"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



Crédito da imagem: jscreationzs / FreeDigitalPhotos.net
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sábado, 22 de agosto de 2020

Principais barreiras na implementação da logística reversa de eletroeletrônicos no Brasil: Pesquisadoras da Universidade de Brasília abordam o tema

Por Bárbara Vieira 


Acabei de concluir meu Mestrado em Administração pela Universidade de Brasília. Em razão de ser imprescindível o trabalho em conjunto de diversos membros da cadeia produtiva, estudei quais eram os principais desafios (barreiras) encontrados na implementação da logística reversa de eletroeletrônicos (celular, computador, secador, televisão) sob três pontos de vista: do governo, das micro e pequenas empresas (MPEs) e dos consumidores.

Além disso, não podemos descartar no lixo comum nossos aparelhos eletrônicos depois que compramos um novo ou quando não os utilizamos mais. No Brasil, com o advento da Política Nacional de Resíduos Sólidos, somos TODOS responsáveis pelos resíduos que utilizamos e/ou consumimos e, portanto, temos que descarta-los corretamente (doar, devolver para o fabricante, entregar em um ponto de coleta de entrega voluntária, etc.), pois esses equipamentos contêm substâncias que podem fazer mal para a saúde das pessoas e para o meio ambiente.

Com a minha orientadora, Dra. Patricia Guarnieri, e os pesquisadores colaboradores, Dra. Solange Alfinito e Dr. Lucio Câmara, aprimoramos a dissertação e escrevemos um artigo, cujo objetivo foi identificar as principais barreiras encontradas na implementação da logística reversa de eletroeletrônicos no Brasil e priorizá-las com a utilização do método de apoio à decisão multicritério (AMD), de acordo com as percepções de MPEs, dos consumidores de eletroeletrônicos usados (de segunda mão) e do governo.

Primeiramente, fizemos uma revisão sistemática da literatura para identificar as barreiras citadas nos artigos nacionais e estrangeiros que estudaram a logística reversa (LR) de eletroeletrônicos. Com essa revisão, preparamos um questionário para que cada grupo pesquisado (i.e., governo, micro e pequenas empresas e consumidores) avaliasse quanto cada barreira influenciava na LR – variando de 1 até 5; quanto mais próximo do 5, maior a influência. 

Como resultado encontramos que as barreiras categorizadas como financeiras não são as principais do ponto de vista do governo e dos consumidores. Todavia, o resultado para as MPEs demonstrou que as barreiras financeiras são importantes – o custo é um desafio –, e influenciam as barreiras de gestão e de infraestrutura. Ao analisar as barreiras relacionadas aos fatores externos, os três grupos indicaram que barreiras culturais, tais como educação ambiental, influenciam fortemente a implementação da LR.

A pesquisa sugere algumas soluções para superar as barreiras e, assim, possibilitar a implementação da LR. Além disso, traz um diagnóstico para os formuladores de políticas públicas de resíduos eletroeletrônicos, demonstrando quais são as dificuldades para implementar a LR no contexto de MPEs de eletrônicos.

Acesse o artigo completo CLIQUE AQUI 

#Repost to blog Conscient  CLIQUE AQUI e conheça as pesquisas do grupo Conscient

Conheca o Grupo de Estudos e Pesquisas Avançadas em Logística e Supply Chain Management, do qual as pesquisadoras fazem parte: CLIQUE AQUI

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Pesquisa Akatu revela que consumidores estão mais bem informados sobre sustentabilidade e têm mais interesse pela RSE


O Instituto Akatu lançou nesta quinta-feira (25/04) a Pesquisa Akatu 2012: Rumo à Sociedade do Bem-Estar. Trata-se da oitava edição da série de publicações sobre Responsabilidade Social Empresarial – Percepção pelo consumidor brasileiro, realizada desde 2000. O levantamento retrata um consumidor brasileiro que, mesmo em um clima econômico de mais consumo, mantém inalterados seus comportamentos cotidianos de consumo consciente, tem mais interesse e maior conhecimento sobre sustentabilidade e sobre Responsabilidade Social Empresarial (RSE) e está mais crítico e exigente sobre as práticas das empresas nestas áreas. A pesquisa, que contou com patrocínio do Grupo Pão de Açúcar, Natura, Nestlé e Unilever, entrevistou 800 pessoas com mais de 16 anos, de todas as classes sociais e de 12 capitais e/ou regiões metropolitanas de todo o País.
Apesar de o levantamento indicar uma estabilidade do número de consumidores classificados como “Conscientes” – em torno de 5% da população – houve crescimento na adesão a práticas de consumo consciente, ainda que, nesse momento, apenas de maneira eventual e não contínua. De 11 comportamentos considerados indicativos de consumo consciente, quando se adiciona aos consumidores que aderem “sempre” a esses comportamentos aqueles que aderem “às vezes”, oito comportamentos apresentaram aumento em relação a 2010, entre eles: planejar a compra de alimentos e roupas, desligar lâmpadas, fechar torneiras, usar o verso do papel, e ler rótulos de produtos.
Esta tendência é reforçada por outro importante resultado da pesquisa: solicitados a priorizar seus desejos, os entrevistados optaram, em uma significativa maioria, por soluções mais sustentáveis. Em cinco dos oito temas propostos (afetividade, alimentos, água, mobilidade, durabilidade, energia, resíduos e saúde), eles deram preferência a alternativas mais ligadas ao “caminho da sustentabilidade” do que as relacionadas ao “do consumismo”. Um exemplo é o tema da afetividade, que possui a maior diferença entre os consumidores que preferem o cenário mais sustentável (passar tempo com amigos e família – com índice de prioridade de 8,3 em uma escala de 0 a 10) ao invés do consumista (comprar presentes – com índice de 2,6). Vale destacar que apreferência pelo “caminho da sustentabilidade” ocorre em todas as classes sociais, faixas etárias e em todos os segmentos socioeconômicos e geográficos.
Para os brasileiros, o conceito de felicidade está relacionado à preferência pelos caminhos mais sustentáveis. Quando questionados sobre o que consideram ser felicidade, dois terços dos entrevistados indicaram que estar saudável e/ou ter sua família saudável é um fator essencial. Para 60% do público que respondeu à pesquisa, conviver bem com a família e os amigos também os aproxima mais da felicidade. Apenas três em cada 10 brasileiros indicaram a tranquilidade financeira em suas respostas sobre “o que é felicidade para você?”. “O estudo mostra que grande parte da sociedade brasileira já compartilha, mesmo que de forma difusa e pouco consciente, a noção de que, uma vez satisfeitas as necessidades básicas, a busca da felicidade implica em tomar o caminho da sustentabilidade e não o do consumismo”, afirma Helio Mattar, Diretor-presidente do Instituto Akatu.

