"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



Crédito da imagem: jscreationzs / FreeDigitalPhotos.net

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Transição de uma economia linear para uma economia circular: um caminho possível?

Muito tem sido discutido, principalmente nos últimos anos, sobre a transição de uma economia linear para uma economia circular. 

Mas o que é efetivamente necessário para que isso aconteça? 

O que podemos fazer para acelerar essa transição? 

Uma coisa é evidente, esse movimento de transição em direção à economia circular exigirá mudanças de comportamento, mudanças na cultura organizacional, mudanças nos modelos de negócios. Essas mudanças envolvem todos os atores que fazem parte do contexto, como indústrias, comerciantes, consumidores/cidadãos/usuários, governos, legisladores, entre outros de vários segmentos e nos âmbitos público e privado. 

Para esta transição é necessário fazer esforços em nível macro (cidades, províncias, regiões ou países), nível meso (simbiose industrial, eco-parques industriais) e, nível micro (organizações, produtos, consumidores). Em relação ao nível macro, envolve mudanças de política em nível nacional, regional e municipal.

Mas e o que é a tão falada economia circular e qual a diferença para o atual sistema de produção e consumo linear?


A economia circular prevê que produtos e materiais sejam mantidos em circulação pelo maior tempo possível; também prevê o aumento do uso de resíduos no mesmo ou em outros processos produtivos e/ou de negócios, a redução no uso de recursos brutos ou primários (energia, água, matérias-primas); e quando um produto chega ao fim de sua vida, prevê que ele seja reutilizado ou reaproveitado para criar mais valor na economia com menor extração de recursos naturais. É um sistema do berço ao berço, fazendo o resíduo virar alimento para outro produto ou processo. Já na economia circular o sistema é do berço ao túmulo, se extraem recursos, que são tranformados e depois descartados, sem considerar a sua finitude e os impactos gerados. 

Sem dúvida, um dos principais nomes quando se fala em Economia Circular é a Ellen MacArthur Foundation (EMF), que é uma das principais lobistas em favor dessa transição, principalmente no contexto europeu. Nesse sentido, a EMF gera muito conteúdo e fomenta diversas ações para essa transição. A figura abaixo nos mostra que há basicamente dois fluxos que devem ser pensados para a economia circular, os ciclos biológicos e os ciclos técnicos. 


É possível perceber que os ciclos biológicos abrangem a produção primária na agricultura, na pecuária, na mineração e em outros segmentos. Essa produção primária, por sua vez, gera resíduos líquidos, sólidos, gasosos que podem ser reaproveitados em outros processos. Como por exemplo, os detritos gerados com a produção de suínos, bovinos e aves que pode ser utilizada para a produção de biogás, ou adubos. Os resíduos de casca de arroz que são usados na produção de cimento e também cosméticos, entre outros. 
E os ciclos técnicos são aquelas atividades envolvidas para possibilitar a revalorização dos resíduos a fim de que sejam transformados em matérias-primas novamente e inseridos em ciclos produtivos e negócios, como é o caso da logística reversa,  reciclagem, recondicionamento, remanufatura, compostagem, reúso, redistribuição. Essas atividades iniciam a partir do momento em que os resíduos são gerados. 
Ou seja a LOGÍSTICA REVERSA é sim necessária em uma economia circular, visto que os resíduos gerados ao fim de processos produtivos e de negócios e os em posse do consumidor, precisam ser reintroduzidos novamente como matérias primas, é justamente ela a responsável por coletar esses resíduos, triar, estocar, armazenar, transportar e destinar para a alternativa mais adequada (reúso, recondicionamento, remanufatura, reciclagem, compostagem, destinação final, entre outras). 

Resíduos? mas a economia circular não prevê resíduo zero??? 

Vamos esclarecer os conceitos: 
RESÍDUOS são aqueles materiais, bens ou sobras do processo produtivo que não têm mais utilidade para o primeiro usuário, mas podem sim ser reutilizados, reciclados, recondicionados e revalorizados...

Não são, definitivamente, lixo!


Fonte: Pixabay (atribuição não requerida)

REJEITOS são aqueles materiais que não possuem mais possibilidades de revalorização, e esses sim, são tidos como lixo, e devem ser descartados em aterros sanitários ou até incinerados. 

A Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS (Lei 12;305/10) também deixa clara essa diferença!
Assim, a conclusão é: A economia circular prevê sim a redução e eliminação de REJEITOS, por meio de um design mais eficiente e sustentável. O RESÍDUO, por outro lado, é visto como alimento para um novo produto, ou para um novo processo. Entenderam?

Mas então, por que ainda não estamos mais avançados nessa transição para a economia circular?

Simplesmente porque, além de ser um movimento que requer mudanças como já citamos previamente, encontramos algumas barreiras (obstáculos) pelo caminho. 
Essas barreiras podem ser:
Culturais, Financeiras/Econômicas, Legais/Regulatórias, Técnicas, Tecnológicas, Conhecimento, entre outras. 
Dessa forma, é importante entender o contexto e essas barreiras para que possamos potencializar os impactos positivos em termos econômicos, ambientais e sociais. 

Quer saber mais sobre esse tema?

Assista a conversa com a participação da Profa. Patricia Guarnieri (UnB), Prof. Jorge Alfredo Cerqueira Streig (UnB) e Prof. Juvancir da Silva (UEPG) que foi realizada em 21-10 no Congresso ADM 2020. O vídeo está disponível no Youtube, para acessar CLIQUE AQUI.


 
Por: Patricia Guarnieri para o Blog Logística Reversa e Sustentabilidade

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Lançamento do Reciclotech com 120 pontos de descarte para a logística reversa de eletrônicos no Distrito Federal

Neste 14/10 - Dia Internacional do Lixo Eletrônico, o GDF lançou oficialmente o Reciclotech, programa pioneiro no Brasil que prevê logística reversa e recondicionamento de materiais, com polos de economia circular e formação especializada de jovens. População do DF terá 120 pontos de descarte de equipamentos, em administrações regionais, estações do metrô e parques ecológicos. 🖥️ ♻️ 

                                                                          Fonte de imagem: FAP/DF

Com um investimento de R$ 3,2 milhões feito por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) e Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) do Governo do Distrito Federal (GDF), o principal objetivo é promover a inclusão digital a partir de doação de computadores readequados para uso. De resultado, o DF já conseguiu dobrar o número de pontos de entrega voluntária (PEVs). (Com informações da Agência Brasília).

Nesta semana, a população do DF já terá 120 endereços de descarte consciente de equipamentos espalhados pelo DF: 84 já têm endereço e os demais serão instalados até o fim da semana. Eles estão em administrações regionais, estações do metrô e parques ecológicos, por exemplo. O objetivo é promover a conscientização do descarte correto de lixo eletrônico. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente (Sema), isso vai bater a meta estipulada pelo Acordo Setorial de Eletroeletrônicos do governo federal, que é de um a cada grupo de 25 mil habitantes.

O Reciclotech foi idealizado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e é gerido pela Programando o Futuro, Organização da Sociedade Civil (OSC) com mais de 20 anos de experiência no ramo. A entidade foi selecionada e habilitada a partir de processo de chamamento público junto à Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF). Foi na sede da entidade, no Gama, a cerimônia de lançamento do programa.

“É um grande projeto de inclusão social e vamos contar com a participação da sociedade, para que todos doem equipamentos que serão reciclados e colocados na mão de quem mais precisa. Precisamos fazer com que as oportunidades e a internet de qualidade cheguem para todos”, discursou o governador Ibaneis Rocha. Destacando o potencial de vanguarda do DF, o chefe do Executivo valorizou a modernidade da reciclagem dos resíduos eletrônicos.

