"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



Crédito da imagem: jscreationzs / FreeDigitalPhotos.net
Mostrando postagens com marcador Reciclagem de embalagens longa vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reciclagem de embalagens longa vida. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Baixe gratuitamente o CEMPRE Review 2013 - Panorama da reciclagem de embalagens pós-consumo no Brasil



Graças à proatividade do setor empresarial e ao esforço dos catadores, muito se avançou na reciclagem de embalagens pós-consumo no país. Ao longo do tempo, o trabalho junto aos setores que compõem o mercado de coleta seletiva, triagem e processamento de materiais para fabricação de produtos reciclados tornou-se uma referência. 

O modelo inspirou a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que veio em boa hora, a fim de impulsionar a reciclagem a partir da definição de regras claras dentro do princípio da responsabilidade compartilhada entre governo, empresas e população. Construir bases sólidas para que esse mercado – emergente e promissor – se desenvolva com viabilidade técnica e econômica é um dos principais desafios atuais. 

Esta publicação é a primeira de uma série que tem por objetivo  analisar e atualizar o panorama da reciclagem de embalagens pós-consumo no Brasil. Além de um diagnóstico de mercado,  contextualizado a partir dos aspectos econômicos, ambientais e sociais, a proposta é apresentar caminhos e subsidiar decisões no horizonte de três anos para o incremento dos índices de recuperação de embalagens e para a formulação de políticas públicas de incentivos, inclusive tributários, necessários para o combate à informalidade e crescimento do setor com geração de renda.

(Victor Bicca Neto  - Presidente do CEMPRE – Compromisso Empresarial para Reciclagem)

Fonte: CEMPRE

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Resultado dos programas de reciclagem de embalagens da Tetra Pak em 2012


A Tetra Pak reciclou mais de 65 mil toneladas de embalagens em 2012. O volume representa um incremento de quase 10%, se comparado a 2011. Segundo Fernando von Zuben, diretor de Meio Ambiente da Tetra Pak, com os avanços da implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, a expectativa é que este número aumente ainda mais. “Atualmente 29% de toda produção segue para a reciclagem, sendo que o gargalo da cadeia está na coleta seletiva. Com o aumento da conscientização ambiental e a destinação correta dos resíduos, nossa previsão é que até 2015, a porcentagem atinja pelo menos 35% do total”, completa Fernando.
Atualmente o Brasil é referência mundial no desenvolvimento de tecnologias de reciclagem e 33 indústrias trabalham com as embalagens longa vida da Tetra Pak, somando R$80 milhões em negócios anualmente. Até o final do ano, mais cinco empresas recicladoras devem iniciar os trabalhos, aumentando ainda mais a geração de emprego e renda na cadeia.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Tetra Pak
Disponível em: ABRAS

Resultados dos programas de gestão de resíduos e reciclagem de 2012 do Grupo Pão de Açúcar

Há mais de doze anos investindo em projetos de reciclagem, as iniciativas do Grupo Pão de Açúcar se tornaram referência em sustentabilidade no Brasil. Por meio de programas que compõem um modelo completo e pioneiro, que buscam gerar benefícios ambientais e sociais a todos os seus públicos de interesse, a empresa alcançou em 2012 resultados expressivos, com ganhos de até 400%, se comparado a 2011. Destaque para Estações de Reciclagem, Caixa Verde, Alô Recicle, Descarte Correto de Medicamentos e Coleta de Pilhas e Baterias, programas diretamente ligados ao consumidor.
“A natureza dos nossos negócios tem grande potencial de transformação e engajamento da sociedade, já que somos a ponta das relações de consumo, conectando clientes, produtos e serviços”, conta Vitor Fagá, diretor executivo de Relações Corporativas do Grupo Pão de Açúcar. O GPA é uma empresa com operações em todas as regiões do país e que busca atuar respeitando os valores e culturas de cada praça. A empresa desenvolve projetos de grande capilaridade e que, em sua maioria, tenham força mobilizadora em causas valorizadas pela comunidade, como é o caso dos programas de sustentabilidade. “Muitos dos projetos funcionam sob o conceito de responsabilidade compartilhada em que buscamos envolver toda cadeia de valor”, completa o executivo. .
Presentes em 123 lojas do Pão de Açúcar desde 2001, em parceria com a Unilever, e em 216 unidades do Extra, com outro parceiro, desde 2007, as Estações de Reciclagem disponibilizam para os clientes pontos de entrega voluntária de materiais recicláveis (papel, plástico, metal, vidro e óleo de cozinha usado) nos estacionamentos das lojas de todo o Brasil. Já são mais de 73 mil toneladas arrecadadas e doadas para cooperativas de reciclagem parceiras do programa, promovendo a educação ambiental e a geração de renda para as comunidades. Apenas em 2012, os consumidores descartaram mais de 16 mil toneladas de materiais recicláveis, cerca de 20% a mais do registrado em 2011. Além disso, desde 2010, as Estações de Reciclagem Pão de Açúcar Unilever também arrecadam embalagens de desodorantes aerossóis, em 16 unidades da rede na cidade de São Paulo. A iniciativa já coletou mais de 6,5 toneladas desse tipo de embalagem, que deve ter destinação diferenciada.
O Grupo também desenvolve um programa de descarte “pré-consumo”, chamado de Caixa Verde, que possibilita aos clientes destinarem para reciclagem, em urnas instaladas ao lado dos caixas, embalagens de produtos que não precisam levar para casa, como as caixas de pasta de dente, por exemplo. Presente em 121 lojas Pão de Açúcar desde 2008, o Caixa Verde, já arrecadou mais de 4,4 milhões de embalagens (papel e plástico), sendo mais de 1,4 milhão apenas em 2012. 
Com os materiais arrecadados nos Caixas Verdes, a marca exclusiva do Grupo, Taeq, desenvolveu em 2009 um programa de logística reversa, chamado Ciclo Verde Taeq. Resumidamente, a empresa fornecedora das embalagens Taeq compra o papel de cooperativas de reciclagem, parcerias do Programa Caixa Verde, e o transforma em novas embalagens que irão acondicionar os produtos da marca. Essa ação representa 4,5% do volume das embalagens produzidas.
Outro programa que apresentou resultado expressivo é o Alô Recicle, que tem como objetivo coletar celulares, acessórios e baterias, em urnas disponibilizadas nas lojas e encaminhar para reciclagem. Lançado em agosto de 2010 em uma parceria com a Nokia do Brasil, o programa já arrecadou mais de 2,6 toneladas de materiais, sendo 2,1 toneladas apenas em 2012, mais de 300% a mais que o registrado em 2011. Cerca de 281 lojas Pão de Açúcar e Extra de todo o Brasil participam do Alô Recicle. “Resultados como esse nos motivam a continuar investindo nos projetos e mostram que cada vez mais as pessoas estão aderindo ao consumo e descarte consciente, por meio dos programas disponíveis nas lojas do GPA”, comemora Fagá.
Em outra iniciativa pioneira para a gestão de resíduos, lançada em novembro de 2010, em parceria com a EuroFarma, o programa Descarte Correto de Medicamentos também apresentou um resultado expressivo em 2012. A iniciativa, que visa despertar o consumidor para importância do destino adequado de medicamentos vencidos e/ou fora de uso, embalagens primárias como cartelas de comprimidos e, ainda, materiais perfurocortantes como agulhas, ampolas, vidros de xarope, entre outros, registrou mais 4,5 toneladas de materiais arrecadados, cerca de 150% a mais que em 2011. As urnas estão disponíveis em 31 drogarias do Extra e do Pão de Açúcar nas cidades de S. Paulo, Araraquara (SP), Piracicaba (SP) e Volta Redonda (RJ). Os pontos de coleta são confeccionadas especialmente para o recebimento desses resíduos.
O Grupo Pão de Açúcar comemora também os resultados do Programa de Coleta de Pilhas e Baterias, realizado em parceria com a ABINEE e em cumprimento da legislação CONAMA 401/08, que dá a correta destinação para estes tipos de resíduos. Todas as lojas do Grupo no Brasil possuem coletores específicos onde os clientes podem fazer o descarte de pilhas e baterias. Desde seu inicio, em 2010, os clientes das lojas do Extra e do Pão de Açúcar depositaram mais de 43,8 toneladas de pilhas e baterias, sendo 33 toneladas apenas em 2012, mais de 200% que o registrado em 2011. 
A Companhia investe em várias frentes e além de todos os projetos já apresentados, também possui na cidade de São Paulo quatro pontos (Extra Anhanguera, Extra Itaim, Extra Morumbi e Extra Anchieta) de coleta de lixo eletrônico (televisores, videocassetes, computadores, aparelhos de DVD e microondas), em parceria com a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais). Outra iniciativa implementada foi a campanha para descarte de lâmpadas na loja Pão de Açúcar Cerro Corá, na cidade de São Paulo.
Alinhado às tendências da Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada em 2010, que procura organizar a forma como o país trata os resíduos, incentivando a reciclagem e a sustentabilidade, a empresa possui iniciativas de Gestão Integrada de Resíduos, desde 2008, em 38 lojas das bandeiras Pão de Açúcar e Extra, buscando minimizar o impacto da sua operação no meio ambiente. A ação consiste em um sistema de gestão integrada de resíduos orgânicos e recicláveis, que são separados diariamente e destinados de maneira adequada. Para que esse processo aconteça, todos os colaboradores que atuam nas áreas internas da loja recebem treinamento especial sobre reciclagem e gerenciamento de resíduos. Além disso, estes estabelecimentos dispõem de coletores específicos, que separam os resíduos de maneira eficiente.
Além dessa iniciativa, o GPA implementou um novo modelo de gestão de resíduos que contempla o acondicionamento, coleta, transporte e destinação final dos resíduos de 262 lojas, 6 Centros de Distribuição e 38 drogarias dentro do Estado de SP.
Ainda em 2012, as redes Pão de Açúcar e Extra lançaram novos modelos de sacolas reutilizáveis, disponíveis a partir de outubro em todas as lojas do Brasil. Produzidas em ráfia, as novas embalagens trazem estampas voltadas ao conceito de cada marca. O Pão de Açúcar, que desde 2005 disponibiliza sacolas reutilizáveis em suas lojas, dá continuidade a uma linha temática Para 2012/2013, o mote utilizado será Transparência, que além de novas imagens, conta também com dois modelos a mais, totalizando seis estampas diferentes. Já o Extra, apresenta em dois modelos desenhos que remetem a campanha da bandeira, “Extra por uma Vida mais Família”, e traz outros três voltados ao público masculino com desenhos que ressaltam o patrocínio à Confederação Brasileira de Futebol e a brasilidade presente na marca. Além desses modelos, as bandeiras continuam comercializando sacolas com parte revertida para entidades sociais como é o caso da parceria com a Hope na bandeira Extra e com a SOS Mata Atlântica com a bandeira Pão de Açúcar. Ao longo de 2012 foram vendidas mais de 16,4 milhões de sacolas reutilizáveis no Brasil.

