"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Obtendo retorno econômico, legal e ecológico com a logística reversa de resíduos de madeira

As empresas fabricantes de produtos que impactem negativamente o meio ambiente, serão afetadas por legislações restritivas às suas operações e oneradas em custos que podem ser evitados, tendo também sua imagem corporativa prejudicada perante a sociedade. Este problema pode ser evitado se as empresas anteciparem-se e adotarem em suas operações a logística reversa.
A Logística Reversa pode ser viabilizada estabelecendo-se parcerias para constituir redes logísticas reversas, reaproveitando recursos existentes, projetando novos produtos que utilizem resíduos, agregando valor aos resíduos e comercializando-os no mercado secundário.
Apresentarei para vocês neste post o caso de uma madeireira paranaense que conseguiu visualizar uma oportunidade de negócios quando se deparou com o problema da gestão de resíduos. Utilizando a Logística Reversa, veremos como foi possível a obtençao de retorno econômico e ambiental.
A atividade principal da empresa  se concentra no corte e beneficiamento de madeiras de eucalipto e pinus (Eucalyptus tereticornis, citriodora, saligna, grandise, aligna e Pinus spp.), destinadas à indústria moveleira e construção civil. A empresa explora também o comércio de toras de pinus e a prestação de serviços de colheita florestal, beneficiando anualmente 3.600 m3 de toras de pinus e 4.000 m3 de eucalipto, secados artificialmente, gerando 2.400 resíduos.
A empresa em questão necessitava de madeira para geração de energia e os resíduos que a própria gerava, já não eram suficientes para tal fim. Conhecendo as dificuldades da grande maioria das pequenas madeireiras da região para atender a legislação ambiental vigente e vislumbrandoa oportunidade de utilização dos resíduos de terceiros para substituir a compra de lenha e, em conseqüência, reduzir os custos de secagem, investiu na montagem de uma estrutura e na aquisição de equipamentos específicos para a picagem de resíduos. Esses investimentos totalizaram U$ 26,700.00 (Vinte e seis mil e setecentos dólares).
Desta forma, a empresa estabeleceu parcerias quando se dispôs a receber os resíduos das demais madeireiras da região, de certa forma, as livrando de penalidades legais. Quando começou a oferecer os resíduos de madeira picada às outras madeireiras em substituição a madeira original no processo de secagem da madeira beneficiada, conseguiu auferir retornos econômicos e legais.
Analisando a possibilidade de fornecimento dos resíduos de pinus e eucalipto à indústria de papel da região, primeiramente a empresa percebeu que necessitava de uma estrutura de separação dos resíduos, visando agregar-lhes valor e, em seguida, optou por investir nessa estrutura e conseguiu também através desta ação, obter retornos econômicos maiores, comercializando resíduos com valor superior ao invés de simplesmente utilizá-los para queima.
A empresa identificou uma oportunidade interessante quando prestava serviços de colheita florestal para terceiros. Percebeu que nessa atividade gerava-se quantidade considerável de resíduos no corte das árvores e esses poderiam também ser aproveitados. Então começou a oferecer junto com os serviços de colheita o serviço de limpeza das áreas, podendo naturalmente, apropriar-se desses resíduos, utilizando-os como fonte de energia sem custos, evitando assim a extração de uma quantidade maior de madeira do meio ambiente (lenha) e, também, a queima dos resíduos que gera poluição ambiental.
Além disso, buscou a solução da destinação dos resíduos não aproveitados pela empresa, comercializando-os no mercado secundário, no caso do pinus, fornecendo-os aos criadores de aves que os utilizam como cama para animais e no caso do eucalipto a uma indústria de madeira prensada que os utiliza como componente em aglomerados ou contraplacados.
O fato de conseguir negociar com empresas da própria região, tanto na obtenção de resíduos como na sua venda, proporcionou à empresa vantagem competitiva, no que tange à sua localização, reduzindo custos com transporte e minimizando o tempo do ciclo reverso.
É claro que a empresa teve custos com os equipamentos necessários à picagem da madeira e também à separação dos resíduos das cascas para fornecê-los à indústria de papel, porém estes custos foram rapidamente convertidos em ganhos, possibilitando o retorno do investimento inicial.
Desta forma, podemos perceber que aplicando a logística reversa em suas operações, as empresas têm plenas condições de obter retorno econômico, legal e ecológico através de seus resíduos, que anteriormente não tinham perspectiva de reutilização. O que inicialmente é visto somente como uma preocupação no atendimento à legislação ambiental pode transformar-se em uma importante fonte de receitas.

Por: Patricia Guarnieri

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