A expectativa é que mil toneladas de lixo eletrônico sejam coletadas por ano, com potencial para criação de 100 laboratórios de informática a partir do alcance de cinco mil equipamentos doados. Na vertente da capacitação, o plano é que, anualmente, mil jovens a partir de 14 anos passem por cursos de informática básica, manutenção de computadores, redes e robótica. Para o titular da Secti, este é um passo em direção ao futuro. “É uma revolução tecnológica na capital da República. Preparar os jovens para o mundo da tecnologia tem sido uma prioridade. Vamos facilitar o acesso e a capacitação de pessoas de baixa renda nas tecnologias da informação e comunicação, com cursos e oportunidades de primeiro emprego, democratizando a tecnologia”, disse Gilvan Maximo.

Inclusão e desenvolvimento social

O Coordenador do Programando o Futuro, Vilmar Simion, celebrou: “este é um dia que vai ficar para a história!”. “Trabalhamos por um país com mais inclusão social. Com a pandemia, a internet passa a ser ainda mais fundamental daqui para frente. Temos aqui o maior centro de recondicionamento de computadores do Brasil”, observou. Segundo as autoridades, a previsão é que o projeto seja ampliado a outras regiões administrativas.

O diretor-presidente da FAPDF também acredita no potencial do programa para promover a inclusão social e digital no DF e ratifuca a importância do investimento público em ações que busquem retorno efetivo à população. “É com enorme satisfação que a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal apoia iniciativas como o Reciclotech, reforçando a sua missão institucional de investir recursos em ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento de soluções efetivas para as principais demandas do Distrito Federal. Esse programa irá promover inclusão digital e social em Brasília, além de realizar a gestão inteligente de resíduos eletrônicos, proporcionando o descarte adequado desses equipamentos. Com o Reciclotech será possível proporcionar o acesso à tecnologia às famílias brasilienses de baixa renda, gerando conhecimento e refletindo em oportunidades de inclusão no mercado de trabalho e geração de renda”, destaca Marco Antônio Costa Júnior.

🔗 Confira como foi o lançamento e saiba mais sobre o programa: CLIQUE AQUI

Inovação e tecnologia também são assunto de desenvolvimento social, lembrou a titular da pasta, Mayara Noronha Rocha. “Aqui estamos incentivando, investindo na sustentabilidade, que é uma exigência mundial, e ensinando um novo pescar. É mais uma esperança para a população. É momento de se reinventar, renovar e acreditar em potencialidades”, observou.

                                                                         Fonte de imagem: FAP/DF
O evento contou com a presença do vice-governador, Paco Britto, dos secretários de Governo, José Humberto Pires, de Desenvolvimento da Região Metropolitana, Manoel Gervásio, além da administradora regional do Gama, Joseane Feitosa, do direror-presidente da FAPDF, Marco Antônio Costa Júnior, e da reitora da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abraão.

Também participaram a secretária Nacional de Juventude, Emilly Coelho, o assessor da Secretaria-Executiva do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Alexandre Villain, os deputados Federal, Júlio César, e distrital Marins Machado.

Fonte: FAP/DF

Adidas lança tênis circular e avança na transição para a sustentabilidade

O tênis Adidas Ultra BOOST DNA LOOP, criado a partir de um único material e sem cola para que ao final de seu uso possa ser devolvido à Adidas, decomposto e reutilizado para criar novos tênis de corrida de desempenho, logo estará nos pés dos consumidores como parte de um lançamento encenado.
 
                                                                                                     Fonte da imagem: Adidas

Em abril de 2019, 200 criadores de todo o mundo estiveram envolvidos no primeiro julgamento fechado do processo, recebendo os tênis de corrida Gen 1 UltraBOOST DNA LOOP, usando-os e devolvendo-os à Adidas para renascer, além de fornecer feedback valioso sobre o design e processo. 

Em novembro de 2019, os primeiros tênis de corrida Gen 2 UltraBOOST DNA LOOP foram produzidos e incluíram TPU reciclado dos pares Gen 1. Novamente, os 200 criadores foram solicitados a colocar o tênis em ação para fornecer feedback que ajudaria a preparar a Adidas para levar o conceito revolucionário a um público mais amplo. 

Tendo aprendido com essas duas experiências iniciais fechadas, a adidas está agora disponibilizando os sapatos ao público pela primeira vez durante o festival digital Creators Club Week em outubro. Apresentados ao mundo em um filme com Karlie Kloss, 1.500 membros do Creators Club serão convidados a participar de um teste beta de uma experiência digital especialmente projetada por meio do aplicativo da Adidas que será a pedra angular do lançamento comercial completo do 'Feito para franquia be Remade 'em 2021. 


Os 1.500 membros receberão os tênis gratuitamente da Adidas e se tornarão parte de uma microcomunidade de sustentabilidade que irá co-criar com a Adidas em uma verdadeira moda de código aberto para modelar ainda mais e ajustar a experiência. O programa de 21 semanas será conduzido pelo aplicativo da Adidas com as ações e feedback das comunidades ajudando a preparar o modelo de engajamento para o futuro. Ao se inscreverem no sorteio, eles se comprometem a devolver os sapatos para serem lixados, desfiados e transformados em algo novo.

Fonte: Tradução livre do site Biomarket Insights
Autor:  Luke Upton

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

É possível ficar na moda e ser sustentável?

Muito se fala no contexto de sustentabilidade em reduzir o consumo e comprar produtos ambientalmente e socialmente mais corretos. Mas o que exatamente isso significa? E ainda mais, como isso funcionaria em setores em que a obsolescência dos produtos ocorre a cada estação? 

Esse é o caso da indústria da moda, ou indústria fashion!



Quando falamos em indústria da moda ou fashion nos referimos às indústrias têxteis, de vestuário e também de calçados e acessórios, além de todos os canais que fazem com que esses produtos de moda, primeiramente sejam "desejados" pelo consumidor e depois "distribuídos", para que efetivamente possam ser "comprados". Nesse contexto, frequentemente esquecemos de discutir como eles são "descartados" e também,  em que condições eles são "produzidos". 




Quando pensamos em todos os processos que são necessários para levar as roupas, calçados e acessórios até os consumidores, temos que considerar desde a matéria-prima que é utilizada, ou seja, algodão, seda, couro, metais, plástico, entre outros. E nesse sentido, temos que falar de ECONOMIA CIRCULAR, que é um modelo alternativo à atual ECONOMIA LINEAR. 

No conceito de economia linear, as matérias-primas são extraídas do meio ambiente, sem pensar muito na sua escassez futura e nos impactos ambientais da sua extração, depois são enviadas para a indústria, manufaturadas, distribuídas, entregues ao consumidor e descartadas. Esse tipo de modelo de negócios é conhecido como do BERÇO ao TÚMULO (cradle to grave). O berço sendo o meio ambiente e o túmulo sendo os aterros sanitários. 

No caso da ECONOMIA CIRCULAR, que é uma alternativa sustentável ao modelo linear tradicional, se pensa na utilização dos recursos do BERÇO ao BERÇO (cradle to cradle), em um ciclo infinito. Idealmente sem resíduos, ou reduzindo ao máximo os rejeitos, já que resíduo ZERO é quase impossível considerando o contexto atual. Dessa forma, se prioriza usar tudo aquilo que sobra ao final dos processos produtivos e de negócios como matéria-prima nos mesmos ou em outros processos industriais e de negócios.
Nesse conceito devemos pensar na sustentabilidade desde o design do produto, planejando seu design para facilitar a desmontagem ou reciclagem, na extração sustentável das matérias-primas e a eventual substituição de alguns insumos por outros que causam menos impacto, por exemplo, no caso da energia, a energia renovável causa menos impacto do que a energia não renovável. 👍

Mas não para por aí... 😑

Temos que pensar também em desenvolver os fornecedores locais, os de pequeno porte, os da comunidade, e também aqueles que têm práticas mais sustentáveis para inserí-los nesse processo. É necessário também saber se os trabalhadores são respeitados, se tem as condições adequadas de trabalho, se recebem uma remuneração justa, se têm qualidade de vida, se seus direitos humanos básicos são respeitados. Vamos ainda além, e quanto aos processos industriais? será que eles são pensados para reduzir as emissões de poluentes, sejam estes gasosos, sólidos ou líquidos? E a distribuição? será que é feita em menores distâncias? Utilizando veículos que usam combustíveis renováveis ou com controle de emissões de poluentes? 