DECISÃO DE COMPRA

Ao valorizar mais o consumo consciente e as opções mais sustentáveis, o consumidor brasileiro também passou a ser mais exigente em relação à atuação das empresas. O levantamento do Akatu revela que o comportamento das empresas impacta diretamente na decisão de compra dos consumidores, que destacam cinco aspectos como motivadores de preferência ou admiração por determinadas empresas: “Não maltratar animais” (52%), “Ter boas relações com a comunidade” (46%), “Ter selos de proteção ambiental” (46%), “Ajudar na redução do consumo de energia” (44%) e “Ter selo de garantia de boas condições de trabalho” (43%). As duas práticas que mais negativamente impactam a disposição do consumidor para comprar produtos de uma empresa ou falar bem dela continuam as mesmas de 2010 e de anos anteriores: “Ter produtos que podem causar danos à integridade física dos seus consumidores” (72%) e “Fazer propaganda enganosa” (71%).
“Saber que o potencial de adesão ao consumo consciente e à sustentabilidade já se expressa nos desejos dos consumidores é um sinal de alerta para empresas e lideranças em geral, que deveriam avaliar mais profundamente suas estratégias de explorar mais ainda um modelo esgotado, insustentável e conflitante com as aspirações dos consumidores e com suas concepções de felicidade”, indica Mattar. “Sustentabilidade e responsabilidade social são e continuarão a ser pilares fundamentais para apoiar a transição civilizatória em que estamos todos envolvidos. Por isso mesmo, estes pilares devem ser incorporados às práticas reais das empresas”, complementa.
Por outro lado, a pesquisa indica que houve um aumento do ceticismo dos brasileiros com relação às empresas: o percentual de consumidores, já baixo em 2010, que acreditava incondicionalmente no que as empresas divulgam sobre suas práticas de Responsabilidade Social Empresarial caiu de 13% para 8%.
O aumento do ceticismo se relaciona possivelmente com o crescimento da compreensão sobre sustentabilidade e do interesse por informações. O contingente de brasileiros que “ouviram falar” do termo sustentabilidade aumentou de 44% para 60% em dois anos, bem como o interesse de buscar informações sobre o tema (de 14% para 24%). Quando comparado a diversos outros, os dois únicos temas que tiveram expressivo crescimento no nível de interesse do consumidor foram justamente o da Responsabilidade Social Empresarial e o da Sustentabilidade: em 2010, ambos estavam em um patamar inferior a todos os demais e, em 2012, 24% apontaram seu interesse no tema Sustentabilidade e 25% em Responsabilidade Social Empresarial, praticamente ao mesmo nível de temas tradicionais, como Empresas/Negócios (26%) e Política (30%).
Refletindo sobre o papel das empresas, Mattar apontou que “certamente há papéis fundamentais a serem desempenhados por todos os atores sociais. Mas, também é certo que as empresas têm um papel fundamental no processo, fomentando e dando concretude ao trajeto rumo a uma sociedade mais sustentável, de forma a incluir os bilhões de seres humanos ainda privados das condições básicas para a promoção de seu bem-estar e segurança material, respeitados os limites do planeta”.

PARA DOWNLOAD:

Relatório completo da Pesquisa Akatu 2012: http://bit.ly/Pesquisa2012

Sumário de conclusões da Pesquisa Akatu 2012: http://bit.ly/SUM2012

Fonte: AKATU

Diferentes setores da economia e rotina dos cidadãos serão impactados pela PNRS

A articulação entre governo e iniciativa privada, as implicações econômicas e a conscientização da população aparecem como os principais pontos a serem trabalhados para viabilizar o novo modelo de gestão de lixo produzido no país. A constatação ocorreu no debate "Os desafios da gestão dos resíduos sólidos urbanos", realizado nesta quarta-feira (24), em Brasília, durante o 2º Encontro dos Municípios com o Desenvolvimento Sustentável. 
Para o sucesso da política, o gerente de Projetos da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SRHU) do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ronaldo Hipólito, afirmou que todos os segmentos da sociedade precisam fazer sua parte. "Um dos maiores desafios é que a implantação das ações do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) gera impacto em vários setores da economia e também no dia a dia do cidadão", ponderou.
A meta ambiciosa de acabar com os lixões do país até 2014 surge como outro desafio e depende dos esforços das diversas esferas do poder público. De acordo com Ronaldo, essa e outras ações desencadeadas pelo Plano Nacional somente será possível se houver uma "articulação intragovernamental".
O gerente ressaltou ainda a importância da responsabilidade pós-consumo, que envolve desde a indústria até os consumidores, e da implantação da logística reversa, instrumento pelo qual as empresas passam a ser responsáveis pela coleta dos produtos que fabricam.
DIVISÃO
Atualmente, cerca de 50% dos 5.565 municípios brasileiros ainda encaminham os resíduos para lixões. A coordenadora de projetos do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam), Karin Segala, destacou o dado e afirmou que a questão decorre, entre outros, da estrutura governamental das cidades. "Em muitos municípios não há uma estrutura específica e esse assunto fica dividido entre as secretarias de Meio Ambiente e de Obras", justificou.
O secretário de Meio Ambiente da província italiana de Turim, Roberto Ronco, defendeu a conscientização como uma forma de tornar a gestão de resíduos sólidos mais eficaz. "É preciso investir na cultura e na educação ambiental", afirmou. "Também é necessário capacitar e investir em recursos humanos que fiquem dentro do governo para aplicar esses novos modelos que estão sendo propostos."

Confira fotos do debate no flickr

Imagens:  Martim Garcia/MMA
Texto:  Lucas Tolentino

Fonte: Informma


sábado, 12 de janeiro de 2013

MMA lança um portal para o controle dos acordos setoriais estabelecidos na PNRS

Segundo a legislação, todos os lixões deverão ser
fechados até agosto de 2014.
 Acima, o Aterro de Gramacho, extinto em junho de 2012.
Foto: Eduardo Pegurier
Há menos de um ano e meio para a entrada em vigor da lei que institui o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, o Ministério do Meio Ambiente lança um portal especifico para o controle do cumprimento de metas do plano nacional e dos acordos setoriais, que entrarão em vigor em agosto de 2014.
Os leitores e usuários da ferramenta podem fazer contribuições através da seção "Fale Conosco" do próprio site (http://srhursu.mma.gov.br/) . O portal é um instrumento previsto pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em agosto de 2010, após tramitar durante 19 anos pelo Congresso Nacional.
Uma das principais mudanças na nova legislação é o estabelecimento da responsabilidade compartilhada entre cada integrante da cadeia produtiva, composto por empresas, governo e consumidores. 
Em agosto do ano passado expirou o prazo para que os municípios entregassem os planos locais de gestão dos resíduos sólidos: menos de 10% dos municípios conseguiram apresentar o documento na data estabelecida. Sem ele, os municípios não podem pedir recursos da União para cuidar dos lixões e limpeza urbana. 
“O sistema será implantado com mais profundidade ao longo dos anos 2013 e 2014. O MMA irá discutir com os setores envolvidos na PNRS, as informações que serão absorvidas pelo SINIR, assim como fará o tratamento dessas informações com o propósito de programar uma adequada arquitetura da Informação, necessária à gestão estratégica do Sinir para o recebimento de críticas e sugestões que serão utilizadas pelos governos, setor privado e a sociedade civil. Essas informações serão migradas de outros sistemas existentes”, informou o diretor do Departamento de Ambiente Urbano (DAU), Silvano Silvério da Costa. Ele destacou ainda que a meta é utilizar essas informações para a gestão dos resíduos sólidos em todos os municípios, além de viabilizar a adoção de programas e ações de grupos interessados. Eventuais contribuições podem ser enviadas ao Sinir. Basta acessar o “Fale Conosco” no próprio Sistema. (Fonte: Aida Carla de Araújo/ MMA)
Ibama lança lista sobre Resíduos Sólidos
Ao mesmo tempo que o Ministério do Meio Ambiente lança o portal, outra medida importante para a gestão dos resíduos é lançada: o Ibama publicou, em dezembro, a Lista Brasileira de Resíduos Sólidos (Instrução Normativa Ibama nº 13, de dia 18 de dezembro de 2012) com a padronização de terminologia e linguagem.
Com a lista, será possível identificar a procedência, a tipologia e a destinação final do resíduo, gerando controle e, principalmente, estatística sobre o estado dos resíduos no País, o que só é possível com a padronização da linguagem.
Outra novidade será a identificação, através do código do resíduo, do processo que lhe deu origem e saber se é um produto que contém elementos contaminantes.
Inspirada na Lista Europeia de Resíduos Sólidos (Commission Decision 2000/532/EC), a Lista Brasileira também servirá para a implementação do Cadastro Nacional de Operadores de Resíduos Perigosos, que segundo o Ibama, já estará disponível ao usuários do Cadastro Técnico Federal neste ano.

