"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Fabricante de bebidas terá de recolher garrafas PET jogadas no ambiente

A logística reversa ganha força com uma recente decisão do STJ. Um caso parecido já havia ocorrido no estado do Paraná em 2010, quando o IAP autuou empresas de refrigerantes e bebidas em 14 milhões por descumprirem o plano estadual de resíduos sólidos. Veja a matéria na íntegra abaixo.

A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) que responsabilizou a empresa Refrigerantes Imperial S/A pelos danos ambientais decorrentes do descarte de garrafas PET. A Turma não entrou na discussão sobre a existência ou não de responsabilidade da empresa, como ela pretendia, pois o recurso não contestou os fundamentos legais da decisão de segunda instância.
A fabricante foi condenada pela Justiça do Paraná a recolher os vasilhames deixados pelos consumidores em ruas, córregos e qualquer outro lugar impróprio, e também a informar procedimento de recompra no rótulo dos produtos e aplicar 20% de sua verba publicitária em campanhas educativas.
O acórdão do STJ que negou provimento ao recurso da empresa deve ser publicado nos próximos dias.

Responsabilidade objetiva

O tribunal paranaense entendeu que a fabricante tem responsabilidade objetiva por dano causado pelo descarte de embalagens, nos termos das Leis 7.347/85 e 6.938/81 (artigos 3º e 14) e da Lei Estadual 12.943/99 (artigos 1º e 4º).
Ajuizada pela Habitat – Associação de Defesa e Educação Ambiental, a ação foi julgada improcedente em primeira instância, apesar de o juízo singular reconhecer a existência do dano. O TJPR reformou essa decisão ao argumento de que a responsabilidade pelo lixo resultante é da ré e não poderia ser transferida para o governo ou para a população.
Segundo o tribunal estadual, se o uso das garrafas PET permite que os fabricantes de bebidas reduzam custos e aumentem lucros, nada mais justo do que responsabilizá-los por isso. A empresa, portanto, deveria retirar as garrafas das ruas ou recomprá-las, além de investir na conscientização de consumidores.
Créditoda imagem: Folha Uol

Fora do pedido

No recurso ao STJ, a empresa afirmou que as provas relativas ao dano ambiental eram frágeis e que o reconhecimento de responsabilidade exigia a demonstração de nexo de causalidade, não presente no caso. Disse que não se enquadrava como agente poluidor e que o material utilizado para envasar os produtos não poderia ser entendido como resíduo industrial. O possível dano ambiental, acrescentou, seria decorrente da atitude dos consumidores ou da omissão da administração pública.
A fabricante alegou ainda que o TJPR teria feito julgamento extra ou ultra petita (fora ou além do pedido) quando determinou que fossem adotados procedimentos de recompra e reutilização das garrafas, com informações sobre isso nos rótulos, e também quando a obrigou a investir 20% dos recursos de publicidade na conscientização dos consumidores sobre o destino das embalagens 

Condenação alternativa

Para o relator, ministro Antonio Carlos Ferreira, a responsabilidade atribuída ao fabricante em relação aos resíduos gerados pelo consumo de seus produtos decorre de preceitos constitucionais, inseridos principalmente nos artigos 170, inciso VI, e 225 da Constituição Federal.
Ao negar o recurso, o relator concluiu que não houve julgamento fora do pedido no acórdão do TJPR. Os procedimentos de recompra e reutilização determinados pelo TJPR realmente não foram pedidos na ação, que pleiteava apenas a condenação da empresa a recolher os vasilhames espalhados no meio ambiente e a promover campanha publicitária para incentivar o recolhimento, sem definição de valor a ser investido.
No entanto, segundo o ministro Antonio Carlos, a recompra dos vasilhames foi uma condenação alternativa imposta pelo TJPR, cabendo à empresa aceitá-la, se preferir, ou cumprir a determinação para recolher diretamente as garrafas. Quanto à fixação do percentual dos gastos com campanha publicitária, o ministro afirmou que o TJPR apenas definiu uma forma eficaz de cumprimento da condenação, evitando discussões na fase executória.

Pós-consumo

Além disso, o relator observou que alguns dos dispositivos de lei citados pela empresa como supostamente violados não foram debatidos no tribunal de origem, o que leva, nesse ponto, ao não conhecimento do recurso por falta de prequestionamento.
Por outro lado, a recorrente não questionou a incidência de normas legais nas quais o TJPR se baseou para concluir que, em se tratando de responsabilidade pós-consumo de “produtos de alto poder poluente”, não se poderia poupar quem se beneficiou economicamente com a degradação ambiental resultante.
“Em tais circunstâncias, sendo incontroversos os fatos da causa e entendendo o tribunal de origem, com base em normas legais específicas sobre o mérito, haver responsabilidade e culpabilidade por parte da ré, que lucra com o uso das garrafas PET, caberia à recorrente apresentar normais legais igualmente meritórias em seu favor”, afirmou o ministro.

Esta notícia se refere ao processo: REsp 684753

Fonte: ICNews
Fonte da imagem: Folha de São Paulo


Paraná – Governo autua empresas de refrigerantes e bebidas não alcoólicas em 14 milhões
Publicado em 31 de março de 2010

A Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos autuou nesta quarta-feira (31) fabricantes de refrigerantes e bebidas não-alcoólicas em R$ 14 milhões – cada uma foi multada em R$ 1 milhão – pelo descumprimento da legislação ambiental no que se refere à destinação dos resíduos de embalagens que disponibilizam no mercado. As empresas multadas foram Alflash, Brasfrigo, Chocoleite, Ambev, Danone, Nestlé, Pepsi-Cola, Schincariol, Red Bull, Refrigerantes Pakera, SIG Combibloc, Coca-cola, Ultrapan, Yoki.
Para o secretário do Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, os fabricantes não cumpriram com o planejamento previamente acordado – com a Secretaria e o Ministério Publico – para a logística reversa de suas embalagens. “O nosso entendimento foi que estas empresas não estão assumindo os passivos ambientais produzidos por suas práticas comerciais no Estado”, disse.
Desde maio de 2009 técnicos da Secretaria, por meio do Programa Desperdício Zero, mantiveram conversas e negociações com a Associação Brasileira de Refrigerantes e Bebidas Não-Alcoólicas (ABIR), instituição que foi eleita pelas empresas para mediar as discussões e elaborar um Plano de logística reversa, que deveria ser apresentado à Secretaria.
Rasca Rodrigues comentou ainda que esta atitude dos fabricantes acaba onerando os municípios, e ignora toda a cadeia de reciclagem que se inicia com os catadores até os recicladores que trabalham sem subsídios dos responsáveis pelas embalagens.
As empresas foram enquadradas no artigo 80 do decreto federal 6514/2008, por desrespeito a autoridade ambiental, falta do Plano de Gerenciamento de Resíduos, que se referem às embalagens pós-consumo dos seus produtos, entre outros dispositivos da Legislação Ambiental. Além da autuação, as empresas terão ainda que apresentar um novo Plano de Gerenciamento.

Histórico

Em maio de 2009, os fabricantes foram informados pela Secretaria e pelo Ministério Público do Paraná sobre as exigências ambientais quanto à geração de passivos ambientais, e da necessidade da formação de um Plano de logística reversa – que consiste no recolhimento das embalagens dos produtos por meio do fabricante. Somente no dia 21 de outubro a Abir apresentou projeto denominado “Multiplicadores ambientais e inclusão social no estado do Paraná” o qual recebeu parecer favorável do corpo técnico da Coordenadoria de Resíduos Sólidos.
Após esta data a Associação alterou unilateralmente o cronograma apresentado pelo projeto e tendo em vista que o termo não teve adesão de todas as empresas desta Associação, a multa foi aplicada.
O coordenador de resíduos sólidos da Secretaria, Laerty Dudas, declarou que ao analisar o histórico das negociações fica clara a postura adotada pelas empresas. “Elas optaram pela política do não fazer e de como ganhar tempo para não assumir suas responsabilidades como fabricante”, destacou.

Logística Reversa

Em 2003, a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos lançou o programa Desperdício Zero para reduzir em 30% o volume de resíduos depositados nos aterros sanitários paranaenses – cerca de 20 mil toneladas a cada dia. Uma de suas primeiras ações foi a identificação dos materiais que chegavam, desnecessariamente, em grandes quantidades nos aterros sanitários para colocar em prática a logística reversa.
Sacolas plásticas, embalagens longa vida, pilhas e baterias, papel, materiais de construção civil, pneus, lâmpadas, metais, orgânicos, vidros, óleo lubrificante eram alguns destes resíduos.

Resultados

Os primeiros resultados já estão aparecendo. A maioria dos supermercados instalados no Paraná já aderiu a sacolas ecologicamente corretas – como as feitas de plástico oxibiodegradável, tecido ou retornáveis. A Tetra Pak, por exemplo, fabricante exclusiva das embalagens longa vida cartonadas, também acatou a solicitação da Secretaria e desenvolveu, em parceria com o Desperdício Zero, um programa chamado “Paraná e Tetra Pak em ação” para o recolhimento dos seus produtos.
Já os postos de combustíveis, um dos principais distribuidores de óleo lubrificante, lançaram o programa Jogue Limpo, para recolhimento e reciclagem destas embalagens – elaborado de maneira inédita pelo Desperdício Zero em parceria com Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) e o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Derivados de Petróleo e Lojas de Conveniência do Paraná (Sindicombustíveis-PR).