Fonte: ABRAS

Compra de produtos com marcas próprias pode auxiliar as grandes redes de supermercados a realizar a logística reversa


Crédito da imagem: ABRAS
O impulso de compra de produtos com marcas próprias - geralmente bem mais baratos do que os de marcas famosas - deve se mostrar como uma saída a ser utilizada por empresas do setor varejista, tanto para incrementar o faturamento, como para tentar resolver certas questões como a aproximação do consumidor à marca e a diminuição da dependência de produtos importados. Desta maneira, deve ajudar, aliás, a questão da logística reversa - a ser analisada em 2014 -, com a nova Lei dos Resíduos, que deverá entrar em vigor, mas ainda causa desconforto entre as empresas por falta de regras claras. 
A perspectiva é de que várias categorias tenham, nos próximos anos, um leque grande de marcas próprias disputando as gôndolas. Desta maneira, a dependência dos produtos importados poderá ser menor e, assim que for aprovada a norma para a logística reversa de resíduos, uma das maiores preocupações do varejo - o que fazer com os itens importados - possa ser até algo minimizado. Isso, claro, se houver realmente a ampliação de itens marca própria nas lojas. Afinal, esses produtos são produzidos por fornecedores locais, e a divisão da responsabilidade do descarte correto desses produtos poderia mesmo ficar mais prática, pois caberá ao comércio receber, em postos de coleta, as embalagens e demais produtos usados descartados pelos clientes. A indústria fará a separação dos materiais retornados para encaminhá-los à reciclagem ou aterros sanitários, dependendo da natureza do "lixo". 
Responsável por fornecer cookies e biscoitos a players como as redes Dia e Pão de Açúcar, a Dauper registra crescimento médio de 35% ao ano e, segundo o diretor Comercial da empresa, Raul Matos, o uso das marcas próprias pode contribuir ainda mais com o setor varejista e proporcionar menor dependência aos bens de consumo estrangeiros. "A marca própria pode ajudar no sentido de suprir a inovação, que as empresas buscavam antes com os importados", comentou ele. 
Com os negócios aquecidos, a previsão é da Dauper crescer 30% em 2013, com novos produtos e expansão da rede própria de lojas. Para o executivo da marca, o papel do segmento tem mudado no Brasil. "O desenvolvimento da marca própria hoje no Brasil já segue um pouco a Europa, onde os varejistas lançam tendências. Aqui, eles pegavam o que já existia, descobriam qual o preço, a embalagem e não queriam nada diferente, só ofereciam uma redução de uns 20% no preço." 
Matos ainda argumenta que produtos com o nome do supermercado ou lojas podem auxiliar até na negociação com marcas nacionais. "Lançamos o cookie Dia com 30% de chocolate premium, que já vende mais do que qualquer outro produto na loja. Quando uma empresa tem um produto forte, com a marca dela, ele fica menos dependente de líder, como Unilever ou Kraft, no nosso caso." 
A empresa gaúcha tem fábrica em Gramado (RS) e acumula 25 anos de expertise como fornecedora de biscoitos e mix de cereais. Hoje começa uma rede de lojas próprias e pretende abrir a segunda biscoiteria em São Paulo. 
Alcance 
O crescimento das marcas próprias no Brasil também se evidencia no tipo de cliente que consome os produtos. Estudo da empresa Kantar Worldpanel, diz que as classes A e B são atualmente as maiores consumidoras desses itens: cerca de 60% das famílias nessa faixa econômica adquiriram algum item com marcas próprias. A classe C registrou 52%, enquanto D e E registraram 49%. Mas a participação da classe média deve aumentar nesse quesito. Em entrevista ao DCI, o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), João Galassi, afirmou ontem, durante a feira Apas 2013, que as marcas próprias permitem maior fidelidade deste tipo de clientes a determinada rede varejista. "Quando se coloca um produto com marca própria, a confiança da classe C naquele mercado ou naquela empresa aumenta. Tem um peso maior, principalmente para essa faixa de consumidores", apontou. 
Outro ponto no mercado é que segundo dados apresentados ontem pela Nielsen, o faturamento das marcas próprias atingiu no ano passado cerca de R$ 2,8 bilhões, ou seja, um aumento de 56% em relação ao ano de 2008. A pesquisa mostra ainda que o segmento ainda não está consolidado no País, quando comparado a outros mercados como o europeu. Logo, abre-se um grande leque de oportunidades para as empresas do comércio varejista. 
Nas redes Extra e Pão de Açúcar, por exemplo, esses artigos foram inseridos em 2006 e hoje se dividem em quatro marcas diferentes: Taeq, Qualitá, Club des Sommeliers, e Casino. A Taeq é composta por produtos saudáveis; já a linha Qualitá é de itens de primeira necessidade ou de cesta básica, além de artigos para limpeza e higiene pessoal. A produção desses artigos é feita por mais de 500 fornecedores.

