"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Brasil movimentou em 2010 R$391 bi com logística, sendo a logística reversa responsável por cerca de 5% deste valor

Em 2010, o Brasil gastou R$ 391 bilhões com logística, valor que representa 10,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Para as empresas, o custo com logística representa 8,5% da receita líquida. 
Segundo pesquisas realizadas pelo Conselho de Logística Reversa do Brasil, R$18,5 bilhões são gastos com o fluxo reverso da logística, o que representa cerca de 5% do montante da logística total, destes R$18,5 bilhões, 50 a 60% correspondem ao setor de transporte que movimenta os produtos retornados.
Com as exigências da PNRS o setor de logística reversa prevê um incremento considerável, visto que empresas que anteriormente não se preocupavam com o retorno de seus produtos, agora terão que se preocupar. 
Estima-se que mundialmente, as empresas gastem 10% do seu faturamento total, gerenciando retornos, o que requer práticas bem estruturadas e sobretudo, planejamento, para que esta atividade seja sustentável e propicie benefícios econômicos, ambientais, legais, de imagem corporativa e logísticos. 
O percentual é bem superior ao dos Estados Unidos, que, no mesmo período, gastaram 7,7% do seu PIB com logística, o equivalente R$ 2,08 trilhões. Os números são da pesquisa Custos Logísticos 2011, divulgada hoje pelo Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) e que apresenta os custos com logística no ano de 2010.
Para Maurício Lima, diretor de capacitação do Ilos e responsável pela pesquisa, o Brasil não investe o que deveria para diminuir os custos de logística das empresas.
“Para cada aumento de 1% do PIB, seriam necessários investimentos para garantir o aumento de 1% na capacidade de transporte”, frisou Lima, acrescentando que o Brasil deveria estar investindo cerca de R$ 70 bilhões, ou 12% do PIB, em logística por ano. “Hoje investimos cerca de R$15 bilhões na prática, mas sem qualidade”, afirmou.
Lima destacou que o país também perde “em todos os modais de transporte na comparação com outros BRICs” e ressaltou que “o que temos de logística retrata o Brasil da década de 1970”. Durante as décadas de 1980 e 1990, os investimentos no setor somaram cerca de 0,2% do PIB por ano.
Por outro lado, o aumento médio de 4,4% do PIB nos últimos anos e o crescimento do setor de serviços permitiu uma redução dos custos de logística no país em relação ao PIB, o que, para o pesquisador, reflete um quadro comum.
“Quando uma economia se desenvolve, o normal é o custo de logística diminuir”. No entanto, na ótica das empresas, o custo de logística em relação à receita líquida tem crescido. Em 2005 esse valor era de 7,4% em média. Hoje é de 8,5%.
A análise mostra que os gastos com transporte doméstico são os mais significativos, somando R$ 232 bilhões, o equivalente a 6,3% do PIB. Os gastos com transporte representam 54% dos custos médios das empresas e 4,6% do valor de sua receita líquida. Muito atrás, os gastos com estoque e armazenagem ficam praticamente empatados com 23% e 22% dos custos médios para as empresas, respectivamente. A distribuição é o que mais pesa para os custos de transporte das empresas, representando 46% do total. Atrás estão os gastos com transferência (28%) e suprimentos (26%).
O estudo revela o grande peso da matriz rodoviária no transporte de carga no Brasil. Sozinho, o custo do transporte rodoviário para as empresas é equivalente a 5,5% do PIB. O país tem 65,64% do total de toneladas por quilômetro útil (TKU) feito por rodovias. Em segundo lugar, as ferrovias representam apenas 19,49% do TKU. Os Estados Unidos transportam por ferrovias 38% do TKU e 28% do TKU por rodovias.
Para Lima, a concentração do transporte no modal rodoviário é uma desvantagem competitiva. Se o Brasil tivesse uma matriz de transporte de cargas semelhante à dos Estados Unidos, teríamos uma economia de cerca de R$ 90 bilhões, segundo ele.

Fonte: Valor Econômico adaptado por Patrícia Guarnieri (Blog Logística Reversa e Sustentabilidade)

Versão original disponível em Infologis

2 comentários:

  1. Oi, Patricia.

    Mais uma vez quero elogia o seu trabalho nesse blog, muito bom mesmo...

    Mais eu quero fazer uma pergunta, é a seguinte:

    De que maneira eu posso provar e convencer que, um projeto no qual tenha o objetivo de dar uma destinação final para embalagens de uma empresa pode gerar não somente lucro, mais que a aceitação desse projeto será refletida no aumento da clientela?

    e só mais uma se não for incomodo.

    Geração sustentável, será que nós podemos dizer que existem sim consumidores realmente preocupados com sustentabilidade? Baseado no que pode-se afirma isso?

    Patricia desde já te agradeço certo de sua resposta, e mais uma vez a parabenizo e incentivo que a senhora continue com esse blog tem me auxiliado muito e me deixado atualizado sobre noticias de LR. MUITO OBRIGADO.

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  2. Olá André, tudo bem?
    Obrigada!
    O que pode ser feito é uma análise do número de clientes e volume de vendas antes da adoção da logística reversa e outra análise depois da adoção, considerando se houveram outras variáveis que também possam ter influenciado nestes fatores como promoções, sazonalidade, etc.
    Quanto a existir uma geração sustentável, existe sim, vários trabalhos publicados já tratam deste tema, você pode procurar como "consumo verde", "mercado verde" "consumidores verdes", nos links que indico no menu do topo da página.
    Espero ter ajudado.
    Abraços e obrigada pela sua participação!

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