E a fase do consumo? Aí entra um ator importantíssimo! Você, consumidor!


Será que você tem comprado somente por impulso? Será que realmente necessita daquele produto? Será que  esse produto que você está escolhendo tem uma vida útil mais longa ou será descartado em seguida ao primeiro, ou poucos usos? E quando você não deseja mais essa roupa, calçado ou acessório, o que faz com estes itens? Será que esses itens podem ser doados, reutilizados, reciclados? 


Podemos ainda pensar: Será que eu preciso deter a propriedade do produto de moda, seja uma roupa, calçado ou acessório? Será que eu não poderia apenas emprestá-lo ou ainda alugá-lo? Nesse caso estamos falando da economia compartilhada. ;-)
E enfim... existem canais de logística reversa para levar esse resíduo dos produtos de vestuário, calçados e acessórios a uma destinação adequada, ou ainda melhor, revalorizá-los, para que eles sejam reinseridos no sistema como matéria-prima novamente? 
No conceito de ECONOMIA CIRCULAR, o resíduo é visto como alimento para novos processos ou produtos. E quando falamos de resíduos, devemos pensar em resíduos gasosos, líquidos e sólidos! Ou seja, há uma infinidade de tipos de resíduos e opções de redução de consumo e geração, e também de revalorização!

Você quer saber se é possível ficar na moda e ao mesmo tempo ser sustentável? 
Então esse episódio do podcast Eu quero saber! é para você! A profa. Eluiza Watanabe entrevistou a profa. Patricia Guarnieri e a aluna Maísa Farias, do curso de Administração da UnB. Se você quer saber mais sobre o que é envolvido no termo “sustentabilidade”, como incluir a sustentabilidade na moda, tanto em nível de consumo como de produção e, conhecer exemplos de iniciativas de moda sustentável, vem com a gente! Deixamos também alguns links para quem quiser saber mais sobre o assunto! Para acessar o episódio CLIQUE AQUI



Link para um artigo científico que trata sobre o tema: CLIQUE AQUI

Link para o Grupo de Pesquisa GEALOGS, liderado pela profa. Patricia Guarnieri: CLIQUE AQUI

Sites e aplicativos de consumo sustentável:


Autoria: Patricia Guarnieri para o Blog Logística Reversa e Sustentabilidade
Fonte das imagens: Pixabay (atribuição não requerida). 

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

E hoje é dia das crianças! Vamos brincar ao ar livre?

A natureza é um direito de todas as infâncias!
Toda criança tem direito a uma vida saudável, em contato direto com a natureza, na qual ela possa brincar livremente e desfrutar de ambientes protegidos.
Todos os dias temos que defender, garantir e promover esse direito e todos os outros!
Feliz Dia das Crianças, com muita brincadeira ao ar livre!
#criançaenatureza #doladodefora #infânciasurbanas #direitoanatureza #minhaconexãocomanatureza


#Repost  Programa Criança e Natureza
Fonte imagem e texto: https://www.facebook.com/programacriancaenatureza

Qual a melhor alternativa de logística reversa de resíduos eletroeletrônicos, considerando as dimensões ambiental, social, econômica e técnica?

Considerando o aumento exponencial do lixo eletrônico em escala global, algumas legislações e planos para implementar a logística reversa surgiram em alguns países. O lixo eletrônico abrange os produtos do descarte de equipamentos elétricos e eletrônicos, e peças que perderam o valor para os seus proprietários, pois atingiram o fim da sua vida útil ou cujo uso foi descontinuado. Dispositivos eletrônicos são configurados como equipamentos cujo funcionamento depende de correntes elétricas ou campos eletromagnéticos, bem como o equipamento para a geração, transmissão, transformação e medição dessas correntes e campos, podendo ser de uso doméstico ou industrial. 

Muitas partes dos equipamentos eletrônicos são compostas por metais pesados como cromo, chumbo, mas também possuem metais valiosos como ouro, prata e cobre. Esses materiais quando descartados inadequadamente podem poluir solo, rios, prejudicando a saúde humana e demais seres vivos, e causando um impacto ambiental negativo.


Por outro lado, caso a logística reversa seja realizada de modo a coletar os resíduos de equipamentos eletroeletrônicos e encaminhá-los para o recondicionamento, desmontagem e/ou reciclagem esses resíduos podem ser revalorizados. Embora a logística reversa já esteja bem consolidada nos países desenvolvidos, ela ainda é incipiente nos países em desenvolvimento. No Brasil o acordo setorial para a logística reversa de resíduos eletroeletrônicos foi assinado em 2019 e ações já foram iniciadas pela Green Eletron, que é a gestora desses resíduos. 

Em um artigo publicado por pesquisadores do Grupo de Estudos e Pesquisas Avançadas em Logística e Supply Chain Management (GEALOGS) da Universidade de Brasília,  os autores propõe um modelo teórico para avaliar a logística reversa, baseado em uma perspectiva multicritério de auxílio à decisão, que considera múltiplos critérios, normalmente com objetivos conflitantes, devido aos diferentes pontos de vista das partes interessadas (stakeholders) envolvidos no contexto de decisão.

Esse modelo foi proposto considerando um contexto em que a implantação da logística reversa do lixo eletrônico está no início, como é o caso do Brasil. Considerando as dimensões ambientais, econômicas, sociais e técnicas que influenciam essa decisão, os decisores podem ter dificuldades para decidir qual é a melhor alternativa para a logística reversa dos resíduos eletroeletrônicos, tais quais:

- Coleta porta a porta por caminhão; 
- Coleta porta a porta pelos catadores; 
- Entrega em pontos de coleta em lojas de equipamentos eletro-eletrônicos;
- Entrega em estações de metrô; 
- Entrega em pontos de entrega voluntários; 
- Reforma dos equipamentos usados por programa social (ex. ONGS); 
- Desmontagem informal; 
- Reciclagem informal; 
- Reciclagem adequada regionalmente; 
- Desmontado por empresa de reciclagem especializada.

A fim de compreender o problema de decisão relacionado aos resíduos eletroeletrônicos (e-waste), levantar as principais alternativas de revalorização, os múltiplos critérios e métodos usados para a tomada de decisão, os autores realizaram uma revisão sistemática da literatura. Em seguida, propuseram o modelo e ilustraram o uso com um exemplo numérico. 
Esse modelo abrange a análise dos critérios para a escolha da (s) melhor (es) alternativa (s) da logística reversa de resíduos eletroeletrônicos com base nas dimensões ambiental, social, econômica e técnica. 


Este artigo contribui com o atual corpo de pesquisa e tem como objetivo auxiliar os profissionais da área de logística reversa, sistematizando o conhecimento relacionado ao tema e oferecendo um modelo que possa orientar a tomada de decisão. Este modelo diferencia-se de outros já publicados por utilizar o método de composição probabilística de preferências (PCP), que não requer atribuição de pesos aos critérios, o que normalmente é uma das etapas mais questionadas por pesquisadores. 
O modelo também pode ser usado futuramente, considerando as preferências de vários tomadores de decisão, cobrindo, portanto, vários pontos de vista e fornecendo uma visão mais holística do problema de decisão.

Esse tema foi tratado em um artigo recentemente publicado pelos pesquisadores do GEALOGS: Patricia Guarnieri, Lucio Camara Silva e Bárbara Vieira. 

Para ter acesso ao artigo completo gratuitamente: CLIQUE AQUI


Autoria: Patricia Guarnieri para o Blog Logística Reversa e Sustentabilidade
Fonte das imagens: Pixabay e Guarnieri, Silva e Vieira (2020). 

Logística reversa de cosméticos e produtos de beleza: os consumidores se importam?