Por: Igor Utsumi

domingo, 28 de abril de 2013

PNRS abre novos mercados no país - Na indústria da reciclagem estão as maiores oportunidades

Cada etapa a ser superada na implantação da logística reversa – o gerenciamento do fluxo de produtos e embalagens do ponto de consumo até o ponto de origem, o contrário da logística usual, que administra os materiais da produção até o consumo final –, espinha dorsal do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS, Lei nº 12.305/2010), é um novo mercado que começa a ser vislumbrado por empresas nacionais e estrangeiras. Esses nichos vão desde campanhas publicitárias de educação ambiental dos consumidores, passam pela ampliação da indústria de reciclagem e alcançam a prestação de serviços às seis cadeias produtivas priorizadas no marco legal.
Após quase vinte anos de debate,  indústria, comércio e consumidores de eletroeletrônicos, pilhas e baterias, lâmpadas, embalagens, óleos lubrificantes e pneus terão de lidar, conjuntamente, com a devolução de embalagens e produtos e o reaproveitamento desses materiais em processos produtivos próprios ou de terceiros. A intenção é estender o PNRS a todos os segmentos industriais, mas o foco inicial são os resíduos pós-consumo daqueles que oferecerem maior risco ambiental e já estão submetidos a alguma regulação. 
Embora o fluxo logístico reverso já seja praticado por parte das empresas brasileiras, para a maioria dos segmentos o gerenciamento de resíduos pós-consumo é novidade. Esta realidade vem mudando por diversos fatores, segundo o diretor da Sargas Logística, Leonardo Lacerda: pressões externas por maior rigor da legislação ambiental, concorrência e redução de custos. “A legislação ambiental caminha no sentido de tornar as empresas cada vez mais responsáveis por todo ciclo de vida de seus produtos, ou seja, serem legalmente responsáveis pelo seu destino após a entrega dos produtos aos clientes e do impacto que estes produzem no meio ambiente”, diz. Segundo ele, o aumento de consciência ecológica dos consumidores é outro fator, ao lado da valorização, por parte do cliente, de marcas que adotam políticas de retorno de produtos. Não é desprezível o resultado que as empresas conseguem com o reaproveitamento dos resíduos. 
Para empresários e especialistas ouvidos pelo DCI, o principal gargalo para o funcionamento da logística reversa – a insuficiente infraestrutura para a multiplicidade de soluções de reciclagem, transporte e gerenciamento que será demandada pelo PNRS – é de onde virá a grande oportunidade para novos negócios. As atuais condições estão muito aquém da necessidade para cobrir a extensão territorial do Brasil. Na região Sudeste, onde ocorrem 56% do consumo de eletroeletrônicos, existem apenas 18 recicladoras dentro dos padrões da legislação. 
“Existe muito espaço para crescer nos estados mais desenvolvidos do Brasil, portanto, é só imaginar o que será preciso fazer no resto do País”, prevê o relator do grupo temático dos eletroeletrônicos e diretor de Responsabilidade Socioambiental da Associação Brasileira da Indústria de Eletroeletrônicos (Abinee), André Luis Saraiva. O empresário é o interlocutor da Abinee e Eletros nas negociações com o governo para o estabelecimento do acordo que será seguido pelo setor. 
Segundo ele, no Centro-Oeste, Nordeste e Norte funciona apenas uma recicladora em cada região. O País não dispõe de tecnologia para reciclar monitores de computador e placas de circuito interno, os bens de menor e maior valor, respectivamente, na reciclagem de eletroeletrônicos. 
O gerente geral de Sustentabilidade da Whirlpool – líder no mercado brasileiro de eletrodomésticos com as marcas Brastemp, Consul e KitchenAid – e diretor da Associação Brasileira de Embalagens (Abre), Vanderlei Niehues, também concorda que o número de recicladores é muito baixo e concentrado em São Paulo e Sul do Rio de Janeiro. “Temos muitas associações de catadores, mas poucos recicladores que cumprem as exigências legais”, enfatiza. Segundo ele, várias empresas da Europa e Estados Unidos estão interessadas em se instalar no Brasil e grupos nacionais se preparam para ganhar ou ampliar presença no mercado das sucatas com valor. Entre as estrangeiras atraídas estão a SPR, maior grupo espanhol na área de gestão de resíduos, e a Indústria Fox, subsidiária da suíça Fox & Earth, recicladora de refrigeradores que já opera no mercado brasileiro e deverá ampliar sua operação. 
O diretor de Logística da TGestiona, empresa que realiza a logística reversa do Grupo Telefônica, Maurício Pastorello, dá uma pista de como esse mercado poderá avançar. “Quando gerenciamos os modens em poder dos clientes, não estamos pensando só na nossa responsabilidade ambiental, mas também no controle dos nossos ativos. Recuperá-los é colocá-los de volta dentro do parque de utilização, reaproveitando os que estão quebrados e dando destino final a eles por meio de reciclagem. Existe também um viés de negócios”, afirma. A TGestiona já busca clientes para ampliar sua presença na logística reversa. “As oportunidades de negócios existem em várias direções: para quem presta esse serviço e para a empresa que recupera os ativos”, completa. 

Investimentos novos 

O empresário paraibano Flavio Costa é um dos empreendedores entusiastas do PNRS. Em 2010, logo após a aprovação da nova legislação, ele criou a Rctec Resíduos Eletrônicos para tratar produtos e embalagens de eletroeletrônicos. Embora de pequeno porte e sediada em João Pessoa, a empresa ambiciona o mercado nordestino. 
“Nascemos na Paraíba, onde identificamos deficiência na destinação adequada para estes resíduos, logo depois nos depararmos com essa mesma deficiência em todo o Nordeste”, afirma. O objetivo é que, por meio de parcerias, a empresa passe a operar em breve em Fortaleza, Natal, Recife e Salvador. Segundo o empresário, seus concorrentes são informais e voltados apenas aos materiais mais fáceis de serem comercializados após a reciclagem, como latas de alumínio e pet. 
Na opinião de Costa, a logística reversa ainda é cara no Brasil devido ao volume gerado, ainda baixo, por exemplo, para estimular investimentos em uma fábrica de reciclagem de placas de circuito interno. “Com a nova lei, não levará muito tempo para isso acontecer”, diz. Novos investimentos estão na pauta de uma das poucas empresas brasileiras a atuar nacionalmente na descontaminação de lâmpadas fluorescentes, a Apliquim Brasil Recicle, que já sente o aumento espontâneo na busca pelo serviço, desde a publicação da lei em 2010. 
Em 2011, a empresa faturou R$ 7,8 milhões, alta de 32% sobre 2010 (R$ 5,9 milhões). Para 2012, a expectativa é crescer mais 20%, atingindo R$ 9,5 milhões. O portfolio de clientes inclui gigantes como a Petrobras, Gerdau, Volkswagen, Ford, Scania, General Motors e Embraer, além de universidades, hospitais e órgãos públicos. 
Diferentemente de outros serviços de coleta de lâmpadas fluorescentes, que atuam apenas com a descaracterização do produto e seu posterior descarte em aterros sanitários, a empresa busca reaproveitar todo o material empregado. Os soquetes são vendidos para recicladoras de alumínio; o vidro, após descontaminação, para recicladores de vidro; e o mercúrio, após purificação, para empresas químicas. “Com a receita gerada por essas vendas reduzimos até 10% os custos globais da companhia”, relata o presidente, Mário Sebben.
Segundo ele, ainda há um grande desafio à expansão da demanda: “O preço é fator limitante”. A empresa cobra de R$ 1 a R$ 3, em média, pelo resgate de cada lâmpada esgotada ou queimada. Ele conta que, para reduzir o custo de logística, um dos que mais fortemente impacta o preço do serviço, a companhia está tentando recrutar empresas intermediárias na receptação de lâmpadas em todo o País, de forma a permitir o acúmulo do produto e a redução do número de viagens. 
A empresa investiu em 2012 cerca de R$ 1,8 milhão, incluindo novos caminhões e aumento da automação e desenvolvimento de aplicações mais nobres para o vidro em pó.

