"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



Crédito da imagem: jscreationzs / FreeDigitalPhotos.net
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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Grandes empresas concordam: transformar resíduos em novos produtos é um ótimo negócio

Fábrica da P&G em Louveira (SP):  

quase 50 unidades da empresa no mundo já se livraram dos aterros

A americana P&G, uma das maiores empresas globais de bens de consumo, anunciou recentemente com alarde que 48 fábricas, de um total de 158 que tem por todo o mundo, realizaram a façanha de não enviar mais para aterros sanitários sequer 1 grama de lixo.
Entre elas a fábrica da companhia em Manaus, que desde 2012 converte o lodo de sua estação de tratamento de efluentes em combustível para fornos de cimenteiras e reutiliza rebarbas das hastes das lâminas da Gillette, antes descartadas, na produção de novos aparelhos de barbear.
O anúncio da P&G é fruto de um movimento que começou lá fora há menos de uma década e vem ganhando força no Brasil: a onda zero waste, por aqui chamada de “aterro zero” ou “resíduo zero”.
A primeira fábrica da P&G a abandonar os aterros foi a de Budapeste, na Hungria, em 2007. Outras companhias, como a empresa química DuPont e a montadora GM, entraram na onda logo depois. Todas elas motivadas por uma razão pragmática: nos países ricos, o custo da disposição dos resíduos em aterros está cada vez mais alto.
Na Europa, desde 2004 a legislação ambiental impõe uma série de impostos sobre a prática. Lá, o preço médio que uma empresa paga hoje para aterrar 1 tonelada de lixo é 140 euros. Aqui, mandar o lixo para os aterros é bem mais barato: o valor oscila de 60 a 120 reais por tonelada devido à concorrência desleal com formas inadequadas de disposição, como lixões clandestinos.
Há, porém, uma tendência inexorável de que esse custo suba e, por isso, as empresas estão se mexendo. Além disso, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada em 2010, prevê que as companhias façam uma gestão mais criteriosa de seus resíduos. Outro fator é que a maioria não quer ter suas fábricas associadas a imagens de poluição e sujeira.
Na corrida rumo ao “aterro zero”, as empresas no Brasil estão em estágios diferentes de evolução. A fábrica da P&G em Manaus é a única da companhia no país que já se livrou dos aterros, mas suas outras quatro unidades localizadas aqui devem se juntar ao grupo em breve — todas têm um índice de aproveitamento de resíduos igual ou superior a 80%.
O desempenho da Ambev, que tem 36 fábricas, é ainda mais surpreendente. Sua unidade de Manaus já rea­proveita 100% dos resíduos, e todas as demais estão prestes a chegar lá. O que move a companhia de bebidas não é só o desejo de não mandar nada para aterros. Os gerentes das fábricas perseguem metas agressivas de geração de receita a partir de tudo o que sobra da produção de cervejas e refrigerantes.
Rico em proteínas, o bagaço de malte, um subproduto do mosto — mistura de água, malte e lúpulo que forma a base da cerveja —, é vendido a fabricantes de ração animal. Com essa e outras práticas de reaproveitamento, 96 milhões de reais foram adicionados ao caixa da empresa em 2012. “Somos pressionados para que essa receita cresça a cada ano”, diz Beatriz Oliveira, gerente de meio ambiente da Ambev. 
Na montadora Fiat, não há pressão da direção para que os resíduos se convertam em dinheiro, mas uma diretriz para que sejam feitos esforços a fim de não enviá-los a aterros. A fábrica de veículos na cidade mineira de Betim é “aterro zero” desde 2011, e a que produz motores, em Campo Largo, no Paraná, reaproveita 99,5% dos resíduos.
Para isso, a empresa montou nas duas unidades o que batizou de “ilha ecológica”: um galpão no qual dezenas de materiais são separados e então encaminhados a empresas recicladoras. Há até mesmo uma máquina que reduz em 50 vezes o volume do isopor para que ele seja vendido a fabricantes de solas de sapatos.
Já na segunda fábrica de veí­culos da Fiat, que será inaugurada no final de 2014, na cidade de Goiana, em Pernambuco, os engenheiros terão de lidar com a falta de recicladores confiá­veis. O Nordeste, junto com o Norte, é a região com a menor oferta de empresas de reaproveitamento de resíduos do país.
“Há muita gente que cobra para receber o material das empresas, mas deposita-o em terrenos baldios”, diz Carlos Silva Filho, diretor da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais. 
Para empresas de mineração e siderurgia, o entrave é outro: a falta de tecnologias para o reúso de resíduos complexos. Desde 2011, a Votorantim Metais produz com as sobras da exploração da jazida de zinco de sua unidade de Paracatu, em Minas Gerais, o pó calcário agrícola, usado para corrigir a acidez do solo. Mas ele é apenas um dos resíduos gerados pela empresa.
Para os outros dez que ela produz — cerca de 6 milhões de toneladas por ano —, a solução ainda não existe ou é economicamente inviável. A lama terciária, resíduo da unidade de zinco localizada na cidade mineira de Três Marias, poderia ser usada na produção de cimento, mas para isso a empresa precisaria construir uma fábrica de 200 milhões de reais.
“Estamos pesquisando maneiras de reduzir esse valor”, diz Ricardo Barbosa Santos, gerente de sustentabilidade da Votorantim Metais. A empresa anunciou a meta de se livrar dos aterros até 2020. Para isso, nos últimos cinco anos foram investidos 25 milhões de reais em pesquisas.
É um gasto que compensa: a venda de sobras já rende quase o triplo, 70 milhões de reais por ano. “Ninguém mais duvida de que transformar os resíduos em novos produtos é uma oportunidade de negócio”, afirma Santos. Ou seja, é uma espécie de toque de Midas no lixo.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Empresas dobram as operações de logística reversa em 1 ano e já obtém resultados

