"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



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terça-feira, 7 de setembro de 2021

O que é #EconomiaCircular? O que tem a ver com #Sustentabilidade? a Profa. Patricia Guarnieri do Gealogs participa da Live do Egea

 O que é #EconomiaCircular? O que tem a ver com #Sustentabilidade? Por que isso importa?

Conheça a Professora Patricia Guarnieri, nossa entrevistada da semana na #LIVEdoEgea. 
Patrícia é Profa. adjunta do curso de Administração da Universidade de Brasília (UnB); Profa. e Orientadora no Programa de Pós-Graduação em Agronegócio e do Programa de Pós-Graduação em Administração (UnB) e do curso de Bacharelado em Administração (UnB) e Doutora em Eng. de Produção pela UFPE com estágio Pós-Doutoral em Economia Circular na Università di Bologna, Itália. Sua experiência abrange as áreas de Logística de Suprimentos, Logística Reversa, Gestão de Parcerias e Relacionamentos Colaborativos no SCM, Economia Circular e Análise de Decisões. É também autora do livro "Logística Reversa: em busca do equilíbrio econômico e ambiental". 

A [LIVE do Egéa] é uma iniciativa da SerTotal , entrevistando semanalmente profissionais ideias inspiradoras sobre gestão de pessoas, crescimento pessoal, gestão e carreira. 
Curta nossa página no Facebook. #sertotalconsultoria #ESG

A live pode ser acessada no YouTube: CLIQUE AQUI


quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Transição de uma economia linear para uma economia circular: um caminho possível?

Muito tem sido discutido, principalmente nos últimos anos, sobre a transição de uma economia linear para uma economia circular. 

Mas o que é efetivamente necessário para que isso aconteça? 

O que podemos fazer para acelerar essa transição? 

Uma coisa é evidente, esse movimento de transição em direção à economia circular exigirá mudanças de comportamento, mudanças na cultura organizacional, mudanças nos modelos de negócios. Essas mudanças envolvem todos os atores que fazem parte do contexto, como indústrias, comerciantes, consumidores/cidadãos/usuários, governos, legisladores, entre outros de vários segmentos e nos âmbitos público e privado. 

Para esta transição é necessário fazer esforços em nível macro (cidades, províncias, regiões ou países), nível meso (simbiose industrial, eco-parques industriais) e, nível micro (organizações, produtos, consumidores). Em relação ao nível macro, envolve mudanças de política em nível nacional, regional e municipal.

Mas e o que é a tão falada economia circular e qual a diferença para o atual sistema de produção e consumo linear?


A economia circular prevê que produtos e materiais sejam mantidos em circulação pelo maior tempo possível; também prevê o aumento do uso de resíduos no mesmo ou em outros processos produtivos e/ou de negócios, a redução no uso de recursos brutos ou primários (energia, água, matérias-primas); e quando um produto chega ao fim de sua vida, prevê que ele seja reutilizado ou reaproveitado para criar mais valor na economia com menor extração de recursos naturais. É um sistema do berço ao berço, fazendo o resíduo virar alimento para outro produto ou processo. Já na economia circular o sistema é do berço ao túmulo, se extraem recursos, que são tranformados e depois descartados, sem considerar a sua finitude e os impactos gerados. 

Sem dúvida, um dos principais nomes quando se fala em Economia Circular é a Ellen MacArthur Foundation (EMF), que é uma das principais lobistas em favor dessa transição, principalmente no contexto europeu. Nesse sentido, a EMF gera muito conteúdo e fomenta diversas ações para essa transição. A figura abaixo nos mostra que há basicamente dois fluxos que devem ser pensados para a economia circular, os ciclos biológicos e os ciclos técnicos. 


É possível perceber que os ciclos biológicos abrangem a produção primária na agricultura, na pecuária, na mineração e em outros segmentos. Essa produção primária, por sua vez, gera resíduos líquidos, sólidos, gasosos que podem ser reaproveitados em outros processos. Como por exemplo, os detritos gerados com a produção de suínos, bovinos e aves que pode ser utilizada para a produção de biogás, ou adubos. Os resíduos de casca de arroz que são usados na produção de cimento e também cosméticos, entre outros. 
E os ciclos técnicos são aquelas atividades envolvidas para possibilitar a revalorização dos resíduos a fim de que sejam transformados em matérias-primas novamente e inseridos em ciclos produtivos e negócios, como é o caso da logística reversa,  reciclagem, recondicionamento, remanufatura, compostagem, reúso, redistribuição. Essas atividades iniciam a partir do momento em que os resíduos são gerados. 
Ou seja a LOGÍSTICA REVERSA é sim necessária em uma economia circular, visto que os resíduos gerados ao fim de processos produtivos e de negócios e os em posse do consumidor, precisam ser reintroduzidos novamente como matérias primas, é justamente ela a responsável por coletar esses resíduos, triar, estocar, armazenar, transportar e destinar para a alternativa mais adequada (reúso, recondicionamento, remanufatura, reciclagem, compostagem, destinação final, entre outras). 

Resíduos? mas a economia circular não prevê resíduo zero??? 

Vamos esclarecer os conceitos: 
RESÍDUOS são aqueles materiais, bens ou sobras do processo produtivo que não têm mais utilidade para o primeiro usuário, mas podem sim ser reutilizados, reciclados, recondicionados e revalorizados...

Não são, definitivamente, lixo!


Fonte: Pixabay (atribuição não requerida)

REJEITOS são aqueles materiais que não possuem mais possibilidades de revalorização, e esses sim, são tidos como lixo, e devem ser descartados em aterros sanitários ou até incinerados. 

A Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS (Lei 12;305/10) também deixa clara essa diferença!
Assim, a conclusão é: A economia circular prevê sim a redução e eliminação de REJEITOS, por meio de um design mais eficiente e sustentável. O RESÍDUO, por outro lado, é visto como alimento para um novo produto, ou para um novo processo. Entenderam?

Mas então, por que ainda não estamos mais avançados nessa transição para a economia circular?

Simplesmente porque, além de ser um movimento que requer mudanças como já citamos previamente, encontramos algumas barreiras (obstáculos) pelo caminho. 
Essas barreiras podem ser:
Culturais, Financeiras/Econômicas, Legais/Regulatórias, Técnicas, Tecnológicas, Conhecimento, entre outras. 
Dessa forma, é importante entender o contexto e essas barreiras para que possamos potencializar os impactos positivos em termos econômicos, ambientais e sociais. 

Quer saber mais sobre esse tema?

Assista a conversa com a participação da Profa. Patricia Guarnieri (UnB), Prof. Jorge Alfredo Cerqueira Streig (UnB) e Prof. Juvancir da Silva (UEPG) que foi realizada em 21-10 no Congresso ADM 2020. O vídeo está disponível no Youtube, para acessar CLIQUE AQUI.


