissão de Defesa do Consumidor aprovou, em 08/05/2013, o Projeto de Lei 2433/11, do deputado Jhonatan de Jesus (PRB-RR), que obriga os fabricantes e importadores de produtos geradores de resíduos sólidos sujeitos ao sistema de logística reversa a colocarem nos rótulos ou embalagens informações sobre a obrigatoriedade e importância ambiental de sua entrega em postos de coleta.
O sistema de logística reversa é caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação.
O relator na comissão, deputado Ricardo Izar (PSD-SP), defendeu a aprovação da proposta argumentando que ela “preenche uma lacuna” da Lei dos Resíduos Sólidos (12.305/10), regulamentada pelo Decreto 7404/10.
Segundo Izar, o projeto de lei permite “ao consumidor conhecer suas obrigações ambientais e colaborar efetivamente com a Política Nacional de Resíduos Sólidos”.
Tramitação
A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:

Reportagem – Rodrigo Bittar
Edição – Rachel Librelon
Fonte: ‘Agência Câmara Notícias‘ (09.05.13)

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Pesquisa Akatu revela que consumidores estão mais bem informados sobre sustentabilidade e têm mais interesse pela RSE


O Instituto Akatu lançou nesta quinta-feira (25/04) a Pesquisa Akatu 2012: Rumo à Sociedade do Bem-Estar. Trata-se da oitava edição da série de publicações sobre Responsabilidade Social Empresarial – Percepção pelo consumidor brasileiro, realizada desde 2000. O levantamento retrata um consumidor brasileiro que, mesmo em um clima econômico de mais consumo, mantém inalterados seus comportamentos cotidianos de consumo consciente, tem mais interesse e maior conhecimento sobre sustentabilidade e sobre Responsabilidade Social Empresarial (RSE) e está mais crítico e exigente sobre as práticas das empresas nestas áreas. A pesquisa, que contou com patrocínio do Grupo Pão de Açúcar, Natura, Nestlé e Unilever, entrevistou 800 pessoas com mais de 16 anos, de todas as classes sociais e de 12 capitais e/ou regiões metropolitanas de todo o País.
Apesar de o levantamento indicar uma estabilidade do número de consumidores classificados como “Conscientes” – em torno de 5% da população – houve crescimento na adesão a práticas de consumo consciente, ainda que, nesse momento, apenas de maneira eventual e não contínua. De 11 comportamentos considerados indicativos de consumo consciente, quando se adiciona aos consumidores que aderem “sempre” a esses comportamentos aqueles que aderem “às vezes”, oito comportamentos apresentaram aumento em relação a 2010, entre eles: planejar a compra de alimentos e roupas, desligar lâmpadas, fechar torneiras, usar o verso do papel, e ler rótulos de produtos.
Esta tendência é reforçada por outro importante resultado da pesquisa: solicitados a priorizar seus desejos, os entrevistados optaram, em uma significativa maioria, por soluções mais sustentáveis. Em cinco dos oito temas propostos (afetividade, alimentos, água, mobilidade, durabilidade, energia, resíduos e saúde), eles deram preferência a alternativas mais ligadas ao “caminho da sustentabilidade” do que as relacionadas ao “do consumismo”. Um exemplo é o tema da afetividade, que possui a maior diferença entre os consumidores que preferem o cenário mais sustentável (passar tempo com amigos e família – com índice de prioridade de 8,3 em uma escala de 0 a 10) ao invés do consumista (comprar presentes – com índice de 2,6). Vale destacar que apreferência pelo “caminho da sustentabilidade” ocorre em todas as classes sociais, faixas etárias e em todos os segmentos socioeconômicos e geográficos.
Para os brasileiros, o conceito de felicidade está relacionado à preferência pelos caminhos mais sustentáveis. Quando questionados sobre o que consideram ser felicidade, dois terços dos entrevistados indicaram que estar saudável e/ou ter sua família saudável é um fator essencial. Para 60% do público que respondeu à pesquisa, conviver bem com a família e os amigos também os aproxima mais da felicidade. Apenas três em cada 10 brasileiros indicaram a tranquilidade financeira em suas respostas sobre “o que é felicidade para você?”. “O estudo mostra que grande parte da sociedade brasileira já compartilha, mesmo que de forma difusa e pouco consciente, a noção de que, uma vez satisfeitas as necessidades básicas, a busca da felicidade implica em tomar o caminho da sustentabilidade e não o do consumismo”, afirma Helio Mattar, Diretor-presidente do Instituto Akatu.