As empresas que investiram em logística reversa antes do fechamento dos acordos setoriais já colhem os frutos das aplicações.
O Grupo TPC Logística, por exemplo, teve um crescimento de 100% na demanda por esse tipo de serviço entre 2011 e 2012. "Por ser um serviço relativamente novo, a logística reversa ainda não representa fatia representativa no nosso crescimento total, que foi de 48% no ano passado, mas estamos muito atentos ao crescimento da demanda por essas soluções, já que dobrou de tamanho em um ano", afirmou o vice-presidente do Grupo TPC, Luís Eduardo Chamadoiro.
Até agora, o foco do Grupo TPC tem sido a logística reversa pós-consumo, para empresas de e-commerce e telecomunicações, as que mais registram prejuízos em caso de devolução de produtos ou desistência do consumidor. Chamadoiro explicou que principal objetivo desse serviço é impedir que os produtos percam o valor, evitando prejuízos. "Um produto devolvido, por exemplo, ficava aberto, num canto do Centro de Distribuição (CD), até que fosse avaliado. Quando isso acontecia, a mercadoria já não tinha o mesmo valor. ", disse. 
"A logística reversa dá tratamento imediato a esse produto para que não perca valor de venda", detalhou.
Clientes
Um dos principais clientes do Grupo TPC, uma grande operadora de telefonia celular, cujo nome não foi informado devido a um contrato de confidencialidade, reduziu os prejuízos em até 80% depois de implantar a política de logística reversa. "O material retorna fora de garantia, com a embalagem danificada ou com um pequeno defeito, por exemplo. Assim que essa mercadoria é devolvida, é rapidamente repassada ao fabricante. É muito importante que isso aconteça com rapidez para que o produto não perca o valor", explicou ao DCI o gerente do segmento de Telecom do Grupo TPC, Ciro Costa. "A partir daí, o fabricante faz uma triagem e verifica prazo de validade, uso, defeitos. Então, pode até recusar a devolução. Até 2010, 7 entre 10 aparelhos eram rejeitados. A TPC acelerou o processo fazendo a triagem antes do fabricante, evitando a rejeição", disse.
Reciclagem
Outro foco da logística reversa é a reciclagem. A JadLog, por exemplo, já vê nesse segmento uma oportunidade de negócio maior do que a de qualquer cliente individual da empresa, que entrega em todo o Brasil e possui rede de 500 lojas franqueadas. Hoje, a logística reversa representa 12% do negócio da empresa, que movimentou, ao todo, R$ 293 milhões em 2012, e já prevê R$ 325 milhões para este ano. "Atendemos principalmente empresas de eletroeletrônicos, como Sony, Lexmark e Positivo. Trazemos o produto estragado para consertar e levamos consertado. Ou trazemos o cartucho de impressora vazio e devolvemos cheio, atendendo à legislação ambiental", explicou o diretor comercial da empresa, Ronan Hudson.
A empresa solucionou, inclusive, o problema logístico relacionado aos postos de reciclagem. Como a maior parte desses pontos está localizada nas Regiões Sul e Sudeste, o custo da logística reversa no Nordeste, por exemplo, ficava muito mais caro. "Resolvemos isso planejando as viagens. Como mais de 60% da carga sai do Sul e Sudeste para outras regiões e temos uma ociosidade no retorno desses veículos, aproveitamos para trazer resíduos para reciclagem", concluiu Hudson.
Em outros casos, é preciso buscar alternativas, como a da Wise Waste, empresa recém-criada, que cresceu 300% no último ano. A entrante investiu em novas cooperativas de reciclagem no Nordeste para viabilizar a reciclagem de alguns materiais. "Praticamente 70% dos resíduos plásticos e de papel são produzidos no Nordeste", explicou Chicko Sousa, sócio da empresa, que desenvolve produtos a partir de resíduos. "A logística inviabilizava a reciclagem. O quilo do papel é vendido a R$ 0,20 e o transporte do Nordeste ao Sul custa R$ 0,30", concluiu.
"Por isso temos a aplicação da economia circular. Nós utilizamos estruturas já existentes, que estão subutilizadas, fazemos um link da cooperativa a um reciclador local e desse reciclador a um revendedor local. Eliminamos a capacidade ociosa de estruturas já existentes e viabilizamos a venda", arrematou Sousa.
Hoje, a Wise Waste proporciona economia de até 15% à principal cliente, a gigante P&G, com a compra de novos displays, fabricados com resíduos de pós-consumo da própria empresa.
"Nós desenvolvemos os produtos com resíduos de pós consumo da empresa e vendemos de volta para a própria P&G com um preço abaixo do de um produto comum. Isso é possível porque a resina que reciclamos, por exemplo, é 40% mais barata que a resina virgem", contou Sousa.

Por: Luiza Silvestrini

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