 
Por: Patricia Guarnieri para o Blog Logística Reversa e Sustentabilidade

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

É possível ficar na moda e ser sustentável?

Muito se fala no contexto de sustentabilidade em reduzir o consumo e comprar produtos ambientalmente e socialmente mais corretos. Mas o que exatamente isso significa? E ainda mais, como isso funcionaria em setores em que a obsolescência dos produtos ocorre a cada estação? 

Esse é o caso da indústria da moda, ou indústria fashion!



Quando falamos em indústria da moda ou fashion nos referimos às indústrias têxteis, de vestuário e também de calçados e acessórios, além de todos os canais que fazem com que esses produtos de moda, primeiramente sejam "desejados" pelo consumidor e depois "distribuídos", para que efetivamente possam ser "comprados". Nesse contexto, frequentemente esquecemos de discutir como eles são "descartados" e também,  em que condições eles são "produzidos". 




Quando pensamos em todos os processos que são necessários para levar as roupas, calçados e acessórios até os consumidores, temos que considerar desde a matéria-prima que é utilizada, ou seja, algodão, seda, couro, metais, plástico, entre outros. E nesse sentido, temos que falar de ECONOMIA CIRCULAR, que é um modelo alternativo à atual ECONOMIA LINEAR. 

No conceito de economia linear, as matérias-primas são extraídas do meio ambiente, sem pensar muito na sua escassez futura e nos impactos ambientais da sua extração, depois são enviadas para a indústria, manufaturadas, distribuídas, entregues ao consumidor e descartadas. Esse tipo de modelo de negócios é conhecido como do BERÇO ao TÚMULO (cradle to grave). O berço sendo o meio ambiente e o túmulo sendo os aterros sanitários. 

No caso da ECONOMIA CIRCULAR, que é uma alternativa sustentável ao modelo linear tradicional, se pensa na utilização dos recursos do BERÇO ao BERÇO (cradle to cradle), em um ciclo infinito. Idealmente sem resíduos, ou reduzindo ao máximo os rejeitos, já que resíduo ZERO é quase impossível considerando o contexto atual. Dessa forma, se prioriza usar tudo aquilo que sobra ao final dos processos produtivos e de negócios como matéria-prima nos mesmos ou em outros processos industriais e de negócios.
Nesse conceito devemos pensar na sustentabilidade desde o design do produto, planejando seu design para facilitar a desmontagem ou reciclagem, na extração sustentável das matérias-primas e a eventual substituição de alguns insumos por outros que causam menos impacto, por exemplo, no caso da energia, a energia renovável causa menos impacto do que a energia não renovável. 👍

Mas não para por aí... 😑

Temos que pensar também em desenvolver os fornecedores locais, os de pequeno porte, os da comunidade, e também aqueles que têm práticas mais sustentáveis para inserí-los nesse processo. É necessário também saber se os trabalhadores são respeitados, se tem as condições adequadas de trabalho, se recebem uma remuneração justa, se têm qualidade de vida, se seus direitos humanos básicos são respeitados. Vamos ainda além, e quanto aos processos industriais? será que eles são pensados para reduzir as emissões de poluentes, sejam estes gasosos, sólidos ou líquidos? E a distribuição? será que é feita em menores distâncias? Utilizando veículos que usam combustíveis renováveis ou com controle de emissões de poluentes? 

E a fase do consumo? Aí entra um ator importantíssimo! Você, consumidor!


Será que você tem comprado somente por impulso? Será que realmente necessita daquele produto? Será que  esse produto que você está escolhendo tem uma vida útil mais longa ou será descartado em seguida ao primeiro, ou poucos usos? E quando você não deseja mais essa roupa, calçado ou acessório, o que faz com estes itens? Será que esses itens podem ser doados, reutilizados, reciclados? 


Podemos ainda pensar: Será que eu preciso deter a propriedade do produto de moda, seja uma roupa, calçado ou acessório? Será que eu não poderia apenas emprestá-lo ou ainda alugá-lo? Nesse caso estamos falando da economia compartilhada. ;-)
E enfim... existem canais de logística reversa para levar esse resíduo dos produtos de vestuário, calçados e acessórios a uma destinação adequada, ou ainda melhor, revalorizá-los, para que eles sejam reinseridos no sistema como matéria-prima novamente? 
No conceito de ECONOMIA CIRCULAR, o resíduo é visto como alimento para novos processos ou produtos. E quando falamos de resíduos, devemos pensar em resíduos gasosos, líquidos e sólidos! Ou seja, há uma infinidade de tipos de resíduos e opções de redução de consumo e geração, e também de revalorização!

Você quer saber se é possível ficar na moda e ao mesmo tempo ser sustentável? 
Então esse episódio do podcast Eu quero saber! é para você! A profa. Eluiza Watanabe entrevistou a profa. Patricia Guarnieri e a aluna Maísa Farias, do curso de Administração da UnB. Se você quer saber mais sobre o que é envolvido no termo “sustentabilidade”, como incluir a sustentabilidade na moda, tanto em nível de consumo como de produção e, conhecer exemplos de iniciativas de moda sustentável, vem com a gente! Deixamos também alguns links para quem quiser saber mais sobre o assunto! Para acessar o episódio CLIQUE AQUI



Link para um artigo científico que trata sobre o tema: CLIQUE AQUI

Link para o Grupo de Pesquisa GEALOGS, liderado pela profa. Patricia Guarnieri: CLIQUE AQUI

Sites e aplicativos de consumo sustentável:


Autoria: Patricia Guarnieri para o Blog Logística Reversa e Sustentabilidade
Fonte das imagens: Pixabay (atribuição não requerida). 

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Logística reversa de cosméticos e produtos de beleza: os consumidores se importam?