O Brasil é o quarto maior mercado consumidor de cosméticos e produtos de beleza, estando atrás apenas dos Estados Unidos, Japão e China (ABIHPEC, 2017). Com o aumento do consumo, aumenta também a geração dos resíduos, o que requer da sociedade e empresas práticas de descarte sustentáveis. Com a sanção da Lei 12.305/2010 a logística reversa de embalagens em empresas de diversos segmentos no Brasil passa a ser obrigatória. Indo além do atendimento à legislação empresas passam a utilizar a logística reversa na obtenção de vantagens econômicas, captação e manutenção de clientes, principalmente considerando que nos últimos anos o aumento da consciência ecológica dos consumidores foi evidenciado por pesquisas nacionais e internacionais.
Dois estudos realizados no âmbito do Grupo de Pesquisas e Estudos Avançados em Logística e Supply Chain Management da Universidade de Brasília - GEALOGS/UnB identificaram  as atividades desenvolvidas pelas empresas nas áreas de logística reversa e fidelização no âmbito da indústria de beleza brasileira. Um dos objetivos dos estudos foi também verificar a preferência dos consumidores por empresas que realizam a logística reversa de embalagens pós-consumo de forma a proporcionar vantagens aos consumidores que as retornem às lojas. 
Com base em 504 respostas, os  participantes das pesquisas foram separados em dois grupos: os consumidores que possuem responsabilidade ambiental (consumidores verdes), que totalizaram 370 e os consumidores sem responsabilidade ambiental, que foram 134.
Constatou-se que 83,24% dos consumidores verdes deixariam de comprar de outras empresas para comprar de empresas com políticas de logística reversa, enquanto 55,23% dos consumidores sem responsabilidade ambiental fariam o mesmo. Esses resultados mostram que os consumidores pesquisados percebem um alto valor não só nos benefícios oferecidos pela troca de embalagens da política proposta, como também nas consequências advindas de uma escolha por uma empresa com responsabilidade ambiental ao se preocupar com a logística reversa de suas embalagens (DE SOUZA e BENEVIDES, 2005; DE OLIVEIRA, TOLEDO e IKEDA, 2004; MENEZES, 2005).
Já 84,32% dos consumidores verdes e 47,76% dos consumidores sem responsabilidade ambiental comprariam mais vezes de uma empresa se ela reciclasse as suas embalagens, reafirmando o aumento da demanda por produtos ecológicos, já que os clientes julgam a reciclagem como fator preponderante em seus comportamentos de compra (MOTTA, 2007; DE SOUZA e BENEVIDES, 2005). 
A análise dos dados obtidos também apresentou que 93,25% dos consumidores verdes e 88,8% dos consumidores sem responsabilidade ambiental comprariam mais vezes de uma empresa se ela oferecesse benefícios para isso. 
Quando foi perguntado se os respondentes comprariam mais de uma empresa se ganhassem algo por retornar uma embalagem de algum produto deles que não utilizam mais, 93,25% dos consumidores verdes e 79,85% dos consumidores sem responsabilidade ambiental concordaram, demonstrando uma alta aceitação política de benefícios atrelada à logística reversa de embalagens. Os respondentes reconhecem um alto valor na política proposta pois 63,52% dos consumidores verdes e 53,73% dos consumidores sem responsabilidade ambiental responderam que os benefícios oferecidos por uma empresa pelo retorno de embalagens influenciam os seus comportamentos de compra. 
As respostas obtidas foram reafirmadas quando 77,84% dos consumidores verdes e 71,64% dos consumidores sem responsabilidade ambiental responderam que não concordavam com a afirmação de que “não comprariam mais vezes de uma mesma empresa se ganhassem algo por retornar uma embalagem usada”. Inferiu-se que a política de benefícios pelo retorno de embalagens em empresas de cosméticos foi bem aceita pelos respondentes, já que 90,81% dos consumidores com responsabilidade ambiental e 78,36% dos consumidores sem responsabilidade ambiental falariam de uma empresa que dá benefícios pelo retorno de embalagens usadas para amigos e familiares. 
Foi constatado que 89,19% dos consumidores verdes e 77,61% dos consumidores sem responsabilidade ambiental iriam preferir comprar de uma empresa que disponibilizasse benefícios pelo retorno das embalagens usadas. Esses resultados expõem as preferências dos consumidores por uma empresa que dá benefícios pelo retorno de embalagens usadas. 
A alta preferência dos dois grupos de respondentes demonstra a aceitação de uma estratégia de fidelização atrelada à logística reversa pelos clientes, confirmando assim que os consumidores estudados reconhecem valor na estratégia de fidelização por meio da logística reversa. Assim, com base na opinião dos participantes da pesquisa, eles/elas preferem comprar de empresas que adotam políticas de logística reversa para retorno das embalagens de cosméticos e produtos de beleza. Um percentual relevante dos participantes concordaram que estariam dispostos a pagar mais por marcas que possuíssem políticas de logística reversa de seus produtos e embalagens. 

Compartilhamos os dois artigos para download gratuito com vocês!

ARTIGO 1 -PREFERÊNCIA DOS CONSUMIDORES POR EMPRESAS QUE IMPLEMENTAM PRÁTICAS DE LOGÍSTICA REVERSA COMO MEIO DE FIDELIZAÇÃO: ESTUDO NA ÍNDUSTRIA DE COSMÉTICOS BRASILEIRA
O objetivo da presente pesquisa foi o identificar a preferência de consumidores de cosméticos por empresas ambientalmente sustentáveis, que aplicam práticas de logística reversa visando a sua fidelização.


Artigo 2 - LOGÍSTICA REVERSA COMO ESTRATÉGIA DE FIDELIZAÇÃO NO SETOR DE PRODUTOS DE BELEZA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA
O objetivo do artigo foi analisar o estado da arte relacionada à logística reversa e fidelização de consumidores de produtos de beleza
                                                                                                                                                                 

 Autoria: Patricia Guarnieri para o Blog Logística Reversa e Sustentabilidade. 
Fonte das imagens: Pixabay (atribuição não requerida).  

sábado, 22 de agosto de 2020

E como fica a logística reversa de carros usados?

 Por: Carlos Penna Brescianini | 17/08/2020, 08h43


Um projeto apresentado pelo senador Confúcio Moura (MDB-RO) cria uma política nacional de reciclagem dos veículos usados (PL 4.121/2020). Para o senador, a quantidade de veículos que deixam de circular e são abandonados gera um grande prejuízo ao meio ambiente e à saúde da população. Para o autor da proposta, Confúcio Moura, a quantidade de veículos que deixam de circular e são abandonados gera um grande prejuízo ao meio ambiente e à saúde da população. 
Foto: José Cruz
Segunda -feira, 17 de maio de 2004

Fotos de desmanche de Carro 

Local: Ferro Velho 

OBS:
Solicitamos sua atenção para o cumprimento da Lei do Direito Autoral n.º   5988, de 14 de dezembro de 1973, Cap. IV, Parágrafo 1º do artigo 82º, que determina:
              Fonte imagem: José Cruz/Agência Brasil
Confúcio defende que os fabricantes e importadores de veículos novos sejam obrigados a fazer a logística reversa, tornando-se responsáveis também pelo encaminhamento à reciclagem dos resíduos automotivos e dos veículos sem condições de circulação. "Este projeto pretende assegurar o controle, a preservação e a melhoria das condições do meio ambiente, por meio do tratamento dos resíduos sólidos e carcaças abandonadas de veículos ao término de sua vida útil. Ao mesmo tempo gera benefícios econômicos sem ônus ao poder público, com fundamento no princípio da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos”, justifica o senador.
Ao contrário do que ocorre em países como Estados Unidos, Japão, Argentina e os membros da União Europeia, no Brasil não existe uma política de reciclagem de veículos e não há dados sobre o número de veículos desativados ou com registro baixado a cada ano. O estudo Brasil pós Covid-19, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), propõe a criação de uma indústria de reciclagem automotiva como forma de ajudar na recuperação da economia nacional após o impacto da pandemia. 
Nos EUA essa indústria já movimenta cerca de US$ 25 bilhões por ano e emprega cerca de 100 mil pessoas. Estima-se que o Brasil tenha potencial para atingir 30% desse valor, US$ 7,5 bilhões, aproximadamente R$ 40 bilhões, em um ou dois anos. Confúcio explica que no atual cenário, esses milhões de veículos sucateados representam um sério problema ambiental e de saúde pública. “As carcaças de carros fora de circulação se acumulam nas ruas, nos estacionamentos públicos, nas áreas rurais, em pátios de órgãos públicos, em desmanches clandestinos e até em rios, lagoas e baías. Ajuntam água de chuva, servem de criadouros para insetos transmissores de doenças e outros animais nocivos, contaminam o solo e os corpos d’água”, exemplifica. 
 O projeto altera a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305, de 2010) e o Programa de Apoio à Produção de Veículo Automotores (Rota 2030 - Lei 13.755, de 2018). A proposta está com prazo aberto para apresentação de emendas e aguarda a nomeação de relator. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado) 

