"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



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sábado, 21 de agosto de 2010

A Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) e Life Cycle Thinking (LCT) para um Brasil mais limpo

A aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) no Brasil tem, ou melhor, pode ter repercussões importantíssimas na forma como o empresariado, as prefeituras e os cidadãos pensam o ciclo de materiais e energia no país. Qual resultado podemos esperar desse processo?
Notadamente, a regulamentação do fluxo de materiais através da PNRS não só exigirá o cumprimento de regras definidas por lei, mas contribuirá para o desenvolvimento de novas estratégias de gestão, que praticamente inexistem em nosso país, à exceção de algumas cidades.
Para que todos compreendam, basicamente, quais os possíveis pontos de partida para que essas estratégias sejam elaboradas no Brasil, defini apresentar nos próximos cinco posts (incluindo o presente) conceitos fundamentais que devem nortear a sociedade. Começarei pela Avaliação de Ciclo de Vida (ACV).
A Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) é um método utilizado para identificar, avaliar e gerir impactos ambientais causados no ciclo de vida de um produto (do berço à cova) ou no fornecimento de um serviço. Aqui, “impactos ambientais” são classificados em categorias específicas, como potencial para aquecimento global, acidificação de corpos d’água, geração fotoquímica de ozônio, etc. Segundo uma adaptação de Biaggio e Almeida (Ecologia Industrial, Editora Edgar Blücher, 2006): “O ciclo nada mais é que a história do produto, desde a fase de extração das matérias primas, passando pela fase de produção, distribuição, consumo e uso, até sua transformação final em lixo ou resíduo. Por exemplo, quando se avalia o impacto ambiental de um automóvel, deve-se considerar não só a poluição causada pelo seu funcionamento individual, mas também os possíveis danos decorrentes de seu processo de fabricação , da energia que utiliza, da produção de seus diversos componentes, ou destino final, etc.”
A abrangência desta análise fica a cargo de quem se propõe a realizar o ACV e seus objetivos. Raros exemplos brasileiros de estudos de ACV podem ser acessados no Banco de Teses da USP (link com um exemplo para fertilizantes nitrogenados; procure mais teses no Banco para mais pesquisas), normalmente sob a orientação do Professor Gil Anderi da Silva, da escola de Engenharia Química. Outras leituras suplementares pode ser feitas no site da Universidade de Leiden (Holanda), pioneira em metodologias e melhorias em técnicas de ACV. São boas leituras e recomendo para quem deseja se aprofundar no assunto.
O que se tem dito por aí sobre “logística reversa” no contexto da PNRS é exatamente um reflexo do que podemos chamar de Life Cycle Thinking (LCT), ou o pensamento do ciclo de vida de produtos e serviços. Ou seja, industriais e empresários terão de projetar produtos e processos tal que haja impacto ambiental mínimo nas várias etapas consideradas, como um ACV deve contemplar. Nesse aspecto, é interessante entender esta PNRS também como uma oportunidade para o desenvolvimento de novas empresas e negócios na área de gestão de resíduos.
Este empurrão da política também deve estar associado às universidades, que devem detalhar cada vez mais seus estudos de ACV para os mais diversos produtos e processos. Desta forma, compreenderemos melhor de que maneira materiais e resíduos circulam na economia brasileira, e assim cria-se espaço para a elaboração de um tipo de gestão mensurável e que responda às realidades do país. Igualmente, penso ser uma oportunidade ímpar para levar o debate ambiental para outras arenas que não as tradicionalmente trabalhadas e divulgadas, como desmatamento e biodiversidade, ainda que todas sejam igualmente importantes para a política de meio ambiente e desenvolvimento do Brasil.
Precisamos entender que política de meio ambiente é algo fundamental, cuja complexidade deve ser encarada com coragem e com regulamentação robusta (trabalhando ambiente urbano, ambiente rural e natural, saúde pública, etc. como aspectos de objetivos comuns, quais sejam, aqueles relacionados ao desenvolvimento regional e meio ambiente.

Por: por Leandro Figueiredo

Fonte: http://www.revistasustentabilidade.com.br/

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