Fonte – Agência Estadual de Notícias de 31 de março de 2010

Foto - angelmaramot

Abaixo a carta de autuação constante no site da FunVerde

Curitiba, 30 de março de 2010.
Ofício nº 189/10 – SEMA/GS

Prezado Senhor:
Determino que sejam autuadas as empresa abaixo relacionadas, tendo em vista, que as mesmas até a presente data não apresentaram, a esta SEMA e ao Ministério Público, proposta para a implementação da logística reversa que permita o recolhimento das embalagens pós-consumo geradas no Estado do Paraná.
A morosidade com que essas empresas, através da Associação Brasileira de Refrigerantes e Bebidas Não Alcóolicas – ABIR, tratam o assunto, fica perfeitamente demonstrado no histórico em anexo, pois o mesmo reflete a estratégia aplicada pela ABIR de como “não fazer e de como ganhar tempo e não assumir suas responsabilidades pós-consumo de suas embalagens”.
Sendo assim, estas empresas deverão ser enquadradas, quanto ao aspecto de desrespeito a autoridade ambiental, falta do Plano de Gerenciamento de Resíduos que contemplem as embalagens pós-consumo, pelo passivo ambiental gerado pelas embalagens pós-consumo de seus produtos, entre outros dispositivos que ferem à Legislação Ambiental.
Empresas a serem autuadas:
1.Alflash Comércio de Bebidas
2. Brasfrigo S/A Alimentos
3. Chocoleite Indústria de Alimentos LTDA
4. Cia de Bebidas das Américas – AmBev
5. Danone LTDA
6. Nestlé Waters Brasil Bebidas e Alimentos LTDA
7. Pepsi-Cola Industrial da Amazônia
8. Primo Schincariol – Ind de Cervejas e Refrigerante
9. Red Bull do Brasil
10. Refrigerantes Pakera
11. SIG COMBIBLOC
12. SPAIPA S/A – Indústria Brasileira de Bebidas
13. ULTRAPAN Ind. Comércio LTDA
14. YOKI Alimentos S/A.
Cumpra-se
Lindsley da Silva RASCA RODRIGUES
Secretário de Estado

Ilustríssimo Senhor
Vitor Hugo Ribeiro Burko
Instituto Ambiental do Paraná – IAP

Fonte: Funverde

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Acordo setorial para embalagens em geral: proposta já está em análise pelo MMA

Depois da conclusão da missão do GTT Embalagem, com o lançamento do edital e finalização de estudo de viabilidade técnica (patrocinado pelo governo), em 2013 começa a fase de discussão do acordo setorial propriamente dito. A proposta de acordo do varejo e indústria, apoiada pela Abras, foi entregue à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, no dia 19 de dezembro. A meta inicial, presente no edital, é reduzir em 22% os resíduos recicláveis dispostos em aterros até 2015.
A proposta entregue pelo Grupo Coalizão, coordenado pelo Compromisso Empresarial para a Reciclagem (CEMPRE), que reúne mais de 20 entidades da indústria (produção de matérias-primas e produtos de consumo) e do comércio (ABRAS, ABAD, e CNC), está calcada em projetos principalmente nas regiões metropolitanas das 12 cidades sedes da Copa do Mundo de 2014, com pontos de entrega voluntária (PEVs) e apoio a cooperativas de catadores.
No caso dos PEVs , é importante observar que os PEVs do comércio têm apenas função educativa e de promoção dos benefícios da reciclagem, sendo a coleta seletiva obrigação dos municípios. Na verdade, os PEVs ou ecopontos municipais são os mais adequados, porque otimizam a logística reversa com a coleta seletiva.
Pela PNRS, todos os municípios devem implementar sistemas de coleta seletiva até 2014, marco em que seriam eliminados os lixões (ainda falta muito para que este objetivo seja cumprido, até mesmo nas capitais e grandes cidades, mesmo com linhas de financiamento abertas pelo governo federal).
O processo de assinatura do acordo de embalagens pode levar boa parte do primeiro semestre do ano e, portanto, estima-se para o segundo semestre uma definição mais efetiva de qual modelo de LR será praticado.
Pontos de atenção do varejo:
- Criação de PEVs e melhor logística de operação (com divisão de custos e modelos de ações coordenados com a indústria e incluindo serviços de cooperativas de catadores);
- Divulgação de ações de LRs e de conscientização do consumidor (Plano de Comunicação);
- Leis municipais e estaduais que podem obrigar a LR de Embalagens sem levar em conta o trabalho organizado pelo governo federal em Brasília;
- Taxas que poderão suscitar do processo de coleta seletiva dos municípios, independentemente da LR.
Representaram a Abras na entrega da proposta do Grupo Coalizão à ministra, o vice-presidente da área Institucional Marcio Milan e o diretor de Relações Institucionais, Alexandre Seabra.


Fonte: ABRAS

Resultados dos programas de gestão de resíduos e reciclagem de 2012 do Grupo Pão de Açúcar

Há mais de doze anos investindo em projetos de reciclagem, as iniciativas do Grupo Pão de Açúcar se tornaram referência em sustentabilidade no Brasil. Por meio de programas que compõem um modelo completo e pioneiro, que buscam gerar benefícios ambientais e sociais a todos os seus públicos de interesse, a empresa alcançou em 2012 resultados expressivos, com ganhos de até 400%, se comparado a 2011. Destaque para Estações de Reciclagem, Caixa Verde, Alô Recicle, Descarte Correto de Medicamentos e Coleta de Pilhas e Baterias, programas diretamente ligados ao consumidor.
“A natureza dos nossos negócios tem grande potencial de transformação e engajamento da sociedade, já que somos a ponta das relações de consumo, conectando clientes, produtos e serviços”, conta Vitor Fagá, diretor executivo de Relações Corporativas do Grupo Pão de Açúcar. O GPA é uma empresa com operações em todas as regiões do país e que busca atuar respeitando os valores e culturas de cada praça. A empresa desenvolve projetos de grande capilaridade e que, em sua maioria, tenham força mobilizadora em causas valorizadas pela comunidade, como é o caso dos programas de sustentabilidade. “Muitos dos projetos funcionam sob o conceito de responsabilidade compartilhada em que buscamos envolver toda cadeia de valor”, completa o executivo. .
Presentes em 123 lojas do Pão de Açúcar desde 2001, em parceria com a Unilever, e em 216 unidades do Extra, com outro parceiro, desde 2007, as Estações de Reciclagem disponibilizam para os clientes pontos de entrega voluntária de materiais recicláveis (papel, plástico, metal, vidro e óleo de cozinha usado) nos estacionamentos das lojas de todo o Brasil. Já são mais de 73 mil toneladas arrecadadas e doadas para cooperativas de reciclagem parceiras do programa, promovendo a educação ambiental e a geração de renda para as comunidades. Apenas em 2012, os consumidores descartaram mais de 16 mil toneladas de materiais recicláveis, cerca de 20% a mais do registrado em 2011. Além disso, desde 2010, as Estações de Reciclagem Pão de Açúcar Unilever também arrecadam embalagens de desodorantes aerossóis, em 16 unidades da rede na cidade de São Paulo. A iniciativa já coletou mais de 6,5 toneladas desse tipo de embalagem, que deve ter destinação diferenciada.
O Grupo também desenvolve um programa de descarte “pré-consumo”, chamado de Caixa Verde, que possibilita aos clientes destinarem para reciclagem, em urnas instaladas ao lado dos caixas, embalagens de produtos que não precisam levar para casa, como as caixas de pasta de dente, por exemplo. Presente em 121 lojas Pão de Açúcar desde 2008, o Caixa Verde, já arrecadou mais de 4,4 milhões de embalagens (papel e plástico), sendo mais de 1,4 milhão apenas em 2012. 
Com os materiais arrecadados nos Caixas Verdes, a marca exclusiva do Grupo, Taeq, desenvolveu em 2009 um programa de logística reversa, chamado Ciclo Verde Taeq. Resumidamente, a empresa fornecedora das embalagens Taeq compra o papel de cooperativas de reciclagem, parcerias do Programa Caixa Verde, e o transforma em novas embalagens que irão acondicionar os produtos da marca. Essa ação representa 4,5% do volume das embalagens produzidas.
Outro programa que apresentou resultado expressivo é o Alô Recicle, que tem como objetivo coletar celulares, acessórios e baterias, em urnas disponibilizadas nas lojas e encaminhar para reciclagem. Lançado em agosto de 2010 em uma parceria com a Nokia do Brasil, o programa já arrecadou mais de 2,6 toneladas de materiais, sendo 2,1 toneladas apenas em 2012, mais de 300% a mais que o registrado em 2011. Cerca de 281 lojas Pão de Açúcar e Extra de todo o Brasil participam do Alô Recicle. “Resultados como esse nos motivam a continuar investindo nos projetos e mostram que cada vez mais as pessoas estão aderindo ao consumo e descarte consciente, por meio dos programas disponíveis nas lojas do GPA”, comemora Fagá.
Em outra iniciativa pioneira para a gestão de resíduos, lançada em novembro de 2010, em parceria com a EuroFarma, o programa Descarte Correto de Medicamentos também apresentou um resultado expressivo em 2012. A iniciativa, que visa despertar o consumidor para importância do destino adequado de medicamentos vencidos e/ou fora de uso, embalagens primárias como cartelas de comprimidos e, ainda, materiais perfurocortantes como agulhas, ampolas, vidros de xarope, entre outros, registrou mais 4,5 toneladas de materiais arrecadados, cerca de 150% a mais que em 2011. As urnas estão disponíveis em 31 drogarias do Extra e do Pão de Açúcar nas cidades de S. Paulo, Araraquara (SP), Piracicaba (SP) e Volta Redonda (RJ). Os pontos de coleta são confeccionadas especialmente para o recebimento desses resíduos.
O Grupo Pão de Açúcar comemora também os resultados do Programa de Coleta de Pilhas e Baterias, realizado em parceria com a ABINEE e em cumprimento da legislação CONAMA 401/08, que dá a correta destinação para estes tipos de resíduos. Todas as lojas do Grupo no Brasil possuem coletores específicos onde os clientes podem fazer o descarte de pilhas e baterias. Desde seu inicio, em 2010, os clientes das lojas do Extra e do Pão de Açúcar depositaram mais de 43,8 toneladas de pilhas e baterias, sendo 33 toneladas apenas em 2012, mais de 200% que o registrado em 2011. 
A Companhia investe em várias frentes e além de todos os projetos já apresentados, também possui na cidade de São Paulo quatro pontos (Extra Anhanguera, Extra Itaim, Extra Morumbi e Extra Anchieta) de coleta de lixo eletrônico (televisores, videocassetes, computadores, aparelhos de DVD e microondas), em parceria com a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais). Outra iniciativa implementada foi a campanha para descarte de lâmpadas na loja Pão de Açúcar Cerro Corá, na cidade de São Paulo.
Alinhado às tendências da Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada em 2010, que procura organizar a forma como o país trata os resíduos, incentivando a reciclagem e a sustentabilidade, a empresa possui iniciativas de Gestão Integrada de Resíduos, desde 2008, em 38 lojas das bandeiras Pão de Açúcar e Extra, buscando minimizar o impacto da sua operação no meio ambiente. A ação consiste em um sistema de gestão integrada de resíduos orgânicos e recicláveis, que são separados diariamente e destinados de maneira adequada. Para que esse processo aconteça, todos os colaboradores que atuam nas áreas internas da loja recebem treinamento especial sobre reciclagem e gerenciamento de resíduos. Além disso, estes estabelecimentos dispõem de coletores específicos, que separam os resíduos de maneira eficiente.
Além dessa iniciativa, o GPA implementou um novo modelo de gestão de resíduos que contempla o acondicionamento, coleta, transporte e destinação final dos resíduos de 262 lojas, 6 Centros de Distribuição e 38 drogarias dentro do Estado de SP.
Ainda em 2012, as redes Pão de Açúcar e Extra lançaram novos modelos de sacolas reutilizáveis, disponíveis a partir de outubro em todas as lojas do Brasil. Produzidas em ráfia, as novas embalagens trazem estampas voltadas ao conceito de cada marca. O Pão de Açúcar, que desde 2005 disponibiliza sacolas reutilizáveis em suas lojas, dá continuidade a uma linha temática Para 2012/2013, o mote utilizado será Transparência, que além de novas imagens, conta também com dois modelos a mais, totalizando seis estampas diferentes. Já o Extra, apresenta em dois modelos desenhos que remetem a campanha da bandeira, “Extra por uma Vida mais Família”, e traz outros três voltados ao público masculino com desenhos que ressaltam o patrocínio à Confederação Brasileira de Futebol e a brasilidade presente na marca. Além desses modelos, as bandeiras continuam comercializando sacolas com parte revertida para entidades sociais como é o caso da parceria com a Hope na bandeira Extra e com a SOS Mata Atlântica com a bandeira Pão de Açúcar. Ao longo de 2012 foram vendidas mais de 16,4 milhões de sacolas reutilizáveis no Brasil.