Destino final 

“A nova lei e as declarações da presidente Dilma olham só para as cooperativas de catadores, mas aquele lixo das cooperativas tem que ir para algum lugar, alguém tem que processar aquilo”, diz o presidente da Wisewood – Soluções Ecológicas, Rogério Igel.“Uma das razões de termos criado a Wisewood é este plano, queremos cadastrá-la como destinadora final de resíduos plásticos, pois o aumento da disponibilidade deste material provocará uma redução nos preços”, afirma. 
Fundada em 2007, a Wisewood fabrica dormentes ferroviários de plástico, em substituição aos tradicionais de madeira. A matéria-prima são resíduos pós-consumo, como embalagens descartadas, e pós-industriais, como aparas de polipropileno. Hoje a empresa produz mil toneladas de dormentes ao mês, mas tem a intenção de dobrar a produção até o final de 2012. 
A indústria, sediada em Itatiba (SP), deve faturar R$ 30 milhões em 2012, triplicando a receita de 2011. Já são seus clientes a MRS Logística e a Vale, que está experimentando o novo produto. Nos próximos anos, Igel calcula incremento anual na casa dos dois dígitos no faturamento da companhia. “Esta é uma empresa de tecnologia, então a gente depende de P&D (pesquisa e desenvolvimento), e essas coisas demoram, mas 20% ao ano (de crescimento) me parece factível”, projeta o empresário.

Por: Liliana Lavoratti / Thais Carrança


Crédito da imagem: Blog Logística Reversa e Sustentabilidade - Todos os direitos reservados (Proibida a reprodução sem autorização).


Falta de conhecimento sobre logística reversa desafia coleta de resíduos sólidos

O pouco conhecimento a respeito de logística reversa pode ser um dos principais problemas que a indústria brasileira enfrentará para elaborar e colocar em prática um Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A conclusão é de especialistas e até de autoridades do governo. 
Para o diretor do departamento de competitividade industrial do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Externo (Mdic), Alexandre Comin, a falta de conhecimento sobre o assunto é uma das maiores dificuldades enfrentadas tanto pelo governo federal como pelas indústrias, para pôr um plano em ação. "Acho que a primeira peça importante que nós colocamos nesse quebra-cabeça foi o estudo de viabilidade técnica e econômica. Foi quando percebemos, há mais ou menos dois anos, com o início do processo, que tínhamos um conhecimento muito escasso sobre o tema", explicou. 

Falta de preparo 

O especialista em direito ambiental e em criminalística do Pinheiro Pedro Advogados, Fernando Pinheiro Pedro, concorda com o representante do ministério no que diz respeito à falta de preparo. Ele cita ainda que, atualmente, existem poucos profissionais aptos, no mercado brasileiro, para desenvolver o PNRS. "O País está lotado de 'palpiteiros' e existe uma falta de compromisso por parte de algumas instituições", afirmou o especialista. 
Segundo o advogado, há um desconhecimento e uma ignorância muito grande em relação ao assunto. "Além disso, nota-se que alguns ainda não têm certeza absoluta de que a lei entrará em vigor", ressaltou o advogado. 
Como anunciado pelo governo federal, em 2014 as empresas que têm unidades no Brasil, deverão dar início ao seu projeto de captação e reaproveitamento de resíduos sólidos. Isso envolverá todo o setor, com o objetivo de diminuir o desperdício de material e incentivar a reciclagem de matéria-prima no País. 
Segundo Comin, os primeiros estudos realizados, sobre o assunto, pelo Mdic, ajudaram todos os profissionais envolvidos no projeto a se nortear e a ganhar mais conhecimento sobre o tema. No entanto, ele acredita que ainda serão necessários muitos estudos e pesquisas para aprimorar os projetos que já estão sendo desenvolvidos. 
"Nosso primeiro inimigo é a nossa ignorância. Nós temos um conhecimento limitado sobre uma série de aspectos, por isso, estamos tentando trabalhar nas linhas de menor resistência, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e com agências de fomento", disse Comin, em encontro realizado, na última sexta-feira, pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). O evento teve como objetivo discutir os acordos de criação da logística reversa de equipamentos elétricos e eletrônicos e reuniu autoridades como a gerente de resíduos perigosos do MMA, Zilda Veloso; o especialistas da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Cássio Marx Rabello, além do representante do Mdic. 

Tributos 

"Além de todos os problemas práticos, enfrentamos agora um momento mais difícil: o de tentar entender a questão tributária e as questões regulamentárias envolvidas nesse assunto", completou Comin. 
Para empresários, alguns aspectos geram muitas dúvidas. O diretor geral da Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (Abree), Vanderlei Niehues, a indústria já vem trabalhando desde o ano passado em ações para operacionalizar o plano nacional de resíduos. 
"Estamos na fase de definição de processos e as cidades que contarão com os postos de coleta. A indústria está se preparando, porém, é o consumidor que deve ser incentivado a começar esse processo, pois é ele que terá que entregar os resíduos nos postos disponíveis no varejo", disse. 
Segundo Niehues, a logística é um dos problemas que mais preocupa os empresários, especialmente pelo fato de o Brasil ser um País muito extenso. Além disso, os primeiros levantamentos realizados pelas associações de eletroeletrônicos, apontam que os custos para colocar o projeto em ação poderão ser mais elevados que o calculado. 
"Os custos que nós teremos com a questão da logística são bem o maiores do que dissemos inicialmente. O nosso País sofre com um 'apagão' da infraestrutura, por isso, a quantia gasta pelo varejo e pela indústria serão significativos", disse o diretor. 
Outro empecilho citado pelos empresários está relacionado com a responsabilidade e destinação dos produtos órfãos - onde se discute qual será o futuro das peças usadas, por exemplo, em computadores, cuja fábrica não têm unidades no Brasil - e os resíduos considerados materiais perigosos, como as pilhas. 
Para Pedro, com o objetivo de baixar os custos, indústria e varejo podem recorrer a prefeitura, transformando o "município em um grande reciclador". Zilda afirmou que, se as empresas fizerem isso, elas serão as responsáveis pelo pagamento do serviço prestado pela prefeitura. 

Por: Bruna Kfouri

Fonte: DCI - Diário Comércio, Indústria & Serviços

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Plano de logística reversa de embalagens pós-consumo é entregue ao MMA pelo CEMPRE