O Brasil é o quarto maior mercado consumidor de cosméticos e produtos de beleza, estando atrás apenas dos Estados Unidos, Japão e China (ABIHPEC, 2017). Com o aumento do consumo, aumenta também a geração dos resíduos, o que requer da sociedade e empresas práticas de descarte sustentáveis. Com a sanção da Lei 12.305/2010 a logística reversa de embalagens em empresas de diversos segmentos no Brasil passa a ser obrigatória. Indo além do atendimento à legislação empresas passam a utilizar a logística reversa na obtenção de vantagens econômicas, captação e manutenção de clientes, principalmente considerando que nos últimos anos o aumento da consciência ecológica dos consumidores foi evidenciado por pesquisas nacionais e internacionais.
Dois estudos realizados no âmbito do Grupo de Pesquisas e Estudos Avançados em Logística e Supply Chain Management da Universidade de Brasília - GEALOGS/UnB identificaram  as atividades desenvolvidas pelas empresas nas áreas de logística reversa e fidelização no âmbito da indústria de beleza brasileira. Um dos objetivos dos estudos foi também verificar a preferência dos consumidores por empresas que realizam a logística reversa de embalagens pós-consumo de forma a proporcionar vantagens aos consumidores que as retornem às lojas. 
Com base em 504 respostas, os  participantes das pesquisas foram separados em dois grupos: os consumidores que possuem responsabilidade ambiental (consumidores verdes), que totalizaram 370 e os consumidores sem responsabilidade ambiental, que foram 134.
Constatou-se que 83,24% dos consumidores verdes deixariam de comprar de outras empresas para comprar de empresas com políticas de logística reversa, enquanto 55,23% dos consumidores sem responsabilidade ambiental fariam o mesmo. Esses resultados mostram que os consumidores pesquisados percebem um alto valor não só nos benefícios oferecidos pela troca de embalagens da política proposta, como também nas consequências advindas de uma escolha por uma empresa com responsabilidade ambiental ao se preocupar com a logística reversa de suas embalagens (DE SOUZA e BENEVIDES, 2005; DE OLIVEIRA, TOLEDO e IKEDA, 2004; MENEZES, 2005).
Já 84,32% dos consumidores verdes e 47,76% dos consumidores sem responsabilidade ambiental comprariam mais vezes de uma empresa se ela reciclasse as suas embalagens, reafirmando o aumento da demanda por produtos ecológicos, já que os clientes julgam a reciclagem como fator preponderante em seus comportamentos de compra (MOTTA, 2007; DE SOUZA e BENEVIDES, 2005). 
A análise dos dados obtidos também apresentou que 93,25% dos consumidores verdes e 88,8% dos consumidores sem responsabilidade ambiental comprariam mais vezes de uma empresa se ela oferecesse benefícios para isso. 
Quando foi perguntado se os respondentes comprariam mais de uma empresa se ganhassem algo por retornar uma embalagem de algum produto deles que não utilizam mais, 93,25% dos consumidores verdes e 79,85% dos consumidores sem responsabilidade ambiental concordaram, demonstrando uma alta aceitação política de benefícios atrelada à logística reversa de embalagens. Os respondentes reconhecem um alto valor na política proposta pois 63,52% dos consumidores verdes e 53,73% dos consumidores sem responsabilidade ambiental responderam que os benefícios oferecidos por uma empresa pelo retorno de embalagens influenciam os seus comportamentos de compra. 
As respostas obtidas foram reafirmadas quando 77,84% dos consumidores verdes e 71,64% dos consumidores sem responsabilidade ambiental responderam que não concordavam com a afirmação de que “não comprariam mais vezes de uma mesma empresa se ganhassem algo por retornar uma embalagem usada”. Inferiu-se que a política de benefícios pelo retorno de embalagens em empresas de cosméticos foi bem aceita pelos respondentes, já que 90,81% dos consumidores com responsabilidade ambiental e 78,36% dos consumidores sem responsabilidade ambiental falariam de uma empresa que dá benefícios pelo retorno de embalagens usadas para amigos e familiares. 
Foi constatado que 89,19% dos consumidores verdes e 77,61% dos consumidores sem responsabilidade ambiental iriam preferir comprar de uma empresa que disponibilizasse benefícios pelo retorno das embalagens usadas. Esses resultados expõem as preferências dos consumidores por uma empresa que dá benefícios pelo retorno de embalagens usadas. 
A alta preferência dos dois grupos de respondentes demonstra a aceitação de uma estratégia de fidelização atrelada à logística reversa pelos clientes, confirmando assim que os consumidores estudados reconhecem valor na estratégia de fidelização por meio da logística reversa. Assim, com base na opinião dos participantes da pesquisa, eles/elas preferem comprar de empresas que adotam políticas de logística reversa para retorno das embalagens de cosméticos e produtos de beleza. Um percentual relevante dos participantes concordaram que estariam dispostos a pagar mais por marcas que possuíssem políticas de logística reversa de seus produtos e embalagens. 

Compartilhamos os dois artigos para download gratuito com vocês!

ARTIGO 1 -PREFERÊNCIA DOS CONSUMIDORES POR EMPRESAS QUE IMPLEMENTAM PRÁTICAS DE LOGÍSTICA REVERSA COMO MEIO DE FIDELIZAÇÃO: ESTUDO NA ÍNDUSTRIA DE COSMÉTICOS BRASILEIRA
O objetivo da presente pesquisa foi o identificar a preferência de consumidores de cosméticos por empresas ambientalmente sustentáveis, que aplicam práticas de logística reversa visando a sua fidelização.


Artigo 2 - LOGÍSTICA REVERSA COMO ESTRATÉGIA DE FIDELIZAÇÃO NO SETOR DE PRODUTOS DE BELEZA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA
O objetivo do artigo foi analisar o estado da arte relacionada à logística reversa e fidelização de consumidores de produtos de beleza
                                                                                                                                                                 

 Autoria: Patricia Guarnieri para o Blog Logística Reversa e Sustentabilidade. 
Fonte das imagens: Pixabay (atribuição não requerida).  

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Já está disponível a Pesquisa Akatu 2018 traça Panorama do Consumo Consciente no Brasil

                                Arte: Ale Kalko

Qual é o nível de consciência e de comportamento dos brasileiros rumo ao consumo consciente? Quais são as barreiras e motivações para as práticas mais sustentáveis? Qual é a percepção e a expectativa do brasileiro em relação à responsabilidade social e ambiental das empresas? Essas foram algumas das questões respondidas pela “Pesquisa Akatu 2018 – Panorama do Consumo Consciente no Brasil: desafios, barreiras e motivações”, lançada no dia 25 de julho no Sesc Consolação, em São Paulo.
A pesquisa está em sua quinta edição e investiga a evolução do grau de consciência dos brasileiros no comportamento de consumo, além de indicar os principais desafios, motivações e barreiras à prática do consumo consciente.
A partir do Teste do Consumo Consciente (TCC), que envolve 13 comportamentos, a pesquisa analisou o quanto algumas atitudes fazem parte da rotina dos entrevistados, além dos hábitos de compras deles. O grau de consciência dos consumidores brasileiros é dividido nos seguintes perfis: indiferente, iniciante, engajado e consciente. São avaliados 13 comportamentos de consumo consciente na pesquisa que servem de base para os resultados relativos à consciência no consumo. A partir deles, considera-se: “indiferentes” aqueles que aderiram a até 4 comportamentos, “iniciantes” de 5 a 7, “engajados” de 8 a 10 e “conscientes” de 11 a 13. Importante ressaltar que estes 13 comportamentos foram escolhidos com base estatística por representarem / se correlacionarem com um número enorme de outros comportamentos e por serem capazes de fazerem a segmentação dos consumidores nesses quatro perfis.
Para fazer a pesquisa, foram entrevistadas 1.090 pessoas, homens e mulheres, com mais de 16 anos, de todas as classes sociais e de 12 capitais e/ou regiões metropolitanas de todo o País, entre 9 de março e 2 de abril deste ano.
Uma das conclusões da pesquisa é que houve um crescimento significativo no segmento do consumidor “iniciante”, de 32%, em 2012, para 38%, em 2018 – o que mostra que o momento é de recrutamento dos consumidores indiferentes para hábitos mais sustentáveis de consumo.
A pesquisa aponta que são 76% os menos conscientes (“indiferentes” e “iniciantes”) em relação ao consumo e que o maior nível de consciência tem viés de idade, de qualificação social e educacional: 24% dos mais conscientes têm mais de 65 anos, 52% são da classe AB e 40% possuem ensino superior.
O segmento de consumidores mais conscientes (“engajados” e “conscientes”) é majoritariamente feminino e mais velho. Já o segmento dos “indiferentes”, o grupo menos consciente de todos, é majoritariamente mais jovem e masculino.