DECISÃO DE COMPRA

Ao valorizar mais o consumo consciente e as opções mais sustentáveis, o consumidor brasileiro também passou a ser mais exigente em relação à atuação das empresas. O levantamento do Akatu revela que o comportamento das empresas impacta diretamente na decisão de compra dos consumidores, que destacam cinco aspectos como motivadores de preferência ou admiração por determinadas empresas: “Não maltratar animais” (52%), “Ter boas relações com a comunidade” (46%), “Ter selos de proteção ambiental” (46%), “Ajudar na redução do consumo de energia” (44%) e “Ter selo de garantia de boas condições de trabalho” (43%). As duas práticas que mais negativamente impactam a disposição do consumidor para comprar produtos de uma empresa ou falar bem dela continuam as mesmas de 2010 e de anos anteriores: “Ter produtos que podem causar danos à integridade física dos seus consumidores” (72%) e “Fazer propaganda enganosa” (71%).
“Saber que o potencial de adesão ao consumo consciente e à sustentabilidade já se expressa nos desejos dos consumidores é um sinal de alerta para empresas e lideranças em geral, que deveriam avaliar mais profundamente suas estratégias de explorar mais ainda um modelo esgotado, insustentável e conflitante com as aspirações dos consumidores e com suas concepções de felicidade”, indica Mattar. “Sustentabilidade e responsabilidade social são e continuarão a ser pilares fundamentais para apoiar a transição civilizatória em que estamos todos envolvidos. Por isso mesmo, estes pilares devem ser incorporados às práticas reais das empresas”, complementa.
Por outro lado, a pesquisa indica que houve um aumento do ceticismo dos brasileiros com relação às empresas: o percentual de consumidores, já baixo em 2010, que acreditava incondicionalmente no que as empresas divulgam sobre suas práticas de Responsabilidade Social Empresarial caiu de 13% para 8%.
O aumento do ceticismo se relaciona possivelmente com o crescimento da compreensão sobre sustentabilidade e do interesse por informações. O contingente de brasileiros que “ouviram falar” do termo sustentabilidade aumentou de 44% para 60% em dois anos, bem como o interesse de buscar informações sobre o tema (de 14% para 24%). Quando comparado a diversos outros, os dois únicos temas que tiveram expressivo crescimento no nível de interesse do consumidor foram justamente o da Responsabilidade Social Empresarial e o da Sustentabilidade: em 2010, ambos estavam em um patamar inferior a todos os demais e, em 2012, 24% apontaram seu interesse no tema Sustentabilidade e 25% em Responsabilidade Social Empresarial, praticamente ao mesmo nível de temas tradicionais, como Empresas/Negócios (26%) e Política (30%).
Refletindo sobre o papel das empresas, Mattar apontou que “certamente há papéis fundamentais a serem desempenhados por todos os atores sociais. Mas, também é certo que as empresas têm um papel fundamental no processo, fomentando e dando concretude ao trajeto rumo a uma sociedade mais sustentável, de forma a incluir os bilhões de seres humanos ainda privados das condições básicas para a promoção de seu bem-estar e segurança material, respeitados os limites do planeta”.

PARA DOWNLOAD:

Relatório completo da Pesquisa Akatu 2012: http://bit.ly/Pesquisa2012

Sumário de conclusões da Pesquisa Akatu 2012: http://bit.ly/SUM2012

Fonte: AKATU

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Boa notícia: CCJ Aprova proposta de redução de carga tributária para produtos feitos com material reciclado

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou, nesta quarta-feira (12), proposta de emenda à Constituição (PEC 1/2012 ) que elimina quase todos os impostos incidentes sobre produtos feitos com material reciclado ou reaproveitado. O senador Paulo Bauer (PSDB-SC) é autor da iniciativa, que recebeu parecer pela aprovação do relator, senador Armando Monteiro (PTB-PE).
O texto original pretendia acabar com todos os impostos aplicados a essa cadeia produtiva. Mas alteração feita pelo relator manteve a cobrança do Imposto de Importação (II), com o argumento de não ser possível privar o governo federal de um importante instrumento de regulação do comércio exterior.
– Se todos os impostos fossem retirados, isso poderia agravar, por exemplo, a importação de roupas fabricadas na China com insumos reciclados no território daquele país – comentou o relator.
A PEC 1/2012 ainda precisa passar por dois turnos de votação no Plenário do Senado antes de seguir para a Câmara dos Deputados.

