"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



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domingo, 31 de março de 2013

Análise do recall do ADES

Fiscais vistoriam produtos advertidos pela Anvisa
(Foto: Divulgação/Ascom Semus)
Consumo frequentemente o produto ADES e percebi, visitando vários supermercados no DF e também em SC que, apesar do problema da Unilever ser específico a uma unidade fabril (Pouso Alegre/MG),a um sabor específico (maçã), nas embalagens de 1,5 kg, do lote AGB25, as quais foram revendidas aos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná;  todas as outras embalagens de ADES foram retiradas do mercado e em estados nos quais este lote não foi comercializado. 
Os produtos provenientes do lote AGB25, especificado pela resolução da Anvisa,  foram retirados do mercado e devolvidos à fábrica para a destinação correta, enquanto que os outros produtos de outros lotes, sabores e provenientes de outras unidades da Unilever foram segregados em locais seguros, aguardando a decisão da Anvisa de liberar a comercialização.  Para operacionalizar toda a retirada do produto do mercado foram necessárias atividades da logística reversa. 
A ação  de logística reversa da Unilever, foi motivada em cumprimento à Resolução RE nº 1005, de 15 de março de 2013, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que determinou a suspensão de fabricação, distribuição, comercialização e consumo de todos os alimentos de soja da marca Ades, produzida na linha de produção TBA3G, da fábrica Unilever Brasil, em Pouso Alegre (MG). Na ocasião, a Unilever informou que houve uma falha no processo de higienização, que resultou no envase de embalagens com solução de limpeza da máquina e admitiu que houve falha "operacional, técnica e humana".
A Anvisa destacou equipes de fiscais para a vistoria em mercados e supermercados, de forma a retirá-los do mercado e segregá-los em local seguro. A medida é válida até que seja apurado laudo dos lotes inicialmente suspensos e a Agência anuncie as medidas que deverão ser tomadas em relação ao material recolhido.

Percebo que este recall foi completamente diferente do "Recall do Toddynho", da marca PEPSICO, o qual ocorreu em 06/10/2011 (leia mais sobre este recall, clique aqui), cujo motivo para a retirada do mercado foi exatamente o mesmo. Recordo-me claramente que, após o anúncio do recall, eu visitei vários supermercados e o produto continuava sendo comercializado, muitos consumidores sequer sabiam do ocorrido, apesar de a maioria dos atingidos serem crianças.
Percebe-se que a empresa Unilever teve a preocupação de retirar seus produtos do mercado para não danificar sua imagem, mas também percebe-se que a Anvisa apresentou neste caso, uma atitude mais rigorosa, solicitando a retirada de todos os produtos do mercado. Além disso, sem dúvida houve maior divulgação do recall na mídia. Isso é extremamente importante, considerando que é um produto alimentício e que causa danos à saúde dos consumidores. 
Cabe ainda ressaltar que o Brasil é um dos países que mais apresenta recalls, conforme informações do Procon/SP, tais recalls são de diversas naturezas: veículos, peças automotivas, brinquedos, medicamentos, alimentos, produtos de higiene pessoal, preservativos, dentre outros. 
Mas será que todos estes recalls são adequadamente divulgados? 
O Procon/SP divulgou também em 2012 que apenas 15% dos consumidores procuram as empresas para devolver ou reparar os produtos após anunciados os recalls?
Quais seriam os motivos deste índice tão baixo? Falta de divulgação adequada? Falta de conscientização e preocupação do consumidor? A falta de associação negativa do recall com a marca? 
Creio que nós, consumidores, deveríamos ter uma atitude mais proativa frente às empresas, temos que reclamar nossos direitos, exigir reparação dos danos, ficar atentos para empresas que realizam recalls frequentemente. Desta forma, podemos cobrar posturas mais responsáveis das empresas perante o mercado consumidor e, a depender da atitude da empresa, após o anúncio do recall, devemos sim repensar a possibilidade de continuarmos consumindo desta marca.
Em entrevista, o vice-presidente da Unilever Brasil, Newmam Debs, disse nesta quarta-feira (27/03) que o ferimento provocado pelas unidades de suco Ades que continham soda cáustica são como uma “afta forte” e que a boca dos consumidores afetados vão se “autocurar”. A Unilever é responsável pela fabricação dos sucos. De acordo com Debs, os consumidores feridos com a bebida “estão bem”.Ele participou nesta manhã de uma audiência na Comissão de Defesa do Consumidor na Câmara dos Deputados para prestar eslarecimentos sobre providências tomadas pela Unilever no caso.
“A sensação de ingerir esse produto é como se fosse uma afta forte, uma ardência. A boca se autocura, um processo de regeneração da mucosa. Em nenhum caso houve internação, as pessoas estão bem”, declarou o vice-presidente da empresa.
A Unilever, conforme o empresário, ofereceu “todo apoio em termos de assistência médica” aos consumidores afetados. Das 14 pessoas que procuraram a empresa, 12 aceitaram consulta com médicos oferecidos pela empresa, e outras duas preferiram ir aos seus próprios médicos, segundo Debs.
“Àqueles que ingeriram o produto, oferecemos atendimento médico. A grande maioria aceitou o atendimento, mas mantemos as nossas linhas abertas para falar com todos. Há sim uma vontade da empresa de falar com todo mundo e restabelecer a credibilidade que todos sempre tiveram com essa marca”, afirmou Newmam Debs.
O vice-presidente listou uma série de medidas adotadas pela empresa após o incidente. Todos os operadores das linhas de produção, segundo o empresário, foram treinados novamente. Além disso, houve revisão do software da máquina que apresentou defeito e o plano amostral das linhas foi ampliado, aumentando, segundo Debs, a segurança do produto antes de ser liberado para consumo.
De acordo com Newmam Debs, a empresa se empenhou em dar “o máximo de conhecimento possível aos consumidores para evitar que as pessoas consumissem desavisadamente aquele produto que estava impróprio”. 
“A Unilever adotou a postura de cuidado dos consumidores, transparência e colaboração de todas as autoridades”, disse o empresário durante audiência.


Fonte: Adaptado de Portal G1 por Patricia Guarnieri para o Blog Logística Reversa e  Sustentabilidade.

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