"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



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sábado, 15 de outubro de 2011

Até quando nós seremos considerados o "lixão" dos países desenvolvidos? Lixo hospitalar é exportado para o Brasil pelos EUA

É com imensa indignação que hoje compartilho com vocês esta notícia. Mais uma vez países desenvolvidos, neste caso os Estados Unidos da América, tentam utilizar nosso país como "lixão". Neste último dia 12/10/2011 a Alfândega da Receita Federal, apreendeu no Porto de Suape, em Pernambuco, um contêiner com lixo hospitalar, vindo dos EUA.
Já tivemos situações similares no Porto de Itajaí-SC, no entanto, desta vez a situação ainda é mais grave, tendo em vista que os resíduos exportados para o Brasil que estavam classificados no documento de importação como  "retalhos de tecido", eram na verdade "resíduos hospitalares", e de acordo com a Anvisa são "potencialmente infectantes". Dentre os resíduos haviam lençóis sujos de sangue, seringas, luvas usadas, entre outros objetos.
Para quem não sabe, os resíduos hospitalares são altamente tóxicos e podem transmitir doenças gravíssimas se descartados incorretamente, tanto que existem, resoluções da Anvisa especificamente para este tipo de resíduo, que não podem sob hipótese nenhuma ser descartados em aterros sanitários comuns, ou pior ainda, em lixões, muitas vezes até mesmo antes de ser incinerados estes resíduos requerem algum tipo de tratamento (físico, químico ou biológico).  Quando o descarte ocorre incorretamente, os catadores são as maiores vítimas, tendo em vista que eles estão em contato direto com o lixo e podem ter contato com materiais perfurocortantes e infectados, contraindo doenças graves, muitas vezes incuráveis.
É um absurdo que este tipo de situação ocorra, ainda mais em conivência com empresas brasileiras, que assumem a responsabilidade de importar todo esse lixo.
Até quando os países desenvolvidos acreditarão que os países em desenvolvimento, como é o nosso caso, são a "válvula de escape" para seu lixo, resultado de seu consumo desenfreado e exagerado??
Temos que ser vigilantes e punir os responsáveis por situações como estas. (Por Patricia Guarnieri)
Leiam a matéria publicada pela Agência Brasil:
"A empresa pernambucana responsável pelos dois contêineres com lixo hospitalar apreendidos nos últimos dias no Porto de Suape, em Pernambuco, vai receber outros 14 contêineres vindos dos Estados Unidos na próxima semana.
A agência marítima responsável por transportar a carga – ela também trouxe o material já retido - informou à Receita Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que os contêineres foram despachados pela mesma empresa exportadora norte-americana que enviou mais de 46 toneladas de resíduos classificados como potencialmente infectantes pela legislação sanitária brasileira.
De acordo com a documentação de importação, os contêineres devem chegar ao porto pernambucano no próximo sábado e contêm retalhos de tecido. Nas apreensões feitas esta semana, os documentos também informavam que a carga era composta por tecido de algodão com defeito. No entanto, ao inspecionar o material, os fiscais encontraram toneladas de lençóis, fronhas, toalhas de banho, batas, pijamas e roupas de bebês. Parte das peças continha a identificação de hospitais norte-americanos e estava suja de sangue. Também havia seringas, luvas hospitalares, cateteres, gazes e ataduras em meio ao material.
“Não sabemos o que, de fato, há nesses contêineres que estão chegando, mas, por precaução, vamos inspecionar tudo tão logo a embarcação atraque [em Suape]”, disse à Agência Brasil a coordenadora de Portos e Aeroportos da Anvisa em Pernambuco, Carla Baeta.
O nome da empresa pernambucana continua sendo mantido em sigilo. Porém, Anvisa confirmou se tratar de uma companhia têxtil de Santa Cruz do Capibaribe, uma das cidades do polo de confecções pernambucano, a 185 quilômetros da capital Recife.
Ontem (14/10), a Receita Federal acionou o Ministério Público Federal para entrar no caso. As autoridades investigam três hipóteses: se a empresa pernambucana não sabia o que havia dentro dos contêineres vindos dos EUA, se sabia e pretendia descartar o material indevidamente no Brasil ou se tinha conhecimento que era lixo hospitalar e, mesmo assim, planejava usar o tecido em sua produção."

Fonte: Adaptado do texto de origem da Agência Brasil por Patrícia Guarnieri para o Blog Logística Reversa e Sustentabilidade

Disponível em: Jornal do Brasil

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