Por: Ricardo Koiti Koshimizu e Simone Franco

Fonte: Agência Senado

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Logística reversa de aparas de plástico de fraldas e absorventes se transforma em cabos de escovas de dentes

Foto: Carlos Cubi - Revista Época 
Uma grande quantidade de aparas de plástico das fraldas e dos absorventes femininos fabricados na Johnson & Johnson está se transformando em cabos de escovas de dentes. Esse descarte pré-consumo representa entre 300 e 400 toneladas por mês que, moídas no ponto de grãos e processadas, entram na composição do cabo da Reach Eco.
Em 2007, quando tentava fabricar uma escova de dentes de baixo custo, a Johnson & Johnson lembrou de seu projeto de reciclagem de aparas de fraldas. Havia sete anos que as aparas eram mandadas para empresas que as transformavam em calotas e baldes. Um estudo interno demonstrou que havia destino melhor. Se fossem usadas na produção das escovas, elas reduziriam o preço final do produto em 1,5%. 
A Reach Eco chegou ao mercado em 2009 com preço sugerido de R$ 1,49 (hoje ronda os R$2). Em dois anos, abocanhou 2,2% do mercado de escovas baratas. E provou que valia a pena criar uma fábrica nova, voltada à reintrodução das sobras plásticas nos produtos da própria companhia. Desde o lançamento, em 2009, as escovas agregam 40% de matéria-prima reaproveitada; os outros 60% ainda são matéria-prima virgem. A cada 250 mil escovas produzidas a fábrica economiza 60 toneladas de petróleo e poupa os aterros sanitários onde até então eram descartadas as aparas. "Desenvolvemos um produto que traz benefícios para o ambiente, para a sociedade e ainda é um bom negócio para a empresa", diz Eduardo Siqueira, gerente de marketing da J&J.
A boa aceitação da Reach Eco determinou a construção de uma nova fábrica dentro do complexo de 910 mil m2 em São José dos Campos (SP), onde já convivem 11 manufaturas que fabricam 39 marcas. A Central de Reciclagem de Resíduos (CCR) foi inaugurada em abril de 2011 a um custo de R$ 1,5 milhão, que a J&J espera recuperar em dois anos. O propósito da fábrica é operar as aparas, mas ainda há ociosidade em sua capacidade total de processar 500 kg de plástico por hora. O lançamento da Reach Eco foi uma operação casada, segundo Siqueira: o crescimento das vendas no mercado de escovas de dentes e o apelo ao consumidor de baixa renda. "Nossas pesquisas indicavam que o consumidor classe C quer produtos sustentáveis, mas não quer pagar mais por isso", diz Siqueira. Num amontoado de mais de 500 marcas de escovas em disponibilidade no mercado, Siqueira diz que o apelo da Reach Eco foi certeiro: escova de dentes de marca ao custo de R$ 1,99. Resultado: em 2009, entre setembro e dezembro, a escova conquistou 0,1% do mercado; em 2010 abocanhou 1,6%; em 2011 chegou a 2,2% do mercado. "A campanha foi feita totalmente por mídia digital durante um ano e meio com apelo ecológico e econômico direcionado à classe C", diz Siqueira. "Hoje a publicidade está no ponto de vendas, com promotores capacitados."
O desafio é encontrar utilidade para as excedentes 150 a 200 toneladas por mês - metade do volume de aparas das fraldas e absorventes. "Já identificamos outras oportunidades, mas ainda estão em fase de testes", diz Alex Gomes, gerente de utilidades e manutenção da J&J.
Enquanto não conclui as pesquisas, a empresa redireciona as sobras para outras cadeias que utilizam plásticos pré-consumo: fábricas de autopeças, utensílios domésticos, embalagens, sacos de lixo, filmes plásticos. Siqueira, da Johnson & Johnson diz: "Desenvolvemos um produto que traz benefícios ao ambiente e é um bom negócio"

