"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Resíduos cobiçados

“Tem que haver um componente financeiro, senão a lei cai no esquecimento” afirma Watanabe da empresa Descarte Certo, ele ainda destaca o enorme potencial de negócio que existe por trás do lixo eletrônico no Brasil. Segundo ele, mais de 100 milhões de novos eletroeletrônicos são colocados no mercado brasileiro a cada ano. “Precisamos transformar itens obsoletados em matéria-prima para novos produtos”, destaca. Para o empresário, vislumbrar e formatar novos negócios é a única forma de fazer a lei “pegar”.
Para empresas como a Wisewood Soluções Ecológicas, cuja proposta é substituir a madeira por compósitos plásticos recicláveis, a lei é muito bem-vinda. Com a exigência de destinação correta para os resíduos, a tendência é que aumente o volume de matéria-prima proveniente de recicláveis e, consequentemente, haja queda nos preços. “Hoje eu compro muita coisa em aterros sanitários. Como eles devem se tornar muito caros com o fim dos lixões, a tendência é adquirir resíduos diretamente do gerador”, explica Rogério Igel, proprietário da empresa.
A base da madeira Wisewood é qualquer tipo de plástico reciclável. A ele podem ser agregadas até 40% de fibras vegetais como serragem, bagaço de cana, bambu, borra de café, sabugo de milho, casca de arroz, raspas de couro, algodão e folhas, entre outras. A empresa calcula que retira cerca de 700 toneladas por mês de resíduos descartados. Fundada em 2007, em São Paulo, a Wisewood começou suas atividades desenvolvendo pallets, estacas e dormentes. Segundo Igel, para cada três dormentes feitos com madeira plástica, três árvores deixam de ser derrubadas.
O empresário ainda destaca outras vantagens da tecnologia Wisewood: alta durabilidade, imune a pragas, resistente à corrosão, não solta farpas e não absorve umidade. O problema é que ela ainda é mais cara que a madeira, mas para Igel esse entrave está com os dias contados. “Há fortes indícios de que a madeira legal e certificada ficará cada vez mais cara”, argumenta. A confiança de Rogério Igel nesse mercado se traduz em números. Ele está investindo R$ 10 milhões na compra de três novas máquinas. A meta é elevar a produção de 80 para 150 toneladas mensais e o faturamento de R$ 600 mil para R$ 1,3 milhão ao mês.
Para quem vê apenas custos embutidos no PNRS, o especialista em gestão ambiental João Ricardo Magalhães Gonçalves recomenda: “É preciso ser criativo e buscar alternativas para, a médio e longo prazos, tirar proveito da situação. Há muito valor agregado em materiais que hoje seguem para lixões e aterros sanitários. Estamos jogando dinheiro fora”. O executivo, sócio-diretor da Eccox Tecnologia e Soluções Ambientais, de Betim (MG), cita a construção civil para mostrar a necessidade de readequação de processos. Segundo ele, estima-se que a cada três edifícios construídos, um novo poderia ser erguido só com o que foi para o lixo.
A conscientização do que realmente é lixo é o ponto crucial deste debate na opinião do empresário Rodrigo Sabatini, presidente da NovoCiclo Ambiental, de Florianópolis. “Lixo é lixo, resíduo é resíduo. Eles têm que ser destinados para lugares diferentes”, afirma. A empresa faz a gestão de resíduos em empresas, condomínios residenciais e cidades, baseada no conceito de lixo zero. “Nosso trabalho é fazer com que o responsável encaminhe o resíduo para um destino onde ele possa ser utilizado em nova etapa de produção. Não adianta só passar o problema para frente”, explica Sabatini.
O fato, segundo o advogado Wladimir Antonio Ribeiro, do Escritório Manesco, Ramires, Perez, Azevedo Marques Sociedade de Advogados, é que as empresas que não se adequarem podem perder mercado. Tanto no Brasil quanto em outros países, onde os consumidores já esperam atitudes responsáveis dos fabricantes diante do descarte de seus produtos. Para Ribeiro, que assessorou o Ministério do Meio Ambiente na elaboração da nova lei, o PNRS é “uma política necessária num momento de forte crescimento econômico e redistribuição de renda”, sob pena dos aterros sanitários entrarem em colapso no Brasil. “Temos que colocar preço nas coisas para que ele seja sentido no bolso. Hoje, não custa nada jogar uma garrafa pet no rio. Isso tem que mudar.”

Por: Cléia Schmitz (Revista Empreendedor)
Fonte: Conselho de Logística Reversa do Brasil - CLRB

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