Crédito da imagem: RMAI
Após um ano de discussões, a coalizão de empresas e associações liderada pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE) apresentou a proposta de Acordo Setorial para a logística reversa das embalagens pós-consumo. O documento foi entregue nas mãos da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que irá analisar os termos da proposta que visa ampliar a capacidade do Brasil na destinação adequada de embalagens dos produtos consumidos pela população.
No total, 22 associações participaram da elaboração do acordo e do estudo de viabilidade econômica. O plano é dividido em duas fases. A primeira prevê a elevação da taxa de recuperação de resíduos sólidos recicláveis em 20% e a consequente redução de 22% do total de embalagens que são encaminhadas para aterros ou lixões.
A expectativa é de que até 2015, pelo menos 90% da população das cidades-sede da copa - São Paulo, Curitiba, Cuiabá, Belo Horizonte, Porto Alegre, Manaus, Salvador, Recife, Natal, Brasília e Fortaleza - seja atendida pela coleta seletiva municipal. A quantidade de resíduos sólidos gerados nestas capitais representa aproximadamente 23% em peso do lixo urbano do País. Se consideradas as áreas metropolitanas ao redor destas cidades o índice sobe para 38%. A segunda fase, a partir de 2015, estipula a redução de 45% do lixo que é descartado incorretamente em todo o território nacional.
"Para o governo federal interessa incrementar a coleta seletiva e ter um debate mais estratégico sobre a questão da reciclagem, pautada pelos detalhes desta proposta e também pela realidade social", afirma a Ministra, que analisará com cuidado a proposta. "Há uma grande oportunidade aqui. É importante darmos um bom arranque nos três primeiros anos, para seguirmos de maneira bem estruturada em relação a investimentos e termos total controle da sustentabilidade do negócio".
O presidente do CEMPRE, Victor Bicca, afirmou que este "é um momento para celebrar, pois, de forma inédita, construímos uma coalizão de empresas produtoras ou que comercializam embalagens para estabelecer um ponto de partida para a logística reversa". O executivo ressaltou ainda que a união do empresariado na causa é uma iniciativa única no país. "Em nenhum outro setor tivemos uma adesão e participação tão grande como a que tivemos com as indústrias de embalagens. As empresas brasileiras mostram, mais uma vez, o seu compromisso com a causa e o meio ambiente."
Mecanismos para viabilização da proposta - Para alcançar os resultados, uma das principais diretrizes contidas no documento é a proposta de parceria e expansão das cooperativas de catadores de material reciclável. Estes trabalhadores serão responsáveis pelo transporte, separação e venda do material coletado. Essa ampliação da capacidade das cooperativas deverá ser amparada com recursos para compra de maquinários e equipamentos, além de capacitação dos catadores.
Também está prevista a expansão dos Pontos de Entrega Voluntárias (PEVs) em supermercados e varejistas de todo o Brasil por meio do fortalecimento da parceria indústria/comércio. A ideia é que todo estabelecimento de vendas com tamanho igual ou superior a quatro mil metros quadrados e estacionamento com no mínimo 115 vagas tenha uma área mínima de quatro metros quadrados de PEV. "A expansão desses pontos é extremamente fundamental para aumentar os índices de coleta seletiva, pois verificamos, na última edição da pesquisa Ciclosoft, que 53% da população utiliza os PEV?s para descartar corretamente suas embalagens", afirma Bicca.
O acordo ressalta ainda que a Logística Reversa só será realizada em sua totalidade se todos os elos da cadeia - população, empresas e governo - participarem da coleta seletiva. Para tal, o documento propõe uma divisão da responsabilidade entre o Ministério do Meio Ambiente, consumidor, fabricantes, prefeituras e estados. "Precisamos aumentar a demanda por material reciclável para fazer 'a roda girar'. Para isso, é fundamental a participação da população na coleta seletiva. Temos muitos desafios pela frente, mas já podemos afirmar: a lei pegou!", conclui o presidente do CEMPRE, Victor Bicca.
Viabilidade econômica - Junto a proposta de ações, também foi entregue à ministra um estudo com diversas variáveis econômicas que viabilizam a implementação do modelo sugerido. O estudo foi elaborado pela LCA Consultoria.
Para todas as categorias de insumos cobertos pelo acordo (papel e papelão, plástico, alumínio, aço, vidro e embalagem cartonada longa vida) existe vantagem econômica, em termos do custo com energia e insumos, em se produzir com material reciclado. Esta vantagem econômica se reflete na geração de renda ao longo da cadeia de coleta, triagem, transporte e reciclagem de resíduos sólidos. Não é por outro motivo que já existe, no Brasil, uma importante cadeia de reciclagem que se viabiliza por estímulos de mercado.
E mesmo assim, por diversos motivos, a reciclagem ainda não é uma prática tão difundida no Brasil quanto poderia ser, pois enfrenta diversos gargalos produtivos. Tais gargalos podem ser mitigados através da disseminação de boas práticas para os consumidores finais, do aumento da oferta e da abrangência da coleta seletiva e da eliminação dos entraves produtivos que decorrem, principalmente, da baixa qualificação técnica dos catadores. A resolução de boa parte destes problemas integra a PNRS e o plano de trabalho da Coalizão. "A proposta é economicamente viável e se sustenta de maneira independente, desde que, neste primeiro momento, haja investimentos na coleta seletiva", afirma Bernard Appy, responsável pelo estudo de viabilidade.

Fonte: RMAI - Revista Meio Ambiente Industrial - matéria de 09/01/2013

domingo, 30 de setembro de 2012

“Pimp my Carroça” parte em breve para outras cidades brasileiras e talvez do exterior

Depois dos resultados obtidos em São Paulo e no Rio de Janeiro, o grafiteiro Mundano vem analisando diversas propostas para levar o “Pimp my Carroça” para outras cidades brasileiras – e até do exterior! A maior probabilidade é que a próxima escala seja feita em uma das capitais nordestinas, entre agosto e setembro.
Tudo começou em São Paulo, no dia 3 de junho, quando o Vale do Anhangabaú acolheu os grafiteiros que reformaram cerca de 40 carroças de catadores de materiais recicláveis, com recursos conseguidos através da participação de mais de 800 doadores pelo site Catarse que promove o crowdfunding (modelo de financiamento colaborativo) para apoiar projetos individuais. Além do grafite, o atendimento envolveu serviços de funilaria e reforços na segurança com troca de pneus e rodas, instalação de faixas refletoras e espelhos retrovisores.
Os catadores receberam camisetas, luvas especiais e capas de chuva do “Pimp my Carroça”, massagem, corte de cabelo, atendimento psicológico, odontológico e oftalmológico (os óculos doados foram entregues no dia 2 de agosto). “As pessoas passavam pelo Anhangabaú e paravam para acompanhar as atividades, ver os artistas produzindo... Pela primeira vez, muita gente teve, de fato, contato com os catadores de materiais recicláveis e entendeu seu trabalho. De certa forma, conseguimos dar um primeiro passo em direção ao nosso objetivo que é usar uma arte marginalizada, o grafite, para chamar a atenção para uma atividade marginalizada, a do catador, num esforço de levar a população a reconhecer seu papel como agente ambiental”, conta Mundano.
Rafael Bahia, catador desde 1986, garante ter se sentido valorizado com a iniciativa: “Em todos esses anos, meu trabalho nunca tinha sido visto dessa forma. Esse respeito é muito importante para nós.” O sucesso da experiência de São Paulo – amplamente coberta pela imprensa - e a realização da Rio+20 estimularam os organizadores a promover, vinte dias depois, uma versão carioca do “Pimp my Carroça” que reuniu aproximadamente vinte catadores, voluntários e grafiteiros. Resultado: mais mobilização e reconhecimento.
Além do suporte anônimo de voluntários e doadores, o “Pimp” conta com o apoio de figuras conhecidas como o cantor Gilberto Gil e Gustavo da Lua, percursionista da banda Nação Zumbi. “Estamos avaliando, agora, uma série de possibilidades, não apenas no sentido de levar o ‘Pimp’ para outras cidades, mas também de expandi-lo em novas direções. Uma delas seria o ‘Pimp my Cooperativa’, com a melhoria das instalações, grafite nos muros, doação de equipamentos como prensas e esteiras e uma força na formação dos catadores. Estamos analisando cada ideia dentro da premissa de manter o movimento independente, baseado no apoio de pessoas e empresas parceiras”, explica Mundano. Para acompanhar os próximos passos do ‘Pimp’, é só curtir sua fanpage no facebook: http://www.facebook.com/pimpmycarroca

Confira o documentário do Pimp my Carroça: http://vimeo.com/45878176

Fonte: CEMPRE

Um bom exemplo de responsabilidade compartilhada: Prefeitura, iniciativa privada, organizações não governamentais, catadores e população unem-se em município capixaba


