"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

"A PNRS já produz resultados concretos" - artigo de Rogerio Ruschel


O título acima foi utilizado pela jornalista Beth Leites em uma reportagem do boletim Cempre Informa 124, publicado pelo CEMPRE – Compromisso Empresarial para Reciclagem, ONG que reúne 41 grandes corporações – certamente as mais comprometidas.
Trata-se de uma notícia alvissareira: em apenas dois anos o número de prefeituras com coleta seletiva saltou 73%, de 443 para 766 municípios.
Digo alvissareira porque desde que entrou em vigor – em agosto de 2010 – li e ouvi muitos derrotistas dizerem que a lei “não ia pegar“. Pois parece que está pegando. Devagar, mas está pegando. E vai acelerar depois que os novos prefeitos assumirem, em 2013, porque as prefeituras estão proibidas de criar novos depósitos a céu aberto, os famosos lixões, e as multas vão começar a ser aplicadas.
Pelo boletim do Cempre, cerca de 27 milhões de brasileiros – 14% da população brasileira - já são atendidos por coleta seletiva em 766 municípios - 14 na região Norte, 18 no Centro-Oeste, 401 no Sudeste, 257 na Sul e 76 no Nordeste. Mas apenas seis deles (Curitiba, Goiânia, Londrina, Porto Alegre, Santo André e São José dos Campos) oferecem coleta seletiva a 100% da população. Veja a pesquisa completa em: http://www.cempre.org.br/
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS, Lei 12.305/10) está promovendo uma revolução silenciosa e de profundo interesse social porque trata de temas amplos e variados como áreas contaminadas, ciclo de vida do produto, coleta seletiva, controle social, destinação final ambientalmente adequada, gerenciamento de resíduos, gestão integrada, reciclagem, rejeitos, responsabilidade compartilhada, reutilização e serviço público de limpeza urbana.
A idéia central da PNRS é que a vida útil do produto não termina após ser consumido, mas volta a seu ciclo de vida para reaproveitamento, ou para uma destinação ambientalmente adequada. Veja o quadro de Ciclo de Vida, abaixo.

        Imagem: quadro ciclo de vida

Os impactos da PNRS vão se refletir não só na “estética urbana“, mas de maneira muito positiva na saúde pública com grande redução de custos para o poder público. Além disso, tem forte contribuição também na redução da necessidade de matérias-primas virgens, porque o que hoje vai para o lixão certamente teria aproveitamento energético ou como insumo industrial.
A partir deste segundo semestre de 2012 a PNRS vai ampliar a necessidade de segmentos industriais recuperarem produtos pós-consumo de cinco grupos de resíduos: eletroeletrônicos, remédios, embalagens, resíduos e embalagens de óleos lubrificantes e lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista. Duas destas cadeias produtivas (lâmpadas e embalagens) através das entidades representativas de fabricantes, importadores, comerciantes e distribuidores, têm até fim de janeiro de 2013 para preparar uma proposta de acordo setorial e abrangência nacional ao Ministério do Meio Ambiente. Se não o fizerem, o governo vai decidir sozinho.
Para não ficarem fora da lei estes segmentos empresariais vão ter que implantar esquemas de logística reversa (recolher o produto após o consumo), o principal instrumento da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que atualmente já se aplica a pilhas/baterias, embalagens de produtos agrícolas, pneus e outros segmentos, que se organizaram para fugir de multas.
Sobre pilhas (obrigadas a recolhimento desde 2001) não existem fontes confiáveis, mas os resultados parecem irrisórios.
Sobre as embalagens de produtos agrícolas, a coleta seletiva vem sendo feita de modo voluntário desde 1992 e por força de lei desde o ano 2.000. As embalagens são recebidas pelas recicladoras parceiras do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev), lavadas e recicladas. Segungo o Inpev, em 2011 mais de 34.000 toneladas de embalagens vazias foram recolhidas e a iniciativa significa, entre outras coisas, a redução da emissão de mais de 250 mil toneladas de CO2 (que provoca o aquecimento global) e a economia de mais de 20 bilhões de litros de água - além de gerar emprego e renda para mais de 2,5 mil pessoas no campo.
Já os fabricantes de pneus estão agindo desde 1999 através do programa Reciclanip, que já coletou e destinou de forma ambientalmente correta 400 milhões de pneus de automóveis de passeio através de 720 pontos de coleta no Brasil inteiro. São cerca de 2 milhões de toneladas de pneus reciclados para vários usos (veja quadro abaixo), mas principalmente como fonte energética em fornos da indústria de cimento e para a produção de asfalto ecológico.
   Imagem: uso de pneus reciclados

O programa, de responsabilidade da Associação Nacional da Indústria dos Pneumáticos (ANIP), foi iniciado de maneira obrigatória, a partir de acordo com o Ministério Público Federal, mas está funcionando muito bem obrigado. E serve de modelo para outros segmentos.

Por: Rogerio Ruschel - rogerio@ruscheleassociados.com.br - é jornalista; editor da revista eletrônica “Business do Bem – Economia, Negócios e Sustentabilidade”, do blog de enoturismo In Vino Viajas - http://invinoviajas.blogspot.com.br/ e autor ou editor de 32 publicações sobre o tema

Fonte: Portal Viva

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