"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Transporte de cargas mais limpo no curto prazo é possível?

Andando pelas grandes avenidas de São Paulo, como a dos Bandeirantes ou as marginais, podemos perceber algumas incongruências: a primeira delas é que não dá para compreender tantos caminhões de carga passando por dentro da cidade prejudicando o trânsito, a saúde dos moradores e os cofres públicos que, se recapeassem as avenidas como deveriam o fariam incessantemente; a segunda é a forma como escoamos desde nossas matérias-primas até os produtos acabados. Difícil pensar em uma forma mais ineficiente, ainda mais se considerarmos que habitamos um país de dimensões continentais repleto de recursos hídricos como o nosso.
Voltando no tempo, nadécada de 1950, quando JK apresentou seu Plano de Metas em que faria crescer o país cinquenta anos em cinco, o governo decidiu desenvolver a indústria de base, investir na construção de estradas, de hidrelétricas e fazer crescer a extração de petróleo, em detrimento do crescimento de ferrovias e hidrovias, tudo com o objetivo de tirar o Brasil de seu subdesenvolvimento e transformá-lo num país industrializado.
O sistema atual de transporte de cargas é consequência destas decisões do passado, da contínua insistência em políticas de curto prazo e de uma matriz energética poluente. Transportar cargas através de rodovias não nos permite ser um país competitivo, pois, além de ambientalmente danoso, é economicamente ineficiente. De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), 58% do transporte de carga é feito por rodovias e, se desconsiderarmos o transporte ferroviário de minério de ferro e carvão, a representatividade do transporte rodoviário sobe para 66%.
Seguindo para a questão do título do artigo, para se obter ganhos sustentáveis no transporte de cargas é preciso pensar em redução nos níveis de emissões de CO2. Esta redução ocorrerá a partir do planejamento logístico e da escolha de modais mais ecoeficientes, ou seja, em formas de transporte de carga menos poluentes, como a cabotagem (navegação feita entre os portos de um mesmo país) e a ferrovia.
Em reportagem da Folha de São Paulo (22 de maio de 2011) foi abordada a ociosidade de 66% no transporte ferroviário de carga entre o Rio de Janeiro e São Paulo, onde seriam evitadas aproximadamente cinco mil viagens diárias de caminhão (cada um levando 27 toneladas de carga) pela via Dutra. Isto ocorre desde 1990 em função do modelo de concessão que foi dado à empresa MRS Logística, que tem como principais sócias a Vale e a CSN. Desde então, as linhas só estão adaptadas para o transporte dos produtos de interesse de suas controladoras, ou seja, produtos para mineradoras.
A conclusão que se chega é a de que sem novos investimentos, mas com o apoio do governo atual, poderíamos reduzir a circulação de caminhões de carga das principais vias da cidade e região metropolitana de São Paulo e transportar de uma forma mais limpa e eficiente 35,3 milhões de toneladas em um ano ao invés dos 11,9 milhões que foram transportados em 2010.

Por: Rosária Penz Pacheco é colaboradora da Revista Sustentabilidade, economista graduada em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pós graduada em Gestão de Sustentabilidade pela Fundação Getúlio Vargas.

4 comentários:

  1. Olá Patrícia, um amigo indicou seu blog..
    Vou fazer meu tcc de Logística reversa, focada em lixo eletrônico.
    Tenho certeza que seu livro e seu blog me serão muito úteis.
    Se tiver algum material sobre e-lixo, que por acaso não esteja disponivel aqui, vc pode me mandar por e-mail??
    viviane.gutierrez@hotmail.com

    Desde já agradeço,

    Até +

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  2. Olá Viviane, tudo bem?
    obrigada pela participação. Estou enviando alguns materiais no seu e-mail. No meu livro há um capítulo que trata dos resíduos eletroeletrônicos (pilhas, baterias, lâmpadas, computadores e grandes eletromésticos), creio que será útil para sua pesquisa. Enviei no seu e-mail uma amostra do livro com o índice e apresentação para você dar uma olhada. Além disso dê uma olhada na aba "livros"do menu do topo da página, há um livro de autoria de Eduardo Miguez, especificamente sobre resíduos de computadores. Se necessitar de algo mais , entre em contato aqui pelo blog e logo responderei, ok?
    Abraços,

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  3. Patricia Boa noite!
    Gostei do conteúdo e como profissional de logística observo boquiaberto as irresponsabilidades recorrentes neste setor, ainda estamos atrasados e muito, mesmo tendo a logística como extremamente necessária para dar suporte ao crescimento econômico sustentável. Como pode o descaso a um setor com essa importância? Pergunta difícil não!

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  4. Boa noite Francisco,
    Concordo com você, o Brasil ainda tem muito a melhorar em infra-estrutura logística, existem tantas opções de transporte que são sub-utilizadas e trazem menos impacto do que a modalidade rodoviária, é irônico que em um país com tantos recursos e possibilidades, estejamos limitados ao modal rodoviário. Eu tenho conhecimento de casos em que indústrias tiveram que investir em ferrovias com seus próprios recursos, pois para elas este modal era uma opção muito mais viável, devido ao Poder Público deixar este modal de lado a muito tempo. EStes dias atrás vi uma reportagem sobre o Rio São Francisco, que é subutilizado também para transporte de cargas. Realmente isto é algo que necessita de mudança urgente.
    Com o transporte rodoviário, o prejuízo ambiental é maior, os custos são maiores e as nossas estradas e trânsito ficam cada vez mais estrangulados.
    Abraços,

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