Um dos principais polos de desenvolvimento econômico do Espírito Santo, o município de Linhares (com 142 mil habitantes) está operando, desde julho, um sistema bem estruturado de coleta seletiva. Cada detalhe do modelo contou com o expertise de parceiros que se uniram para desenhar uma operação eficiente tanto do ponto de vista ambiental quanto social.
 Prefeitura, SABB Coca-Cola, Instituto Coca-Cola Brasil, Vital Engenharia Ambiental e a ong Doe seu Lixo, entre outros apoiadores, colocaram em prática a responsabilidade compartilhada (uma das principais diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos) na elaboração do CRIAR - Centro de Reciclagem, Inovação, Aprendizagem e Renovação. O sistema abrange diversas frentes, articulando a inclusão dos catadores e o fomento ao cooperativismo com a educação ambiental, a entrega voluntária de recicláveis e a coleta seletiva. 
Os catadores que aderiram ao CRIAR deixaram as ruas e já estão trabalhando na central de triagem que opera com tecnologia de ponta e tem capacidade para 160 toneladas de resíduos por mês (cerca de 4% do volume gerado no município). Eles foram treinados para exercer suas novas atividades, recebem vale-transporte, cesta básica e foram inscritos nos programas sociais da prefeitura, do estado e do governo federal. "Oferecemos apoio psicológico, alfabetização de jovens e adultos e reforço escolar para os filhos dos catadores. Ou seja, nosso modelo concebe esses profissionais como agentes ambientais, valorizando e humanizando seu trabalho. Quando estruturamos a central, não levamos em conta apenas a triagem dos materiais, pensamos em um espaço que unisse boas práticas socioambientais como um todo", conta Lucas Scaramussi, secretário de Meio Ambiente de Linhares.
O valor na conscientização
"A SABB Coca-Cola, alinhada à plataforma 'Viva Positivamente' da Coca- Cola Brasil, vem trabalhando fortemente para fomentar e reconhecer o papel dos catadores na cadeia da reciclagem, que entendemos ser fundamental e de relevante interesse público. O projeto CRIAR segue nesse sentido e expressa sua importância já no nome, trazendo a mensagem de que visa ser um centro de inovação e aprendizagem. É uma proposta diferenciada de mobilização, articulação e integração do público e do privado para enfrentar um dos maiores desafios da sociedade moderna que é a destinação ambientalmente responsável das embalagens pós-consumo. Isso exige muita inovação e conscientização da sociedade. Daí vem o foco no aprendizado que é expresso no nome do projeto", destaca Fabiano Rangel, gerente de sustentabilidade da SABB Coca-Cola.
A conscientização da população está sendo feita por meio de materiais de comunicação e as campanhas deverão ser intensificadas nos locais de maior circulação. "Mesmo os moradores de bairros não cobertos pela coleta seletiva domiciliar serão estimulados a utilizar os Postos de Entrega Voluntária. Em parceria com a SABB Coca-Cola, a Tetra Pak e a Secretaria de Educação, estamos atuando também nas escolas com palestras e materiais educacionais para sensibilizar as crianças desde cedo", detalha Bianca Drago, da Divisão de Educação Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente.
Enquanto isso, nas ruas, a coleta seletiva é feita por um caminhão especialmente destinado para essa finalidade. Na central de triagem, a ong Doe seu Lixo, supervisionada pela prefeitura, contribui com a gestão administrativa e operacional do CRIAR e tem como meta tornar a cooperativa autossustentável em 24 meses. A ideiaé que os catadores ganhem autonomia e consigam, por conta própria, consolidar e expandir o alcance do projeto, tendo o apoio dos parceiros, da prefeitura e a
participação da população.

Fonte: CEMPRE
Para saber mais: www.linhares.es.gov.br

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

CEMPRE propõe modelo único de logística reversa com investimentos de R$70 milhões

Dois anos após a assinatura da Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que demorou duas décadas para ser aprovada no Congresso Nacional, o setor produtivo tem agora prazo para cumprir a obrigação legal de iniciar a logística reversa das embalagens - coleta e retorno do material reciclável à produção industrial após o consumo.
Até 31 de dezembro, as empresas precisarão avançar no diálogo setorial, concluir estudos de viabilidade econômica e apresentar um plano sobre como funcionará o sistema brasileiro de reciclagem, a ser aprovado pelo governo federal para entrar em operação no começo de 2013. No ano seguinte, conforme determina a legislação, os lixões deverão estar erradicados, o que exigirá investimentos na construção de um parque nacional de indústrias recicladoras capaz de absorver como matéria-prima o que hoje é descartado a céu aberto.
"Chegamos a um momento crucial para a lei sair do papel", diz Victor Bicca, presidente do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre). A instituição articulou uma coalizão de 25 associações empresariais para propor um modelo único de logística reversa que seja economicamente viável.
O sistema será baseado no fluxo único de materiais por meio da coleta seletiva municipal. Está previsto um investimento privado inicial de R$ 70 milhões, parte a ser aplicada na qualificação de cooperativas de catadores, que precisarão aumentar a capacidade de processamento.
Na primeira fase, terão prioridade os 65 municípios e regiões metropolitanas que representam 35% dos resíduos gerados no país, incluindo as cidades-sede da Copa do Mundo. O plano da iniciativa privada é expandir os pontos de entrega voluntária de lixo reciclável pela população e até recomprar embalagens após o uso, de maneira a garantir preços atrativos para quem vende a sucata.
A meta é dobrar a reciclagem no Brasil em vinte anos, atraindo novos investimentos, o que esbarra na falta de instrumentos econômicos para estímulo do mercado, não definidos pela nova legislação. O Decreto 7.619, de 2011, estabelece como incentivo o crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para indústrias que comprarem matéria-prima reciclável diretamente das cooperativas. A alíquota do desconto varia de 10% a 50%, conforme o tipo de resíduo.
"A medida, tímida, não surtiu efeito no mercado", analisa Auri Marçon, presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET. A maior parte do lixo reciclável do país não é processada por cooperativas, mas por empresas recicladoras, sucateiros e atacadistas, não contemplados pelo decreto. Além disso, a maioria dos catadores não está apta a emitir notas fiscais e documentos exigidos para o benefício. A Receita Federal projeta para 2012 uma renúncia fiscal em torno de R$ 128 milhões, relativa ao incentivo.
"Não adianta atingir só um elo da cadeia", ressalta Marçon, ao advertir que o esforço deve estar na coleta dos materiais após o consumo e no estímulo à demanda pelo produto final reciclado. "Montadoras de automóveis que resistiam à reciclagem hoje estão abertas ao uso de peças produzidas a partir do lixo", ilustra. Hoje 56% das garrafas retornam à indústria para abastecer principalmente o setor têxtil, totalizando faturamento de R$ 1 bilhão por ano, apenas com reciclagem.
"Apesar dos R$ 150 milhões investidos nos últimos cinco anos no parque que recicla PET, é alta a ociosidade, atingindo 30% da capacidade durante o inverno, quando é menor o consumo de bebidas e embalagens", revela.
"Não é impossível até 2015 reciclar 22% do lixo seco produzido no país", atesta Silvano Silvério, do Ministério do Meio Ambiente. A taxa atual é estimada em 14%. O compromisso consta no PNRS. De acordo com Silvano, o Comitê Interministerial, encarregado das medidas para colocar a lei em prática, elabora diagnóstico no sentido de identificar entraves e propor incentivos fiscais para que as metas sejam cumpridas.
Com a expansão da coleta municipal e a proibição legal do despejo de materiais recicláveis em aterros, a preocupação é garantir que essa matéria-prima excedente tenha preços competitivos e seja incorporada pelo mercado. "É necessário repassar para o produto final - ou seja, a embalagem - o benefício fiscal que existe para a compra de aparas de papel", sugere Ricardo Trombini, presidente da Associação Brasileira de Papel Ondulado, setor que fatura por ano R$ 9 bilhões, com 75% da matéria-prima proveniente do descarte. O incentivo representaria anualmente R$ 100 milhões que poderiam ser injetados na melhoria do sistema de reciclagem.
A estratégia é fazer a reciclagem no próprio Estado que gerou o lixo, porque há incidência de ICMS se o caminhão com resíduos cruzar a divisa. "Não propomos incentivos, mas justiça tributária", afirma Fernando von Zuben, diretor de meio ambiente da Tetra Pak, que investe R$ 10 milhões por ano na cadeia de reciclagem.