Comportamentos de consumo consciente

Foi feita também uma segunda análise considerando 19 comportamentos indicadores de consumo consciente, adicionando portanto 6 comportamentos à lista inicial. Em uma análise fatorial, os resultados da pesquisa mostraram um gradiente que vai da consciência dentro de casa, onde a adesão é mais forte, até a consciência de alcance público, onde é mais fraca. A consciência em casa, que inclui o comportamento de evitar deixar a lâmpada acesa à toa, por exemplo, é o estágio dos “indiferentes” e “iniciantes”, que estão no estágio “do bolso”, onde a questão financeira ainda é o principal fator a leva-los a aderir a comportamentos conscientes. Já os “engajados” estão no estágio do planejamento, uma vez que suas práticas sustentáveis incluem o planejamento de compra de roupas e de alimentos. Os conscientes, por sua vez, têm comportamentos mais ativos, que vão além da casa, incluindo por exemplo votar em um político que defende temas sociais ou ambientais.

No caminho da sustentabilidade 

O brasileiro prefere claramente o caminho da sustentabilidade ao do consumo. Em um conjunto de alternativas oferecidas aos entrevistados em 10 temas distintos, ao expressar os seus dez principais desejos dos brasileiros, estão entre os sete primeiros uma clara expressão de preferência por alternativas que caminham para a sustentabilidade. Enquanto o primeiro lugar é ocupado pelo desejo de “estilo de vida saudável”o segundo lugar indica o desejo pelo “carro próprio” (consumo). Os três itens seguintes indicam preferência por caminhos da sustentabilidade: “água limpa, preservando fontes”, “alimentos saudáveis, frescos e nutritivos” “tempo para pessoas que gosto”.
O aumento da preocupação por uma alimentação saudável e pela água limpa e preservada, apontado na Pesquisa Akatu 2018, provavelmente tem relação com o contexto socioambiental nos últimos anos. “A preocupação com a água, por exemplo, pode ser reflexo da crise hídrica que se propagou em diferentes áreas do país, justificando o desejo pela “água limpa” em terceira posição no ranking”, analisa Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu.
Por outro lado, ter o carro próprio surge como o principal obstáculo na liderança absoluta do caminho da sustentabilidade. Em cada um dos diferentes perfis de consumidor (indiferente, iniciante, engajado e consciente), o desejo por este bem está sempre entre os sete maiores desejos. Quando separado por regiões do país, o Sudeste é o único que apresenta o carro próprio como o primeiro desejo no ranking. A pesquisa também aponta que o desejo pelo carro próprio é o primeiro entre as classes C, D e E – justamente as que mais são impactadas pelos problemas do transporte público.

Barreiras e gatilhos para o consumo consciente 

O brasileiro deseja seguir pelo caminho da sustentabilidade, explicitando claramente seu desejo de bem-estar na forma de uma vida saudável. Se assim é, o percentual de consumidores “mais conscientes” não deveria ser muito maior que 24%? Por que não é? Para identificar a resposta a essa pergunta, a Pesquisa Akatu investigou o que as pessoas consideram como obstáculos para práticas de consumo consciente.
A principal barreira para hábitos mais sustentáveis é a necessidade de esforço, contemplando os seguintes itens: “exige muitas mudanças nos hábitos da família”, “exige muitas mudanças nos hábitos”, “custam caro”, “exige mais informação sobre as questões/impactos ambientais e sociais”, “é mais trabalhoso” e “são mais difíceis de encontrar para comprar”. Dentre os que concordam que o esforço é a maior barreira, a percepção de que os produtos sustentáveis são mais caros se destaca.
Quanto aos gatilhos que levariam à adoção de hábitos mais sustentáveis, os consumidores valorizam mais aqueles que impactam o mundo, a sociedade. Por isso, a pesquisa classificou os gatilhos em dois grupos: os emocionais (com benefício para os outros, o mundo, a sociedade) e os concretos (com benefícios para mim). O item mais votado da primeira categoria foi “contribui para um futuro melhor para filhos/netos”, enquanto na segunda categoria foi “traz benefícios à minha saúde”.
O Sudeste foi o mais sensibilizado pelos gatilhos emocionais (96,9%), o Nordeste pelos gatilhos concretos (89,8%) e o Norte e Centro-oeste pelos gatilhos concretos (85%).
De modo geral, o alto preço percebido dos produtos sustentáveis e a falta de informação e indisponibilidade de produtos são questões-chave que representam barreiras para o consumidor brasileiro. “Nota-se que o consumidor quer e precisa saber mais sobre tais produtos, para derrubar barreiras e para acionar gatilhos”, diz Mattar.

Responsabilidade social empresarial

Os consumidores valorizam, segundo a pesquisa, empresas que cuidam mais das pessoas. Entre as oito principais causas que mais mobilizam o consumidor a comprar um produto de determinada marca, cinco estão ligadas ao cuidado com pessoas: atuar no combate ao trabalho infantil; tratar funcionários da mesma forma, independentemente de raça, religião, sexo, identidade de gênero ou orientação sexual; investir em programas de contratação de pessoas com deficiência; contribuir para o bem-estar da comunidade onde está localizada; e oferecer boas condições de trabalho.
Por outro lado, existe uma força maior na desmobilização do que na mobilização, isto é, são mais presentes na população os fatores que diminuiriam muito a disposição de comprar um produto do que os fatores que levariam a aumentar muito ou nem aumentar nem diminuir essa disposição. Assim, provocar problemas de saúde ou ferimentos e denúncia de concorrência desleal são os principais detonadores de reputação dos produtos de uma empresa.
Em tempos de fakenews, a credibilidade da fonte da informação é tão relevante quanto a empresa que divulga suas ações. Segundo a pesquisa, 32% dos brasileiros confiam na informação divulgada pela própria empresa; 31% afirmam que a confiança depende de onde veio a notícia.
Já como posicionamento mais geral, 59% acreditam que as empresas deveriam fazer mais do que está nas leis e trazer mais benefícios para a sociedade.