Principais barreiras na implementação da logística reversa de eletroeletrônicos no Brasil: Pesquisadoras da Universidade de Brasília abordam o tema

Por Bárbara Vieira 


Acabei de concluir meu Mestrado em Administração pela Universidade de Brasília. Em razão de ser imprescindível o trabalho em conjunto de diversos membros da cadeia produtiva, estudei quais eram os principais desafios (barreiras) encontrados na implementação da logística reversa de eletroeletrônicos (celular, computador, secador, televisão) sob três pontos de vista: do governo, das micro e pequenas empresas (MPEs) e dos consumidores.

Além disso, não podemos descartar no lixo comum nossos aparelhos eletrônicos depois que compramos um novo ou quando não os utilizamos mais. No Brasil, com o advento da Política Nacional de Resíduos Sólidos, somos TODOS responsáveis pelos resíduos que utilizamos e/ou consumimos e, portanto, temos que descarta-los corretamente (doar, devolver para o fabricante, entregar em um ponto de coleta de entrega voluntária, etc.), pois esses equipamentos contêm substâncias que podem fazer mal para a saúde das pessoas e para o meio ambiente.

Com a minha orientadora, Dra. Patricia Guarnieri, e os pesquisadores colaboradores, Dra. Solange Alfinito e Dr. Lucio Câmara, aprimoramos a dissertação e escrevemos um artigo, cujo objetivo foi identificar as principais barreiras encontradas na implementação da logística reversa de eletroeletrônicos no Brasil e priorizá-las com a utilização do método de apoio à decisão multicritério (AMD), de acordo com as percepções de MPEs, dos consumidores de eletroeletrônicos usados (de segunda mão) e do governo.

Primeiramente, fizemos uma revisão sistemática da literatura para identificar as barreiras citadas nos artigos nacionais e estrangeiros que estudaram a logística reversa (LR) de eletroeletrônicos. Com essa revisão, preparamos um questionário para que cada grupo pesquisado (i.e., governo, micro e pequenas empresas e consumidores) avaliasse quanto cada barreira influenciava na LR – variando de 1 até 5; quanto mais próximo do 5, maior a influência. 

Como resultado encontramos que as barreiras categorizadas como financeiras não são as principais do ponto de vista do governo e dos consumidores. Todavia, o resultado para as MPEs demonstrou que as barreiras financeiras são importantes – o custo é um desafio –, e influenciam as barreiras de gestão e de infraestrutura. Ao analisar as barreiras relacionadas aos fatores externos, os três grupos indicaram que barreiras culturais, tais como educação ambiental, influenciam fortemente a implementação da LR.

A pesquisa sugere algumas soluções para superar as barreiras e, assim, possibilitar a implementação da LR. Além disso, traz um diagnóstico para os formuladores de políticas públicas de resíduos eletroeletrônicos, demonstrando quais são as dificuldades para implementar a LR no contexto de MPEs de eletrônicos.

Acesse o artigo completo CLIQUE AQUI 

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Conheca o Grupo de Estudos e Pesquisas Avançadas em Logística e Supply Chain Management, do qual as pesquisadoras fazem parte: CLIQUE AQUI

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Livro Sustentabilidade e Responsabilidade Social em Foco - Download gratuito

Livro Sustentabilidade e Responsabilidade Social em Foco Volume 11, contendo capítulos de pesquisadores do blog Logística Reversa e Sustentabilidade, está publicado e disponível para download gratuito. 



Para baixar o livro CLIQUE AQUI

Capítulo 16: Gestão da logística reversa de resíduos de equipamentos eletroeletrônicos com base nas demandas da Política Nacional de Resíduos Sólidos: o caso da estação de metarreciclagem da ONG Programando o Futuro
Patricia Guarnieri, Jorge Alfredo Cerqueira Streit


Capítulo 22: A produção científica do Encontro Internacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente (ENGEMA) sobre “Sustentabilidade e Políticas Públicas” nas edições de 2010 a 2015: uma revisão da literatura



Jorge Alfredo Cerqueira Streit, Patrícia Guarnieri, Ricardo Corrêa Gomes

Logística reversa como estratégia de fidelização no setor de produtos de beleza - Download grátis

Os pesquisadores Thais Testoni, Patricia Guarnieri, Raphael Salviano, Amanda Gaban Filippi, participaram do capítulo 22 do livro Tópicos em Administração: 
Logística reversa como estratégia de fidelização no setor de produtos de beleza: uma revisão sistemática da literatura. 

O livro está disponível para download gratuito: CLIQUE AQUI




Cidadãos podem contribuir com a proposta de decreto para logística reversa de medicamentos descartados (consulta pública)

Regras para descarte de medicamentos

Brasília – A consulta pública para a proposta de decreto de implementação do sistema de logística re

versa de medicamentos descartados pelo consumidor já está disponível na página do Ministério do Meio Ambiente (MMA). O período para contribuições começa nesta segunda-feira (19) e segue até 19 de dezembro de 2018.

Entre as orientações da minuta do decreto, consta que drogarias e farmácias ficam obrigadas a adquirir, disponibilizar e manter, no interior de seus estabelecimentos, dispensadores contentores de modo a propiciar a existência de pelo menos um ponto de fixo de coleta e armazenamento de medicamentos descartados pelos consumidores para cada 30 mil habitantes. Os pontos de coleta deverão conter os dizeres: “Descarte aqui os medicamentos vencidos, em desuso ou impróprios para consumo”.

Já as indústrias farmacêuticas ficariam obrigadas a efetuar por meios próprios ou por meio de contratos de terceiros, desde que devidamente autorizados pelos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Viação, o transporte dos medicamentos descartados pelos consumidores dos pontos de armazenamento secundário até os locais de tratamento final e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.

LOGÍSTICA REVERSA

A logística reversa é definida na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) como um instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.

Tendo em vista o grau e a extensão do impacto à saúde pública e ao meio ambiente dos resíduos gerados pela cadeia de medicamentos, o MMA e o Ministério da Saúde, como membros dos comitês Interministerial e Orientador para a implementação dos Sistemas de Logística Reversa (CORI), propuseram, com base no parágrafo 1º do artigo 33 da Lei 12.305/2010 (PNRS), a implementação da logística reversa de medicamentos.

PROJETOS DE LEI

A normatização da logística reversa de medicamentos descartados pelo consumidor tem sido tema de diversos Projetos de Lei (PLs) no Congresso Nacional, demonstrando a importância do assunto para a sociedade. Na Câmara dos Deputados tramitam os PLs nº 2.121/2011; 2.148/2011; 2.494/2011; 5.705/2013; 6.160/2013; 7.064/2014; 1.109/2015; 893/2016; 5.152/2016; e 6.776/2016. No Senado Federal, o PL nº 375/2016.