Fonte: O Eco  e MMA

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Prefeituras correm contra o tempo para cumprir a Lei de Resíduos Sólidos

FreeDigitalPhotos.net
Os prefeitos que assumirem seus mandatos em 2013 terão grandes desafios para cumprir a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10), que, entre outras coisas, torna obrigatório o fim dos lixões até 2014. Além disso, a partir de agora, para receber recursos do governo federal para as ações de saneamento, os municípios precisam apresentar um plano de gestão de resíduos. Entretanto, apenas 10% deles terminaram ou estão finalizando seus planos.
Para que os municípios cumpram os prazos da lei, o deputado Alberto Mourão (PSDB-SP) defende que o governo federal e os estados homologuem os equipamentos e as tecnologias autorizadas na área de tratamento de resíduos. Ele argumenta que alguns municípios apresentam planos que depois são barrados nos órgãos ambientais estaduais e federais.
Mourão acrescenta que um outro ponto que precisa de envolvimento municipal: o retorno dos resíduos para as indústrias. “Sem os municípios, não vai se conseguir implantar a política da logística reversa, pois a indústria vai ter dificuldade de buscar esse material”, observou.
Convênios - O gerente de projetos do Ministério do Meio Ambiente, Ronaldo Hipólito, reforça a importância do plano de gestão. “Quando as prefeituras entrarem no sistema de convênios, solicitarem um recurso para comprar um caminhão, para montar um aterro sanitário, para fazer uma intervenção na área de resíduos sólidos, terão que apresentar o plano junto com o pleito”, disse.
O presidente da ANAMMA, Mauro Buarque, avalia que os municípios precisam de mais tempo para finalizar seus planos de gestão. Mesmo aqueles que já começaram e estão trabalhando em conjunto com cidades vizinhas precisam correr para cumprir a meta de acabar com os lixões.
“Eventualmente, haverá consórcios para desenvolver infraestrutura para atender a mais de um município, e isso tudo leva muito tempo, porque depende de autorização legislativa, tem que tramitar em todas as câmaras dos municípios envolvidos”, disse Buarque.


Clique no link abaixo e escute também o depoimento do presidente da ANAMMA, Mauro Buarque, para a Rádio Câmara:


Fonte: Anamma

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Confira como o lixo está sendo reutilizado na decoração de ambientes - Portal EcoHospedagem visita pousadas e hotéis e compartilha conosco idéias muito interessantes!

Jogar as coisas no lixo está por fora!
Veja exemplos de alguns hotéis que reutilizam resíduos que antes iam para o lixo na decoração de ambientes, artesanato, dentre outros usos. São idéias simples que podem ser aplicadas em qualquer lugar.
Durante  visitas a hotéis, pousadas e resorts que desenvolvem ações de sustentabilidade a equipe do Portal Ecohospedagem conheceu muitas ações de reuso de materiais que podem ser aplicadas por qualquer empreendimento ou mesmo em nossas casas. 
Reuso de garrafas pet e garrafas de vidro
Garrafas são, talvez, um dos resíduos mais produzidos em nossas casas e hotéis, por isso, qualquer ideia para reutilizá-las é sempre bem vinda.
A esquerda o artesanato feito com garrafas de vidro realizado pela proprietária da Estalagem Taj Mauá, localizada em Visconde de Mauá, divisa do Rio de Janeiro e Minas Gerais. 
A direita a utilização de garrafas de vidro na construção das paredes de um dos quartos da Pousada El Nagual, localizada em Magé, no Rio de Janeiro. Além de evitar que essas garrafas se amontoem nos lixões, o uso delas permite a entrada de luz natural nos ambientes, diminuindo assim o consumo de energia elétrica. Sem falar na beleza estética!

reuso-de-garrafas-em-hoteis

Outros exemplos de reutilização de garrafas.

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Reuso de latas
Seguem três ações adotadas em hotéis visitados pela equipe do Portal EcoHospedagem que encontraram meios de reutilizar latas de tinta e de outros produtos.
Os dois hotéis em questão estão situados na região de Visconde de Mauá, Rio de Janeiro. Um deles, o Hotel Bühler, reutilizou latas de tinta como lixeiras para coleta de resíduos. Já o Hotel Taj Mauá, além de adotar a ideia das latas de tinta do Bühler, também reutiliza latas de leite condensado como cinzeiro.


latas-de-lixo-e-cinzeiros-reciclados

Duas formas de reuso bem legal para latas, mais especificamente aquelas latas de atum ou sardinha são mostrados nas imagens a seguir.

reuso-de-latas-de-atum-ecohospedagem

 Reuso de folhas de jornal

Outro produto que gera muitos resíduos, e com o qual não há muito o que fazer, são os jornais, e uma boa forma de reutilzá-los é transformando-os em sacos de lixo. Através do Origami, podemos evitar o uso de muitas sacolinhas plásticas.

sacos-de-lixo-de-jornal

 Outras embalagens de produtos

Seguem mais algumas opções para reuso de resíduos sólidos.
Um bom exemplo é a utilização de embalagens de Tetrapak como isolantes térmicos. As embalagens, olacadas embaixo das telhas são uma forma de controlar a temperatura interna dos ambientes, evitando que fiquem muito quentes nos dias de sol e muito frias nos dias de inverno. Ótima idéia não?
O Hotel Rancho das Framboesas, localizado em Visconde de Mauá, no Rio de Janeiro, já possui o isolamento ecológico em três dos seus sete chalés. Veja mais sobre o Rancho das Framboesas clicando aqui.

isolante-termico-de-tetrapack


Ainda há formas de reuso para miolos de papel higiênico e para garrafões de plástico mais resistente.

reciclagem-de-rolo-de-papel-higienico-e-garrafao


Reuso de outros tipos de materiais


Para finalizar seguem algumas ideias para a reutilização de outros tipos de materiais, equipamentos e produtos.
No Hotel Fazenda da Barra, a antiga antena parabólica já sem utilidade, transformou-se em um guarda-sol e no El Nagual, a antiga caixa de monitor de computador, transformou-se em um ótimo recipiente para realizar a compostagem de matéria orgânica.

guarda-sol-feito-de-antena-parabolica-e-compostagem-em-monitor-de-computador

E ainda existem ideias para reutilizar pneus velhos, bolinhas de tênis, caixas, tambores plásticos, caixas de madeira e monitor de computador.

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O Portal EcoHospedagem tem um Post muito legal falando sobre a compostagem de matéria orgânica, que nada mais é do que transformar sobras de alimentos em adubo! Veja mais aqui.

Contribuíram com esta publicação

Por: Thiago Cagna. Consultor EcoHospedagem

Revisão e edição de texto – Nathalia Pereira, Jornalista – www.nathaliapereira.com

Fonte: Portal EcoHospedagem

domingo, 30 de setembro de 2012

Pesquisa CICLOSOFT do CEMPRE completa 18 anos, informando sobre a coleta seletiva no Brasil


Realizada pela primeira vez em 1994, a Ciclosoft tem abrangência nacional e reúne informações sobre os programas de coleta seletiva desenvolvidos pelas prefeituras, coletando dados sobre composição do lixo, custos de operação, participação de cooperativas e parcela da população atendida, entre outros. O levantamento das informações é feito por meio de questionários enviados às prefeituras e visitas técnicas. A participação é aberta e voluntária. O objetivo não é comparar, mas demonstrar quais os municípios que contam com programas estruturados de coleta seletiva.

