"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



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sexta-feira, 23 de julho de 2010

O sucesso da logística reversa de celulares

Há sete anos o auditor ambiental Marcelo Oliveira percebeu um desafio e uma falha no mercado de celulares e outros eletrônicos: a falta de organização logística para cumprir a normas legais de disposição de baterias. Hoje, Oliveira é o principal coletor da maioria das operadoras e já estuda entrar na logística reversa do setor de informática e outros eletrônicos, Oliveira informou à Revista Sustentabilidade: Investimos [neste setor] porque não tinha gente fazendo".
Ele comanda a GM&C, uma empresa com 50 funcionários contratados e coordena uma rede de coletores terceirizados que coletam por mês, em 10 mil pontos no país, 20Kg a 30Kg de baterias e celulares de várias operadoras nacionais para entregar para as grandes recicladoras.
Oliveira afirmou que o mercado vem crescendo a taxas de 70% ao ano, estimulado pela maior consciência da população, a crescente fiscalização das leis ambientais e pelo fato das operadoras agora terem uma receita com a venda dos celulares usados.
"Quando comecei, a operadoras pagavam para as recicladoras receberem o material, hoje as recicladoras pagam por ele", explicou. Um quilo de celular usado hoje pode valer entre R$1 e R$3 enquanto a bateria vale entre R$ 0,20 e R$ 0,60 centavos.
A lógica do negócio é que o processamento das cinco recicladoras melhorou e agora permitem a produção de insumos reciclados. "Tudo que chega é reciclado," disse.
O plástico triturado é usado como insumo energético, enquanto o processo permite a recuperação dos metais das placas para revenda. Os metais pesados das baterias, que são totalmente controlados pelo governo, também são reutilizados, explicou o empresário.
O grande investimento feito pela GM&C foi, de fato, no desenvolvimento de um programa de computador, suportado na Internet, que permite coordenar as coletas nos país inteiro e entregar o material para as recicladoras.
O sistema permite o envio do coletor a qualquer ponto de venda de um operadora que já encheu um depósito, além de controlar o volume coletado, pré-processado e entregue às empresas recicladoras, pois as baterias, tendo metais pesados com o lítio e cadmio, são controlados.
Por isso, a empresa teve que também investir no treinamento dos funcionários para triar e lidar com este material. Além disso, é preciso fazer auditoria no processo para garantir a segurança.
Mesmo com este esforço, o mercado é ainda incipiente, pois apenas 2% de todos os celulares descartados são reciclados. Este é um mercado em franca expansão, pois já existem mais de 130 milhões de aparelhos celulares ativados no Brasil, um crescimento anual de mais de 20%.
Oliveira diz que esta expansão aponta para o crescimento de seu serviço de logística reversa e que alguns vão deixar de exportar o material. Segundo ele, a motivação hoje está além da obrigação legal, já que as empresas estão começando a incorporar a questão ambiental nas suas políticas e já perceberam as vantagens da reciclagem

Por: Alexandre Spatuzza
Fonte: http://www.revistasustentabilidade.com.br/

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