"A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico. " (Patricia Guarnieri)



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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Logística reversa em uma indústria alimentícia

No Brasil, existiam legislações específicas somente para produtos considerados perigosos após o término de sua vida útil, tais como pilhas e baterias contendo metais pesados, produtos pneumáticos devido às poucas opções de tratamento e grande volume gerado e também das embalagens de agrotóxicos, onde a responsabilidade pela logística e tratamento é do fabricante.
Após a sanção da Lei 12.305/10 da Política Nacional dos Resíduos Sólidos, os fabricantes, comerciantes, distribuidores, consumidores e governos passam a ser solidários no descarte dos resíduos sólidos, por isso ainda são poucas as empresas que oficialmente utilizam a logística reversa em seus processos.
No entanto, através de um projeto sobre Logística Reversa que realizei na Universidade Estadual de Ponta Grossa, obtive juntamente com meus alunos, dados sobre algumas empresas, que mesmo ainda não estando sob a exigência da Lei 12.305 realizavam algumas práticas de logística reversa. Neste post descreverei o caso de uma indústria alimentícia, que além de obter benefícios ambientais, conseguiu benefícios econômicos com a utilização da logística reversa em seus processos de negócios.
Os principais resíduos gerados pela empresa são: as embalagens de acondicionamento e transporte das matérias primas, pallets de madeira ou plástico utilizados no transportes dos produtos que não atendem mais os padrões de qualidade e segurança, resíduos que são gerados durante o processo produtivo como restos de matérias primas e elaborados que são descartados. Além disso, existem outros resíduos que são gerados principalmente em áreas administrativas e de apoio, que são os papéis, plásticos, metais, resíduos orgânicos, não recicláveis (carbono, isopor), pilhas, baterias, óleos combustíveis, pneumáticos e outros.
Em todos os processos produtivos é praticamente impossível que não haja algum tipo de geração de resíduos, sucatas ou subprodutos, sendo necessária então a destinação de recursos para investimentos na implementação de um processo logístico reverso que atenda as necessidades da empresa.
Neste caso analisado a aplicação de recursos foram destinados para construção de locais para armazenagem de resíduos de produção, aquisição de equipamentos específicos necessários para a coleta seletiva de sucatas destinadas à reciclagem, aquisição de equipamentos para manuseio, conserto e locais para armazenagem de pallets, adequação de locais para o acondicionamento de materiais perigosos e treinamentos de equipe.
Apesar da aplicação de diversos processos com o conceito de logística reversa na empresa, a empresa não possui nenhum setor ou funcionários destacados especificamente para tal, mas os resultados provenientes são controlados separadamente como investimentos, custos e ganhos individualizados. O atendimento as legislações ambientais, aos conceitos e exigências da ISO 14001, a proteção e conservação ao meio ambiente são premissas de extrema importância dentro da corporação.
As empresas parceiras são fundamentais para que a logística reversa seja desenvolvida de maneira efetiva e consiga alcançar resultados que tenham reflexos positivos para a corporação em que o processo está sendo implementado, pois as mesmas deverão estar comprometidas com as legislações ambientais e a busca contínua de proteção ao meio ambiente. Estas empresas, além de fornecedores e clientes com os quais acordos de cooperação para remessa e devolução de pallets ou vasilhames criam um fluxo logístico específico, existe uma empresa especializada em reciclagem de sucatas, uma agrícola com produção de suínos e um grupo de empresas que são especializadas na recuperação de pallets.
Desta forma, a empresa efetua procedimentos de logística reversa, registra contabilmente estas ocorrências, tem retorno econômico, deixa de efetuar compras de materiais novos, deixa de ser penalizada com legislações ambientais, efetua a conscientização dos colaboradores e inclusive terceiros que manipulam materiais da empresa fazendo o treinamento ambientalmente correto para tal e possui certificação em normas ambientais.
Quando a empresa iniciou as atividades ligadas à gestão ambiental e logística reversa realizou investimentos a longo prazo (construção da planta de resíduos, compra de equipamentos para coleta seletiva, treinamentos) e, com certeza, agregou valor ambiental, econômico e de imagem corporativa aos seus negócios, respondendo positivamente às exigências legais e da sociedade.
Por: PatríciaGuarnieri

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