Fonte: ABRAS

Compra de produtos com marcas próprias pode auxiliar as grandes redes de supermercados a realizar a logística reversa


Crédito da imagem: ABRAS
O impulso de compra de produtos com marcas próprias - geralmente bem mais baratos do que os de marcas famosas - deve se mostrar como uma saída a ser utilizada por empresas do setor varejista, tanto para incrementar o faturamento, como para tentar resolver certas questões como a aproximação do consumidor à marca e a diminuição da dependência de produtos importados. Desta maneira, deve ajudar, aliás, a questão da logística reversa - a ser analisada em 2014 -, com a nova Lei dos Resíduos, que deverá entrar em vigor, mas ainda causa desconforto entre as empresas por falta de regras claras. 
A perspectiva é de que várias categorias tenham, nos próximos anos, um leque grande de marcas próprias disputando as gôndolas. Desta maneira, a dependência dos produtos importados poderá ser menor e, assim que for aprovada a norma para a logística reversa de resíduos, uma das maiores preocupações do varejo - o que fazer com os itens importados - possa ser até algo minimizado. Isso, claro, se houver realmente a ampliação de itens marca própria nas lojas. Afinal, esses produtos são produzidos por fornecedores locais, e a divisão da responsabilidade do descarte correto desses produtos poderia mesmo ficar mais prática, pois caberá ao comércio receber, em postos de coleta, as embalagens e demais produtos usados descartados pelos clientes. A indústria fará a separação dos materiais retornados para encaminhá-los à reciclagem ou aterros sanitários, dependendo da natureza do "lixo". 
Responsável por fornecer cookies e biscoitos a players como as redes Dia e Pão de Açúcar, a Dauper registra crescimento médio de 35% ao ano e, segundo o diretor Comercial da empresa, Raul Matos, o uso das marcas próprias pode contribuir ainda mais com o setor varejista e proporcionar menor dependência aos bens de consumo estrangeiros. "A marca própria pode ajudar no sentido de suprir a inovação, que as empresas buscavam antes com os importados", comentou ele. 
Com os negócios aquecidos, a previsão é da Dauper crescer 30% em 2013, com novos produtos e expansão da rede própria de lojas. Para o executivo da marca, o papel do segmento tem mudado no Brasil. "O desenvolvimento da marca própria hoje no Brasil já segue um pouco a Europa, onde os varejistas lançam tendências. Aqui, eles pegavam o que já existia, descobriam qual o preço, a embalagem e não queriam nada diferente, só ofereciam uma redução de uns 20% no preço." 
Matos ainda argumenta que produtos com o nome do supermercado ou lojas podem auxiliar até na negociação com marcas nacionais. "Lançamos o cookie Dia com 30% de chocolate premium, que já vende mais do que qualquer outro produto na loja. Quando uma empresa tem um produto forte, com a marca dela, ele fica menos dependente de líder, como Unilever ou Kraft, no nosso caso." 
A empresa gaúcha tem fábrica em Gramado (RS) e acumula 25 anos de expertise como fornecedora de biscoitos e mix de cereais. Hoje começa uma rede de lojas próprias e pretende abrir a segunda biscoiteria em São Paulo. 
Alcance 
O crescimento das marcas próprias no Brasil também se evidencia no tipo de cliente que consome os produtos. Estudo da empresa Kantar Worldpanel, diz que as classes A e B são atualmente as maiores consumidoras desses itens: cerca de 60% das famílias nessa faixa econômica adquiriram algum item com marcas próprias. A classe C registrou 52%, enquanto D e E registraram 49%. Mas a participação da classe média deve aumentar nesse quesito. Em entrevista ao DCI, o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), João Galassi, afirmou ontem, durante a feira Apas 2013, que as marcas próprias permitem maior fidelidade deste tipo de clientes a determinada rede varejista. "Quando se coloca um produto com marca própria, a confiança da classe C naquele mercado ou naquela empresa aumenta. Tem um peso maior, principalmente para essa faixa de consumidores", apontou. 
Outro ponto no mercado é que segundo dados apresentados ontem pela Nielsen, o faturamento das marcas próprias atingiu no ano passado cerca de R$ 2,8 bilhões, ou seja, um aumento de 56% em relação ao ano de 2008. A pesquisa mostra ainda que o segmento ainda não está consolidado no País, quando comparado a outros mercados como o europeu. Logo, abre-se um grande leque de oportunidades para as empresas do comércio varejista. 
Nas redes Extra e Pão de Açúcar, por exemplo, esses artigos foram inseridos em 2006 e hoje se dividem em quatro marcas diferentes: Taeq, Qualitá, Club des Sommeliers, e Casino. A Taeq é composta por produtos saudáveis; já a linha Qualitá é de itens de primeira necessidade ou de cesta básica, além de artigos para limpeza e higiene pessoal. A produção desses artigos é feita por mais de 500 fornecedores.

