"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



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domingo, 8 de agosto de 2010

Investimento de fundo cleantech em recicladora de PET antecipou política de resíduos

O investimento do Fundo Stratus Cleantech do Grupo Stratus na recicladora paulista de politereftalato de etila (PET) Unnafribas, no final de junho, comprovou o crescimento e a importância das tecnologias mais limpas na economia nacional. Um segmento que promete ter uma rápida ascensão nos próximos anos motivado pelas novas legislações para o setor ambiental e de resíduos.
A tendência dos produtos e atividades verdes começarem a ganhar valor econômico é irreversível segundo o gestor do fundo, Oren Pinksy. "A reciclagem, mais do que um ato de boa vontade tem valor econômico," disse Pinksy em entrevista à Revista Sustentabilidade.
Pinksy não divulgou qual foi o valor investido pelo fundo de capital de risco private equity para adquirir a participação minoritária na Unnafibras. Mas explicou que a empresa, que existe de 1996 e fatura R$120 milhões por ano, tem um plano de expansão de R$100 milhões para os próximos anos com a venda de poliéster feito 100% de garrafas de PET, usado desde o setor têxtil ao setor automotivo.
Os investimentos da Unnafibras serão feitos em inovação, na busca de novos clientes e na aquisição de outras empresas para ganhar mais peso na economia nacional, a medida que a necessidade de reciclar cresce com a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos no dia 7 de julho.
O Grupo Stratus, de uma certa forma, antecipou a nova política que vai obrigar os setores produtivos a responsabilizarem-se pelos resíduos pré e pós-consumo, garantido uma destinação final adequada. A política ainda necessita ser regulamentada, mas as empresas já buscam adequar-se a ela, o que deverá forçar uma organização da cadeia de reciclagem no país.
"A gente gosta do setor reciclagem porque as cadeias ainda estão em formação," explicou Pinksy.
O Brasil atualmente recicla cerca de 10% de todas 183 mil toneladas de resíduos produzidos diariamente por todo o país. O setor de reciclagem de PET, como o de latinhas e papel, é um dos mais desenvolvidos, com cerca de 50% de toda resina produzida reciclada sendo usada para fazer outros artefatos, poliéster e até insumo para tintas e vernizes.
Segundo avaliação de Álvaro Gonçalves, sócio-diretor do Grupo Stratus, o mercado brasileiro possui mais de 14 mil empresas com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 350 milhões que têm perfil para receber investimentos de fundos de private equity. Este foi o quarto aporte do fundo desde sua criação em 1999, comprovando a tese original de rentabilidade e solidez de investimentos e negócios que aliam a inovação com menor impacto ambiental. "No início tivemos que convencer investidores a tratar o setor não como ativistas, mas como negócios", disse Pinsky.
O fundo tem ativos de R$60 milhões e prevê investimentos em cinco empresas. Entre os quotistas estão o BNDES, órgãos multilaterais, fundos de pensão, investidores particulares e empresas que perceberam a oportunidade neste negócio.
Esta composição não é diferente da indústria de cleantech que movimentou cerca de US$4 bilhões (R$7,1 bilhões) com investimentos em cerca de 400 empresas na Europa, EUA e Austrália, só nos primeiros seis meses de 2010.
No Brasil, o fundo Stratus é um dos poucos que focam nos setores de tecnologia limpa. "Levantamos cerca de 450 empresas nos setores que estudamos e falamos com cerca de 100 para fechar os investimentos que fizemos", explicou Pinsky. "Algumas conversas foram interessantes, mas como ainda não tinham se desenvolvido no mercado, dissemos que poderíamos voltar a conversar em um ano".
O primeiro investimento do fundo foi feito na Ecosorb, empresa de soluções de descontaminação e prevenção de acidentes ambientais para o setores de petróleo e químico. O segundo, foi feito na Brazil Timbers, empresa gestão de florestas particulares e públicas que vende madeira legalmente e busca inovar com novos produtos da área. O terceiro investimento, feito no início de 2010 e que contou com investidores estrangeiros, foi na Amyris, uma empresa de biotecnologia que desenvolve produtos da sacarose obtida da cana de açúcar. Dentro da Amyris, 60 PhDs pesquisam constantemente novos compostos, que segundo Pinsky, podem gerar cerca de 20 mil diferentes produtos, desde remédios a polímeros biodegradáveis que possam substituir plásticos.
Para concluir a fase de aporte do fundo, Pinsky estuda investir, até o final de 2010, em mais uma empresa, que pode ser do setor de produtos da biodiversidade.
Os investimentos em tecnologias limpas não vão parar por aí, pois há interesse de investidores em aportes, o que incentivou o Grupo Stratus a estudar a abertura de um segundo fundo cleantech.
Além dos setores tradicionais de energias renováveis, reciclagem e tratamento e reuso de água, o setor de eficiência energética também está na mira do fundo, explicou Pinksy. "O Brasil tem um grande potencial," disse. "O balanço é que conseguimos trabalhar com empresas emergentes e inovadoras em cleantech e ter sucesso."

Por: Alexandre Spatuzza
Fonte: http://www.revistasustentabilidade.com.br/

Um comentário:

  1. Bacana esse artigo, gostei. Afinal se hoje em dia cada vez mais pessoas estão tomando coragem para optar por investimentos além da poupança, melhor em empresas verdes.
    Abraços !

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