Clique aqui para acessar a apresentação da Pesquisa Akatu 2018.

sábado, 2 de junho de 2018

Economia circular e logística reversa – Quais as diferenças e similaridades?

Autora: Patricia Guarnieri

Aproveitei o feriado para ler alguns artigos de Economia Circular e fiquei pensando na ligação desse termo com a logística reversa, que é um dos temas que pesquiso. Sem dúvida, nas últimas décadas, o conceito de economia circular tem recebido crescente atenção, especialmente por legisladores, advogados, consultores e pesquisadores, sempre com foco em uma sociedade mais sustentável, em seus três pilares: econômico, social e ambiental.

Mas como todo assunto relativamente novo, tenho percebido algumas confusões conceituais, tanto por parte de profissionais praticantes, como também de acadêmicos, por isso resolvi escrever esse artigo para o blog. 

Crédito: ID 82020177 ©  | Dreamstime.com
Devemos considerar que o ciclo de vida de um bem ou serviço, representado pelos estágios do processo de produção e comercialização, desde a extração das matérias primas até a disposição final dos resíduos, também é conhecido pela expressão ‘do berço ao túmulo’, na língua inglesa ‘cradle to grave’, no qual, para Barbieri, Cajazeira e Branchini (2009) o berço é o meio ambiente, de onde são extraídos os recursos naturais e o túmulo, também o meio ambiente, mas com o papel de ser o destino final dos resíduos gerados. McDonough e Braungart (2002) estabeleceram o conceito ‘cradle to cradle’, que significa ‘do berço ao berço’ e vai além da visão de ciclo de vida que até então vigorava ‘do berço à cova’, incluindo os resíduos novamente no ciclo produtivo.

Apesar de o primeiro artigo sobre economia circular datar de 2007, este conceito parece estar implícito no conceito do ‘berço ao berço’, visto que neste o resíduo é entendido como o “alimento” para um novo produto, no mesmo processo produtivo ou em processos diferentes, o que torna o ciclo de vida do produto infinito (McDONOUGH e BRAUNGART, 2002. Adicionalmente, McDonough e Braungart (2002) afirmam que esse sistema reflete uma ideia em que os materiais são tratados como recursos e fluem em um metabolismo cíclico sem perder sua qualidade, ou seja, são suscetíveis de pleno reaproveitamento, seja como nutrientes biológicos em ciclos biológicos, ou materiais técnicos, postos em recirculação através de ciclos técnicos.

O Japão e a China foram os primeiros a introduzir formalmente políticas de economia circular em nível nacional. Na Comunidade Européia, vários países têm implementado iniciativas, políticas e diretrizes, dentre os quais podem ser citados: Dinamarca, Alemanha, Holanda e Reino Unido (REIKE, VERMEULEN e WITJESB, 2017).

Segundo Zhang et al. (2012) a economia circular se ocupa do ciclo produtivo, partindo do design do produto, seleção de fornecedores e matéria-prima, produção, distribuição, consumo e ao final, sua coleta para a reciclagem, remanufatura ou reuso, a fim de reduzir ao máximo, e não eliminar, no final do processo a geração de resíduos. Afinal, “eliminar” é algo quase impossível, tendo em vista a realidade em que vivemos. Essa abordagem se mostra voltada para a eficiência dos materiais, com o fornecimento de resíduos no mesmo nível de valor econômico, reduzindo o desperdício, os impactos ambientais e permitindo a fácil implementação nas estruturas de produção existentes (GREYSON, 2007).

Nesse sentido, percebe-se a integração do conceito de logística reversa ao conceito de economia circular e como parte do conceito de ciclo de vida ‘berço ao berço’, visto que para que este resíduo retorne como matéria-prima para o mesmo ou para outro ciclo produtivo, ele precisa ser coletado, transportado, triado, e então, remanufaturado, recondicionado ou ainda, reciclado, a fim de que tenha sua vida útil estendida e, sua disposição em aterros sanitários ou, simplesmente sua incineração sejam evitadas (BRAUNGART, MCDONOUGH e BOLLINGER, 2007; KALOGERAKIS et al., 2015). 
A figura abaixo demonstra esses passos, sob o ponto de vista da economia circular. 
Fonte: Bradley, Jawahir, Badurdeen e Rouch (2018) 

Com essa figura fica clara a diferença. A logística reversa atua na operacionalização do retorno dos bens de pós-uso ou pós-consumo (utilizando atividades logísticas como: transporte, gestão de estoques, armazenagem, manuseio (triagem), etc) para reinserí-los no ciclo produtivo ou de negócios (pelo reuso, remanufatura, recondicionamento, reciclagem, revenda ao mercado secundário, etc). Ela se preocupa com o resíduo após o final dos processos logísticos diretos, ou seja, após o consumo ou uso pelo consumidor. Somente a partir daí a logística reversa inicia a sua tarefa.

Já a economia circular prevê a "redução" na fonte, ou seja desde a extração dos recursos, design do produto, alinhada com o conceito de “cradle to cradle” que prevê um ciclo infinito para o produto, pois conforme entendimento do Ministério do Meio Ambiente (2018) é possível afirmar que as preocupações com a coleta, o tratamento e a destinação dos resíduos sólidos, que são funções da logística reversa, representam apenas uma parte do problema ambiental.

Nesse sentido, conforme o MMA (2018) a geração de resíduos é precedida por uma outra ação impactante sobre o meio ambiente - a extração de recursos naturais. E assim, a política dos cinco R's deve priorizar a redução do consumo e o reaproveitamento dos materiais em relação à sua própria reciclagem, abrangendo: 
- Reduzir 
- Repensar 
- Reaproveitar 
- Reciclar 
- Recusar consumir produtos que gerem impactos socioambientais significativo 

É importante ressaltar que os cinco R's fazem parte de um processo educativo que tem por objetivo uma mudança de hábitos no cotidiano dos cidadãos. A questão-chave é levar o cidadão a repensar seus valores e práticas, reduzindo o consumo exagerado e o desperdício (MMA, 2018).

