"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



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domingo, 22 de agosto de 2010

O ABCD do Design Verde

Dado o elevado número de itens que compramos, usamos e jogamos fora todos os anos, não é surpresa que os produtos de consumo sejam condutores finais de emissões de carbono. Nesse contexto, a engenharia dos produtos é fundamental para enfrentar as alterações climáticas. Sendo o ponto de partida para um grande conjunto de decisões sobre recursos humanos e materiais, a engenharia dos produtos pode influenciar as emissões em toda a cadeia de valor, com o potencial de produzir resultados significativos: segundo o Climate Group, sediado no Reino Unido, durante a próxima década, o desenvolvimento de produtos de tecnologia da informação e da comunicação, sozinho, poderia reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 15%, enquanto economizaria para a indústria mais de US$ 900 bilhões.
Ironicamente, o caminho mais curto para os melhores produtos muitas vezes não é encontrado dentro do time de design, mas por toda a empresa. Na Business for Social Responsibility (BSR), nós trabalhamos com a empresa de design e inovação IDEO para produzir o relatório “Aligned for Sustainable Design: An A-B-C-D Approach to Making Better Products" , que mostra como a sustentabilidade introduz uma série de fatores nas organizações que exigem o envolvimento de pessoas em toda a empresa.
Na verdade, as condições que retardam o progresso no design vêm muitas vezes da fraca capacidade de organização nas empresas. Em vez de esperar que o designer lidere estratégias de sustentabilidade para o produto, os gerentes precisam coordenar convencionalmente as partes desconexas da organização e promover uma aprendizagem organizacional dinâmica.
As quatro principais maneiras de fazer isto podem ser descrita como o ABCD do design sustentável:
A (Avaliar): avaliar os impactos no clima causados pelos projetos de sua empresa e avaliar a capacidade de organização para resolver esses impactos. Algumas empresas, como a Sony e a Philips, fazem isso ao buscar análises convencionais de ciclo de vida e avaliações dos materiais dos seus produtos a fim de assegurar que eles realmente entendam de onde vêem seus impactos. Outros, como a Intel, também focam na compreensão dos impactos de fornecedores de primeira ordem. Outras empresas ainda estão experimentando metodologias completamente novas: a BT, por exemplo, desenvolveu um método de "estabilidade e intensidade do clima" que veicula as emissões globais normalizadas da empresa por níveis atmosféricos esperados, necessários para a estabilidade climática.
B (Bridge): as funções de “ponte” e as pessoas necessárias para fazer as valiosas e manejáveis reconfigurações de produto. Muitas vezes, isso significa fazer defesas pouco convencionais de compromissos e recursos. Por exemplo, a Procter & Gamble, reconhecendo que os projetos de eficiência energética têm benefícios importantes, que ultrapassam os tradicionais retornos sobre as dificuldades do investimento, tem unido sustentabilidade e finança reservando 5% do seu orçamento (US$ 5 milhões) para projetos de economia de energia. A Hewlett-Packard desenvolveu um trabalho com a cadeia de abastecimento energético, o que cria um vínculo formal, uma ponte multifuncional entre a obtenção tradicional e equipes de responsabilidade ambiental.
C (Criar): criar projetos internos e externos de aprendizagem que reforcem o conhecimento sobre a sustentabilidade do produto e apoiar mudanças necessárias no processo de design. A Nike, por exemplo, lançou uma série de projetos, como o que reduz a produção de resíduos e tira calçados do descarte e outro que interrompe o processo de emissão de gases do efeito de estufa industriais vindos das bexigas de ar das solas dos tênis. Também monitora remotamente a eficiência energética dos seus fornecedores. A Marks and Spencer lançou uma série de projetos, incluindo um destinado à redução de energia no interior da loja e outro para fornecer alimento regionalmente e rotular o alimento transportado por frete aéreo. Um programa diferente tem como objetivo os consumidores, por meio de mensagens educativas e inspiradoras.
D (Difundir): difunda lições e mecanismos de responsabilização que construam uma alfabetização sobre a sustentabilidade e influenciem melhor a tomada de decisão por toda a organização. Isso coloca a informação nas mãos das pessoas certas no momento certo e cria responsabilização pelos resultados do produto. O Wal-Mart, maior consumidor privado de energia da América do Norte, desenvolveu uma carta de sustentabilidade abrangente, que engloba toda a empresa, com seis grandes prioridades e 14 equipes com funções que se cruzam. Como parte do esforço, a empresa usa aquilo que chama de "projetos pessoais de sustentabilidade" para treinar os funcionários sobre as formas de integrar a sustentabilidade em suas vidas. A Toyota tem uma série de iniciativas para difundir lições de sustentabilidade: ela formalmente ordena uma ação ambiental na sua "Carta da Terra", está desenvolvendo sistemas locais que racionalizem os complexos métodos ISO 14001 e OHSAS 18001 em suas instalações norte-americanas e usa as orientações “verdes” dos fornecedores que enfatizam a colaboração.
Para reforçar a sustentabilidade do produto, mais consumidores e políticos estão forçando as empresas a reduzirem as emissões de carbono por meio de suas cadeias de valor. Lembre-se da regra principal: o cerne do design sustentável do produto geralmente não é encontrado dentro da equipe de design, mas sim no fluxo de informação ao longo de toda a empresa.

Por: Ryan Schuchard
Fonte: www.agendasustentavel.com.br

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