Análises mais detalhadas

A pesquisa apresenta dados detalhados de 18 municípios quanto à composição gravimétrica, quantidade de resíduos coletados, parcela da população atendida e custo da coleta seletiva: Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Campinas (SP), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), Itabira (MG), Londrina (PR), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Santo André (SP), Santos (SP), São José dos Campos (SP) e São Paulo (SP). Destes, seis oferecem coleta seletiva a 100% de sua população: Curitiba, Goiânia, Londrina, Porto Alegre, Santo André e São José dos Campos.
Os municípios que desejarem participar da Ciclosoft 2014 devem enviar solicitação para o email: pesquisa@cempre.org.br.

Você pode acessar a pesquisa completa no site do CEMPRE

Fonte: CEMPRE

“Pimp my Carroça” parte em breve para outras cidades brasileiras e talvez do exterior

Depois dos resultados obtidos em São Paulo e no Rio de Janeiro, o grafiteiro Mundano vem analisando diversas propostas para levar o “Pimp my Carroça” para outras cidades brasileiras – e até do exterior! A maior probabilidade é que a próxima escala seja feita em uma das capitais nordestinas, entre agosto e setembro.
Tudo começou em São Paulo, no dia 3 de junho, quando o Vale do Anhangabaú acolheu os grafiteiros que reformaram cerca de 40 carroças de catadores de materiais recicláveis, com recursos conseguidos através da participação de mais de 800 doadores pelo site Catarse que promove o crowdfunding (modelo de financiamento colaborativo) para apoiar projetos individuais. Além do grafite, o atendimento envolveu serviços de funilaria e reforços na segurança com troca de pneus e rodas, instalação de faixas refletoras e espelhos retrovisores.
Os catadores receberam camisetas, luvas especiais e capas de chuva do “Pimp my Carroça”, massagem, corte de cabelo, atendimento psicológico, odontológico e oftalmológico (os óculos doados foram entregues no dia 2 de agosto). “As pessoas passavam pelo Anhangabaú e paravam para acompanhar as atividades, ver os artistas produzindo... Pela primeira vez, muita gente teve, de fato, contato com os catadores de materiais recicláveis e entendeu seu trabalho. De certa forma, conseguimos dar um primeiro passo em direção ao nosso objetivo que é usar uma arte marginalizada, o grafite, para chamar a atenção para uma atividade marginalizada, a do catador, num esforço de levar a população a reconhecer seu papel como agente ambiental”, conta Mundano.
Rafael Bahia, catador desde 1986, garante ter se sentido valorizado com a iniciativa: “Em todos esses anos, meu trabalho nunca tinha sido visto dessa forma. Esse respeito é muito importante para nós.” O sucesso da experiência de São Paulo – amplamente coberta pela imprensa - e a realização da Rio+20 estimularam os organizadores a promover, vinte dias depois, uma versão carioca do “Pimp my Carroça” que reuniu aproximadamente vinte catadores, voluntários e grafiteiros. Resultado: mais mobilização e reconhecimento.
Além do suporte anônimo de voluntários e doadores, o “Pimp” conta com o apoio de figuras conhecidas como o cantor Gilberto Gil e Gustavo da Lua, percursionista da banda Nação Zumbi. “Estamos avaliando, agora, uma série de possibilidades, não apenas no sentido de levar o ‘Pimp’ para outras cidades, mas também de expandi-lo em novas direções. Uma delas seria o ‘Pimp my Cooperativa’, com a melhoria das instalações, grafite nos muros, doação de equipamentos como prensas e esteiras e uma força na formação dos catadores. Estamos analisando cada ideia dentro da premissa de manter o movimento independente, baseado no apoio de pessoas e empresas parceiras”, explica Mundano. Para acompanhar os próximos passos do ‘Pimp’, é só curtir sua fanpage no facebook: http://www.facebook.com/pimpmycarroca

Confira o documentário do Pimp my Carroça: http://vimeo.com/45878176

Fonte: CEMPRE

Projeto ReÓleo quer alcançar a marca de 10 mil litros de óleo de cozinha reciclados e assim catarinenses podem figurar no Guinness

Alcançar a marca de 10 mil litros de óleo de cozinha recebidos, de 1º de setembro a 1º de outubro, nos Postos de Entrega Voluntária instalados nas regionais da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (ACIF) e no Centro de Atendimento ao Turista. Com este objetivo, o Programa ReÓleo pretende entrar para o Guinness World Records, o livro mundial de recordes.
“Nossa meta é atrair a atenção da população e aumentar a conscientização para uma questão ambiental que depende do envolvimento de todos”, explica Renata Seara, coordenadora do ReÓleo. “Queremos atingir um novo patamar na coleta via PEV que gira hoje em torno de 5 a 6 mil litros mensais.” Os endereços dos PEVs estão no blog do programa, onde também pode ser sugerido o cadastramento de novos locais.
O ReÓleo foi criado em junho de 1998 pela ACIF para atender inicialmente a seus associados. Hoje, expandiu-se para cerca de 800 estabelecimentos, entre hotéis, pousadas, lanchonetes, restaurantes e empresas, além de condomínios. O óleo recolhido nesses estabelecimentos – cerca de 30 mil litros por mês - é armazenado em bombonas cedidas pelo programa.
O resíduo segue, então, para a Ambiental Santos, empresa de reciclagem de óleo e gordura vegetal do Paraná (com fábrica localizada próximo à Curitiba), onde é transformado em produtos de limpeza como sabão em pasta e detergente que são, posteriormente, doados aos estabelecimentos que coletaram o óleo.
“Firmamos termos de adesão e compromisso e tudo é controlado por meio de recibos, garantindo o correto funcionamento do programa que já reciclou, em seus 14 anos, mais de 1 milhão de litros de óleo de cozinha”, conta Renata Seara. “Agora, vamos dar um novo impulso também à coleta via PEVs, procurando ampliar a participação da população para que entremos no Guinness e, mais do que isso, para que consigamos dar a correta destinação a esse resíduo.”

Para saber mais: http://www.acif.org.br/reoleo/

Fonte do texto: CEMPRE
Crédito da imagem: BiodieselBR

Um bom exemplo de responsabilidade compartilhada: Prefeitura, iniciativa privada, organizações não governamentais, catadores e população unem-se em município capixaba


