"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



Crédito da imagem: jscreationzs / FreeDigitalPhotos.net

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Impactos sociais e ambientais da cadeia produtiva de alumínio na Região Amazônica - Assista o vídeo!

Este artigo trata dos impactos sociais e ambientais causados por projetos realizados por  indústrias extrativistas na região amazônica.  Posto juntamente com este artigo um vídeo, postado no youtube em 07/12/2011, que trata dos impactos causados pela cadeia produtiva do alumínio e apresenta entrevistas com as populações ribeirinhas, pequenos agricultores que sobrevivem da extração da castanha, do cipó, do breu, das frutas, além da pesca e também depoimentos do Procurador Felício Pontes, jornalistas, professores da UFPA, presidente da associação dos funcionários vitimados pela indústria do alumínio e também representante do SINDIMETAL.
O fato é que a implementação de indústrias extrativistas, como as da bauxita (principal matéria-prima do alumínio), que é utilizado em diversos produtos do nosso cotidiano, como utensílios domésticos, construção civil, bicicletas, aparelhos eletrônicos, entre tantos outros fins; na região amazônica, por empresas como ALCOA, VALE, ALUNORTE, ALUMAR, ALBRAS, entre outras está gerando um impacto sem precedentes na região amazônica, região esta que deveria estar sendo preservada e não devastada! 
Existem cerca de 96 comunidades ribeirinhas, como é o caso de Barcarena que sofrem por não ter mais acesso á àgua potável, e consequentemente, aos peixes que são contaminados pelos resíduos gerados pela bauxita, o que além disso afeta também as árvores frutíferas, ou seja, toda a atividade de extração que garantia a subsistência dessas populações ribeirinhas foi aniquilada. 
Este tipo de indústria que opera com a extração de recursos naturais não-renováveis, como é o caso do alumínio, gera um impacto enorme no meio ambiente, pois consomem muita energia, água e geram muitos resíduos, os quais são altamente tóxicos, como é o caso da lama vermelha gerada pela extração e processamento da bauxita, que contém também outros componentes químicos também tóxicos. As empresas extrativistas constroem então, bacias de contenção para este tipo de resíduo, porém, infelizmente nem sempre, estas bacias são suficientes para conter estes resíduos que acabam sendo despejados nos rios e solo, contaminando também os lençóis freáticos.
Devo ainda acrescentar que a maioria do alumínio produzido no nosso país é exportado para países como Japão, China, EUA e também países da Europa, os quais não desejam ter indústrias que causem tanto impacto ambiental e consumam tanta energia em seus países. 
Então qual é a solução mais víavel para estes países?  
Instalar empresas extrativistas em países em desenvolvimento ou comprar destes países o alumínio de que necessitam para suportar seu padrão de consumo elevado.
Muitos ainda defendem  a implementação destas grandes empresas na região amazônica, alegando que a população desta região, vive em condições sub-humanas e que ao serem instaladas estas empresas levarão o desenvolvimento para a região.
Será que isso acontece mesmo? De acordo com a realidade apresentada no vídeo isso "definitivamente" não ocorre. É possível perceber que na área em que a empresa é instalada há energia elétrica, há torres para telefonia, há estradas e demais facilidades, enquanto que olhando para o outro lado do rio, onde se localizam as comunidades ribeirinhas, as condições são de extrema miséria e falta de estrutura. Mas então eu pergunto:
E os empregos que foram prometidos aos moradores da região? 
O fato é que as populações ribeirinhas não tem conhecimento técnico, educação formal e experiência para trabalhar nestas empresas, o que gera o aumento do fluxo migratório de trabalhadores de outras regiões que vão para a Amazônia para servir de mão-de-obra barata e especializada.
E como ficam os ribeirinhos?
Antes eles tinham a castanha, o cipó, o breu, as frutas, o peixe, o camarão, àgua potável... E agora?? Eles não têm mais nada! Não têm como garantir sua subsistência, não têm saúde, não têm trabalho, e se obrigam a migrar para as cidades em busca de um emprego para sustentar sua família. Nem sempre encontram... o que aumenta a população que mora nas ruas... sem as condições mínimas para sobreviver.
E os trabalhadores destas indústrias?
Muitos são vitimados por acidentes de trabalho, por vezes sobrem queimaduras, em outras têm seus membros decepados, sofrem quedas e também "contaminação". E quando isso ocorre, o mínimo que esperaríamos é que estas pessoas tivessem assistência das empresas, o que não ocorre.
Existem na região amazônica, atualmente, cerca de 96 comunidades ribeirinhas com ações na Justiça Brasileira, solicitando indenizações a estas empresas. Mais de 800 famílias foram afetadas. No entanto as empresas se aproveitam da lentidão da justiça brasileira para protelar essas indenizações.
Então eu finalizo este artigo perguntando a vocês: 
Será que o desenvolvimento usado como bandeira para a exploração da Região Amazônica é sustentável?
É este tipo de desenvolvimento que queremos para o nosso país??

Assistam ao vídeo e tirem suas próprias conclusões (CLIQUE SOBRE A IMAGEM):


Por: Patricia Guarnieri para o Blog Logística Reversa e Sustentabilidade
Fonte do Vídeo: Youtube 

2 comentários:

  1. A verdade é que o progresso virá, hoje ou amanhã. Movimentos atrasam, mas a mudança virá. Países que não têm potencial hidrelétrico ou que já exploraram tudo são defensores ferrenhos dessa preservação ambiental. Claro, é o Brasil que deve pagar o pato, né? A democracia tem assegurado a liberdade de ação desses movimentos do atraso - está correto -, por isso mesmo ainda não temos trem bala! Mas um dia terá, quando não houver mais essas "figuras" que passam facão no rosto de engenheiros que trabalham pelo progresso, a geração dessas mesmas "figuras", incluindo a dos moradores da região, sem acepção de etnia, será beneficiada com os frutos do progresso: educação, trabalho, trem bala, integração social, e tudo mais que a CF lhes assegura. Se não souberem reconhecer, terão a liberdade de serem de esquerda, mas ainda assim gozarão dos benefícios que a democracia lhes assegura.

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  2. Quando assistimos a este vídeo, é possível perceber que o progresso não veio juntamente com o projeto destas grandes empresas, muito pelo contrário... houve apenas degradação e a população ribeirinha foi prejudicada. Caso aquilo que foi prometido pré-implantação destes projetos fosse efetivamente implementado e mantido, com certeza o progresso viria. No entanto o que vemos é que alguns (poucos) se beneficiam do alto retorno econômico que essa atividade gera e os demais envolvidos são esquecidos. O ponto aqui não é ser contra o desenvolvimento, acredito que ele é inevitável! O ponto aqui são os impactos causados por projetos mal planejados e falta do controle do Poder Público que deveria zelar pelo bem-estar dessas pessoas, que são brasileiros como todos nós e tem direitos assegurados na CF como você mesmo disse. Assista o vídeo e me responda se você acha que pelo menos alguns desses direitos estão sendo assegurados...

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