Por: Igor Utsumi

domingo, 28 de abril de 2013

PNRS abre novos mercados no país - Na indústria da reciclagem estão as maiores oportunidades

Cada etapa a ser superada na implantação da logística reversa – o gerenciamento do fluxo de produtos e embalagens do ponto de consumo até o ponto de origem, o contrário da logística usual, que administra os materiais da produção até o consumo final –, espinha dorsal do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS, Lei nº 12.305/2010), é um novo mercado que começa a ser vislumbrado por empresas nacionais e estrangeiras. Esses nichos vão desde campanhas publicitárias de educação ambiental dos consumidores, passam pela ampliação da indústria de reciclagem e alcançam a prestação de serviços às seis cadeias produtivas priorizadas no marco legal.
Após quase vinte anos de debate,  indústria, comércio e consumidores de eletroeletrônicos, pilhas e baterias, lâmpadas, embalagens, óleos lubrificantes e pneus terão de lidar, conjuntamente, com a devolução de embalagens e produtos e o reaproveitamento desses materiais em processos produtivos próprios ou de terceiros. A intenção é estender o PNRS a todos os segmentos industriais, mas o foco inicial são os resíduos pós-consumo daqueles que oferecerem maior risco ambiental e já estão submetidos a alguma regulação. 
Embora o fluxo logístico reverso já seja praticado por parte das empresas brasileiras, para a maioria dos segmentos o gerenciamento de resíduos pós-consumo é novidade. Esta realidade vem mudando por diversos fatores, segundo o diretor da Sargas Logística, Leonardo Lacerda: pressões externas por maior rigor da legislação ambiental, concorrência e redução de custos. “A legislação ambiental caminha no sentido de tornar as empresas cada vez mais responsáveis por todo ciclo de vida de seus produtos, ou seja, serem legalmente responsáveis pelo seu destino após a entrega dos produtos aos clientes e do impacto que estes produzem no meio ambiente”, diz. Segundo ele, o aumento de consciência ecológica dos consumidores é outro fator, ao lado da valorização, por parte do cliente, de marcas que adotam políticas de retorno de produtos. Não é desprezível o resultado que as empresas conseguem com o reaproveitamento dos resíduos. 
Para empresários e especialistas ouvidos pelo DCI, o principal gargalo para o funcionamento da logística reversa – a insuficiente infraestrutura para a multiplicidade de soluções de reciclagem, transporte e gerenciamento que será demandada pelo PNRS – é de onde virá a grande oportunidade para novos negócios. As atuais condições estão muito aquém da necessidade para cobrir a extensão territorial do Brasil. Na região Sudeste, onde ocorrem 56% do consumo de eletroeletrônicos, existem apenas 18 recicladoras dentro dos padrões da legislação. 
“Existe muito espaço para crescer nos estados mais desenvolvidos do Brasil, portanto, é só imaginar o que será preciso fazer no resto do País”, prevê o relator do grupo temático dos eletroeletrônicos e diretor de Responsabilidade Socioambiental da Associação Brasileira da Indústria de Eletroeletrônicos (Abinee), André Luis Saraiva. O empresário é o interlocutor da Abinee e Eletros nas negociações com o governo para o estabelecimento do acordo que será seguido pelo setor. 
Segundo ele, no Centro-Oeste, Nordeste e Norte funciona apenas uma recicladora em cada região. O País não dispõe de tecnologia para reciclar monitores de computador e placas de circuito interno, os bens de menor e maior valor, respectivamente, na reciclagem de eletroeletrônicos. 
O gerente geral de Sustentabilidade da Whirlpool – líder no mercado brasileiro de eletrodomésticos com as marcas Brastemp, Consul e KitchenAid – e diretor da Associação Brasileira de Embalagens (Abre), Vanderlei Niehues, também concorda que o número de recicladores é muito baixo e concentrado em São Paulo e Sul do Rio de Janeiro. “Temos muitas associações de catadores, mas poucos recicladores que cumprem as exigências legais”, enfatiza. Segundo ele, várias empresas da Europa e Estados Unidos estão interessadas em se instalar no Brasil e grupos nacionais se preparam para ganhar ou ampliar presença no mercado das sucatas com valor. Entre as estrangeiras atraídas estão a SPR, maior grupo espanhol na área de gestão de resíduos, e a Indústria Fox, subsidiária da suíça Fox & Earth, recicladora de refrigeradores que já opera no mercado brasileiro e deverá ampliar sua operação. 
O diretor de Logística da TGestiona, empresa que realiza a logística reversa do Grupo Telefônica, Maurício Pastorello, dá uma pista de como esse mercado poderá avançar. “Quando gerenciamos os modens em poder dos clientes, não estamos pensando só na nossa responsabilidade ambiental, mas também no controle dos nossos ativos. Recuperá-los é colocá-los de volta dentro do parque de utilização, reaproveitando os que estão quebrados e dando destino final a eles por meio de reciclagem. Existe também um viés de negócios”, afirma. A TGestiona já busca clientes para ampliar sua presença na logística reversa. “As oportunidades de negócios existem em várias direções: para quem presta esse serviço e para a empresa que recupera os ativos”, completa. 

Investimentos novos 

O empresário paraibano Flavio Costa é um dos empreendedores entusiastas do PNRS. Em 2010, logo após a aprovação da nova legislação, ele criou a Rctec Resíduos Eletrônicos para tratar produtos e embalagens de eletroeletrônicos. Embora de pequeno porte e sediada em João Pessoa, a empresa ambiciona o mercado nordestino. 
“Nascemos na Paraíba, onde identificamos deficiência na destinação adequada para estes resíduos, logo depois nos depararmos com essa mesma deficiência em todo o Nordeste”, afirma. O objetivo é que, por meio de parcerias, a empresa passe a operar em breve em Fortaleza, Natal, Recife e Salvador. Segundo o empresário, seus concorrentes são informais e voltados apenas aos materiais mais fáceis de serem comercializados após a reciclagem, como latas de alumínio e pet. 
Na opinião de Costa, a logística reversa ainda é cara no Brasil devido ao volume gerado, ainda baixo, por exemplo, para estimular investimentos em uma fábrica de reciclagem de placas de circuito interno. “Com a nova lei, não levará muito tempo para isso acontecer”, diz. Novos investimentos estão na pauta de uma das poucas empresas brasileiras a atuar nacionalmente na descontaminação de lâmpadas fluorescentes, a Apliquim Brasil Recicle, que já sente o aumento espontâneo na busca pelo serviço, desde a publicação da lei em 2010. 
Em 2011, a empresa faturou R$ 7,8 milhões, alta de 32% sobre 2010 (R$ 5,9 milhões). Para 2012, a expectativa é crescer mais 20%, atingindo R$ 9,5 milhões. O portfolio de clientes inclui gigantes como a Petrobras, Gerdau, Volkswagen, Ford, Scania, General Motors e Embraer, além de universidades, hospitais e órgãos públicos. 
Diferentemente de outros serviços de coleta de lâmpadas fluorescentes, que atuam apenas com a descaracterização do produto e seu posterior descarte em aterros sanitários, a empresa busca reaproveitar todo o material empregado. Os soquetes são vendidos para recicladoras de alumínio; o vidro, após descontaminação, para recicladores de vidro; e o mercúrio, após purificação, para empresas químicas. “Com a receita gerada por essas vendas reduzimos até 10% os custos globais da companhia”, relata o presidente, Mário Sebben.
Segundo ele, ainda há um grande desafio à expansão da demanda: “O preço é fator limitante”. A empresa cobra de R$ 1 a R$ 3, em média, pelo resgate de cada lâmpada esgotada ou queimada. Ele conta que, para reduzir o custo de logística, um dos que mais fortemente impacta o preço do serviço, a companhia está tentando recrutar empresas intermediárias na receptação de lâmpadas em todo o País, de forma a permitir o acúmulo do produto e a redução do número de viagens. 
A empresa investiu em 2012 cerca de R$ 1,8 milhão, incluindo novos caminhões e aumento da automação e desenvolvimento de aplicações mais nobres para o vidro em pó.

Destino final 

“A nova lei e as declarações da presidente Dilma olham só para as cooperativas de catadores, mas aquele lixo das cooperativas tem que ir para algum lugar, alguém tem que processar aquilo”, diz o presidente da Wisewood – Soluções Ecológicas, Rogério Igel.“Uma das razões de termos criado a Wisewood é este plano, queremos cadastrá-la como destinadora final de resíduos plásticos, pois o aumento da disponibilidade deste material provocará uma redução nos preços”, afirma. 
Fundada em 2007, a Wisewood fabrica dormentes ferroviários de plástico, em substituição aos tradicionais de madeira. A matéria-prima são resíduos pós-consumo, como embalagens descartadas, e pós-industriais, como aparas de polipropileno. Hoje a empresa produz mil toneladas de dormentes ao mês, mas tem a intenção de dobrar a produção até o final de 2012. 
A indústria, sediada em Itatiba (SP), deve faturar R$ 30 milhões em 2012, triplicando a receita de 2011. Já são seus clientes a MRS Logística e a Vale, que está experimentando o novo produto. Nos próximos anos, Igel calcula incremento anual na casa dos dois dígitos no faturamento da companhia. “Esta é uma empresa de tecnologia, então a gente depende de P&D (pesquisa e desenvolvimento), e essas coisas demoram, mas 20% ao ano (de crescimento) me parece factível”, projeta o empresário.

