"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



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domingo, 28 de abril de 2013

Gestão compartilhada da logística reversa de eletro-eletrônicos - Modelos de gestão

Gestão compartilhada na LR de eletro-eletrônicos baseia-se no conceito de alianças logísticas

A gestão dos resíduos poderá ser feita individualmente pelas indústrias, mas pensando em reduzir custos, os fabricantes de eletroeletrônicos se inspiraram em experiências na Europa e Japão, onde predomina a gestão coletiva, e criaram em julho de 2012,  a Associação Brasileira de Reciclagem de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos (Abree). 
O segmento de eletroeletrônicos segue a tendência de outros segmentos que obtiveram sucesso com a criação de associações como agrotóxicos, que criou o INPEV e hoje tem um índice de 94% de reciclagem, e de pneumáticos, que criou a Reciclanip e possui um índice de 86% de reciclagem, a fim de criar meios para operacionalizar a logística reversa por meio de parcerias.  A ideia de compartilhar custos, recursos e benefícios com outros atores responsáveis pela geração dos resíduos provém do conceito de parcerias ou alianças logísticas, conceito este que vem sendo difundido com maior ênfase na logística direta, no entanto é totalmente aplicável à logística reversa. Principalmente, tendo em vista os baixos e inconstantes volumes de resíduos coletados, é mais do que necessário que se criem parcerias a fim de viabilizar a operacionalização da logística reversa (Guarnieri, 2012).
A entidade fará a gestão conjunta do pós-consumo de embalagens e produtos de nove associadas — entre elas Whirlpool (que atua no Brasil com as marcas Brastemp, Consul e KitchenAid), Eletrolux, Phillips, Panasonic — que respondem juntas por 95% do mercado de refrigeradores, 80% de ar condicionado, 50% de máquinas de lavar e semiautomáticas.
Para o especialista em gestão de resíduos sólidos Vanderlei Niehues, diretor da Abree, a gestão coletiva facilitará a operacionalização do plano, especialmente a tarefa do comércio, que necessitaria de muito mais infraestrutura (postos de coleta dos materiais devolvidos pelos consumidores) se tivesse de entregar aos fabricantes, separadamente, as embalagens e produtos descartados. O modelo foi defendido no grupo temático pela Confederação Nacional do Comércio Varejista, pela Fecomercio e pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). 
Niehues, gerente de Sustentabilidade da Whirlpool — pioneira na gestão de resíduos do processo de produção por meio do Programa Resíduo Zero; a empresa não quer enviar para o aterro nem um quilo de resíduo e a meta é reciclar 100% dos rejeitos da fábrica —, conta que cada fábrica tem metas anuais. Ele busca levar à Abree sua experiência na área, que somada à das demais indústrias na gestão dos resíduos industriais, está configurando o modelo do gerenciamento do pós-consumo.

Custo de implantação e operacionalização da logística reversa

Segundo Niehues, um dos pontos centrais é a divisão do custo de implantação e operacionalização da logística reversa entre indústria, comércio e governos. “Ao consumidor, caberá levar as embalagens e outros descartados aos pontos de coleta”. Reconhece, no entanto, que o primeiro custo cairá sobre o consumidor, já que terá de devolver os materiais nos pontos de coleta espalhados no comércio. Para as lojas, a despesa será a montagem dos pontos de coleta e o transporte até a indústria. A partir daí, as fábricas assumirão o custo de separar esses materiais e levá-los aos recicladores. A reciclagem final também é responsabilidade da indústria. “Custo não é só despesa, é também em ação”, complementa Vanderlei. 
Consulta aos órgãos ambientais dos 26 estados indicaram que a maior demanda por coleta recai sobre as geladeiras. O dado indicou necessidade de dividir as linhas de eletroeletrônicos por cores: branca (fogões, geladeiras), marrom (TV, áudio e imagem), verde (desktop, celulares, fax, notebook), azul (batedeiras, liquidificadores, ferros de passar). “Vamos tratar do pendrive à geladeira”, afirma o relator do grupo temático dos eletroeletrônicos e diretor de Responsabilidade Socioambiental da Abinee, André Saraiva.

Modelos de gestão 

Segundo Mário Sebben, presidente da empresa Apliquim Brasil Recicle e membro do Grupo de Trabalho Temático de lâmpadas, há dois projetos em disputa para a implantação da logística reversa no segmento. Um concebido pelos grandes fabricantes, outro, pelos importadores. O primeiro, baseado em experiências europeias e defendido pela Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux), tem custo mais elevado, que seria arcado integralmente pelo setor produtivo, transferindo o custo para o começo da cadeia, através da elevação de preços ao consumidor. “É um modelo, mais automático, mais fácil de pegar”, acredita Sebben. Nele, o consumidor não arcaria com preço na devolução do produto e o governo ganharia mais com a arrecadação de impostos gerada pela elevação do preço do produto. 
Porém, como dificuldade neste modelo estaria o controle das importações, hoje quase a totalidade do mercado — são apenas quatro fabricantes no País, contra 585 importadores, que importam anualmente cerca de 200 milhões de lâmpadas. O modelo prevê a criação de uma Gestora de Resíduos Independente, à qual seria reportada toda entrada de lâmpadas estrangeiras no País, com o pagamento antecipado do devido custo de reciclagem. “Exige anuência prévia, o que é um cerceamento não tarifário da importação e bate na Organização Mundial do Comércio”, diz.
Já no modelo defendido pela Associação Brasileira de Importadores de Produtos de Iluminação (Abilumi), concebido com base em um projeto piloto implantado em Caxias do Sul, os grandes usuários de lâmpadas (grandes empresas e órgãos públicos) continuariam arcando diretamente com os custos de reciclagem. Para o pequeno usuário, a responsabilidade pelo recolhimento ficaria por conta do comércio varejista, que poderia cobrar ou não por esse serviço ao consumidor final. Aqui, seriam beneficiados os lojistas, que podem usar a ação como marketing, além de aproveitar o momento da devolução para ter o cliente dentro de sua loja, eventualmente consumindo novos produtos. Como desvantagem, está a imensa pulverização do varejo, que dificulta o controle da destinação dos produtos recolhidos.
“Os dois modelos têm problemas, mas o governo terá que fazer uma escolha”, diz o empresário. “Provavelmente o melhor a fazer é deixar que as entidades reunidas no GTT cheguem a um consenso, o que tornará mais ampla a adesão ao modelo escolhido”, pois, segundo ele, se a decisão for tomada ‘de cima para baixo’, pode acabar em uma série de ações judiciais, por parte daqueles que se sentirem lesados, o que não é de interesse do governo.


Por: Liliana Lavoratti Thais Carrança - Adaptado por Patricia Guarnieri para o Blog Logística Reversa e Sustentabilidade

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