A logística reversa não se atém à essa redução, apesar de causar impactos diretos na preservação ambiental, dentro outros efeitos, os resíduos precisam ter sido gerados para a logística reversa atuar. Outro detalhe é que na economia circular você já deve planejar quem vai reutilizar o seu resíduo, na logística reversa isso não está definido a princípio, mesmo quando ocorre um planejamento isso é mais aberto.

Ou seja, a economia circular é um conceito holístico que pensa no resíduo antes de ele ter sido gerado, na extração, redução na fonte, abrangendo essa ideia no design do produto. A logística reversa visa operacionalizar apenas o retorno do resíduo ao ciclo produtivo e de negócios. 
Algo muito abordado também na economia circular é o conceito de ecoparque industrial, onde na mesma planta (localização industrial), você já destina o resíduo para outra indústria, reduzindo custos e emissões derivadas do transporte. 
Enfim... acho que com esse artigo é possível que entendamos a diferença entre os dois conceitos não é? 
Vamos compartilhar essa ideia! 😉 


Referências: 


BARBIERI, J. C.; CAJAZEIRA, J. E. R.; BRANCHINI, O.. Cadeia de suprimento e avaliação do ciclo de vida do produto: revisão teórica e exemplo de aplicação. Revista o Papel, v. 70, n. 09, 2009. 

BRADLEY, Ryan et al. A total life cycle cost model (TLCCM) for the circular economy and its application to post-recovery resource allocation. Resources, Conservation and Recycling, v. 135, p. 141-149, 2018. 

BRAUNGART, M., MCDONOUGH, W., BOLLINGER, A. Cradle-to-cradle design: creating healthy emissions – a strategy for eco-effective product and system design. Journal of Cleaner Production 15 (13–14). pp. 1337-1348. 2007. 

GREYSON, J. An economic instrument for zero waste, economic growth and sustainability. Journal of Cleaner Production, v. 15, n. 13–14, p. 1382–1390, 2007. 

GUARNIERI, P.; CERQUEIRA STREIT, J. A.; BATISTA, L. C. O acordo setorial de logística reversa de embalagens em geral no brasil sob a perspectiva da economia circular. In: Anais do XXI Simpósio de Administração da Produção. Logística e Operações Internacionais - SIMPOI 2018. São Paulo – SP, 31-08 e 01-09, 2018. 

KALOGERAKIS, K, DRABE, V, PARAMASIVAM, M, HERSTATT, C. Closed-Loop Supply Chains for Cradle to Cradle Products. (C. Kersten, W, Blecker, T, Ringle, Ed.). Sustainability in Logistics and Supply Chain Management. Hamburg: epubli, 2015. 

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE – MMA. A política dos 5 R's. Disponível em: http://www.mma.gov.br/informma/item/9410-a-pol%C3%ADtica-dos-5-r-s Acesso em 02-06-2018. 

REIKE, D.; VERMEULEN, W. JV; WITJES, S. The circular economy: New or Refurbished as CE 3.0?—Exploring Controversies in the Conceptualization of the Circular Economy through a Focus on History and Resource Value Retention Options. Resources, Conservation and Recycling, 2017. 

ZHANG, K. SCHNOOR, J.L.; ZENG, E.Y. E-waste recycling: where does it go from here? Environmental Science & Technololy, v. 46, n. 20, p. 10861-10867, 2012.

Obs: se utilizar parte ou a íntegra desse texto, não esqueça de citar a fonte, para não incorrer em crime de plágio! 

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Professora Patricia Guarnieri participa como palestrante no 1o. Seminário de Logística Reversa do Comando Militar do Planalto em Brasília

Nos dias 03 a 06 de outubro de 2016 foi realizado o 1º Seminário de Logística Reversa do Comando Militar do Planalto, em Brasília-DF. A Profa. da Universidade de Brasília (UnB), Dra. Patricia Guarnieri, editora e criadora do Blog Logística Reversa e Sustentabilidade participou como palestrante no evento, ministrando uma palestra sobre "Logística Reversa e Sustentabilidade". 

O evento teve como objetivos:
a. Debater a elaboração do fluxo logístico reverso no âmbito do Exército Brasileiro;
b. Cumprir as determinações contidas na Portaria nº1275, de 28 de dezembro de 2010, do Gabinete do Comandante do Exército que aprova a diretriz para adequação do Exército Brasileiro à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS);
c. Analisar a atual situação do manejo dos resíduos sólidos nas Organizações Militares;
d. Contribuir para a evolução da Logística Militar Terrestre;
e. Contribuir para o desenvolvimento da mentalidade da Logística Reversa no Exército Brasileiro;
f. Fomentar o processo de Mecanização da 3ª Brigada de Infantaria Motorizada;
g. Difundir medidas que impeçam a execução de práticas proibidas pelas OM e seus integrantes no tocante a PNRS;
h. Desenvolver o conceito de sustentabilidade do campo de batalha.

O evento contou com as seguintes palestras:

Logística Reversa do emprego dos meios blindados e mecanizados nos conflitos contemporâneos- Palestrante: Major Velozo do Exército Brasileiro 
Logística Reversa e Sustentabilidade - Palestrante: Professora Patricia Guarnieri (UnB)
Ciclo de vida útil da viatura blindada Guarani - Palestrante: Capitão Bruno Rafael da Diretoria de Material do Exército Brasileiro;
Logística Reversa aplicada pelo Exército dos Estados Unidos no Iraque e Afeganistão - Palestrante: Major Sanders do Exército dos Estados Unidos 
Política Nacional de Resíduos Sólidos e a Logística Reversa - Palestrante:Professor Silvano Silvério da Costa;
Logística Reversa e o meio empresarial - Palestrante: Professor Paulo Roberto Leite

A plateia foi formada por oficiais generais das Diretorias do Exército que possuem relacionamento com o tema: Diretoria de Engenharia de Construção, Comando Logístico, Estado Maior do Exército, Diretoria de Abastecimento, Diretoria de Material, Comando Militar do Planalto, 11ª Região Militar, 3ª Brigada de Infantaria Motorizada e oficiais com responsabilidades relacionadas ao tema: Fiscais administrativos e oficiais de logística operacional das Organizações Militares, totalizando aproximadamente, 60 participantes.

Foi muito gratificante conhecer as iniciativas do Exército Brasileiro e constatar seu alinhamento com as práticas de logística reversa discutidas na academia. 











terça-feira, 27 de setembro de 2016

CONMAS é totalmente ONLINE e GRATUITO - Inscreva-se!

 
O início do Congresso Nacional do Meio Ambiente e Sustentabilidade - CONMAS já está chegando. É dia 03 de Outubro. Já temos quase 4.000 inscritos.
 