Por: Liliana Lavoratti / Thais Carrança


Crédito da imagem: Blog Logística Reversa e Sustentabilidade - Todos os direitos reservados (Proibida a reprodução sem autorização).


domingo, 17 de fevereiro de 2013

Plano de logística reversa de embalagens pós-consumo é entregue ao MMA pelo CEMPRE

Crédito da imagem: RMAI
Após um ano de discussões, a coalizão de empresas e associações liderada pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE) apresentou a proposta de Acordo Setorial para a logística reversa das embalagens pós-consumo. O documento foi entregue nas mãos da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que irá analisar os termos da proposta que visa ampliar a capacidade do Brasil na destinação adequada de embalagens dos produtos consumidos pela população.
No total, 22 associações participaram da elaboração do acordo e do estudo de viabilidade econômica. O plano é dividido em duas fases. A primeira prevê a elevação da taxa de recuperação de resíduos sólidos recicláveis em 20% e a consequente redução de 22% do total de embalagens que são encaminhadas para aterros ou lixões.
A expectativa é de que até 2015, pelo menos 90% da população das cidades-sede da copa - São Paulo, Curitiba, Cuiabá, Belo Horizonte, Porto Alegre, Manaus, Salvador, Recife, Natal, Brasília e Fortaleza - seja atendida pela coleta seletiva municipal. A quantidade de resíduos sólidos gerados nestas capitais representa aproximadamente 23% em peso do lixo urbano do País. Se consideradas as áreas metropolitanas ao redor destas cidades o índice sobe para 38%. A segunda fase, a partir de 2015, estipula a redução de 45% do lixo que é descartado incorretamente em todo o território nacional.
"Para o governo federal interessa incrementar a coleta seletiva e ter um debate mais estratégico sobre a questão da reciclagem, pautada pelos detalhes desta proposta e também pela realidade social", afirma a Ministra, que analisará com cuidado a proposta. "Há uma grande oportunidade aqui. É importante darmos um bom arranque nos três primeiros anos, para seguirmos de maneira bem estruturada em relação a investimentos e termos total controle da sustentabilidade do negócio".
O presidente do CEMPRE, Victor Bicca, afirmou que este "é um momento para celebrar, pois, de forma inédita, construímos uma coalizão de empresas produtoras ou que comercializam embalagens para estabelecer um ponto de partida para a logística reversa". O executivo ressaltou ainda que a união do empresariado na causa é uma iniciativa única no país. "Em nenhum outro setor tivemos uma adesão e participação tão grande como a que tivemos com as indústrias de embalagens. As empresas brasileiras mostram, mais uma vez, o seu compromisso com a causa e o meio ambiente."
Mecanismos para viabilização da proposta - Para alcançar os resultados, uma das principais diretrizes contidas no documento é a proposta de parceria e expansão das cooperativas de catadores de material reciclável. Estes trabalhadores serão responsáveis pelo transporte, separação e venda do material coletado. Essa ampliação da capacidade das cooperativas deverá ser amparada com recursos para compra de maquinários e equipamentos, além de capacitação dos catadores.
Também está prevista a expansão dos Pontos de Entrega Voluntárias (PEVs) em supermercados e varejistas de todo o Brasil por meio do fortalecimento da parceria indústria/comércio. A ideia é que todo estabelecimento de vendas com tamanho igual ou superior a quatro mil metros quadrados e estacionamento com no mínimo 115 vagas tenha uma área mínima de quatro metros quadrados de PEV. "A expansão desses pontos é extremamente fundamental para aumentar os índices de coleta seletiva, pois verificamos, na última edição da pesquisa Ciclosoft, que 53% da população utiliza os PEV?s para descartar corretamente suas embalagens", afirma Bicca.
O acordo ressalta ainda que a Logística Reversa só será realizada em sua totalidade se todos os elos da cadeia - população, empresas e governo - participarem da coleta seletiva. Para tal, o documento propõe uma divisão da responsabilidade entre o Ministério do Meio Ambiente, consumidor, fabricantes, prefeituras e estados. "Precisamos aumentar a demanda por material reciclável para fazer 'a roda girar'. Para isso, é fundamental a participação da população na coleta seletiva. Temos muitos desafios pela frente, mas já podemos afirmar: a lei pegou!", conclui o presidente do CEMPRE, Victor Bicca.
Viabilidade econômica - Junto a proposta de ações, também foi entregue à ministra um estudo com diversas variáveis econômicas que viabilizam a implementação do modelo sugerido. O estudo foi elaborado pela LCA Consultoria.
Para todas as categorias de insumos cobertos pelo acordo (papel e papelão, plástico, alumínio, aço, vidro e embalagem cartonada longa vida) existe vantagem econômica, em termos do custo com energia e insumos, em se produzir com material reciclado. Esta vantagem econômica se reflete na geração de renda ao longo da cadeia de coleta, triagem, transporte e reciclagem de resíduos sólidos. Não é por outro motivo que já existe, no Brasil, uma importante cadeia de reciclagem que se viabiliza por estímulos de mercado.
E mesmo assim, por diversos motivos, a reciclagem ainda não é uma prática tão difundida no Brasil quanto poderia ser, pois enfrenta diversos gargalos produtivos. Tais gargalos podem ser mitigados através da disseminação de boas práticas para os consumidores finais, do aumento da oferta e da abrangência da coleta seletiva e da eliminação dos entraves produtivos que decorrem, principalmente, da baixa qualificação técnica dos catadores. A resolução de boa parte destes problemas integra a PNRS e o plano de trabalho da Coalizão. "A proposta é economicamente viável e se sustenta de maneira independente, desde que, neste primeiro momento, haja investimentos na coleta seletiva", afirma Bernard Appy, responsável pelo estudo de viabilidade.

Fonte: RMAI - Revista Meio Ambiente Industrial - matéria de 09/01/2013

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Livro do Conama com todas as resoluções normativas - Baixe grátis


O Ministério do Meio Ambiente lançou no ano passado uma edição especial do livro de resoluções normativas do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). A obra é uma mão na roda para analistas ambientais, gestores públicos, funcionários do Ibama e ICMBio e pessoas que trabalham usando a legislação ambiental brasileira.
O livro é um calhamaço de 1125 páginas que está disponível em formato PDF para quem quiser. Há duas maneiras de consultar às resoluções: uma pelo índice cronológico e outra pelo índice temático. O índice cronológico começa pela resolução mais recente e vai até a mais antiga. São tantas que a lista ocupa 18 páginas. Já o índice temático, como o próprio nome entrega, separa as normas por assuntos, como Áreas Protegidas, Qualidade de Água e Gestão de espécies de fauna e flora. 
No final do documento, uma lista de siglas é publicada e serve como guia para a leitura. O livro foi lançado no ano passado pelo Ministério de Meio Ambiente por ocasião da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. 

Para baixar a publicação Resoluções do Conama CLIQUE AQUI

Fonte: O Eco/MMA

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Moda sustentável: Empresa cria 'jeans' de luxo feito com fios de seda e de garrafa pet