"É claro que, quando o cliente vê na gôndola um produto como a Reach Eco, o reconhecimento de que a empresa é ambientalmente responsável é ainda maior”, diz Eduardo Siqueira, gerente de mercado da Johnson & Johnson para a área de Oral Care. A “fábrica de plástico” foi inaugurada em abril do ano passado, em São José dos Campos (SP). Resultado de um investimento de R$ 1,5 milhão, a unidade produz até 140 toneladas de grânulos de plástico reciclado por mês. A companhia consome 90 toneladas, com as quais fabrica, além da Reach Eco, duas escovas lançadas no final de 2011, a Tek e a Reach Essencial. Cada uma tem 20% de plástico reciclado de aparas.
Desde que a fábrica foi inaugurada, tem recebido resíduos de outras unidades. O responsável por ela, Alex Gomes, tem se correspondido com a equipe de desenvolvimento de embalagens. Ainda no primeiro trimestre, a J&J vai lançar diversas linhas de produtos com embalagens feitas de materiais reciclados. “O Brasil tem maior disponibilidade de matéria-prima reciclada que a Europa e os Estados Unidos”, diz Carlos Souto, diretor de embalagem da J&J. Também por isso o negócio é economicamente viável: o plástico pós-consumo reciclado tem custo semelhante ao virgem. 

Adaptado por Patrícia Guarnieri para o Blog Logística Reversa e Sustentabilidade

Fonte originais: Valor Econômico - SP (20/04/2012) e Época Negócios

Disponível em: Sindindústria e Época Negócios

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Nestlé,Tetra Pak e Braskem lançam tampa de "polietileno verde"

A Nestlé, em parceria com a Tetra Pak e a Braskem, lançou em agosto embalagens com tampas de polietileno feitas a partir de derivados da cana-de-açúcar que é uma fonte renovável. Com a iniciativa, os leites UHT Ninho, Ninho Levinho, Ninho Baixa Lactose e Molico já estão nos pontos de venda com as novas tampas.
O polietileno desenvolvido pela Braskem é produzido a partir de derivados da cana, sendo posteriormente transformado em plástico para a produção das tampas. O processo contribui para a redução global das emissões de gases de efeito estufa, já que o cultivo da cana-de-açúcar utilizada na fabricação absorve gás carbônico da atmosfera.
“Trata-se de uma iniciativa inovadora que agrega ainda mais valor aos nossos produtos. Nossa participação nesse projeto está totalmente alinhada à plataforma mundial de responsabilidade social da Nestlé”, afirma Ivan Zurita, presidente da Nestlé Brasil. O conceito fundamenta-se na premissa de que, para o sucesso dos negócios no longo prazo, tão importante quanto gerar valor para os acionistas é gerar valor para a sociedade em que a empresa está inserida.
Do ponto de vista da Tetra Pak, a opção por utilizar recursos renováveis reflete seu compromisso com o meio ambiente e as futuras gerações. Atualmente, todo papel usado na fabricação das embalagens cartonadas no Brasil é proveniente de florestas gerenciadas de acordo com princípios de manejo florestal responsável, com certificação do FSC (Forest Stewardship Council). “A utilização de polietileno de cana-de-açúcar é mais um grande passo em busca de nosso objetivo de oferecer uma embalagem 100% renovável”, explica Paulo Nigro, presidente da Tetra Pak Brasil.
Por sua vez, a Braskem, maior produtora mundial de biopolímeros, está plenamente associada aos seus parceiros no compromisso com a promoção da sustentabilidade. Segundo seu presidente Carlos Fadigas, “participar dessa iniciativa ao lado de empresas que são líderes globais em seus setores de atuação é muito importante para a Braskem”. Em setembro do ano passado, a empresa inaugurou uma fábrica no Rio Grande do Sul para produzir 200 mil toneladas de “plástico verde” a fim de atender à crescente demanda pelo produto.