Um dos principais polos de desenvolvimento econômico do Espírito Santo, o município de Linhares (com 142 mil habitantes) está operando, desde julho, um sistema bem estruturado de coleta seletiva. Cada detalhe do modelo contou com o expertise de parceiros que se uniram para desenhar uma operação eficiente tanto do ponto de vista ambiental quanto social.
 Prefeitura, SABB Coca-Cola, Instituto Coca-Cola Brasil, Vital Engenharia Ambiental e a ong Doe seu Lixo, entre outros apoiadores, colocaram em prática a responsabilidade compartilhada (uma das principais diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos) na elaboração do CRIAR - Centro de Reciclagem, Inovação, Aprendizagem e Renovação. O sistema abrange diversas frentes, articulando a inclusão dos catadores e o fomento ao cooperativismo com a educação ambiental, a entrega voluntária de recicláveis e a coleta seletiva. 
Os catadores que aderiram ao CRIAR deixaram as ruas e já estão trabalhando na central de triagem que opera com tecnologia de ponta e tem capacidade para 160 toneladas de resíduos por mês (cerca de 4% do volume gerado no município). Eles foram treinados para exercer suas novas atividades, recebem vale-transporte, cesta básica e foram inscritos nos programas sociais da prefeitura, do estado e do governo federal. "Oferecemos apoio psicológico, alfabetização de jovens e adultos e reforço escolar para os filhos dos catadores. Ou seja, nosso modelo concebe esses profissionais como agentes ambientais, valorizando e humanizando seu trabalho. Quando estruturamos a central, não levamos em conta apenas a triagem dos materiais, pensamos em um espaço que unisse boas práticas socioambientais como um todo", conta Lucas Scaramussi, secretário de Meio Ambiente de Linhares.
O valor na conscientização
"A SABB Coca-Cola, alinhada à plataforma 'Viva Positivamente' da Coca- Cola Brasil, vem trabalhando fortemente para fomentar e reconhecer o papel dos catadores na cadeia da reciclagem, que entendemos ser fundamental e de relevante interesse público. O projeto CRIAR segue nesse sentido e expressa sua importância já no nome, trazendo a mensagem de que visa ser um centro de inovação e aprendizagem. É uma proposta diferenciada de mobilização, articulação e integração do público e do privado para enfrentar um dos maiores desafios da sociedade moderna que é a destinação ambientalmente responsável das embalagens pós-consumo. Isso exige muita inovação e conscientização da sociedade. Daí vem o foco no aprendizado que é expresso no nome do projeto", destaca Fabiano Rangel, gerente de sustentabilidade da SABB Coca-Cola.
A conscientização da população está sendo feita por meio de materiais de comunicação e as campanhas deverão ser intensificadas nos locais de maior circulação. "Mesmo os moradores de bairros não cobertos pela coleta seletiva domiciliar serão estimulados a utilizar os Postos de Entrega Voluntária. Em parceria com a SABB Coca-Cola, a Tetra Pak e a Secretaria de Educação, estamos atuando também nas escolas com palestras e materiais educacionais para sensibilizar as crianças desde cedo", detalha Bianca Drago, da Divisão de Educação Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente.
Enquanto isso, nas ruas, a coleta seletiva é feita por um caminhão especialmente destinado para essa finalidade. Na central de triagem, a ong Doe seu Lixo, supervisionada pela prefeitura, contribui com a gestão administrativa e operacional do CRIAR e tem como meta tornar a cooperativa autossustentável em 24 meses. A ideiaé que os catadores ganhem autonomia e consigam, por conta própria, consolidar e expandir o alcance do projeto, tendo o apoio dos parceiros, da prefeitura e a
participação da população.

Fonte: CEMPRE
Para saber mais: www.linhares.es.gov.br

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Boa notícia: CCJ Aprova proposta de redução de carga tributária para produtos feitos com material reciclado

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou, nesta quarta-feira (12), proposta de emenda à Constituição (PEC 1/2012 ) que elimina quase todos os impostos incidentes sobre produtos feitos com material reciclado ou reaproveitado. O senador Paulo Bauer (PSDB-SC) é autor da iniciativa, que recebeu parecer pela aprovação do relator, senador Armando Monteiro (PTB-PE).
O texto original pretendia acabar com todos os impostos aplicados a essa cadeia produtiva. Mas alteração feita pelo relator manteve a cobrança do Imposto de Importação (II), com o argumento de não ser possível privar o governo federal de um importante instrumento de regulação do comércio exterior.
– Se todos os impostos fossem retirados, isso poderia agravar, por exemplo, a importação de roupas fabricadas na China com insumos reciclados no território daquele país – comentou o relator.
A PEC 1/2012 ainda precisa passar por dois turnos de votação no Plenário do Senado antes de seguir para a Câmara dos Deputados.

Por: Ricardo Koiti Koshimizu e Simone Franco

Fonte: Agência Senado

sábado, 11 de agosto de 2012

1 ano do Projeto Light Recicla que troca materiais recicláveis por abatimento na conta de luz

Crédito da imagem: CEMPRE
Em agosto de 2011, a Light, companhia responsável pelo fornecimento de energia elétrica a 31 municípios do Rio de Janeiro (incluindo a capital), lançou o Projeto Light Recicla que garante desconto na conta de luz para quem encaminha materiais recicláveis aos pontos de troca do programa. O piloto do Light Recicla é realizado nas Comunidades Santa Marta, Chapéu Mangueira, Babilônia e nos bairros de Botafogo e Humaitá, na Zona Sul do Rio, e já está em estudo sua ampliação para outras comunidades pacificadas.
“Nesses locais, ainda há muito lixo pelas ruas. Então, como podemos falar em ter um resgate da autoestima se essas pessoas estão no meio do lixo? Daí surgiu o Light Recicla para contribuir com a mudança deste cenário. É também uma forma de contribuir com a criação de renda nessas comunidades”, conta Fernanda Mayrink, gerente do projeto.
Em parceria com a Prefeitura Municipal, o Light Recicla instalou cinco Eco-Pontos na região para receber materiais como garrafas PET, sacolas e embalagens plásticas, papéis, metais, vidros, embalagens longa vida e óleo de cozinha, entre outros recicláveis. Cada material tem um preço por peso que gera automaticamente os créditos na conta de energia escolhida pelo participante.
Os moradores também podem optar por doar as cotas referentes aos descontos para instituições sociais cadastradas no projeto. Dessa forma, o projeto se estende à população de outras localidades que podem direcionar seus recicláveis para doação a uma das 17 entidades cadastradas. Este é o caso de três escolas particulares da Zona Sul - Escola Alemã Corcovado, Colégio Santo Inácio e Escola A. Liessin – que já doaram mais de três toneladas de recicláveis.
“Até agora, recebemos 247 toneladas de materiais, 1.847 litros de óleo e contamos com mais de 2.380 pessoas cadastradas”, detalha Marliane Mendonça, coordenadora do projeto. “Na nossa avaliação, o Light Recicla vem tendo uma receptividade bastante positiva e várias comunidades já estão solicitando sua participação no projeto. Temos previsão de expansão para mais comunidades pacificadas que contam com a presença de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). O Light Recicla, além de colaborar para a promoção de um meio ambiente mais limpo, gera renda que contribui no pagamento das contas de luz com materiais que iriam para o lixo.”
O Light Recicla tem como parceiros a empresa 3E Engenharia e a Doe Seu Lixo, além de contar com o apoio das Secretarias Municipais de Meio Ambiente, Assistência Social, Conservação e Serviços Públicos, Comlurb e UPP Social. Segundo o vice-prefeito e secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz, a iniciativa da Light possui uma grande importância socioambiental. "Esse projeto permite maior conscientização por parte da população com relação às questões sobre os resíduos sólidos e como devemos reduzi-los na natureza. Assim, esperamos que haja uma mudança cultural, de comportamento mesmo, que traga para a cidade e seus moradores mais qualidade de vida."


Para saber mais: http://www.light.com.br/

Como está o RJ sem o aterro de Gramacho?