Tecido 'jeans' de seda com garrafa PET pode ser
usado dos dois lados: o brilhante é o da seda, e o
azulado, do PET (Foto: Divulgação/ O Casulo Feliz)
Com um preço cerca de oito vezes maior que o do metro de um tecido jeans convencional de qualidade, uma pequena empresa de Maringá, no Paraná, criou um ‘jeans’ que, além de ecológico, é de luxo: 50% do material é composto por fios de seda e outros 50% de garrafa pet e de algodão. O metro custa R$ 80 – ante aproximadamente R$ 10 a R$ 12 de “um bom jeans tradicional”, afirma Gustavo Rocha, que está à frente da O Casulo Feliz e desenvolveu a novidade.
“Na comparação com o pano da calça jeans tradicional, a parte que fica por dentro, que tem o tom de branco, no nosso tecido fica a seda, que deixa um branco brilhante (...) Fica um prata metálico belíssimo”, explica, acrescentando que a seda dá ainda sensação de maciez no contato com a pele.
Segundo o empreendedor, a intenção é unir o luxo da seda com a sustentabilidade do pet e o tradicional jeans. “Nunca tínhamos trabalhado com pet. A ideia foi de ser um produto reciclado, preocupado com o meio ambiente”, afirma.
Após dez anos de pesquisa, a primeira amostra do ‘jeans’ ficou pronta há cerca de três meses. “Já apresentamos para os clientes (...). O pessoal não está usando só para fazer calça jeans convencional. Estão usando para fazer paletó, blazer, fica maravilho. Estão fazendo calça de tudo quanto é tipo”, diz, afirmando que, na maioria das vezes, o pano é usado com o lado de dentro para fora, que “é mais bonito.”
Empresa aproveita casulos de seda que eram impróprios para a indústria, por terem pequenos defeito (Foto: Divulgação/ O Casulo Feliz)
Empresa aproveita casulos de seda impróprios
para a indústria, por terem pequenos defeito
(Foto: Divulgação/ O Casulo Feliz)
Para a aparência do jeans, a parte macia, da seda, fica pelo lado de dentro das peças. O pet fica para o lado de fora.
A pretensão, contudo, não é vender o material em larga escala. “A gente não vai vender o tecido de grande forma comercial, mas passar uma ideia que o ser humano tem que também reciclar”. De acordo com ele, a empresa está fazendo o "jeans" só com o algodão e a seda também, mas o preço é o mesmo. “O foco mais comercial é só com algodão [e a seda]. Sai o mesmo preço, algodão custa R$ 8 o quilo. O pet, R$ 7”, diz. O que encarece o preço é a seda: R$ 400 o quilo.
A empresa sempre trabalhou para o segmento de luxo e vende tecidos para grifes. Por conta disso, o empresário diz acreditar que, em breve, o tecido será bem aceito pelo mercado.
“Tem a questão de preço, as pessoas não estão acostumadas, pois compram sempre de algodão. Aí, se vai comprar [o ‘jeans’] de seda e pensa, ‘nossa como é caro’. (...) Mas não estamos preocupados, estamos acreditando que o mercado vai absorver a ideia”, explica. “Hoje a mulherada vai comprar uma seda e paga em dez vezes. Antes, não comprava. Isso é questão de mercado”, avalia.
“Num tecido de R$ 10, R$ 12, o custo final para eles de uma marca boa, uma calça bem feita, é de R$ 50. O nosso fica em R$ 120.”
O tingimento das peças é vegetal (Foto: Divulgação/ O Casulo Feliz)
O tingimento das peças é vegetal
(Foto: Divulgação/ O Casulo Feliz)
Casulos ‘impróprios’
Criada há 25 anos, O Casulo Feliz é uma empresa familiar e nasceu após Rocha, que é zootecnista, enxergar a oportunidade de aproveitar casulos de seda que eram impróprios para a indústria, por terem pequenos defeitos.
“Estudei uma forma manual de fiar esses casulos que não eram aproveitados. Ficou um fio com pequenas irregularidades (...). Apresentei no mercado, comecei trabalhar com artistas plásticos em São Paulo e no Rio(...), eles acharam maravilhoso para fazer tricô, crochê, pela forma irregular, fazia produtos muito bacanas”.
Ele explica que trabalhou por muito tempo só com decoração, fazendo tecidos grossos para sofás, finos para cortina e revestimento em parede e tapetes. “Hoje a moda tem dinheiro, temos 80% do nosso trabalho para esse mercado. (...) Eles fazem tênis, roupa, chapéu, cinto, tudo com esse produto nosso”, explica.
Sustentabilidade
Desde a criação, a fábrica de tecidos trabalha com produtos naturais e sustentáveis – apesar de Rocha afirmar que a palavra “sustentabilidade” ainda não era muito pronunciada na época. “Hoje a moda está como nós pensávamos 25 anos atrás. Pensávamos na moda como ela está hoje, maluca”, afirma.
'[há 25 anos] Pensávamos na moda como ela está hoje, maluca', diz Rocha (Foto: Divulgação/ O Casulo Feliz)
'[Há 25 anos] pensávamos na moda como ela está
hoje, maluca', diz Rocha
(Foto: Divulgação/ O Casulo Feliz)
O fiado é todo feito a mão, com tear manual. A seda corresponde a 99% da matéria-prima. O resto são fibras naturais, como o algodão, lã, linho, rami e sisal. “É mais caro porque é tudo feito devagarinho, à mão”.
O tingimento das peças é vegetal. “A gente pega a casca de cebola, ferve, e tira a cor dourada. Pega 50 quilos de tomate, bota para ferver, cozinha e sai a tinta”, explica, acrescentando que, na época, fez várias viagens para aprender técnicas de tingimento com vegetais. “Não existia internet para pesquisar”, salienta.
Hoje, o quadro de funcionários varia de 30 a 80 pessoas, dependendo da época do ano e da demanda. A fábrica fica em bairro da periferia de Maringá e Rocha diz que sempre contratou mão de obra da comunidade carente.
O faturamento gira em torno de R$ 2 milhões ao ano. “Eu não sou um grande empresário, eu sou um empreendedor”, diz. De acordo com ele, a busca é trabalhar com exclusividade e criatividade, sempre pensando em fazer “algo de bom para o planeta”. “Tem muita coisa que é mais importante do que o dinheiro, o dinheiro tem que fazer só parte”, avalia.


Por: Gabriela GasparinDo G1, em São Paulo

Fonte: Portal G1

domingo, 30 de setembro de 2012

“Pimp my Carroça” parte em breve para outras cidades brasileiras e talvez do exterior

Depois dos resultados obtidos em São Paulo e no Rio de Janeiro, o grafiteiro Mundano vem analisando diversas propostas para levar o “Pimp my Carroça” para outras cidades brasileiras – e até do exterior! A maior probabilidade é que a próxima escala seja feita em uma das capitais nordestinas, entre agosto e setembro.
Tudo começou em São Paulo, no dia 3 de junho, quando o Vale do Anhangabaú acolheu os grafiteiros que reformaram cerca de 40 carroças de catadores de materiais recicláveis, com recursos conseguidos através da participação de mais de 800 doadores pelo site Catarse que promove o crowdfunding (modelo de financiamento colaborativo) para apoiar projetos individuais. Além do grafite, o atendimento envolveu serviços de funilaria e reforços na segurança com troca de pneus e rodas, instalação de faixas refletoras e espelhos retrovisores.
Os catadores receberam camisetas, luvas especiais e capas de chuva do “Pimp my Carroça”, massagem, corte de cabelo, atendimento psicológico, odontológico e oftalmológico (os óculos doados foram entregues no dia 2 de agosto). “As pessoas passavam pelo Anhangabaú e paravam para acompanhar as atividades, ver os artistas produzindo... Pela primeira vez, muita gente teve, de fato, contato com os catadores de materiais recicláveis e entendeu seu trabalho. De certa forma, conseguimos dar um primeiro passo em direção ao nosso objetivo que é usar uma arte marginalizada, o grafite, para chamar a atenção para uma atividade marginalizada, a do catador, num esforço de levar a população a reconhecer seu papel como agente ambiental”, conta Mundano.
Rafael Bahia, catador desde 1986, garante ter se sentido valorizado com a iniciativa: “Em todos esses anos, meu trabalho nunca tinha sido visto dessa forma. Esse respeito é muito importante para nós.” O sucesso da experiência de São Paulo – amplamente coberta pela imprensa - e a realização da Rio+20 estimularam os organizadores a promover, vinte dias depois, uma versão carioca do “Pimp my Carroça” que reuniu aproximadamente vinte catadores, voluntários e grafiteiros. Resultado: mais mobilização e reconhecimento.
Além do suporte anônimo de voluntários e doadores, o “Pimp” conta com o apoio de figuras conhecidas como o cantor Gilberto Gil e Gustavo da Lua, percursionista da banda Nação Zumbi. “Estamos avaliando, agora, uma série de possibilidades, não apenas no sentido de levar o ‘Pimp’ para outras cidades, mas também de expandi-lo em novas direções. Uma delas seria o ‘Pimp my Cooperativa’, com a melhoria das instalações, grafite nos muros, doação de equipamentos como prensas e esteiras e uma força na formação dos catadores. Estamos analisando cada ideia dentro da premissa de manter o movimento independente, baseado no apoio de pessoas e empresas parceiras”, explica Mundano. Para acompanhar os próximos passos do ‘Pimp’, é só curtir sua fanpage no facebook: http://www.facebook.com/pimpmycarroca

Confira o documentário do Pimp my Carroça: http://vimeo.com/45878176

Fonte: CEMPRE

Um bom exemplo de responsabilidade compartilhada: Prefeitura, iniciativa privada, organizações não governamentais, catadores e população unem-se em município capixaba


Um dos principais polos de desenvolvimento econômico do Espírito Santo, o município de Linhares (com 142 mil habitantes) está operando, desde julho, um sistema bem estruturado de coleta seletiva. Cada detalhe do modelo contou com o expertise de parceiros que se uniram para desenhar uma operação eficiente tanto do ponto de vista ambiental quanto social.
 Prefeitura, SABB Coca-Cola, Instituto Coca-Cola Brasil, Vital Engenharia Ambiental e a ong Doe seu Lixo, entre outros apoiadores, colocaram em prática a responsabilidade compartilhada (uma das principais diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos) na elaboração do CRIAR - Centro de Reciclagem, Inovação, Aprendizagem e Renovação. O sistema abrange diversas frentes, articulando a inclusão dos catadores e o fomento ao cooperativismo com a educação ambiental, a entrega voluntária de recicláveis e a coleta seletiva. 
Os catadores que aderiram ao CRIAR deixaram as ruas e já estão trabalhando na central de triagem que opera com tecnologia de ponta e tem capacidade para 160 toneladas de resíduos por mês (cerca de 4% do volume gerado no município). Eles foram treinados para exercer suas novas atividades, recebem vale-transporte, cesta básica e foram inscritos nos programas sociais da prefeitura, do estado e do governo federal. "Oferecemos apoio psicológico, alfabetização de jovens e adultos e reforço escolar para os filhos dos catadores. Ou seja, nosso modelo concebe esses profissionais como agentes ambientais, valorizando e humanizando seu trabalho. Quando estruturamos a central, não levamos em conta apenas a triagem dos materiais, pensamos em um espaço que unisse boas práticas socioambientais como um todo", conta Lucas Scaramussi, secretário de Meio Ambiente de Linhares.
O valor na conscientização
"A SABB Coca-Cola, alinhada à plataforma 'Viva Positivamente' da Coca- Cola Brasil, vem trabalhando fortemente para fomentar e reconhecer o papel dos catadores na cadeia da reciclagem, que entendemos ser fundamental e de relevante interesse público. O projeto CRIAR segue nesse sentido e expressa sua importância já no nome, trazendo a mensagem de que visa ser um centro de inovação e aprendizagem. É uma proposta diferenciada de mobilização, articulação e integração do público e do privado para enfrentar um dos maiores desafios da sociedade moderna que é a destinação ambientalmente responsável das embalagens pós-consumo. Isso exige muita inovação e conscientização da sociedade. Daí vem o foco no aprendizado que é expresso no nome do projeto", destaca Fabiano Rangel, gerente de sustentabilidade da SABB Coca-Cola.
A conscientização da população está sendo feita por meio de materiais de comunicação e as campanhas deverão ser intensificadas nos locais de maior circulação. "Mesmo os moradores de bairros não cobertos pela coleta seletiva domiciliar serão estimulados a utilizar os Postos de Entrega Voluntária. Em parceria com a SABB Coca-Cola, a Tetra Pak e a Secretaria de Educação, estamos atuando também nas escolas com palestras e materiais educacionais para sensibilizar as crianças desde cedo", detalha Bianca Drago, da Divisão de Educação Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente.
Enquanto isso, nas ruas, a coleta seletiva é feita por um caminhão especialmente destinado para essa finalidade. Na central de triagem, a ong Doe seu Lixo, supervisionada pela prefeitura, contribui com a gestão administrativa e operacional do CRIAR e tem como meta tornar a cooperativa autossustentável em 24 meses. A ideiaé que os catadores ganhem autonomia e consigam, por conta própria, consolidar e expandir o alcance do projeto, tendo o apoio dos parceiros, da prefeitura e a
participação da população.