Fonte: CEMPRE

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Embalagens sustentáveis - Empresa GreenBottle cria garrafas de leite feitas de papel

Um balão de papel machê inspirou o inglês Martin Myerscough a criar garrafas de leite feitas de papel. O investimento foi eficaz e hoje a empresa fornece o material para 15 lojas.
A empresa GreenBottle nasceu a partir da necessidade de criar uma alternativa para as embalagens de plástico para leite. Myerscough, o fundador, pesquisou e teve acesso às estatísticas sobre garrafas de plástico, que segundo ele, eram “simplesmente horríveis”. Na ocasião, em 2006, Myerscough chegou a conclusão que algo poderia ser feito, só que ele ainda não sabia exatamente o que. A ideia surgiu quando seu filho chegou em sua casa com um balão de papel machê da escola. 
Assim, ele criou a GreenBottle (garrafa verde em inglês). Ela tem um revestimento plástico interno, que mantém o líquido protegido. Externamente a embalagem é feita de papel reciclado. O invólucro de papel pode ser reciclado até cinco vezes ou eliminado em uma pilha de compostagem.
Das embalagens de leite vendidas no Reino Unido, 90% são feitas a partir do petróleo. São usadas mais de 15 milhões de garrafas de plástico com leite diariamente no país, onde a maioria dos resíduos tem como destino o aterro sanitário. As comuns levam cerca de 500 anos para se decompor e só podem ser recicladas uma vez, já a garrafa de papel se decompõe em aproximadamente 35 dias. 
A GreenBottle foi desenvolvida para ser facilmente separada e levada para a reciclagem. São apenas três passos: rasgar o papel, retirar o plástico do leite e descartá-los em uma coleta seletiva.
A empresa recebeu o financiamento de 4,5 milhões de libras de investidores privados. Agora está desenvolvendo uma alternativa “verde” para que as garrafas de detergente e xampu também sejam ecológicas.
Em 2007 a GreenBottle ganhou o Prêmio Verde pela “criatividade sustentável”. O produto já é comercializado em uma conhecida rede de supermercados do Reino Unido.

Por: Redação CicloVivo
Fonte: Ciclo Vivo

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Embalagens e Sustentabilidade - Brasil é o segundo no ranking mundial no lançamento de embalagens inovadoras (parte II)