Por: Letícia Verdi/Ascom MMA

domingo, 12 de agosto de 2018

Uma reflexão "necessária" sobre editoras e journals predatórios

Ontem tive contato com o artigo "A sombra das revistas predatórias no Brasil Estudo mostra quantos pesquisadores do país publicam em periódicos com práticas suspeitas" e recomendo muito a leitura. E inclusive aqui destaco a imagem do próprio artigo publicado pela revista FAPESP, que fala por si:

Imagem: Suryara Bernardi
Posso afirmar, sem exagero, que recebo convites "todos os dias" de vários periódicos suspeitos/predatórios, e tenho certeza que muitos de vocês também. Existe até uma lista de periódicos suspeitos (algumas listagens elaboradas por bibliotecários confiáveis foram tiradas da internet como explica a matéria abaixo): PREDATORY JOURNALS

Temos que ter muito cuidado com o que o "produtivismo acadêmico" nos impele a praticar... Esse tipo de publicações, em vez de turbinar o currículo do pesquisador, prejudica muito o seu conceito.

Eles pegam nosso contato em anais de eventos, ou artigos que publicamos em journals internacionais. Não há problema nenhum nisso, eu mesma como editora de revista já convidei autores de eventos a publicar em edições especiais, isso é prática muito comum e já fui convidada por editoras, já publiquei capítulos de livros dessa forma.

Outro detalhe e muito importante! Temos que saber diferenciar "predatory journal" de "open access journal" (já vi pesquisadores super experientes confundirem isso). Os dois cobram para publicar, mas os primeiros não tem credibilidade nenhuma e prejudicam o currículo do pesquisador. No caso dos "open access" journals, o pagamento ocorre porque o journal não cobra para o leitor - o autor paga para que o acesso seja ilimitado por qualquer pessoa, independentemente de acessar de base de dados de universidades, como periódicos Capes ou de ter a assinatura do Journal ou Publisher.

Existem confusões de entendimento a esse respeito. No "Open Access", o artigo passa por avaliação rigorosa, por no mínimo 2 avaliadores normalmente, mas claro que o processo é mais rápido porque eles tem menos demanda, do que os journals de acesso fechado. Ao final do processo, se requer o pagamento para custear todas as taxas do journal (por artigo), esse valor varia de journal a journal, podendo ser cobrado em dólares/libras/euros, taxas aceitáveis giram em torno de 600 a 1500.

E... detalhe, a grande maioria dos journals de grandes publishers como Elsevier, Taylor & Francis, Sage, Emerald etc, possuem as duas opções, ou seja, quando o artigo é aceito eles te consultam se quer "open access" ou não. Embora existam alguns journals que são apenas "open access".

Há até editais abertos de universidades, como da qual eu faço parte  do DPI/UnB que financiam o pagamento da taxa para journals Open Access:  Acessar o edital

Qual a vantagem de publicar em "Open Access"? A vantagem é que quem desejar, em qualquer parte do mundo poderá ter acesso ao seu artigo, sem pagar por isso. O que significa que ele vai ser mais lido, mais acessado e, se for relevante, muito citado. Sabemos que os pesquisadores hoje, são avaliados pelo impacto de suas citações.  Editais de fomento à pesquisa já tem uma cláusula que recomenda que os resultados de pesquisas financiadas, devem prioritariamente, ser publicados em periódicos/journals "Open Access".

Por isso, antes de submeter seu artigo é muito importante ler com detalhes as diretrizes para autores "author guidelines" e identificar se o journal cobra ou não Charges ou Fees for publications.

Outro assunto correlato e não menos importante se refere às editoras predatórias. Também tenho recebido muitos convites para esse tipo de editora, inclusive já recebi da Lambert, e outras, as quais são citadas no artigo abaixo "Aquela editora que está tentando publicar minha dissertação de graça", que aliás é muito elucidativo também. Vale a pena ler os comentários da matéria ao final. Não estou afirmando aqui que toda editora que te convida para publicar de graça é predatória, mas devemos ter muito cuidado e pesquisar exaustivamente antes de fechar um acordo/contrato. Pesquise no Reclame Aqui, Páginas do Facebook, no Google... Enfim, temos muitos meios atualmente para obter informações. 

Nesse caso, as editoras exigem que o autor transfira os direitos autorais da monografia/TCC, dissertação ou tese para ela, e depois caso queira acessar o manuscrito, você deve pagar e perde o direito de usar seus dados para outro fim. 

Já tive acesso a relatos de contratos de cessão de direitos abusivos e de pessoas tendo que entrar com processos judiciais para tentar reverter. Tive um colega que publicou a dissertação e depois teve que pagar 300 euros para ter acesso ao livro impresso. 

Acho que muitos de vocês sabem, mas não custa repetir, que um artigo quando publicado em forma de capítulo de livro ou livro, não pode ser publicado em outro meio qualquer, nem evento e nem periódico/journal. Já um artigo publicado em evento, pode posteriormente ser publicado como capítulo ou artigo de journal, sempre atentando-se para as exigências e diretrizes de cada journal/periódico ou editor. Ou seja, se publicar sua dissertação completa como livro, outras publicações ficam inviabilizadas e, ainda pior, se por acaso esse detalhe não for percebido, você pode ser acusado de auto-plágio.

Enfim... minha intenção aqui é fazer um alerta, pois tod@s nós temos vivenciado essa pressão por produção e publicações, e temos que ter cuidado com o oportunismo.


Abraços e sucesso a tod@s!


Patricia Guarnieri, Dra
Professora Adjunta e Pesquisadora (FACE/UnB)
UnB - Universidade de Brasília
Grupo de Estudos e Pesquisas Avançadas em Logística e SCM
Grupo de Pesquisas em Gestão de Pessoas e Clientes
Grupo de Pesquisas em Operações, Logística e Métodos de Apoio à Decisão 

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Já está disponível a Pesquisa Akatu 2018 traça Panorama do Consumo Consciente no Brasil

                                Arte: Ale Kalko

Qual é o nível de consciência e de comportamento dos brasileiros rumo ao consumo consciente? Quais são as barreiras e motivações para as práticas mais sustentáveis? Qual é a percepção e a expectativa do brasileiro em relação à responsabilidade social e ambiental das empresas? Essas foram algumas das questões respondidas pela “Pesquisa Akatu 2018 – Panorama do Consumo Consciente no Brasil: desafios, barreiras e motivações”, lançada no dia 25 de julho no Sesc Consolação, em São Paulo.
A pesquisa está em sua quinta edição e investiga a evolução do grau de consciência dos brasileiros no comportamento de consumo, além de indicar os principais desafios, motivações e barreiras à prática do consumo consciente.
A partir do Teste do Consumo Consciente (TCC), que envolve 13 comportamentos, a pesquisa analisou o quanto algumas atitudes fazem parte da rotina dos entrevistados, além dos hábitos de compras deles. O grau de consciência dos consumidores brasileiros é dividido nos seguintes perfis: indiferente, iniciante, engajado e consciente. São avaliados 13 comportamentos de consumo consciente na pesquisa que servem de base para os resultados relativos à consciência no consumo. A partir deles, considera-se: “indiferentes” aqueles que aderiram a até 4 comportamentos, “iniciantes” de 5 a 7, “engajados” de 8 a 10 e “conscientes” de 11 a 13. Importante ressaltar que estes 13 comportamentos foram escolhidos com base estatística por representarem / se correlacionarem com um número enorme de outros comportamentos e por serem capazes de fazerem a segmentação dos consumidores nesses quatro perfis.
Para fazer a pesquisa, foram entrevistadas 1.090 pessoas, homens e mulheres, com mais de 16 anos, de todas as classes sociais e de 12 capitais e/ou regiões metropolitanas de todo o País, entre 9 de março e 2 de abril deste ano.
Uma das conclusões da pesquisa é que houve um crescimento significativo no segmento do consumidor “iniciante”, de 32%, em 2012, para 38%, em 2018 – o que mostra que o momento é de recrutamento dos consumidores indiferentes para hábitos mais sustentáveis de consumo.
A pesquisa aponta que são 76% os menos conscientes (“indiferentes” e “iniciantes”) em relação ao consumo e que o maior nível de consciência tem viés de idade, de qualificação social e educacional: 24% dos mais conscientes têm mais de 65 anos, 52% são da classe AB e 40% possuem ensino superior.
O segmento de consumidores mais conscientes (“engajados” e “conscientes”) é majoritariamente feminino e mais velho. Já o segmento dos “indiferentes”, o grupo menos consciente de todos, é majoritariamente mais jovem e masculino.