Fonte: CEMPRE
Para saber mais: www.linhares.es.gov.br

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Boa notícia: CCJ Aprova proposta de redução de carga tributária para produtos feitos com material reciclado

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou, nesta quarta-feira (12), proposta de emenda à Constituição (PEC 1/2012 ) que elimina quase todos os impostos incidentes sobre produtos feitos com material reciclado ou reaproveitado. O senador Paulo Bauer (PSDB-SC) é autor da iniciativa, que recebeu parecer pela aprovação do relator, senador Armando Monteiro (PTB-PE).
O texto original pretendia acabar com todos os impostos aplicados a essa cadeia produtiva. Mas alteração feita pelo relator manteve a cobrança do Imposto de Importação (II), com o argumento de não ser possível privar o governo federal de um importante instrumento de regulação do comércio exterior.
– Se todos os impostos fossem retirados, isso poderia agravar, por exemplo, a importação de roupas fabricadas na China com insumos reciclados no território daquele país – comentou o relator.
A PEC 1/2012 ainda precisa passar por dois turnos de votação no Plenário do Senado antes de seguir para a Câmara dos Deputados.

Por: Ricardo Koiti Koshimizu e Simone Franco

Fonte: Agência Senado

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

CEMPRE propõe modelo único de logística reversa com investimentos de R$70 milhões

Dois anos após a assinatura da Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que demorou duas décadas para ser aprovada no Congresso Nacional, o setor produtivo tem agora prazo para cumprir a obrigação legal de iniciar a logística reversa das embalagens - coleta e retorno do material reciclável à produção industrial após o consumo.
Até 31 de dezembro, as empresas precisarão avançar no diálogo setorial, concluir estudos de viabilidade econômica e apresentar um plano sobre como funcionará o sistema brasileiro de reciclagem, a ser aprovado pelo governo federal para entrar em operação no começo de 2013. No ano seguinte, conforme determina a legislação, os lixões deverão estar erradicados, o que exigirá investimentos na construção de um parque nacional de indústrias recicladoras capaz de absorver como matéria-prima o que hoje é descartado a céu aberto.
"Chegamos a um momento crucial para a lei sair do papel", diz Victor Bicca, presidente do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre). A instituição articulou uma coalizão de 25 associações empresariais para propor um modelo único de logística reversa que seja economicamente viável.
O sistema será baseado no fluxo único de materiais por meio da coleta seletiva municipal. Está previsto um investimento privado inicial de R$ 70 milhões, parte a ser aplicada na qualificação de cooperativas de catadores, que precisarão aumentar a capacidade de processamento.
Na primeira fase, terão prioridade os 65 municípios e regiões metropolitanas que representam 35% dos resíduos gerados no país, incluindo as cidades-sede da Copa do Mundo. O plano da iniciativa privada é expandir os pontos de entrega voluntária de lixo reciclável pela população e até recomprar embalagens após o uso, de maneira a garantir preços atrativos para quem vende a sucata.
A meta é dobrar a reciclagem no Brasil em vinte anos, atraindo novos investimentos, o que esbarra na falta de instrumentos econômicos para estímulo do mercado, não definidos pela nova legislação. O Decreto 7.619, de 2011, estabelece como incentivo o crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para indústrias que comprarem matéria-prima reciclável diretamente das cooperativas. A alíquota do desconto varia de 10% a 50%, conforme o tipo de resíduo.
"A medida, tímida, não surtiu efeito no mercado", analisa Auri Marçon, presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET. A maior parte do lixo reciclável do país não é processada por cooperativas, mas por empresas recicladoras, sucateiros e atacadistas, não contemplados pelo decreto. Além disso, a maioria dos catadores não está apta a emitir notas fiscais e documentos exigidos para o benefício. A Receita Federal projeta para 2012 uma renúncia fiscal em torno de R$ 128 milhões, relativa ao incentivo.
"Não adianta atingir só um elo da cadeia", ressalta Marçon, ao advertir que o esforço deve estar na coleta dos materiais após o consumo e no estímulo à demanda pelo produto final reciclado. "Montadoras de automóveis que resistiam à reciclagem hoje estão abertas ao uso de peças produzidas a partir do lixo", ilustra. Hoje 56% das garrafas retornam à indústria para abastecer principalmente o setor têxtil, totalizando faturamento de R$ 1 bilhão por ano, apenas com reciclagem.
"Apesar dos R$ 150 milhões investidos nos últimos cinco anos no parque que recicla PET, é alta a ociosidade, atingindo 30% da capacidade durante o inverno, quando é menor o consumo de bebidas e embalagens", revela.
"Não é impossível até 2015 reciclar 22% do lixo seco produzido no país", atesta Silvano Silvério, do Ministério do Meio Ambiente. A taxa atual é estimada em 14%. O compromisso consta no PNRS. De acordo com Silvano, o Comitê Interministerial, encarregado das medidas para colocar a lei em prática, elabora diagnóstico no sentido de identificar entraves e propor incentivos fiscais para que as metas sejam cumpridas.
Com a expansão da coleta municipal e a proibição legal do despejo de materiais recicláveis em aterros, a preocupação é garantir que essa matéria-prima excedente tenha preços competitivos e seja incorporada pelo mercado. "É necessário repassar para o produto final - ou seja, a embalagem - o benefício fiscal que existe para a compra de aparas de papel", sugere Ricardo Trombini, presidente da Associação Brasileira de Papel Ondulado, setor que fatura por ano R$ 9 bilhões, com 75% da matéria-prima proveniente do descarte. O incentivo representaria anualmente R$ 100 milhões que poderiam ser injetados na melhoria do sistema de reciclagem.
A estratégia é fazer a reciclagem no próprio Estado que gerou o lixo, porque há incidência de ICMS se o caminhão com resíduos cruzar a divisa. "Não propomos incentivos, mas justiça tributária", afirma Fernando von Zuben, diretor de meio ambiente da Tetra Pak, que investe R$ 10 milhões por ano na cadeia de reciclagem.

Por:  Sergio Adeodato | Para o Valor Econômico - 21/08/2012

Fonte: Planejamento

sábado, 11 de agosto de 2012

1 ano do Projeto Light Recicla que troca materiais recicláveis por abatimento na conta de luz

Crédito da imagem: CEMPRE
Em agosto de 2011, a Light, companhia responsável pelo fornecimento de energia elétrica a 31 municípios do Rio de Janeiro (incluindo a capital), lançou o Projeto Light Recicla que garante desconto na conta de luz para quem encaminha materiais recicláveis aos pontos de troca do programa. O piloto do Light Recicla é realizado nas Comunidades Santa Marta, Chapéu Mangueira, Babilônia e nos bairros de Botafogo e Humaitá, na Zona Sul do Rio, e já está em estudo sua ampliação para outras comunidades pacificadas.
“Nesses locais, ainda há muito lixo pelas ruas. Então, como podemos falar em ter um resgate da autoestima se essas pessoas estão no meio do lixo? Daí surgiu o Light Recicla para contribuir com a mudança deste cenário. É também uma forma de contribuir com a criação de renda nessas comunidades”, conta Fernanda Mayrink, gerente do projeto.
Em parceria com a Prefeitura Municipal, o Light Recicla instalou cinco Eco-Pontos na região para receber materiais como garrafas PET, sacolas e embalagens plásticas, papéis, metais, vidros, embalagens longa vida e óleo de cozinha, entre outros recicláveis. Cada material tem um preço por peso que gera automaticamente os créditos na conta de energia escolhida pelo participante.
Os moradores também podem optar por doar as cotas referentes aos descontos para instituições sociais cadastradas no projeto. Dessa forma, o projeto se estende à população de outras localidades que podem direcionar seus recicláveis para doação a uma das 17 entidades cadastradas. Este é o caso de três escolas particulares da Zona Sul - Escola Alemã Corcovado, Colégio Santo Inácio e Escola A. Liessin – que já doaram mais de três toneladas de recicláveis.
“Até agora, recebemos 247 toneladas de materiais, 1.847 litros de óleo e contamos com mais de 2.380 pessoas cadastradas”, detalha Marliane Mendonça, coordenadora do projeto. “Na nossa avaliação, o Light Recicla vem tendo uma receptividade bastante positiva e várias comunidades já estão solicitando sua participação no projeto. Temos previsão de expansão para mais comunidades pacificadas que contam com a presença de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). O Light Recicla, além de colaborar para a promoção de um meio ambiente mais limpo, gera renda que contribui no pagamento das contas de luz com materiais que iriam para o lixo.”
O Light Recicla tem como parceiros a empresa 3E Engenharia e a Doe Seu Lixo, além de contar com o apoio das Secretarias Municipais de Meio Ambiente, Assistência Social, Conservação e Serviços Públicos, Comlurb e UPP Social. Segundo o vice-prefeito e secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz, a iniciativa da Light possui uma grande importância socioambiental. "Esse projeto permite maior conscientização por parte da população com relação às questões sobre os resíduos sólidos e como devemos reduzi-los na natureza. Assim, esperamos que haja uma mudança cultural, de comportamento mesmo, que traga para a cidade e seus moradores mais qualidade de vida."


