"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Brasil importa PET reciclado do Paraguai devido à coleta seletiva deficiente


Foto: Romildo de Jesus/AE

Em 2010 o Brasil reciclou 56% das embalagens de PET colocadas no mercado, ou 282 mil toneladas. O número - considerado alto por especialistas, dada a coleta seletiva incipiente que existe no País - é 7,6% maior que o de 2009. A indústria recicladora brasileira, no entanto, ainda trabalha com 30% de capacidade ociosa e o Brasil chega a importar PET reciclado do Paraguai.
"Nos últimos três anos importamos 10 mil toneladas em forma de "flakes" (flocos), vindas do Paraguai", afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), Auri Marçon.
O resultado é que o preço do PET reciclado se equipara ao valor da matéria-prima oriunda da natureza. Os pelets (pequena unidade de PET) virgens custam cerca de US$ 1,9 a tonelada e os flakes reciclados, US$ 1,6. Os números foram apresentados ontem em evento da Abipet para divulgação do 7.º Censo da Reciclagem do PET. Como consequência da falta de embalagens para reciclagem, as margens de crescimento da indústria de reciclagem do PET vêm caindo em relação aos anos anteriores.
De 1994 a 2002, o porcentual de reciclagem das embalagens PET pós-consumo no Brasil subiu de 18,8% para 35% do total comercializado. De 2003 a 2006, subiu de 43% para 51,3%. E, desde então, a alta anual tem variado de 1,5% a 2%. "Não se pode esperar o mesmo crescimento dos anos anteriores, porque isso não vai acontecer. A indústria da reciclagem está tirando PET de pedra", diz Leandro Fraga Guimarães, consultor da Nous Consulting, que fez o censo.
Dados de um relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), lançado em 2010, indicam que 37% dos materiais potencialmente recicláveis aparecem misturados aos resíduos sólidos urbanos. Do ponto de vista da reciclagem, esses 37% não têm destinação adequada e são "enterrados" com outros materiais não recicláveis, como matéria orgânica, por exemplo.
A falta de um bom sistema de coleta seletiva é apontada pelos especialistas como o calcanhar de aquiles da indústria da reciclagem PET no Brasil. "O material está aqui, mas nós não temos como chegar a ele, pois está escondido nos aterros", diz Guimarães. "Nós recolocamos tudo o que reciclamos na cadeia produtiva brasileira. Mas estamos estrangulados pela coleta seletiva incipiente", afirma Marçon. Hoje, apenas 18% das cidades brasileiras têm coleta seletiva.
Apesar do cenário, numa comparação com vários países com indicadores socioeconômicos melhores do que os nossos, o Brasil acaba tendo uma posição de destaque na reciclagem do PET. Em um estudo que cruzou dados de reciclagem de PET com informações sobre população, território, renda per capita e escolaridade, o País está na sexta colocação, atrás de Japão, França, Alemanha, Suíça e República Tcheca.
"São países que têm um território muito menor que o nosso, índice de escolaridade e renda per capita maiores, mas aparecemos próximos deles no tocante à reciclagem de PET", explica o analista de mercado Sotirios Denis Ghinis, da Abipet.
Ele atribui isso a três variáveis: a pesquisa para aplicação do PET reciclado, a disponibilidade de mão de obra abundante (catadores) e o espírito de empreendedorismo do brasileiro.
"A indústria brasileira viu no PET pós-consumo uma oportunidade, um novo material para trabalhar", afirma o analista. "É um equilíbrio um pouco frágil, é verdade, porque nenhum país desenvolvido chegou a esse nível só pelas forças do mercado. É preciso que o Estado atue e que a sociedade civil faça sua parte." No Brasil, o maior usuário do PET reciclado é o setor têxtil (38% do total), seguido de resinas (19%), embalagens (17%) e laminados (8%).

Por: Karina Ninni para  O Estado de S.Paulo

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