Há pouco mais de dois meses, precisamente no dia 3 de junho, ocorreu o fechamento do Aterro Metropolitano de Gramacho, o maior lixão da América Latina, localizado no município de Duque de Caxias (RJ). Com 34 anos de existência, o aterro se estendia por uma área de 1,3 milhão de metros quadrados, à beira da Baía de Guanabara e recebia, até abril de 2011, cerca de 9.500 mil toneladas diárias de resíduos da capital (75%) e dos municípios de Duque de Caxias, São João de Meriti, Nilópolis, Queimados e Mesquita (25%). Com o encerramento, todo o lixo que ia para Gramacho está sendo transferido para a Central de Tratamento de Resíduos, em Seropédica.
No local do lixão, será construída uma usina de biogás. Segundo o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, o fechamento de Gramacho representa uma grande conquista ambiental. “Representa também o fim de um drama social, pois os catadores faziam a coleta, sem qualquer proteção, expostos a várias doenças. Diariamente, Gramacho recebia o equivalente a 57% dos resíduos de todo o Estado do Rio de Janeiro. Agora, esse lixo é descartado em aterros sanitários, solução ecologicamente correta para receber os resíduos.”
De acordo com Minc, um dos grandes desafios pela frente é a recuperação da área. Para isso, dos recursos obtidos com a venda do gás metano, 18% deverão ser destinados à reabilitação ambiental da região. O outro desafio é ajudar os catadores que atuavam no local a encontrar alternativas mais dignas para seu sustento. Repartida entre cerca de 1.700 catadores a quantia de R$ 21 milhões, destinada ao Fundo de Participação dos Catadores de Gramacho, foi antecipada, em cota única, pela Prefeitura do Rio de Janeiro.
Além disso, será instalado na região um Polo de Reciclagem que deverá aproveitar cerca de 400 ex-catadores em atividades de reciclagem de lixo que agreguem valor ao produto, como no uso de moinho de garrafas PET e de compactador. Durante a Rio+20, os governos estadual e federal e o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) assinaram convênios para capacitação desses trabalhadores, aquisição de equipamentos e maquinário e cessão de terreno para instalação do Polo. Um dos resultados desse encontro foi a parceria firmada entre a Secretaria de Estado do Ambiente e a Secretaria Nacional de Economia Solidária, do Ministério do Trabalho e Emprego, para a execução do projeto “Inclusão Socioprodutiva dos Catadores e Catadoras do Rio de Janeiro”, no valor de R$ 9,3 milhões. A contrapartida da SEA será de R$ 930 mil, do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano, destinados à compra de equipamentos e máquinas.
“Ainda temos três importantes etapas a cumprir”, destaca Sebastião (Tião) Carlos dos Santos, líder do MNCR. Em primeiro lugar, o Movimento quer assegurar a capacitação dos catadores. “Estamos fechando uma série de parcerias para identificar a demanda de mão de obra na região e, dessa forma, oferecer uma formação que realmente ajude as pessoas a se inserir no mercado formal de trabalho.” Na segunda fase, o objetivo é garantir a recuperação do passivo social e ambiental do local, com saneamento básico, construção de casas, escolas e creches, entre outros. “Finalmente, na última etapa, queremos usar o modelo de Gramacho para outros lixões que deverão ser fechados, sempre é claro respeitando a singularidade de cada região”.
Para Carlos Minc, o fechamento de Gramacho atesta o compromisso do Estado de cumprir o prazo estipulado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos para fechamento dos lixões em todo o país até dezembro de 2014. “Vamos encerrar os lixões que ficam no entorno da Baía de Guanabara até o final de 2012. Nós implementamos um importante programa no Estado: o Lixão Zero que contabiliza, até agora, 19 aterros sanitários instalados e outros três em fase de finalização. Para ajudar pequenas cidades que não conseguem manter aterros sanitários, estamos incentivando os consórcios intermunicipais que viabilizam uma solução coletiva. Com esse apoio, até o final de 2012, 69 municípios tratarão seu lixo adequadamente, beneficiando mais de 10 milhões de pessoas”, garante Minc.

Assista os vídeos do Programa "Profissão Repórter" que mostra como os catadores de Gramacho estão sobrevivendo sem o aterro de Gramacho. Clique sobre o vídeo para assistir.

Parte 1

Parte 2


Evento promovido de CEMPRE aborda que o êxito da reciclagem demanda um olhar pontual e sistêmico

São muitos os aspectos que devem ser considerados quando se pensa em um Brasil com menos desperdício, mais limpo e mais justo socialmente. Várias dessas questões foram debatidas no evento promovido pelo Cempre com o intuito de encontrar soluções que pensem o país e a cadeia da reciclagem a partir das diferenças e das correspondências entre seus diferentes elos.

Catadores como prestadores de serviço
"Há hoje no Brasil associações de catadores que precisam incrementar sua formação e capacitação. Mas existem outras que já passaram dessa fase e começam a encarar a coleta seletiva como um negócio. Acreditamos que as cooperativas devem atuar de forma autônoma como prestadoras de serviço, firmando contratos com as prefeituras. Para isso, elas precisam se estruturar melhor a fim de assegurar a qualidade de sua operação e gestão, com certificação de seus processos e rastreabilidade dos materiais, por exemplo. Outro aspecto importante é a criação de redes de cooperativas para negociar diretamente com a indústria." Roberto Laureano, do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis.

A parceria com o Cempre
"O Cempre é uma instituição fundamental e que nos possibilitou, junto com os demais associados, aprimorar a forma de pensar a reciclagem no Brasil e aprimorar nosso próprio pensamento empresarial em torno da reciclagem. A partir dessa experiência, atuamos hoje, na Coca-Cola, sobre três pilares: Mais Hábito, Mais Valor, Mais Coleta. O primeiro trata de estimular a participação da população; o segundo aborda a necessidade de incrementar o valor do material reciclável para incentivar sua separação e coleta; o terceiro enfoca justamente o trabalho que fazemos junto a cerca de 250 cooperativas em nível nacional a partir do conhecimento e orientação do Cempre."
Marco Simões, vice-presidente de Comunicação e Sustentabilidade na Coca-Cola Brasil.

O compromisso do varejo
"Apesar de ter ficado tanto tempo em discussão no Congresso, a Política Nacional de Resíduos Sólidos é bastante moderna ao trazer a sociedade brasileira como um todo para dentro dessa discussão. Isso se reflete até mesmo em eventos como este. O setor varejista está presente nos diferentes grupos de trabalho de logística reversa, ao lado dos fabricantes e do governo, o que demonstra nossa preocupação em estarmos inseridos na definição de soluções práticas e eficientes. Recebemos diariamente cerca de 25 milhões de pessoas em nossas lojas de todo o país e temos que levar essa capilaridade em conta na hora de pensar o aumento da reciclagem."
Carlos Ely, diretor de Relações Institucionais do Walmart Brasil, representando a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

Desoneração da cadeia
"Em primeiro lugar, é primordial que tenhamos uma política clara de desoneração da cadeia de reciclagem. Isso é essencial quando pensamos a indústria de plásticos. Diferentemente da de metal, por exemplo, a indústria de plásticos tem uma necessidade adicional de gerar valor para o plástico reciclável. Dessa forma, poderemos incrementar sua atratividade e, assim, incentivar sua separação, coleta e reciclagem. Temos trabalhado com diferentes alternativas, sendo que o tratamento prioritário é fazer o plástico voltar a ser plástico."
Marcelo Lyra do Amaral, vice-presidente de Relações Institucionais e Desenvolvimento Sustentável da Braskem.

No segundo bloco do encontro, foi realizada uma mesa-redonda com a participação de jornalistas e a mediação de André Vilhena, diretor do Cempre.

Um tema transversal
"O lixo deveria ter um espaço mais nobre nas discussões ambientais, pois é um tema transversal a todos os outros: está ligado à modificação do padrão de produção e consumo, ao limite de uso dos recursos naturais, à eficiência energética, à emissão de carbono, aos desastres naturais e principalmente ao combate à miséria e à desigualdade. Antes visto como um assunto tabu, indigno até mesmo de figurar em manchetes de jornais ou revistas, o lixo vem ganhando espaço, mas ainda precisa ser abordado de forma mais ampla. A meu ver, precisamos de três grandes choques: de governança (na transparência e no modo de lidar com essa questão), de escala (para criar um mercado competitivo e viável para a reciclagem) e principalmente um choque de informação."
Sérgio Adeodato, jornalista e autor do livro que comemora os 20 anos do Cempre.

Pelo fim da indiferença
"Essa relação de indiferença e descaso que temos com os nossos resíduos abre espaço para uma série de problemas, inclusive para a corrupção. Para mudar isso, precisamos empreender sobre o lixo. Se não, nada vai acontecer: vamos separar os resíduos, as cooperativas vão fazer a coleta e teremos depósitos imensos de lixo reciclável. É essencial criar valor para esses materiais e estimular negócios na cadeia de reciclagem. Outra necessidade é romper o preconceito dos prefeitos em contratar o serviço dos catadores. Isso está na lei e precisa ser implementado para agregar ganhos sociais a essa questão. Estamos em ano eleitoral e devemos ficar muito atentos ao cumprimento dos prazos de entrega dos planos de manejo de resíduos sólidos. Sem isso, tudo o que vem depois, inclusive o fim dos lixões previsto para 2014, correrá sérios riscos." Dal Marcondes, diretor de redação da revista Envolverde.

