"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



Crédito da imagem: jscreationzs / FreeDigitalPhotos.net

domingo, 8 de agosto de 2010

Varejo é importante canal de incentivo à reciclagem

Em muitas cidades brasileiras, as Estações de Reciclagem instaladas em super e hipermercados representaram um passo fundamental para a disseminação da separação doméstica de resíduos pós-consumo. Iniciado com plástico, papel, vidro e metal, seu alcance expandiu-se para outros itens como óleo de cozinha. Elo de ligação entre consumidores conscientes e cooperativas de catadores, esses programas estão alinhados com as premissas da Política Nacional de Resíduos Sólidos e vêm se consolidando como referência para a gestão compartilhada da logística reversa enquanto a sociedade espera a definitiva publicação da lei que deverá normatizar o funcionamento do sistema em todo o território nacional. A gestão compartilhada pressupõe o esforço conjunto da indústria, do varejo, das cooperativas, da população e do poder público. É essencial, portanto, que as prefeituras ajam com maior efetividade para que se produza um verdadeiro salto quantitativo e qualitativo na gestão dos resíduos sólidos urbanos.
Grupo Pão de Açúcar
 Os clientes do Grupo contam com mais de 200 pontos em todo o país para levar seus recicláveis – 110 Estações de Reciclagem Pão de Açúcar Unilever (criadas em 2001), 100 Estações de Reciclagem Extra H2OH! (de 2007) e 11 Estações de Reciclagem CompreBem (também de 2007). Estes números mostram um crescimento sólido da iniciativa que beneficia 59 cooperativas de catadores selecionadas para retirar os materiais arrecadados nas lojas que, em 2009, superaram a marca de 7.700 toneladas.
“Como o Pão de Açúcar foi pioneiro nessa ação, os obstáculos iniciais se deram em razão do próprio pioneirismo: o consumidor ainda não conhecia a proposta, toda a logística precisou ser alinhada, o tipo de atendimento na Estação teve de ser estruturado... Mas essas dificuldades foram ótimos aprendizados para a melhoria do processo e a garantia de sua evolução”, avalia Paulo Pompilio, diretor de Responsabilidade Socioambiental. “O programa agregou muito à imagem das empresas do Grupo, além de conscientizar o cliente da importância do descarte correto dos resíduos, o que é uma necessidade da sociedade moderna, ele contribui também para a inclusão social e a geração de renda nas cooperativas.” A sensibilização das equipes das lojas sobre os impactos positivos das Estações para o Grupo, os clientes e a comunidade tem sido um fator decisivo para sua expansão.            
Walmart
As Estações de Reciclagem tiveram início no WalMart em 2005. Três anos depois, a empresa firmou uma parceria com a Coca-Cola que impulsionou seu crescimento – hoje, são 308 unidades nas mais diversas localidades que recolheram, em 2009, 6,6 toneladas de recicláveis. Os materiais são coletados por 96 cooperativas de catadores que possuem cerca de 2.800 cooperados.
“Esse programa representa um serviço adicional para os clientes, estimula sua conscientização, reduz impactos ambientais e promove a inclusão social. O caráter social desse trabalho constitui uma frente fundamental para o WalMart”, conta Paulo Mindlin, diretor de Responsabilidade Social. “Nossas metas incluem contribuir para a profissionalização das cooperativas, o que permitirá um grande salto em sua inclusão econômica e em seu alcance ambiental e social.” Em função da grande capilaridade geográfica, a seleção das cooperativas responde a especificidades locais e abrange soluções diferenciadas como uma parceria com a CAEC, em Salvador, que tem cooperados e prensas dentro das lojas da rede e se encarrega da gestão completa de seus resíduos.  O WalMart também abre suas portas para iniciativas específicas de fornecedores alinhadas com os objetivos de suas Estações de Reciclagem. Exemplos nesse sentido vêm de diferentes cantos do Brasil e incluem ações de empresas como Nestlé, Diageo, Tetra Pak e Whirlpool.
Carrefour

Criado em dezembro de 2008, o projeto de Estações de Reciclagem é considerado pelo Carrefour uma importante ferramenta para conscientizar a sociedade a respeito da relação entre consumo e meio ambiente. A ação registra uma significativa participação dos clientes - atualmente, há 38 Estações instaladas em lojas do Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal e Minas Gerais que recebem os materiais e os encaminham para reciclagem.
Resultado de uma parceria com a Abeaço (Associação Brasileira de Embalagem de Aço), a CSN e a Gerdau, além da Tetra Pak, Johnson & Johnson, Kimberly-Clark e Coca-Cola, as Estações seguem em expansão e devem chegar a 100% das lojas da rede ainda em 2010. Para atender a esse aumento da demanda, o Carrefour vem buscando parcerias, em todas as regiões do país, com empresas recicladoras capacitadas para recolher grandes quantidades de recicláveis e fornecer acompanhamento e mapeamento adequado do volume coletado e destinação dos resíduos até o momento do reinício do ciclo de vida dos materiais. “A promoção do consumo consciente é um dos pilares da política de sustentabilidade do Carrefour que norteia diversos projetos desenvolvidos para sensibilizar os clientes quanto à necessidade de novos hábitos de consumo”, explica Paulo Pianez, diretor de Sustentabilidade da empresa.
Casas Bahia

Nas entregas que faz na casa do consumidor, a Casas Bahia oferece a possibilidade de levar de volta os materiais usados nas embalagens como isopor, plástico e papelão. A ação começou em 2008 com o lançamento do programa Amigos do Planeta, quando a empresa construiu uma Central de Triagem em seu Centro de Distribuição de Jundiaí (SP) para receber os recicláveis provenientes da coleta seletiva implantada em algumas de suas unidades. Desde então, tanto o programa interno de coleta seletiva quanto a logística reversa de embalagens não para de evoluir.
A retirada das embalagens é hoje oferecida a consumidores de todo o Estado de São Paulo e representa uma parcela significativa das mais de 18 mil toneladas de recicláveis já encaminhadas para a Central de Triagem que emprega 40 colaboradores.
“Foram vários os desafios logísticos que enfrentamos, desde espaço físico para armazenamento do isopor até a programação de entrega e retirada das embalagens. Mas os resultados nos estimulam a seguir em frente: vamos abrir uma mini Estação de Triagem no Centro de Distribuição de São Bernardo do Campo (SP) e de Ribeirão Preto (SP) e iniciaremos a logística reversa no Rio de Janeiro”, comenta Sônia Mitaini, da área de Comunicação. Os recursos obtidos com a venda dos materiais são direcionados a projetos sociais voltados à educação e inclusão digital em comunidades carentes.

Fonte: http://www.cempre.org.br/

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