Por:  Sergio Adeodato | Para o Valor Econômico - 21/08/2012

Fonte: Planejamento

sábado, 11 de agosto de 2012

1 ano do Projeto Light Recicla que troca materiais recicláveis por abatimento na conta de luz

Crédito da imagem: CEMPRE
Em agosto de 2011, a Light, companhia responsável pelo fornecimento de energia elétrica a 31 municípios do Rio de Janeiro (incluindo a capital), lançou o Projeto Light Recicla que garante desconto na conta de luz para quem encaminha materiais recicláveis aos pontos de troca do programa. O piloto do Light Recicla é realizado nas Comunidades Santa Marta, Chapéu Mangueira, Babilônia e nos bairros de Botafogo e Humaitá, na Zona Sul do Rio, e já está em estudo sua ampliação para outras comunidades pacificadas.
“Nesses locais, ainda há muito lixo pelas ruas. Então, como podemos falar em ter um resgate da autoestima se essas pessoas estão no meio do lixo? Daí surgiu o Light Recicla para contribuir com a mudança deste cenário. É também uma forma de contribuir com a criação de renda nessas comunidades”, conta Fernanda Mayrink, gerente do projeto.
Em parceria com a Prefeitura Municipal, o Light Recicla instalou cinco Eco-Pontos na região para receber materiais como garrafas PET, sacolas e embalagens plásticas, papéis, metais, vidros, embalagens longa vida e óleo de cozinha, entre outros recicláveis. Cada material tem um preço por peso que gera automaticamente os créditos na conta de energia escolhida pelo participante.
Os moradores também podem optar por doar as cotas referentes aos descontos para instituições sociais cadastradas no projeto. Dessa forma, o projeto se estende à população de outras localidades que podem direcionar seus recicláveis para doação a uma das 17 entidades cadastradas. Este é o caso de três escolas particulares da Zona Sul - Escola Alemã Corcovado, Colégio Santo Inácio e Escola A. Liessin – que já doaram mais de três toneladas de recicláveis.
“Até agora, recebemos 247 toneladas de materiais, 1.847 litros de óleo e contamos com mais de 2.380 pessoas cadastradas”, detalha Marliane Mendonça, coordenadora do projeto. “Na nossa avaliação, o Light Recicla vem tendo uma receptividade bastante positiva e várias comunidades já estão solicitando sua participação no projeto. Temos previsão de expansão para mais comunidades pacificadas que contam com a presença de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). O Light Recicla, além de colaborar para a promoção de um meio ambiente mais limpo, gera renda que contribui no pagamento das contas de luz com materiais que iriam para o lixo.”
O Light Recicla tem como parceiros a empresa 3E Engenharia e a Doe Seu Lixo, além de contar com o apoio das Secretarias Municipais de Meio Ambiente, Assistência Social, Conservação e Serviços Públicos, Comlurb e UPP Social. Segundo o vice-prefeito e secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz, a iniciativa da Light possui uma grande importância socioambiental. "Esse projeto permite maior conscientização por parte da população com relação às questões sobre os resíduos sólidos e como devemos reduzi-los na natureza. Assim, esperamos que haja uma mudança cultural, de comportamento mesmo, que traga para a cidade e seus moradores mais qualidade de vida."


Para saber mais: http://www.light.com.br/

domingo, 22 de janeiro de 2012

Projeto de Lei estabelece que toda embalagem produzida no país será tarifada de R$0,02 a 0,10 para fins ambientais

Com a proximidade da data para a nova Política Nacional de Resíduos Sólidos entrar em vigor,  um projeto de lei paralelo que tramita no Congresso veio para causar polêmica. Segundo a proposta do deputado federal Adrian Mussi, do Rio de Janeiro, toda embalagem produzida no País seria taxada de 2 a 10 centavos de real cada, verba que seria destinada para fins ambientais.
"Essa ideia veio da maneira errada e em um momento equivocado", afirmou ao DCI o presidente da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), Maurício Groke. Ele diz que a Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada pelo Congresso em 2010, ainda está em discussão em Brasília, com a participação de inúmeras entidades do setor. "Essa nova proposta não deixa claro como o dinheiro arrecadado será gerido", afirma o executivo.
O projeto 1929, de 2011, prevê a criação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico sobre Embalagens, que seria destinada ao custeamento do Fundo Nacional para a Coleta Seletiva e a Reciclagem. A entidade repassaria recursos para pequenos e médios municípios implantarem mecanismos de destinação adequada de resíduos sólidos.
"Essa seria mais uma arrecadação vultosa que nós não sabemos, de fato, para onde vai", diz Groke. De acordo com o projeto de lei, as taxas são de R$ 0,02 para as embalagens do tipo polietileno tereftalato (PET) e de poliestireno (PS); R$ 0,10 para polietileno de alta densidade (PEAD) e policloreto de vinila (PVC); R$ 0,03 para as demais embalagens plásticas; Para as de aço, R$ 0,04; R$ 0,05 para vidro e R$ 0,06 para longa vida.
Segundo dados divulgados pela Abre, os fabricantes nacionais de embalagens devem registrar receita líquida de R$ 45,6 bilhões em 2011, crescimento de 6,7% em relação ao ano de 2010. Já o incremento da produção deve ficar em 1% na comparação com o ano passado. Com esses números, o impacto de uma tributação como essa seria difícil de calcular, afirma o executivo. "Muitas embalagens custam o mesmo preço que as taxas da proposta em questão", diz. Ele destaca que a aprovação desse projeto de lei acarretaria principalmente no repasse do custo ao consumidor final. 
Para a gerente-executiva da Associação Brasileira da Embalagem de Aço (Abeaço), Thaís Fagury, o projeto de Mussi vai contra a própria política de resíduos sólidos, proposta pelo governo federal. "O grande impacto vai incidir sobre o consumidor final", avalia.
Segundo Fagury, o setor deve fechar o ano de 2011 com produção de 600 mil toneladas de embalagens de aço, número que inclui 280 mil toneladas recicladas. Fagury afirma que, caso esse projeto seja aprovado, além do impacto financeiro, também se somariam ao quadro as exigências do projeto de logística reversa. "Nós estamos preparados para receber todo o material a ser devolvido, mas é preciso saber se os consumidores estão", diz Fagury.
A gerente-executiva da Abeaço também ressalta que os valores propostos pelo deputado Mussi não têm justificativa plausível. "Trata-se de um texto um tanto confuso", afirma Fagury. A associação prevê um crescimento de 2% do mercado de embalagens de aço em 2011, com destaque para o segmento de tintas, impulsionado pela expansão do mercado imobiliário.

Fonte: DCI

domingo, 27 de novembro de 2011

Conheça e entenda as diferenças dos ciclos verdes: Precycling, Freecycling, Recycling, Upcycling, Downcycling