O CONMAS é totalmente ONLINE e GRATUITO, ou seja, você poderá assistir todas as palestras do evento sem pagar nada, nos dias e horários marcados. São mais de 20 palestras, durante 06 dias. São palestras diárias em horários diferentes. Grandes nomes na área ambiental são palestrantes no Congresso.
 
Este é um grande momento para você que tem interesse, de algum modo, na área ambiental ou simplesmente gosta.
 
Faça parte deste grande evento que está chamando a atenção na internet.
 
 
Cordialmente,
Amarildo R. Ferrari
Organizador do CONMAS
CENED Cursos

quinta-feira, 8 de maio de 2014

XIII Encontro Verde das Américas - "Greenmeeting Brasilia 2014" - 13th Green Meeting of the Americas


Acontecerá nos dias 27 e 28 de maio de 2014, em Brasilia DF, o XIII Encontro Verde das Américas, o "Greenmeeting", importante e concorrido Fórum que reunirá lideranças nacionais e internacionais sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável, tanto governamental quanto não governamental, que entre outros acontecimentos, se dará a entrega do Premio Verde das Américas 2014.
O Encontro sem vinculo político partidário busca contribuir para as soluções dos grandes problemas sócio-ambientais que dificultam o desenvolvimento econômico, melhorando a qualidade de vida das comunidades locais e globais. Uma vez que a exploração inadequada dos recursos naturais demandado por hábitos predatórios de consumo está comprometendo o desenvolvimento humano, ambiental e econômico da população da terra.

Os participantes receberão certificado de participação 

Participação Gratuita com inscrições no site: www.greenmeeting.org


13th Green Meeting of the Americas - The "Greenmeeting Brasilia 2014"

From May 27 to 28, 2014, Brasilia - DF will host the 13th Green Meeting of the Americas - the Greenmeeting - an important and very popular Forum that will gather national and international leaderships - both governmental and non-governmental ones - on environment and sustainable development. Among other events, the 2014 Green Award of the Americas ceremony will be held during the meeting.
The Greenmeeting bears no party-political links, and aims at contributing to find solutions to major socio-environmental issues that hinder the economic development, thus improving the quality of local and global communities' lives, as uncontrolled exploitation of natural resources demanded by predatory consumption habits has jeopardized the human, environmental and economic development of the earth's populations.

Participants receive a certificate of participation

Participation is free with registration at: www.greenmeeting.org
contact: secretaria@greenmeeting.org




segunda-feira, 28 de abril de 2014

Mini-curso Inovação e sustentabilidade na Logística reversa - X CNEG

Todos os minicursos ocorrem ao longo do segundo dia de atividades do X CNEG em 2014 (sábado), paralelamente às sessões de apresentações de artigos científicos.

Local: Escola de Engenharia da UFF
Endereço: Rua Passo da Pátria 156, bloco D, São Domingos, Niterói – RJ

Sobre: É possível participar de até dois minicursos, um na parte da manhã e outro na parte da tarde.

A taxa de inscrição em cada minicurso é de R$ 50,00.

Para a realizacão do minicurso é obrigatório a inscrição de ao menos 10 alunos na turma até o dia 08 de junho de 2014. Se o curso em que você se inscrever não alcançar o número mínimo de inscritos, a coordenação do CNEG entrará em contato com você indicando os minicurso confirmados para que possa optar por migrar a inscrição para algum desses, ou será procedida a devolução da taxa paga.

A inscrição em minicurso independe da participação no CNEG.

Após a realização do CNEG será disponibilizado certificado de participação para aqueles que comparecerem às aulas.

A inscrição nos minicursos também poderá ser realizada durante o evento, dependendo nesse caso de disponibilidade de vagas.

Sinopse do mini-curso: Logística reversa: conceito e evolução. Logística e meio ambiente. Sistemas informatizados e o meio ambiente. Gestão de resíduos. A Politica Nacional de Resíduos Sólidos e os Sistemas de Logística Reversa. Inovação e sustentabilidade: DfX.
Lucia Xavier

Mini-currículo da ministrante: Lúcia Helena Xavier possui graduação em Biologia - Bacharelado em Genética pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1997), mestrado (2001) e doutorado (2005) em Gestão Ambiental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Desenvolveu pesquisa em parceria com a Universidade de Oviedo (Espanha) em Logística reversa e ambiental. Bolsista PRODOC/CAPES pelo Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção da UFPB em 2006. Pesquisadora Adjunta na Coordenação de Estudos Ambientais da Fundação Joaquim Nabuco (CGEA/FUNDAJ). Professora Colaboradora no Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil na Universidade Federal de Pernambuco. Professora do MBA em Planejamento e Gestão Ambiental da Universidade Católica de Pernambuco. Pós-doutora pela Universidade de São Paulo (2011-2012). Coordenadora do projeto FACEPE/MIT 2012 (2013-2014) sobre Inovação e Sustentabilidade na Gestão de Resíduo Eletro elétrica na Região Metropolitana do Recife.

Informações no site: http://www.excelenciaemgestao.org/pt/minicursos.aspx




quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Baixe gratuitamente o CEMPRE Review 2013 - Panorama da reciclagem de embalagens pós-consumo no Brasil



Graças à proatividade do setor empresarial e ao esforço dos catadores, muito se avançou na reciclagem de embalagens pós-consumo no país. Ao longo do tempo, o trabalho junto aos setores que compõem o mercado de coleta seletiva, triagem e processamento de materiais para fabricação de produtos reciclados tornou-se uma referência. 

O modelo inspirou a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que veio em boa hora, a fim de impulsionar a reciclagem a partir da definição de regras claras dentro do princípio da responsabilidade compartilhada entre governo, empresas e população. Construir bases sólidas para que esse mercado – emergente e promissor – se desenvolva com viabilidade técnica e econômica é um dos principais desafios atuais. 

Esta publicação é a primeira de uma série que tem por objetivo  analisar e atualizar o panorama da reciclagem de embalagens pós-consumo no Brasil. Além de um diagnóstico de mercado,  contextualizado a partir dos aspectos econômicos, ambientais e sociais, a proposta é apresentar caminhos e subsidiar decisões no horizonte de três anos para o incremento dos índices de recuperação de embalagens e para a formulação de políticas públicas de incentivos, inclusive tributários, necessários para o combate à informalidade e crescimento do setor com geração de renda.

(Victor Bicca Neto  - Presidente do CEMPRE – Compromisso Empresarial para Reciclagem)

Fonte: CEMPRE

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Eco-Challenge 2014 | Prêmio de Inovação Ambiental!


A competição, realizada em parceria pela PepsiCo e a Young Americas Business Trus (YABT), é voltada para empreendedores de 13 a 35 anos que estejam desenvolvendo projetos que colaborem ou potencializem soluções sustentáveis para enfrentar os desafios dos problemas ambientais.