Comportamentos de consumo consciente

Foi feita também uma segunda análise considerando 19 comportamentos indicadores de consumo consciente, adicionando portanto 6 comportamentos à lista inicial. Em uma análise fatorial, os resultados da pesquisa mostraram um gradiente que vai da consciência dentro de casa, onde a adesão é mais forte, até a consciência de alcance público, onde é mais fraca. A consciência em casa, que inclui o comportamento de evitar deixar a lâmpada acesa à toa, por exemplo, é o estágio dos “indiferentes” e “iniciantes”, que estão no estágio “do bolso”, onde a questão financeira ainda é o principal fator a leva-los a aderir a comportamentos conscientes. Já os “engajados” estão no estágio do planejamento, uma vez que suas práticas sustentáveis incluem o planejamento de compra de roupas e de alimentos. Os conscientes, por sua vez, têm comportamentos mais ativos, que vão além da casa, incluindo por exemplo votar em um político que defende temas sociais ou ambientais.

No caminho da sustentabilidade 

O brasileiro prefere claramente o caminho da sustentabilidade ao do consumo. Em um conjunto de alternativas oferecidas aos entrevistados em 10 temas distintos, ao expressar os seus dez principais desejos dos brasileiros, estão entre os sete primeiros uma clara expressão de preferência por alternativas que caminham para a sustentabilidade. Enquanto o primeiro lugar é ocupado pelo desejo de “estilo de vida saudável”o segundo lugar indica o desejo pelo “carro próprio” (consumo). Os três itens seguintes indicam preferência por caminhos da sustentabilidade: “água limpa, preservando fontes”, “alimentos saudáveis, frescos e nutritivos” “tempo para pessoas que gosto”.
O aumento da preocupação por uma alimentação saudável e pela água limpa e preservada, apontado na Pesquisa Akatu 2018, provavelmente tem relação com o contexto socioambiental nos últimos anos. “A preocupação com a água, por exemplo, pode ser reflexo da crise hídrica que se propagou em diferentes áreas do país, justificando o desejo pela “água limpa” em terceira posição no ranking”, analisa Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu.
Por outro lado, ter o carro próprio surge como o principal obstáculo na liderança absoluta do caminho da sustentabilidade. Em cada um dos diferentes perfis de consumidor (indiferente, iniciante, engajado e consciente), o desejo por este bem está sempre entre os sete maiores desejos. Quando separado por regiões do país, o Sudeste é o único que apresenta o carro próprio como o primeiro desejo no ranking. A pesquisa também aponta que o desejo pelo carro próprio é o primeiro entre as classes C, D e E – justamente as que mais são impactadas pelos problemas do transporte público.

Barreiras e gatilhos para o consumo consciente 

O brasileiro deseja seguir pelo caminho da sustentabilidade, explicitando claramente seu desejo de bem-estar na forma de uma vida saudável. Se assim é, o percentual de consumidores “mais conscientes” não deveria ser muito maior que 24%? Por que não é? Para identificar a resposta a essa pergunta, a Pesquisa Akatu investigou o que as pessoas consideram como obstáculos para práticas de consumo consciente.
A principal barreira para hábitos mais sustentáveis é a necessidade de esforço, contemplando os seguintes itens: “exige muitas mudanças nos hábitos da família”, “exige muitas mudanças nos hábitos”, “custam caro”, “exige mais informação sobre as questões/impactos ambientais e sociais”, “é mais trabalhoso” e “são mais difíceis de encontrar para comprar”. Dentre os que concordam que o esforço é a maior barreira, a percepção de que os produtos sustentáveis são mais caros se destaca.
Quanto aos gatilhos que levariam à adoção de hábitos mais sustentáveis, os consumidores valorizam mais aqueles que impactam o mundo, a sociedade. Por isso, a pesquisa classificou os gatilhos em dois grupos: os emocionais (com benefício para os outros, o mundo, a sociedade) e os concretos (com benefícios para mim). O item mais votado da primeira categoria foi “contribui para um futuro melhor para filhos/netos”, enquanto na segunda categoria foi “traz benefícios à minha saúde”.
O Sudeste foi o mais sensibilizado pelos gatilhos emocionais (96,9%), o Nordeste pelos gatilhos concretos (89,8%) e o Norte e Centro-oeste pelos gatilhos concretos (85%).
De modo geral, o alto preço percebido dos produtos sustentáveis e a falta de informação e indisponibilidade de produtos são questões-chave que representam barreiras para o consumidor brasileiro. “Nota-se que o consumidor quer e precisa saber mais sobre tais produtos, para derrubar barreiras e para acionar gatilhos”, diz Mattar.

Responsabilidade social empresarial

Os consumidores valorizam, segundo a pesquisa, empresas que cuidam mais das pessoas. Entre as oito principais causas que mais mobilizam o consumidor a comprar um produto de determinada marca, cinco estão ligadas ao cuidado com pessoas: atuar no combate ao trabalho infantil; tratar funcionários da mesma forma, independentemente de raça, religião, sexo, identidade de gênero ou orientação sexual; investir em programas de contratação de pessoas com deficiência; contribuir para o bem-estar da comunidade onde está localizada; e oferecer boas condições de trabalho.
Por outro lado, existe uma força maior na desmobilização do que na mobilização, isto é, são mais presentes na população os fatores que diminuiriam muito a disposição de comprar um produto do que os fatores que levariam a aumentar muito ou nem aumentar nem diminuir essa disposição. Assim, provocar problemas de saúde ou ferimentos e denúncia de concorrência desleal são os principais detonadores de reputação dos produtos de uma empresa.
Em tempos de fakenews, a credibilidade da fonte da informação é tão relevante quanto a empresa que divulga suas ações. Segundo a pesquisa, 32% dos brasileiros confiam na informação divulgada pela própria empresa; 31% afirmam que a confiança depende de onde veio a notícia.
Já como posicionamento mais geral, 59% acreditam que as empresas deveriam fazer mais do que está nas leis e trazer mais benefícios para a sociedade.

Clique aqui para acessar a apresentação da Pesquisa Akatu 2018.

sábado, 2 de junho de 2018

Economia circular e logística reversa – Quais as diferenças e similaridades?

Autora: Patricia Guarnieri

Aproveitei o feriado para ler alguns artigos de Economia Circular e fiquei pensando na ligação desse termo com a logística reversa, que é um dos temas que pesquiso. Sem dúvida, nas últimas décadas, o conceito de economia circular tem recebido crescente atenção, especialmente por legisladores, advogados, consultores e pesquisadores, sempre com foco em uma sociedade mais sustentável, em seus três pilares: econômico, social e ambiental.

Mas como todo assunto relativamente novo, tenho percebido algumas confusões conceituais, tanto por parte de profissionais praticantes, como também de acadêmicos, por isso resolvi escrever esse artigo para o blog. 

Crédito: ID 82020177 ©  | Dreamstime.com
Devemos considerar que o ciclo de vida de um bem ou serviço, representado pelos estágios do processo de produção e comercialização, desde a extração das matérias primas até a disposição final dos resíduos, também é conhecido pela expressão ‘do berço ao túmulo’, na língua inglesa ‘cradle to grave’, no qual, para Barbieri, Cajazeira e Branchini (2009) o berço é o meio ambiente, de onde são extraídos os recursos naturais e o túmulo, também o meio ambiente, mas com o papel de ser o destino final dos resíduos gerados. McDonough e Braungart (2002) estabeleceram o conceito ‘cradle to cradle’, que significa ‘do berço ao berço’ e vai além da visão de ciclo de vida que até então vigorava ‘do berço à cova’, incluindo os resíduos novamente no ciclo produtivo.