Valor econômico para o lixo
"O lixo tem que ser conectado com a geração de riqueza. É indispensável que as pessoas percebam que o lixo tem um valor econômico. Quando se atrela a questão dos recicláveis à questão econômica, é possível agregar valor aos resíduos. Devemos discutir também o consumo consciente, a produção mais limpa, o design eficiente e a valorização dos catadores. Esses agentes da reciclagem não podem continuar invisíveis pelas ruas do país, pois seu trabalho é vital para toda a cadeia. Nesse processo de conscientização em torno da reciclagem, a internet deve ser aproveitada ao máximo, pois ela nos oferece uma enorme capacidade de mobilizar pessoas e criar movimentos rápidos e em grande escala." Maria Zulmira de Souza (Zuzu), jornalista da Planetária Soluções Sustentáveis.

Consumo excessivo
"Quando analisamos os números relativos ao lixo no país, vemos claramente que é urgente dar um passo para trás e repensar nosso comportamento em relação ao consumo: comprar, jogar fora, comprar novamente, descartar... Isso envolve também a obsolescência programada. Recentemente, uma de nossas repórteres fez uma matéria em uma empresa que possui centros de tratamento de resíduos e soube que, somente em sua unidade de Paulínia, são recebidas 6.250 toneladas de resíduos por dia. Acho que estamos perdendo uma certa medida no mundo. Temos que rever nossas decisões e escolhas pessoais e deixar de lado esse consumo excessivo e sem sentido." Amélia Gonzalez, editora do caderno Razão Social do jornal O Globo.


Mudança cultural
"Acho importante discutir a questão do lixo a partir de outra ótica, pois estou convencido de que nossos desafios não são tecnológicos ou de natureza econômica. Devemos tratar esse tema a partir de outro grande desafio – o da mudança cultural. A Política Nacional de Resíduos Sólidos está trazendo isso à tona ao abordar o conceito de responsabilidade compartilhada. Nesse sentido, o Cempre tem sido um agente indutor de mudanças que ajuda a romper com a inércia e a acomodação de acreditar que o lixo é problema do outro: do governo, do catador, do lixeiro... Essa mudança cultural é difícil e profunda e não resulta de apenas uma ação. Demanda uma série de gatilhos: leis, pressão popular, educação, informação, transparência e regras claras, entre outros. É um processo complexo, mas que não podemos mais adiar." Ricardo Voltolini, diretor-presidente da Ideia Sustentável.


Maior transparência
"Assim como em outros temas, há uma grande carência de transparência em relação ao gerenciamento do lixo no país. Estamos agora num novo ciclo da Política Nacional e para que sua implementação saia do papel, na forma como a lei foi pensada, vamos ter que continuar trabalhando juntos e lutar contra os que querem boicotar essa mudança. Como fundador da Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente, penso que podemos retomar os Conselhos Municipais para que se tornem observadores dos planos de resíduos sólidos. Dessa forma, sua elaboração e execução serão acompanhadas de perto. Não podemos ficar apenas olhando. Nós precisamos acreditar e fazer acontecer!" Mário Mantovani, diretor de articulação da Fundação SOS Mata Atlântica.

Especialização dos catadores
"Nós, catadores, tivemos que aprender, conhecer temas novos e nos especializar. Viajamos, vimos de perto algumas experiências estrangeiras e compartilhamos conhecimento. Nossos esforços têm sido no sentido de nos capacitar para a nova fase das cooperativas com a efetivação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. O Cempre tem sido um grande parceiro nesse sentido." Severino Lima, do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis.


domingo, 15 de julho de 2012

Termina em agosto o prazo para estados e municípios que pretendem ter acesso a recursos federais para atender a PNRS

O próximo dia 2 de agosto é a data-limite para que estados e municípios concluam planos, estaduais ou municipais, de gestão de resíduos sólidos, caso pretendam pleitear recursos federais para investir no setor. A determinação foi instituída pela Lei nº 12.305, sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "É essencial que estes dois entes federados tenham planos de ação específicos ajustados às suas realidades, proporcionando às populações modelos eficientes de gerenciamento de resíduos", afirma o gerente de Projetos da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Saburo Takahashi.
Estados e municípios tiveram dois anos para elaborarem seus projetos regionalizados. Para isso, contaram com o apoio do Ministério do Meio Ambiente, que elaborou um manual de orientação para a elaboração dos planos, que está disponível no site do MMA. Além disso, o MMA tem oferecido cursos de ensino a distância para orientar gestores e consultores. O treinamento tem duração de 30 dias e oferece flexibilidade total de horário – cada participante acessa a plataforma e cursa as aulas nos horários que lhe for mais conveniente.
Takahashi explica que as prefeituras que fazem parte de consórcios intermunicipais, podem, em conjunto, elaborar um plano intermunicipal de gestão de resíduos sólidos, que valerá para as cidades que compõem o consórcio. "Isso reduz custo e otimiza a elaboração do plano", disse. Pela lei, até 2014, todos os lixões estarão desativados e os rejeitos de todo o país devem ser encaminhados para aterros sanitários.

Por: Rafaela Ribeiro

Fonte: MMA

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Descarte de medicamentos - Como viabilizar a logística reversa de medicamentos?

A preocupação com o descarte de medicamentos chegou ao Senado Federal, que pretende discutir o assunto nesta próxima semana, durante a 1ª Semana de Vigilância Sanitária, que irá de 7 a 10 de Maio.
Na quinta-feira, a Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) promoverá audiência pública para tratar do descarte de resíduos de medicamentos no país.
O objetivo da audiência é discutir com o setor farmacêutico, entidades de classe e sociedade civil a implementação da Logística Reversa de Resíduos de Medicamentos.
A preocupação é com o descarte de medicamentos vencidos, que não podem ser jogados no lixo ou na rede de esgoto, sob o risco de contaminar o solo, a água, os animais e as pessoas.
Jogar no lixo ou devolver?
É realmente interessante ouvir todos os envolvidos da sociedade civil. Por exemplo, a preocupação não deveria ser tamanha com o descarte de medicamentos, segundo os cientistas autores de um estudo publicado no último exemplar da revista científica Environmental Science and Technology.
Nos Estados Unidos, a legislação recomenda que os medicamentos vencidos ou não usados sejam descartados juntamente com o lixo doméstico. Já na Suécia, há um programa de recolhimento por parte da indústria farmacêutica há vários anos. Steven Skerlos e sua equipe da Universidade de Michigan, quis tirar a questão a limpo, e fez um estudo cobrindo tanto os danos ao meio ambiente, quanto os riscos de contaminação.
Miopia científica?
Segundo a equipe, jogar esses medicamentos na lata do lixo comum é melhor para o meio ambiente do que retorná-los para a farmácia porque isto geraria um custo ambiental maior do que qualquer ganho obtido nesse esquema de logística reversa. Mas o "melhor" sugerido pela equipe leva em conta apenas o custo ambiental da emissão de gases de efeito estufa, fumaça e emissão de compostos que danificam a camada de ozônio - um verdadeiro mantra entre os ambientalistas.
Isto porque os medicamentos devolvidos às farmácias são incinerados, o que elimina todos os ingredientes farmacologicamente ativos. Mas seria realmente correto trocar um dano certo por uma influência ainda incerta?
Segundo a recomendação dos cientistas, seria razoável fazer o descarte dos medicamentos, enviando todos esses ingredientes farmacologicamente ativos para o meio ambiente - incluindo compostos com efeitos residuais carcinogênicos e respiratórios, além de possíveis contaminantes do lençol freático - em troca de emitir um pouco menos de CO2.
Degradação de medicamentos
Já um estudo em andamento na USP mostra que o problema pode ser ainda mais sério do que  simplesmente o composto ativo dos medicamentos. Ocorre que um medicamento, mesmo dentro do prazo de validade, pode formar produtos de degradação tóxicos para os seres humanos.
Os pesquisadores brasileiros estão agora desenvolvendo técnicas para identificar e quantificar os compostos gerados por esta degradação, assim como os fatores que contribuem com seu processo de formação.
O objetivo é que as indústrias façam modificações na composição, embalagem e transporte dos medicamentos para evitar o aparecimento de compostos nocivos à saúde. Mas o problema pode ser certo quando esses medicamentos são descartados no meio ambiente.
Governo e empresas podem firmar acordo para descarte de medicamentos vencidos
Apesar de a Política Nacional de Resíduos Sólidos ter sido instituída em meados de 2010, o descarte de medicamentos vencidos continua sendo feito de forma inadequada no país. Esses produtos não foram incluídos no sistema de logística reversa estabelecido nesse planejamento, pelo qual consumidores entregam os produtos inservíveis para fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes providenciarem seu descarte seguro. Mas o governo federal e o setor estão tentando mudar esse quadro.
A expectativa é de que um acordo setorial seja fechado com a indústria farmacêutica e com atacadistas e varejistas de medicamentos até o início de 2013. Atualmente, há experiências esparsas de coleta em pontos de venda e destinação final de produtos vencidos, concentradas nas regiões Sul e Sudeste do país.
De acordo com participantes de audiência da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) sobre o assunto, realizada nesta quinta-feira (10), os maiores desafios para implementação de uma campanha nacional de destinação final de medicamentos fora de validade são o alto custo e a forma de levá-la às áreas mais afastadas do país.