Crédito: Electro Plastic
Todos esses avanços  e os benefícios que os acompanham não acabam com um dos maiores problemas causados em consequência do grande uso de embalagens pela sociedade contemporânea, e apontado no início dessa reportagem: o lixo.
No Brasil são produzidos diariamente 240 mil toneladas de resíduos sólidos. Pouco mais da metade desse volume vem dos domicílios. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, as embalagens respondem por um terço de todo o lixo doméstico. Mas talvez a pior informação vinda desse cenário desolador esteja relacionada ao descarte de todo esse material. Dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico de 2008, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que metade dos centros urbanos ainda deposita esses resíduos em lixões, espaços com pouco ou nenhum cuidado ambiental, e menos de 50% deles possuem programas de coleta seletiva, utilizando apenas 10% do potencial do mercado da reciclagem. Em resumo, o país joga muito dinheiro fora.
Apesar dos dados pouco animadores, o poder público e a iniciativa privada buscam, aparentemente, formas de solucionar o problema. Uma delas é a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Ainda em fase de regulamentação, a lei obriga todos os municípios a criarem programas de destinação correta do lixo no prazo de quatro anos.
Para Eloísa Garcia, do CETEA, as ações previstas na PNRS, além de ajudar a resolver a questão do descarte, também contribuirão para que se reduzam imperativamente as emissões de gases do efeito estufa dos aterros e lixões.
Com relação ao mundo corporativo, as empresas mostram cada vez mais preocupação com todas as etapas do ciclo de vida de uma embalagem. Vale destacar as ações da Tetra Pack para reciclar suas famosas caixinhas longa-vida. Recentemente, a empresa desenvolveu uma técnica inovadora para a separação dos três elementos que a compõem: papel, plástico e alumínio. A empresa também é responsável pelo hotsite Rota da Reciclagem [www.rotadareciclagem.com.br/index.html], que oferece informações úteis sobre coleta, reciclagem e educação ambiental.
O recado da sustentabilidade já foi assimilado também por outros dois grandes players do varejo mundial: o Carrefour e o Walmart. “Os produtos de nossa marca virão embalados com dicas de sustentabilidade, que estejam ligadas ao cotidiano do consumidor para que ele faça compras cada vez mais consciente”, afirma Paulo Pianez, diretor de sustentabilidade do Carrefour no Brasil. Na Europa, a rede de supermercados utiliza um design diferenciado em suas embalagens que reduzem o volume e o peso do produto, tornando-o, de acordo com a companhia, ainda mais sustentável.
Já o Walmart Brasil, não apenas tem implementado a eficiência energética e a ecologia em suas lojas, mas também tem programas voltados às cadeias de produtos que distribui, envolvendo seus grandes fornecedores. O Programa “End to End – Sustentabilidade de Ponta a Ponta”, implantado em janeiro de 2010, contou com a adesão de empresas como 3M, Cargill, Colgate, Coca-Cola, J&J, Nestlé, Pepsico, Procter e Unilever.
O conjunto de fornecedores representa mais de 40% do que é vendido nas lojas da rede. Com esse programa, a marca quer influenciar mudanças a partir das compras do dia a dia de seus clientes, propondo mudanças simples em produtos(da matéria-prima ao descarte) que resultem em grandes transformações pela preservação dos recursos naturais, o que inclui a adoção de metas globais nos pilares do clima, da energia, dos resíduos e dos produtos.
Informação e consumidor bem embalados
Porém, as embalagens devem ser percebidas de maneira global dentro dos processos produtivos de diferentes cadeias industriais. “A embalagem é uma ferramenta de otimização do todo, e não deve ser vista apenas sob a ótica da minimização de impactos de resíduos”, acredita Bruno Pereira. O pacote de um alimento importa desde a sua conservação até seu transporte, tornando-se, nas prateleiras do varejo, uma ferramenta de comunicação e de educação para a sustentabilidade. “Não queremos uma embalagem de menor impacto ambiental, mas de maior impacto para a sustentabilidade ao longo de todas as cadeias produtivas”, equaciona o especialista da ESPM.
Para Silvia Dias, jornalista da área de sustentabilidade corporativa, as empresas são grandes responsáveis pelo trabalho de transformar informação em educação. “Qualquer profissional de marketing sabe que o principal canal de comunicação com o consumidor é a embalagem do produto. Ela comunica valores, percepções, emoções e também informações concretas, tais como nome e endereço do fabricante, composição química ou nutricional, canais de contato com o atendimento ao consumidor, etc. Mas se você prestar atenção verá que ela comunica outra coisa: o compromisso da empresa com a sustentabilidade”, argumenta.
Mas tanto Eloísa Garcia, a pesquisadora de tecnologia, quanto Bruno Pereira, o pesquisador de marketing e sustentabilidade, acreditam que nem tudo o que “parece sustentável” chegará a ser. E, por isso mesmo, a educação do consumidor-cidadão é o elo a ser trabalhado daqui para frente. “O esforço deve ser conjunto, afinal, sustentabilidade é um conceito fácil de ser entendido, mas complexo de ser aplicado no cotidiano”, afirma o professor Pereira. Para ele, a gestão coordenada do problema, com visão sistêmica das cadeias de produção e consumo são chaves para a mudança de paradigmas em favor da sustentabilidade.


Por: Isabel Gnaccarini, especial para o SESI
(Conteúdo gentilmente cedido pelo SESI – Serviço Social da Indústria para o Mercado Ético leia mais)

Disponível  em: Mercado Ético

Embalagens e Sustentabilidade - Brasil é o segundo no ranking mundial no lançamento de embalagens inovadoras (parte I)