Para saber mais: http://www.light.com.br/

Evento promovido de CEMPRE aborda que o êxito da reciclagem demanda um olhar pontual e sistêmico

São muitos os aspectos que devem ser considerados quando se pensa em um Brasil com menos desperdício, mais limpo e mais justo socialmente. Várias dessas questões foram debatidas no evento promovido pelo Cempre com o intuito de encontrar soluções que pensem o país e a cadeia da reciclagem a partir das diferenças e das correspondências entre seus diferentes elos.

Catadores como prestadores de serviço
"Há hoje no Brasil associações de catadores que precisam incrementar sua formação e capacitação. Mas existem outras que já passaram dessa fase e começam a encarar a coleta seletiva como um negócio. Acreditamos que as cooperativas devem atuar de forma autônoma como prestadoras de serviço, firmando contratos com as prefeituras. Para isso, elas precisam se estruturar melhor a fim de assegurar a qualidade de sua operação e gestão, com certificação de seus processos e rastreabilidade dos materiais, por exemplo. Outro aspecto importante é a criação de redes de cooperativas para negociar diretamente com a indústria." Roberto Laureano, do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis.

A parceria com o Cempre
"O Cempre é uma instituição fundamental e que nos possibilitou, junto com os demais associados, aprimorar a forma de pensar a reciclagem no Brasil e aprimorar nosso próprio pensamento empresarial em torno da reciclagem. A partir dessa experiência, atuamos hoje, na Coca-Cola, sobre três pilares: Mais Hábito, Mais Valor, Mais Coleta. O primeiro trata de estimular a participação da população; o segundo aborda a necessidade de incrementar o valor do material reciclável para incentivar sua separação e coleta; o terceiro enfoca justamente o trabalho que fazemos junto a cerca de 250 cooperativas em nível nacional a partir do conhecimento e orientação do Cempre."
Marco Simões, vice-presidente de Comunicação e Sustentabilidade na Coca-Cola Brasil.

O compromisso do varejo
"Apesar de ter ficado tanto tempo em discussão no Congresso, a Política Nacional de Resíduos Sólidos é bastante moderna ao trazer a sociedade brasileira como um todo para dentro dessa discussão. Isso se reflete até mesmo em eventos como este. O setor varejista está presente nos diferentes grupos de trabalho de logística reversa, ao lado dos fabricantes e do governo, o que demonstra nossa preocupação em estarmos inseridos na definição de soluções práticas e eficientes. Recebemos diariamente cerca de 25 milhões de pessoas em nossas lojas de todo o país e temos que levar essa capilaridade em conta na hora de pensar o aumento da reciclagem."
Carlos Ely, diretor de Relações Institucionais do Walmart Brasil, representando a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

Desoneração da cadeia
"Em primeiro lugar, é primordial que tenhamos uma política clara de desoneração da cadeia de reciclagem. Isso é essencial quando pensamos a indústria de plásticos. Diferentemente da de metal, por exemplo, a indústria de plásticos tem uma necessidade adicional de gerar valor para o plástico reciclável. Dessa forma, poderemos incrementar sua atratividade e, assim, incentivar sua separação, coleta e reciclagem. Temos trabalhado com diferentes alternativas, sendo que o tratamento prioritário é fazer o plástico voltar a ser plástico."
Marcelo Lyra do Amaral, vice-presidente de Relações Institucionais e Desenvolvimento Sustentável da Braskem.

No segundo bloco do encontro, foi realizada uma mesa-redonda com a participação de jornalistas e a mediação de André Vilhena, diretor do Cempre.

Um tema transversal
"O lixo deveria ter um espaço mais nobre nas discussões ambientais, pois é um tema transversal a todos os outros: está ligado à modificação do padrão de produção e consumo, ao limite de uso dos recursos naturais, à eficiência energética, à emissão de carbono, aos desastres naturais e principalmente ao combate à miséria e à desigualdade. Antes visto como um assunto tabu, indigno até mesmo de figurar em manchetes de jornais ou revistas, o lixo vem ganhando espaço, mas ainda precisa ser abordado de forma mais ampla. A meu ver, precisamos de três grandes choques: de governança (na transparência e no modo de lidar com essa questão), de escala (para criar um mercado competitivo e viável para a reciclagem) e principalmente um choque de informação."
Sérgio Adeodato, jornalista e autor do livro que comemora os 20 anos do Cempre.

Pelo fim da indiferença
"Essa relação de indiferença e descaso que temos com os nossos resíduos abre espaço para uma série de problemas, inclusive para a corrupção. Para mudar isso, precisamos empreender sobre o lixo. Se não, nada vai acontecer: vamos separar os resíduos, as cooperativas vão fazer a coleta e teremos depósitos imensos de lixo reciclável. É essencial criar valor para esses materiais e estimular negócios na cadeia de reciclagem. Outra necessidade é romper o preconceito dos prefeitos em contratar o serviço dos catadores. Isso está na lei e precisa ser implementado para agregar ganhos sociais a essa questão. Estamos em ano eleitoral e devemos ficar muito atentos ao cumprimento dos prazos de entrega dos planos de manejo de resíduos sólidos. Sem isso, tudo o que vem depois, inclusive o fim dos lixões previsto para 2014, correrá sérios riscos." Dal Marcondes, diretor de redação da revista Envolverde.

Valor econômico para o lixo
"O lixo tem que ser conectado com a geração de riqueza. É indispensável que as pessoas percebam que o lixo tem um valor econômico. Quando se atrela a questão dos recicláveis à questão econômica, é possível agregar valor aos resíduos. Devemos discutir também o consumo consciente, a produção mais limpa, o design eficiente e a valorização dos catadores. Esses agentes da reciclagem não podem continuar invisíveis pelas ruas do país, pois seu trabalho é vital para toda a cadeia. Nesse processo de conscientização em torno da reciclagem, a internet deve ser aproveitada ao máximo, pois ela nos oferece uma enorme capacidade de mobilizar pessoas e criar movimentos rápidos e em grande escala." Maria Zulmira de Souza (Zuzu), jornalista da Planetária Soluções Sustentáveis.

Consumo excessivo
"Quando analisamos os números relativos ao lixo no país, vemos claramente que é urgente dar um passo para trás e repensar nosso comportamento em relação ao consumo: comprar, jogar fora, comprar novamente, descartar... Isso envolve também a obsolescência programada. Recentemente, uma de nossas repórteres fez uma matéria em uma empresa que possui centros de tratamento de resíduos e soube que, somente em sua unidade de Paulínia, são recebidas 6.250 toneladas de resíduos por dia. Acho que estamos perdendo uma certa medida no mundo. Temos que rever nossas decisões e escolhas pessoais e deixar de lado esse consumo excessivo e sem sentido." Amélia Gonzalez, editora do caderno Razão Social do jornal O Globo.


Mudança cultural
"Acho importante discutir a questão do lixo a partir de outra ótica, pois estou convencido de que nossos desafios não são tecnológicos ou de natureza econômica. Devemos tratar esse tema a partir de outro grande desafio – o da mudança cultural. A Política Nacional de Resíduos Sólidos está trazendo isso à tona ao abordar o conceito de responsabilidade compartilhada. Nesse sentido, o Cempre tem sido um agente indutor de mudanças que ajuda a romper com a inércia e a acomodação de acreditar que o lixo é problema do outro: do governo, do catador, do lixeiro... Essa mudança cultural é difícil e profunda e não resulta de apenas uma ação. Demanda uma série de gatilhos: leis, pressão popular, educação, informação, transparência e regras claras, entre outros. É um processo complexo, mas que não podemos mais adiar." Ricardo Voltolini, diretor-presidente da Ideia Sustentável.


Maior transparência
"Assim como em outros temas, há uma grande carência de transparência em relação ao gerenciamento do lixo no país. Estamos agora num novo ciclo da Política Nacional e para que sua implementação saia do papel, na forma como a lei foi pensada, vamos ter que continuar trabalhando juntos e lutar contra os que querem boicotar essa mudança. Como fundador da Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente, penso que podemos retomar os Conselhos Municipais para que se tornem observadores dos planos de resíduos sólidos. Dessa forma, sua elaboração e execução serão acompanhadas de perto. Não podemos ficar apenas olhando. Nós precisamos acreditar e fazer acontecer!" Mário Mantovani, diretor de articulação da Fundação SOS Mata Atlântica.

Especialização dos catadores
"Nós, catadores, tivemos que aprender, conhecer temas novos e nos especializar. Viajamos, vimos de perto algumas experiências estrangeiras e compartilhamos conhecimento. Nossos esforços têm sido no sentido de nos capacitar para a nova fase das cooperativas com a efetivação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. O Cempre tem sido um grande parceiro nesse sentido." Severino Lima, do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis.


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