Os Ciclos Verdes ajudam a manter os materiais em uso (em um ciclo) e não em aterros ou em outros locais, muitas vezes inadequados no meio ambiente. Cada ciclo deve se adequar sos 3 Rs do meio ambiente (Reduzir, Reutilizar e Reciclar).  Desta forma, estes ciclos podem contribuir na redução do lixo, economia de recursos  e também  na manutenção da qualidade de vida e preservação do meio ambiente. 
Além disso, o conhecimento dos ciclos verdes podem auxiliar no aprendizado das  crianças sobre a preservação do meio ambiente, pois eles podem ser implementados em casa, escola, escritório ou qualquer outro ambiente, onde haja a geração de resíduos. Cada um dos Ciclos Verdes têm uma função diferente  e específica, mas todos contribuem com a preservação do meio ambiente, conheça suas principais diferenças:
Precycling antecede o momento do consumo, é o ato de  pensar no futuro antes de comprar. Isso pode reduzir o acúmulo de resíduos, diminuior os itens enviados para aterros sanitários e gerar economia de dinheiro. O precycling pode auxiliar na escolha de uma embalagem, por exemplo, que seja menos danosa ao meio ambiente ou que possa mais facilmente ser reciclada ou reutilizada. 
Freecycling  é o ato de doar itens que não já perderam sua utilidade para os primeiros usuários, em vez de simplesmente descartá-los ou de jogá-los fora. A grande rede de reutilização pode ser criado. Um exemplo disso é o consumo colaborativo também, no qual você empresta ou até mesmo aluga um item que pode também ter utilidade para outras pessoas.
A reciclagem (Recycling)  é o processamento e transformação de materiais usados ​​em novos produtos, o que resulta em menos desperdício de materiais potencialmente úteis, menor consumo de matérias primas virgens, o uso de menos energia, menos água e redução da poluição do ar. No entanto, caracteriza-se como reciclagem, o processo que transforma, por exemplo o resíduo de alumínio em novo alumínio, com as mesmas características e propriedades sem perda de valor.
Upcycling é a criação de itens úteis a partir de material reciclado, neste caso o produto gerado a partir do resíduo tem mais valor do que o material original.  Isso resulta em menos desperdício e menos consumo de matéria-prima virgem. Um exemplo deste processo é a fabricação de bolsas e acessórios com lona de caminhão usada.
Downcycling é reutilização ou reciclagem de um produto com qualidade inferior e alternativa  quando comparada ao uso original, isto ocorre para manter esse resíduo fora dos aterros e estender sua vida útil. Isso ocorre com a maioria dos tipos de plástico, exceto a resina PET, os quais geralmente perdem suas propriedades após a reciclagem e não podem mais ser utilizados para embalar os mesmos tipos de produtos, como por exemplo embalagens de alimentos que são transformadas em sacos plásticos, lixeiras, etc.

Você que está lendo esta postagem pode sim contribuir para a preservação do meio ambiente, desde que participe ativamente de apenas um desses ciclos verdes. Este já é um grande passo para um futuro mais verde e saudável.

Por: Patricia Guarnieri para o Blog Logística Reversa e Sustentabilidade adaptado de Ecovitality

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Cidade de Granada entra para o livro dos recordes com uma escultura feita com 50 mil embalagens longa vida

A cidade de Granada, no Sul da Espanha, entrou para o livro dos recordes com a maior escultura feita de materiais recicláveis do mundo. Com 29 metros de comprimento, 14,06 metros de largura e 7 metros de altura, foram necessários mais de 50 mil caixas de leite (tetra pak) para construir o castelo.
Para juntar todas as caixas, as escolas fizeram um concurso, que envolveu mais de cinco mil crianças. As três escolas vencedoras, que coletaram mais caixas, estiveram presentes na cerimônia para ver o resultado de seu trabalho. A escola vencedora chegou a juntar mais de 4.500 caixas nas duas semanas do concurso.
O castelo, que foi projetado pelos estudantes da Faculdade de Arquitetura de Granada, não possui nenhuma estrutura interna. Todos os “tijolos” foram unidos apenas por grampos e cola. Além disso, o castelo conta com uma torre de sete metros de altura, onde é possível entrar e ter uma vista superior de toda a estrutura.
O evento foi sediado no Parque de Ciências de Granada e patrocinado pela prefeitura local e pela Resur Granada (companhia de tratamento de lixo da região). Os organizadores ficaram surpresos com o destaque que a obra ganhou e afirmaram nunca terem visto tantas equipes de TV na região.
O recorde anterior havia sido batido há três semanas em Huelva, também na Espanha.

Por: Redação Ciclo Vivo
Fonte: Ciclo Vivo

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Entenda a diferença entre Recycling, Downcycling e Upcycling

O processo de Recycling (reciclagem), em sua definição mais estrita, é a recuperação dos materiais do artigo X e a produção de outro artigo X a partir deste, ou seja, recupera-se um material e este torna-se matéria-prima do mesmo produto que fazia parte. Temos por exemplo, o caso da reciclagem de óleo do motor de veículos, este pode ser filtrado e destilado para se criar óleo de motor novo com a mesma qualidade. O óleo não se desgasta e não perde suas características básicas com o uso, ele somente fica sujo.
O processo de Downcycling existe quando se recupera um material para reuso em um produto com menor valor, ou seja, a integridade do material é de certa forma comprometido com o processo de recuperação e isto significa que ele não pode ser usado novamente para se fabricar o produto original.
Em um mundo perfeito, a garrafa plástica poderia ser facilmente reciclada em outra garrafa plástica ou algo de mesmo valor. No caso dos plásticos com a resina PET, isso pode ser feito, como também acontece com as latas de alumínio e as garrafas de vidro.
Mas algumas resinas plásticas, como a HDPE, comumente usadas como matéria-prima de embalagens primárias, de leite, iogurte, sucos e garrafas de água não podem ser verdadeiramente recicladas, ou seja, o resultado de sua recuperação não pode ser usada novamente como embalagens de produtos alimentícios. Inclusive este fato está disposto em legislação específica da Anvisa.
Estas resinas são frequentemente downcycled em coisas como mesas, cadeiras, lixeiras e requerem tratamento extra em termos de energia e dos produtos químicos que compõem as resinas. Para estes plásticos resistentes serem criados é necessário um grande montante de embalagens plásticas no processo de recuperação.
Adicionalmente, a resina HDPE, pode ser misturada com outros tipos de resina plástica que a transforma em outro tipo de produto, considerada o extremo dos tipos de resina. Considerando que este produto esgotou sua utilidade, seu próximo destino será, provavelmente, a destinação final. Outro exemplo de material que não pode ser reciclado e sim downcycled é o papel. O papel para escrita de boa qualidade não pode ser reciclado em papel do mesmo tipo, com as mesmas características, ele é então downcycled em papéis para fotocópia, papel cartão e papel higiênico.
Já o conceito de Upcycling é, como podemos deduzir, um processo de recuperação que converte materiais desperdiçados/resíduos em novos materiais ou produtos com maior e/ou melhor qualidade e valor ambiental. Um exemplo bem conhecido é a utilização de lona de caminhões usadas na fabricação de roupas, bolsas, chapéus, bonés e outros artigos com alto valor agregado.
Portanto, recycling (reciclagem), downcycling e upcycling não são sinônimos ou termos novos que surgem com a “moda da preocupação ambiental”. Há diferenças essenciais que devem ser levadas em conta: Enquanto o primeiro processo permite que o resíduo recuperado se transforme em matéria-prima que pode ser utilizada no processo de produção do artigo que o gerou; o segundo processo de recuperação transforma o resíduo em matéria-prima de menor valor, que não pode ser utilizada no processo produtivo do produto que o gerou e sim, em produtos secundários; no que se refere ao terceiro processo, pode ser considerado o ideal de um processo de recuperação de resíduos, pois transforma os resíduos gerados em matéria-prima ou produto com melhor qualidade e valor do que o produto que o gerou.
É importante lembrar que a reciclagem pode requerer energia em seu processo, além de que alguns materiais podem requerer mais energia e processos químicos do que outros, produzindo artigos com menor valor ambiental.
Uma forma de evitar o downcycling é tomar decisões de compra mais conscientes, por exemplo, digamos que no momento da compra eu saiba que a embalagem do produto X é feita da resina plástica PET e a embalagem do produto Y é feita com a resina HDPE, considerando que ambos os produtos são idênticos em termos de qualidade e características básicas, o produto X seria a melhor opção, pois sua embalagem será mais facilmente recuperada.
Mas é claro, não podemos com isso, justificar o consumo exagerado de itens com embalagens com maior valor ambiental, devemos sempre lembrar dos
“3R” – Reduza, reuse e recicle.
Então, agora que você já sabe a diferença entre estes três conceitos e o valor que cada um gera, em termos ambientais, vamos evitar o downcycling e nos tornar cada vez mais adeptos do upcycling.

Por: Patricia Guarnieri para o Blog Logística Reversa e Sustentabilidade
Livros - Submarino.com.br