Crédito: Mercado Ético
Quando se fala em sustentabilidade, as embalagens são frequentemente vistas como grandes vilãs. Não é para menos. Só para citar o caso do plástico, das cerca de 250 milhões de toneladas produzidas no mundo desse material, aproximadamente 37% delas servem para embalar,empacotar, envolver ou transportar os bens de consumo. Depois do uso, vem o descarte, e então milhões de sacos, pacotes,invólucros viram lixo, poluindo cidades, campos e mares, prejudicando assim a vida de inúmeros seres vivos, inclusive a do próprio homem.
Ruim com elas? Pior sem elas. Se há muito tempo as embalagens fazem parte da cultura humana, nos dias de hoje elas são praticamente indispensáveis. Feitas de aço, papel, vidro, plásticos e até de madeira e tecidos, elas têm como primeira função proteger os produtos e, no caso dos perecíveis, evitar a sua contaminação e prolongar a sua validade. Mas não é só isso. As embalagens também facilitam o transporte e a armazenagem da carga, além de servirem como poderosos meios de informação para o consumidor.
Já que é praticamente impossível acabar com as embalagens, parece mais sensato entender como funciona sua cadeia produtiva – desde sua fabricação até o descarte – e buscar formas de equilibrar a equação “desenvolvimento, homem e meio ambiente” a partir de seus processos.
O começo da conversa
O mundo das embalagens tem envolvido processos tecnológicos cada vez mais sofisticados, principalmente no que diz respeito à conservação de alimentos ou de produtos da indústria farmacêutica. Nesse cenário de pesquisa e inovação de materiais, instalou-se entre especialistas do setor uma reflexão crítica instigante: além da onda de novos materiais naturais que começam a surgir, quem pode afirmar que aquelas renováveis ou biodegradáveis são melhores do que as outras? “Há de se tomar cuidado com as ‘pílulas’ de sustentabilidade”, alerta Bruno Pereira, professor do Núcleo de Estudos de Embalagens da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).
Eloísa Garcia, engenheira de produção do Centro de Tecnologia de Embalagens do Instituto de Tecnologia de Alimentos da Secretaria de Agricultura de São Paulo (CETEA), concorda com o pesquisador. Para ela, a cautela é a melhor dica quando se trata de passar receitas ecológicas sobre embalagens feitas de materiais biodegradáveis, renováveis ou recicláveis.
A afirmação de Eloísa ganha respaldo na opinião de outra especialista da área, Silvia Rolim, engenheira química e assessora técnica da Plastivida Instituto Sócioambiental dos Plásticos, uma organização de referência nacional no que diz respeito a assuntos ligados ao plástico. “O título biodegradável não garante nada para absolutamente ninguém”, alerta ela. “O descarte de forma inadequada do plástico biodegradável pode torná-lo tão nocivo para o meio ambiente quanto o convencional”, explica.
No entanto, os especialistas valorizam o vanguardismo tecnológico que a área de embalagens alimentícias agrega à pesquisa científica. Segundo Eloísa, o setor vem conquistando avanços consideráveis desde os anos 1980. “Antes disso, não havia ainda mercado consumidor que justificasse investimentos financeiros em inovações”, explica.
Assim, o Brasil se tornou um dos grandes destaques mundiais nesse campo. O país é hoje o segundo no ranking de lançamento de novas embalagens por ano, atrás apenas dos Estados Unidos. De acordo com dados do Laboratório Global de Embalagem da ESPM, foram mais de 20 mil lançamentos no ano passado, no qual 48% desse total eram voltados para o setor alimentício.
Tecnologia e inovação
Se de um lado ainda há um grande ceticismo ao associar embalagens à sustentabilidade, certo é que a busca por soluções que contemplem o meio ambiente são hoje abraçadas como oportunidades. “Conceitos antigos, porém de ponta, estão finalmente entrando na casa do consumidor. É o caso de pesquisas com materiais feitos à base de etanol”, explica a especialista Eloísa Garcia.
O premiado pote da margarina Cyclus Nutrycell, da transnacional Bunge, por exemplo, é feito com a resina PLA (poli-ácido láctico), obtida a partir da fermentação do amido de milho. Segundo o fabricante, o produto se degrada em 180 dias, desde que em condições adequadas de compostagem, e não contamina o solo. A caixinha foi recebida com tão bons olhos que, em 2009, conquistou o
prêmio máximo da World Packaging Organization (WPO – entidade mundial do setor). No Brasil, faturou as premiações da revista especializada Embanews e da Associação Brasileira de Embalagem (Abre).
O fato de uma embalagem do setor alimentício ter esse destaque todo pode não soar como nenhuma surpresa para quem é do ramo. Afinal, junto com as bebidas, os alimentos respondem por 60% de todas os invólucros disponíveis no mercado mundial. Devido às peculiaridades de seus produtos, como risco de contaminação e prazo de validade relativamente curto, essa indústria teve que correr atrás da grande sofisticação tecnológica que hoje detém. O resultado é que, na área de empacotamento, esse setor é referência para todos os outros.

Por: Isabel Gnaccarini, especial para o SESI
(Conteúdo gentilmente cedido pelo SESI – Serviço Social da Indústria para o Mercado Ético leia mais)

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