 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Dr. Saulo Rodrigues, diretor do CDS/UnB, fala sobre resultados da Rio+20

Mais de cem chefes de estado e de governo, delegações de 193 países, seis mil eventos, participação de cem mil pessoas. Os números superlativos da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, chamaram as atenções do mundo inteiro para o Rio de Janeiro, ao longo da semana. Ao final de um intenso processo, com incontáveis mobilizações populares e declarações contundentes questionando a fragilidade da decisão final, expressa no documento “O Futuro que queremos”.
Um encontro de tamanha envergadura não pode ser medido somente pela negociação política no âmbito governamental. Os fóruns organizados por movimentos sociais, Organizações Não Governamentais (ONGs), comunidade científica e empresários elevaram a agenda ambiental a uma posição irreversível de destaque.
Essa é a percepção do professor Saulo Rodrigues Filho, doutor em Ciências Ambientais pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha, e diretor do Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da UnB. Em entrevista à UnB Agência, Saulo, faz uma avaliação crítica do teor do relatório final da Rio+20 e atribui à metodologia do consenso, adotada pela Nações Unidas, um fator político limitante.

Confira a entrevista na íntegra:

UnB Agência: Como foi a participação da UnB na Rio+20?

Saulo Rodrigues Filho: A melhor avaliação levará algum tempo, porque muitos efeitos não temos condições de medir agora. Encaminhamos contatos, articulações que demoram algum tempo para se firmar. O CDS teve uma presença importante no Pier Mauá (um dos espaços oficiais da Conferência, reservado aos órgãos públicos e universidades). O objetivo era promover a imagem do Centro e da própria UnB. Foi um espaço muito visitado, superou as nossas expectativas. Também foi muito interessante o seminário que organizamos com a participação do filósofo Edgar Morin, na última segunda-feira. Mesmo com 90 anos, ele está com a cabeça em plena atividade, se sobressai pelas ideias, pelo conhecimento que tem para ler o mundo atual. O CDS também esteve envolvido na discussão sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Reuni um grupo aqui no Rio para discutir o tema, o mesmo designado pela ONU para começar a pensar diretrizes para a definição desses objetivos.

UnB Agência: O que o senhor destaca mais?

Saulo Rodrigues Filho: O principal foi a criação do Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, que terá sede no Rio de Janeiro, anunciado na quinta-feira 21 pela ministra do Meio Ambiente, Izabela Teixeira. A iniciativa envolve um consórcio de instituições, inclusive a Coppe (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia), da UFRJ, e a Universidade das Nações Unidas. O patrocínio será do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Esse centro poderá se tornar uma referência mundial importante, para elaborar propostas, projetos, discutir o desenvolvimento sustentável de uma forma global. 

UnB Agência: A comunidade científica, de um modo geral, conseguiu influenciar os debates na conferência?

Saulo Rodrigues Filho: Os cientistas tem propostas e convicções bastantes mais ousadas, mas como não são os cientistas que governam as instituições, a intervenção é mais limitada, porque na hora de sentar em uma mesa de negociação, entram todos os interesses políticos, econômicos e sociais. A gente paga um preço por ter uma estrutura muito democrática, com essa metodologia de funcionamento. Os interesses são muitos e, às vezes conflitantes. Como as decisões são tomadas mediante consenso, o documento fica mais genérico. 

UnB Agência: O rascunho zero, documento final aprovado pelos chefes de Estado, foi bastante criticado por ONGs, movimentos sociais, intelectuais e até delegações diplomáticas. O senhor vê fragilidades no texto?

Saulo Rodrigues Filho: Há 20 anos, as manchetes do dia seguinte ao encerramento da Conferência ECO-92, também no Rio, foram parecidas. Com o tempo, as pessoas avaliaram que a reunião foi muito positiva. Lógico que, agora, tínhamos a expectativa que os países ricos iriam financiar a adaptação tecnológica dos países mais pobres, compromisso que não apareceu no documento. Entretanto, consigo ver coisas positivas, como a autorização para que a ONU defina os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), a partir de 2015, a questão dos oceanos, que teve decisão importante (a negociação avançou e o texto adota um novo instrumento internacional sob a Convenção da ONU sobre os Direitos do Mar, para uso sustentável da biodiversidade e conservação em alto mar). Com o passar do tempo, a gente vai perceber que a Rio+20 foi responsável por mudanças importantes. Toda a sociedade, os governos, as empresas, vão tratar o tema do desenvolvimento sustentável com mais seriedade. É um benefício claro, porém indireto. O desenvolvimento sustentável está ganhando cada vez mais importância.

UnB Agência: Como o senhor avalia a participação da sociedade civil na Conferência?

Saulo Rodrigues Filho: Olha, é preciso que se reconheça que, pela primeira vez, a conferência da ONU abriu espaço para a sociedade civil. Isso foi uma coisa positiva, uma inovação. Agora, ter um consenso de quase 200 governos nacionais é complicado, e isso elimina muitas das propostas da sociedade, mas o diferencial foi esse diálogo direto, que ocorreu, a meu ver.

UnB Agência: O senhor acredita na ideia da economia verde, outro dos temas polêmicos da Rio+20?

Saulo Rodrigues Filho: Na minha opinião, tratar a economia verde como um pilar da conferência foi um equívoco. É um conceito muito limitado para representar a tradução do que é desenvolvimento sustentável. Trata-se de forma míope de lidar com a questão, em um viés muito economicista, de manter o estado das coisas, apenas promovendo pequenas melhoras.

UnB Agência: Após a Conferência, como pensar a agenda de futuro?

Saulo Rodrigues Filho: Primeiro, não permitir que haja retrocesso daquilo foi aprovado na Rio 92, avançar na negociação do clima, por meio da conferência das partes. Outra questão são os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que podem constituir fator relevante na adoção de políticas públicas. No âmbito do Brasil, eu acredito que o governo percebeu a importância que o tema possui, justamente influenciado pelo debate da Rio+20. Precisamos é cobrar a implementação de uma agenda, que não fique na retórica, no discurso.


Fotos: Luiz Filipe Barcelos
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