Os participantes podem participar com ideias ou projetos de negócios. O vencedor ganhará 5 mil dólares a serem investidos no projeto.

No ano passado, pela primeira vez o vencedor foi um projeto brasileiro: Ecolivery Courrieros. Empresa de entregas que utiliza bicicletas, diminuindo a emissão de CO2.http://www.courrieros.com.br/

As inscrições vão até 19/01/2014 e podem ser feitas pelo endereço: http://www.ticamericas.net/pr/. Neste site, sugiro que entre em “Regras”, que apresenta o regulamento completo do concurso.

domingo, 16 de junho de 2013

Placas de circuito geram mais de 17 metais (precisos e de base) na reciclagem

Planta da Umicore na Bélgica
O Brasil tem avançado na área de reciclagem de eletroeletrônicos, mas uma parte dos materiais ainda não pode ser recuperada no País: as placas de circuito. Placas mãe e placas de vídeo, no caso dos computadores, assim como os componentes que controlam televisões, monitores e impressoras têm uma série de metais em sua estrutura, e a reciclagem desses itens exige, pois, a separação de cada um, para posterior reaproveitamento.
Há ao menos 17 metais nessas placas, entre pesados, preciosos e de base. Alguns deles até têm tecnologia no país para reciclagem, mas quando todos estão juntos, a recuperação só é feita por cinco empresas no mundo. Uma delas é a Umicore, com sede na Bélgica, que processa 350 mil toneladas de materiais por ano.
As placas brasileiras provêm, principalmente, de equipamentos de informática - computadores, periféricos e acessórios -, e o restante vem de celulares, televisões e sistemas de áudio. São Paulo é o que mais envia sucata eletrônica, mas isso porque, segundo o gerente de desenvolvimento de negócios da Umicore no Brasil, as maiores empresas estão no estado - as menores, por não terem condições de fazer a exportação por si, acabam enviando materiais para a região sudeste, para que sejam destinados à Europa.
Processo de separação
Segundo o gerente de desenvolvimento de negócios da Umicore no Brasil, Ricardo Rodrigues, o processo de reciclagem começa com a etapa de amostragem. O material recebido é triturado, formando uma mistura homogênea, de onde se retira uma amostra. No laboratório, são identificados os metais contidos no lote de lixo eletrônico, o que determina quanto as empresas que entregaram a sucata vão receber pelo material. Além disso, os números servem para saber a quantidade de recursos naturais que se está economizando, ao recuperar o que já foi extraído e colocar os componentes de volta no ciclo de produção.
Então vem a etapa de refino, ou seja, de separação de cada um dos metais. O primeiro passo é fazer lotes maiores, o que significa juntar a massa homogênea de placas de circuito, por exemplo, com outros tipos de lixo, não necessariamente eletrônico, que também têm metais em sua composição: subprodutos de processos químicos, catalizadores automotivos e resíduos da indústria petroquímica, por exemplo.
Esses lotes maiores passam então por três linhas de processo, onde há os chamados metais coletores. Eles recebem esse nome porque funcionam como espécies de imãs, atraindo outros metais. O cobre, por exemplo, atrai ouro, paládio e selênio, entre outros, então nesta etapa do processo esses metais vão formar uma liga. O que "sobrou" segue para a próxima linha, de chumbo, em que metais como prata, estanho e bismuto vão formar outra liga. E da mesma forma, o restante do material vai para a terceira linha, onde o níquel vai atrair platina e ródio, por exemplo.
A fase seguinte ocorre em três diferentes espaços, onde cada uma das três ligas formadas vai ser separada. Cada material tem características químicas que o diferem dos outros, o que possibilita que eles sejam, um a um, destacados do restante da liga.
O que difere a tecnologia da Umicore de outras presentes no mundo é justamente a unificação das três linhas, com os três metais coletores, na mesma planta de reciclagem, explica Rodrigues. "Se você tivesse o cobre, por exemplo, como principal coletor, seria possível recuperar alguns metais, mas os outros não", detalha.
Ao final do processo de reciclagem, os metais estão como novos, e podem ser usados pelas mesmas indústrias que utilizam o material recém-extraído. Rodrigues destaca que, com isso, economiza-se a natureza de quatro formas diferentes, entre elas evitando que novos materiais sejam retirados da natureza, e impedindo que metais pesados sejam jogados em aterros sanitários sem tratamento e acabem contaminando o meio ambiente.
A indústria de reciclagem tem também uma preocupação com a sua própria emissão de poluentes. Os materiais que serão reciclados são sempre analisados previamente, segundo Rodrigues. "Conhecemos as empresas que vão fornecer o material para reciclagem, e avaliamos o que é necessário para recuperar o material, e se isso não oferece risco também às pessoas que vão trabalhar no processo", explica.
Além disso, as partes que não recicláveis acabam usadas em outros processos. O plástico contido nas placas de circuito, por exemplo, é queimado para gerar energia para outras etapas da reciclagem. Tudo, afirma Rodrigues, com controle de emissões de gases e de poluentes. Em outra frente, a planta tem sistema de recolhimento de água da chuva e lavagem dos solos, que passa por tratamento e é usada novamente para molhar as pilhas de materiais e resfriar o maquinário da unidade. O processo é certificado por órgãos ambientais europeus.
Depois da reciclagem
Os materiais reciclados em alguns casos voltam para suas indústrias de origem. É o que em geral acontece com platina, paládio e ródio, por exemplo, reciclados de catalizadores e que depois podem ser usados para a fabricação de novos catalizadores. Os produtos utilizaados em baterias também são reaproveitados pela mesma indústria.
No caso da Umicore, que possui, além das usinas de reaproveitamento, indústrias de baterias, catalisadores e materiais de construção, uma parte do material é consumida pela própria empresa. Quando há excedente, ou quando o produto fruto da reciclagem não faz parte da cadeia produtiva da empresa, os materiais são vendidos para outras indústrias. Os setores de eletroeletrônica, de pigmentos, de fertilizantes e de automotores são os principais clientes da Umicore. Fabricantes de bateria também compram os componentes reciclados.
Quanto aos preços, Rodrigues explica que metais preciosos são cotados pela bolsa, então o valor dos materiais recém-extraídos ou reciclados é o mesmo. Os custos do processo são pagos em parte pelas empresas que recolhem o material e em parte pelas que reciclam. "A companhia paga para a Umicore reciclar, mas depois de ver quanto vale o material, ela recebe o valor descontado o custo", simplifica. Se, por exemplo, a manufatura reversa custou R$ 20 mil, e os produtos finais valem R$ 100 mil, a empresa que recolheu o material recebe R$ 80 mil.

Por: Déborah Salves
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