Apesar de o primeiro artigo sobre economia circular datar de 2007, este conceito parece estar implícito no conceito do ‘berço ao berço’, visto que neste o resíduo é entendido como o “alimento” para um novo produto, no mesmo processo produtivo ou em processos diferentes, o que torna o ciclo de vida do produto infinito (McDONOUGH e BRAUNGART, 2002. Adicionalmente, McDonough e Braungart (2002) afirmam que esse sistema reflete uma ideia em que os materiais são tratados como recursos e fluem em um metabolismo cíclico sem perder sua qualidade, ou seja, são suscetíveis de pleno reaproveitamento, seja como nutrientes biológicos em ciclos biológicos, ou materiais técnicos, postos em recirculação através de ciclos técnicos.

O Japão e a China foram os primeiros a introduzir formalmente políticas de economia circular em nível nacional. Na Comunidade Européia, vários países têm implementado iniciativas, políticas e diretrizes, dentre os quais podem ser citados: Dinamarca, Alemanha, Holanda e Reino Unido (REIKE, VERMEULEN e WITJESB, 2017).

Segundo Zhang et al. (2012) a economia circular se ocupa do ciclo produtivo, partindo do design do produto, seleção de fornecedores e matéria-prima, produção, distribuição, consumo e ao final, sua coleta para a reciclagem, remanufatura ou reuso, a fim de reduzir ao máximo, e não eliminar, no final do processo a geração de resíduos. Afinal, “eliminar” é algo quase impossível, tendo em vista a realidade em que vivemos. Essa abordagem se mostra voltada para a eficiência dos materiais, com o fornecimento de resíduos no mesmo nível de valor econômico, reduzindo o desperdício, os impactos ambientais e permitindo a fácil implementação nas estruturas de produção existentes (GREYSON, 2007).

Nesse sentido, percebe-se a integração do conceito de logística reversa ao conceito de economia circular e como parte do conceito de ciclo de vida ‘berço ao berço’, visto que para que este resíduo retorne como matéria-prima para o mesmo ou para outro ciclo produtivo, ele precisa ser coletado, transportado, triado, e então, remanufaturado, recondicionado ou ainda, reciclado, a fim de que tenha sua vida útil estendida e, sua disposição em aterros sanitários ou, simplesmente sua incineração sejam evitadas (BRAUNGART, MCDONOUGH e BOLLINGER, 2007; KALOGERAKIS et al., 2015). 
A figura abaixo demonstra esses passos, sob o ponto de vista da economia circular. 
Fonte: Bradley, Jawahir, Badurdeen e Rouch (2018) 

Com essa figura fica clara a diferença. A logística reversa atua na operacionalização do retorno dos bens de pós-uso ou pós-consumo (utilizando atividades logísticas como: transporte, gestão de estoques, armazenagem, manuseio (triagem), etc) para reinserí-los no ciclo produtivo ou de negócios (pelo reuso, remanufatura, recondicionamento, reciclagem, revenda ao mercado secundário, etc). Ela se preocupa com o resíduo após o final dos processos logísticos diretos, ou seja, após o consumo ou uso pelo consumidor. Somente a partir daí a logística reversa inicia a sua tarefa.

Já a economia circular prevê a "redução" na fonte, ou seja desde a extração dos recursos, design do produto, alinhada com o conceito de “cradle to cradle” que prevê um ciclo infinito para o produto, pois conforme entendimento do Ministério do Meio Ambiente (2018) é possível afirmar que as preocupações com a coleta, o tratamento e a destinação dos resíduos sólidos, que são funções da logística reversa, representam apenas uma parte do problema ambiental.

Nesse sentido, conforme o MMA (2018) a geração de resíduos é precedida por uma outra ação impactante sobre o meio ambiente - a extração de recursos naturais. E assim, a política dos cinco R's deve priorizar a redução do consumo e o reaproveitamento dos materiais em relação à sua própria reciclagem, abrangendo: 
- Reduzir 
- Repensar 
- Reaproveitar 
- Reciclar 
- Recusar consumir produtos que gerem impactos socioambientais significativo 

É importante ressaltar que os cinco R's fazem parte de um processo educativo que tem por objetivo uma mudança de hábitos no cotidiano dos cidadãos. A questão-chave é levar o cidadão a repensar seus valores e práticas, reduzindo o consumo exagerado e o desperdício (MMA, 2018).

A logística reversa não se atém à essa redução, apesar de causar impactos diretos na preservação ambiental, dentro outros efeitos, os resíduos precisam ter sido gerados para a logística reversa atuar. Outro detalhe é que na economia circular você já deve planejar quem vai reutilizar o seu resíduo, na logística reversa isso não está definido a princípio, mesmo quando ocorre um planejamento isso é mais aberto.

Ou seja, a economia circular é um conceito holístico que pensa no resíduo antes de ele ter sido gerado, na extração, redução na fonte, abrangendo essa ideia no design do produto. A logística reversa visa operacionalizar apenas o retorno do resíduo ao ciclo produtivo e de negócios. 
Algo muito abordado também na economia circular é o conceito de ecoparque industrial, onde na mesma planta (localização industrial), você já destina o resíduo para outra indústria, reduzindo custos e emissões derivadas do transporte. 
Enfim... acho que com esse artigo é possível que entendamos a diferença entre os dois conceitos não é? 
Vamos compartilhar essa ideia! 😉 


Referências: 


BARBIERI, J. C.; CAJAZEIRA, J. E. R.; BRANCHINI, O.. Cadeia de suprimento e avaliação do ciclo de vida do produto: revisão teórica e exemplo de aplicação. Revista o Papel, v. 70, n. 09, 2009. 

BRADLEY, Ryan et al. A total life cycle cost model (TLCCM) for the circular economy and its application to post-recovery resource allocation. Resources, Conservation and Recycling, v. 135, p. 141-149, 2018. 

BRAUNGART, M., MCDONOUGH, W., BOLLINGER, A. Cradle-to-cradle design: creating healthy emissions – a strategy for eco-effective product and system design. Journal of Cleaner Production 15 (13–14). pp. 1337-1348. 2007. 

GREYSON, J. An economic instrument for zero waste, economic growth and sustainability. Journal of Cleaner Production, v. 15, n. 13–14, p. 1382–1390, 2007. 

GUARNIERI, P.; CERQUEIRA STREIT, J. A.; BATISTA, L. C. O acordo setorial de logística reversa de embalagens em geral no brasil sob a perspectiva da economia circular. In: Anais do XXI Simpósio de Administração da Produção. Logística e Operações Internacionais - SIMPOI 2018. São Paulo – SP, 31-08 e 01-09, 2018. 

KALOGERAKIS, K, DRABE, V, PARAMASIVAM, M, HERSTATT, C. Closed-Loop Supply Chains for Cradle to Cradle Products. (C. Kersten, W, Blecker, T, Ringle, Ed.). Sustainability in Logistics and Supply Chain Management. Hamburg: epubli, 2015. 

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE – MMA. A política dos 5 R's. Disponível em: http://www.mma.gov.br/informma/item/9410-a-pol%C3%ADtica-dos-5-r-s Acesso em 02-06-2018. 

REIKE, D.; VERMEULEN, W. JV; WITJES, S. The circular economy: New or Refurbished as CE 3.0?—Exploring Controversies in the Conceptualization of the Circular Economy through a Focus on History and Resource Value Retention Options. Resources, Conservation and Recycling, 2017. 

ZHANG, K. SCHNOOR, J.L.; ZENG, E.Y. E-waste recycling: where does it go from here? Environmental Science & Technololy, v. 46, n. 20, p. 10861-10867, 2012.

Obs: se utilizar parte ou a íntegra desse texto, não esqueça de citar a fonte, para não incorrer em crime de plágio!